Guerreiros
67 Golpe
Notas iniciais
Norio encostou-se na parede mais próxima amaldiçoando tudo o que vinha em sua mente pelo apagar das luzes. As mãos encostadas na parede fria, enquanto o breu tomava-lhe a sua frente, pior ainda, era pensar que o maldito homem gordo havia virado em sua direção no momento em que as benditas luzes fizeram o favor de desaparecerem.
O garoto de cabelos azuis escutou passos vindos em sua direção, ele apertou ainda mais as mãos na parede procurando se afastar conforme escutava os passos se aproximando de si. Temia ser uma emboscada, ou melhor, sabia que aquilo era uma, todavia recusava-se admitir que caíra em um truque tão pateticamente astuto e previsível:
—Noroi!-gritou o garoto ouvindo mais passos:-Maldição! Apareça e lute como um homem seu miserável!
—Supai...-murmurou uma voz grave carregada de ironia, a qual só serviu para irritar ainda mais Norio:-Espiões... Péssima ideia, meu caro garoto. Mas serei bonzinho e o matarei rapidamente, ao contrário do mestre Kabuto que iria torturá-lo até a loucura. Com dor e agonia.
Norio chegou alguns passos para trás, mas a escuridão era total e o obrigava a ter a sensação horrenda de estar sendo sufocado, mesmo estando completamente só, quer dizer... Ele e o seu adversário:
—Já ouvi isso antes, cara.-falou Norio:-O que tanto conversava com o maldito Jin?
—Jin-sama?!-indagou o homem começando a gargalhar em seguida:
—Correto! E o que significa este apagão, seu desgraçado?! Responda-me!-gritou Norio perdendo completamente a paciência e só queria matar o homem que se escondia em meio a escuridão como um covarde:
—O apagão é apenas o início do reinado do mestre Kabuto!-o homem gritou socando face de Norio fazendo-o cair para trás com a mão na lateral do maxilar:
—Maldito! Desgraçado!-gritou Norio.
O garoto se ergueu e mesmo às cegas ficou em posição de ataque. Mas ele não podia enxergar absolutamente nada, então como, com todos os demônios, iria mandar o infeliz gordo para o inferno.
O rosto latejava, enquanto o homem ria de Norio. O que apenas fazia o garoto se enfurecer ainda mais.
Outro soco foi acertado no rosto de Norio.
Um baque surdo de um corpo caindo ao chão foi escutado.
***
Daisuke estava xingando boa parte da sua lista irrevogável de palavrões no momento em que avistou todo o palácio estar escuro. Cortaram a luzes?! Como foi que ninguém havia pensado na remota possibilidade disso acontecer?! Continuava se achando um completo idiota e o maldito sorriso cínico de Jin não estava o ajudando a se acalmar:
—Agora é, indiscutível, oficial! Eu o odeio!-bradou Daisuke apontando sua espada para Jin que mantinha o sorriso no rosto:
—A mesma mania patética de dar uma de inteligente, mas continua sendo o mesmo idiota, Daisuke!-falou Jin:
—Comentário desnecessário, Jin!-falou Daisuke:-Orgulho-me de ser um idiota, mas nunca seria um traidor de merda, igual a tu!
—Oh! Palavras duras...-murmurou Jin passando sua espada pela lâmina de Daisuke, fazendo um barulho horrendo de ambos os metais arrepiando o garoto de franja que engolira em seco:-Sabe que sou mais forte do que você! Então, não vou perder meu temp...
Jin não conseguira terminar a frase, por Daisuke perder paciência e bater sua espada com força na arma de Jin, que com impacto e força sentiu seu braço tremer levemente pelo ódio que a lâmina de Daisuke emanava:
—Não ouse me dar as costas, maldio traidor!-falou Daisuke:
—Watashi wa anata to tatakau tame ni shitaku arimasen, Daisuke!-murmurou Jin frio e passivo:-Não desejo lutar contigo, mas se deseja tanto um duelo... Ah! Como poderia recusar?!
—Watashi wa betsu no kettō o shitaidesu, Wurochiha!-falou Daisuke batendo novamente sua espada com força na espada de Jin, fazendo o garoto de olhos azuis olhá-lo em desconfiança:-Desejo um outro tipo de duelo.
—Sonohoka... ! Ā! Anata wa, hisan'na nani o imi suru nodesu ka?-bradou Jin chegando mais a frente bloqueando a espada de Daisuke utilizando a força bruta:-Do que está falando, miserável?! Exijo que explique-me!
—Osoreru koto wanai, otoko... Um duelo de perguntas e respostas.-falou Daisuke calmamente com a ranja negra descendo por seu olho direito, e o pequeno sorriso realçando sua face. No momento exato que bate novamente ambas a lâminas:-De ambos os lados.
—Shitsumon no kettō! Anata no kuso no pointo wa nanidesu ka?-bradou Jin já ficando com raiva dos enigmas do garoto. O jovem Wurochiha bate com ainda mais força a lâmina na de Daisuke que se desequilibra pela força utilizada:-Qual o seu maldito objetivo?
—Mā, mā... Ochitsuite! Dochira mo, watashitachi no sorezore no teki e no kaitō o shitai, anata wa dōi shimasen ka?-murmurou Daisuke chegando seu rosto próximo a de Jin:-Ora, ora... Acalme-se! Ambos desejamos respostas de nossos respectivos inimigos, não concorda?
Jin o avalia por alguns instantes, incerto crer nas palavras proferidas por Daisuke, mas no momento o maldito havia acertado e o pegado na questão da informação. Desejava saber o que os malditos estavam tramando:
—Watashi o nattoku sa se, otoko. Shikashi, tsūchi wa, nin'i no keikaku ga fuzoku shite, matawa shitai to Norio ga kyūden no mado ni yori rakka hyōji sa remasen.-Jin falou calmo o suficiente para fazer o ódio esquentar dentro de Daisuke. Ele não era como os malditos inimigos, ele não conseguia não se preocupar com seus companheiros. Dane-se se isso seria sua ruína, era um risco que ele correria e confiaria a Norio que não entregasse o pontos ainda... Não ainda:-Convenceu-me, cara. Mas lhe aviso, não venha com nenhum plano ou verá o cadáver de Norio caindo pela janela do palácio.
—Que assim seja, Wuochiha.-falou Daisuke friamente:
—Vamos começar, Endo!-falou Jin sorrindo de lado.
***
Hotaru teve a impressão de seus tímpanos terem explodido no momento exato em que as malditas luzes resolveram se apagar por completo. O loiro somente não gritou ou desmaiou pelo susto, pelo simples fato de que estava ocupado tapando os ouvidos pelo grito histérico das mulheres que ali estavam.
O garoto sentiu as mãos de Hana envolta de seu braço. Hotaru retirou a peruca e limpou a maquiagem em seu rosto no quimono, agora pouco se importando se iriam o reconhecer como homem. Se a casa caiu, ele iria entrar na briga como o homem que realmente era, seja o que Deus quisesse:
—Mas o que é isso?!-gritou Hana próximo de seu rosto, enquanto os gritos das demais mulheres se tornavam mais e mais alto:
—Não tenho ideia, mas eu te garanto! Boa coisa, com toda a certeza, não é!-gritou Hoaru:-Merda! Estão furando meus tímpanos essas garotas.
—Elas estão assustadas. E além do mais, temos muito mais com o que nos preocupar!-falou Hana tentando pensar em algo, ignorando o medo súbito que se instalou em seu coração ao lembrar-se de Takeshi:
—Karera wa kowagatte imasu?!-bradou Hotaru:-Eu estou a um passo de ter um colapso nervoso de pavor e não estou gritando feito uma cabra com cólica!
—Mas que inferno!-gritou Hana puxando Hotaru.
Ambos subiram em meio a um sofá repleto por almofadas. Hana subiu e Hotaru caiu umas duas vezes até conseguir ficar em pé também. A garota em seguida já se livrando do maldito leque, arregaçou as mangas do kimono e as chamas dançaram nas mãos pálidas da garota iluminando o local com o fogo.
Ela ergueu as mãos, já com tudo iluminado:
—Anata no subete ga... ... Damare kudasai!-Hana pediu baixo, mas s garotas, mesmo com luz continuavam a gritar e a chorar feito histéricas:-CALEM A BOCA!
As garotas fizeram silêncio e encararam Hana que mantinha o olhar preso e intenso para com todas. Hotaru estava virado de costas para as mesmas, logo em seguida que se deu conta disso, colocou-se de frente e mais gritos foram ouvidos ainda mais agudos que os anteriores:
—AHH!-gritou uma mulher roliça com um vestido apertado verde escuro, erguendo uma cadeira de madeira:-Otoko! Um homem!
A mulher lançou a cadeira em Hotaru que nem ao menos teve tempo de desviar, caindo ao chão com o objeto em ima de si. Hana fechou os olhos e gritou novamente fazendo todas as mulheres se calarem:
—! Watashi wa anata no subete ga ochitsuite hitsueu kudasai.-falou Hana tentando parecer calma e esconder suas tremuras de nervoso:-Por favor!Preciso que todas vocês fiquem calmas.
—Ute! Ute!-exclamaram as mulheres:-Fogo!
—Merda!-gritou Hotaru se erguendo com a testa vermelha:-Vou te falar essas mulheres de hoje em dia estão cada vez mais violentas, pelo amor de Deus!
—O que ele faz aqui?!-gritou uma das mulheres:
—Estou aqui para salvar as senhoritas.-falou Hoaru:-Meu Deus... Nem chegou a hora o "vamo vê" direito la com o infeliz, e eu já estou com um hematoma terrível e doloroso.
—Por que as luzes se apagaram?!-perguntou uma das mulheres, agora todas mais calmas:
—Oh, mulher! Não somos "adivinhas"!-falou Hotaru acariciando a testa vermelha:-Pronto! Já fiquei com raiva, já!
—Watashitachi wa shirimasen.-falou Hana descendo do local onde estava anteriormente para conseguir a atenção das demais garotas:-Nós não sabemos no momento.
—Mas já iremos descobrir!-falou Hotaru com o rosto encostado na porta:
—Sore wa dōiu imidesu ka?-perguntou Hana chegando perto:-O que quer dizer, Hotaru?
—Provando novamente a sorte que nós possuímos, nessa vida miserável... Eles estão vindo!-falou Hotaru encarando Hana com os olhos esmeralda brilhando na luz das chamas nas mãos da menina:-Posso ouvir seus passos.
—Droga!-murmuro Hana.
***
Hideo, Takeshi, Riki e Goenji agarraram-se as paredes, enquanto o breu os cegava completamente. Óbvio que algo assim iria acontecer, tão óbvio que chegava a ser humilhante para todos.
Takeshi xingou alto colocando fogo em suas mão, mostrando todo o ódio em seus olhos. Ambos os garotos pegaram as espadas e as colocaram em mãos para qualquer idiota que aparecesse nem ao menos tenha tempo de falar algo. Mandariam-no direto para o inferno:
—Era só o que me faltava!-falo Goenji:
—Já sabem que estamos aqui.-deduziu Hideo:-Que maldição!
—Agora matamos qualquer um que se aproxime!-falou Takeshi:
—E a Hana e o Hotaru?! Será que...?!-indagou Riki preocupado:
—Não podemos fazer muita coisa agora, Riki! Apenas temos que segurar o plano, independe se temos luz ou na mais completa escuridão. Eles vão ter que se virar sozinhos.-falou Hideo:
—Mas...-começou Takeshi se virando:
—Hideo tem razão, cara. Somente atrasaríamos o plano. Tenha confiança nos dois.-falou Goenji.
Takeshi abaixou a cabeça e fez com que o fogo ficasse maior e mais quente, conforme seus olhos adquiriam a coloração escarlate que tanto amedrontava os inimigos:
—Anata ga kanojo o kizutsukeru baai wa, chi de shiharau koto ni narimasu! Soshite, watashi wa hijō ni kōka de jūden sa remasu!-falou Takeshi em ódio:-Se a machucarem, irão pagar com sangue! E cobrarei muito caro!
Fora andando pelos corredores escuros.
Nada se escutava a não ser os passos de todos, enquanto os corredores escuros eram iluminados pelas chamas fortes de Takeshi que mantinha-se atento a qualquer ruído, até os mais minúsculo deles.
Não sabiam o que estava acontecendo. E isso os atormentava, as surpresas que passaram já foram o suficientes, porém sabiam que deveriam esperar de tudo enquanto se tratasse de Kauto e seus homens.
O impossível se tornou uma questão de pontos de vista distintos para cada um dos sobreviventes que no momento arriscavam suas vidas pela vitória de seu país:
—Shikashi, do no yōna jigoku! Subete no akuma to nani ga ito shite imasu?! E?!-falou Goenji com raiva:-Mas que inferno! O que, com todos os demônios, estão pretendendo?! Hã?! Minha vontade é de fazer um furacão aqui dentro desta merda!
—Acalme-se, ruivo! Não queremos chamar atenção. Ainda mais neste breu todo-falou Riki:
—Será que já estão atacando?!-perguntou Hideo:
—Improvável...-murmurou Takeshi:
—E como você sabe?-perguntou Riki:
—Não estou ouvindo nenhum grito.-falou Takeshi:-Nem absolutamente nada. Tudo em silêncio...
—Puraha! Kore wa watashi no kurushimi o zōka sa semasu!-falou Goenji com as mãos coçando para utilizar sua espada:-Praga! O que só aumenta minha agonia!
Takeshi e Riki estavam mais a frente, quando Hideo e cutou um barulho nada animador vindo de baixo, mas especificamente, da onde Takeshi e Riki estavam parados encarando-o com um olhar interrogativo:
—Nani?-perguntou Takeshi:-O que há.
—Merda...-murmurou Hideo olhando rapidamente ao redor e Takeshi seguia sua mão com as chamas aonde os olhos de Hideo pousavam sobre o cômodo:
—Tudo bem, Hideo! Está me assustando, o que está havendo, porra?!-indagou Riki sem paciência:
—Venham para cá... Vagarosamente.-falou Hideo:
—Mas, o que?!-indagou Riki.
Takeshi sentindo um frio na espinha abaixou a mão contendo as chamas devagar até o chão. Não viu nada demais, porém quando Riki se moveu um pouco o barulho da madeira rangendo sem absolutamente nada a contendo para ficar imóvel soou, Takehsi sabia que havia caído em uma armadilha:
—Oh, não!-falou Riki encarando Hideo e Goenji.
Takeshi encarou rapidamente um castiçal em cima de uma mesa e lançou fogo para a sua direção, queimando a mesa também, mas no momento nem viu direito porque o chão embaixo dele e de Riki se abriu engolindo ambos que nem ao menos tempo de gritar fora possível:
—Fakku!-xinou Goenji correndo, mas Hideo o impediu de ir pegando o castiçal:-Temos que salvá-los!
—Não! Não podemos nos desviar do plano, Goenji.-falou Hideo:
—Qual é, Hideo?! Nunca abandonamos um companheiro! Não será agora que iremos.-gritou Goenji em fúria:
—Use esta sua cabeça! Nunca abandonamos um companheiro, mas também não ganhamos nenhuma briga com os desgraçados do Kabuto e Mitsuo!-falou Hideo frio e raivoso:-Vamos seguir o plano, eles sabem se cuidar e irão nos alcançar.
—Kare wa ushinau koto o osorete imasu?-perguntou Goeji encarando fundo nos olhos diamante de Hideo que brilham ainda mais somente com a chamas os protegendo da trevas em seu redor:-Responda, Hideo! Está com medo de perdemos?
—Nunca me ofenda com essa pergunta novamente-falou Hideo:-Não tenho temor algum por meus inimigos, eles deveriam ter de mim quando fico com raiva. Agora mais do que nunca.
Hideo disse contornando o chão aberto e retomando o seu caminho:
—Ah?! E você está com raiva agora?perguntou Goenji.
Hideo parou e se virou para Goenji com as chamas próximas a seu rosto e o uniforme destacando seus ombros largos:
—Estou furioso.-disse simples:-Venha! Temos que continuar.
—Tsudzuki o yomimasu... Nem sabemos aonde estamos indo.-falou Goenji.
***
—Coragem é uma questão de ponto de vista.-bradou Hana, enquanto acendia mais duas velas para ajudar a iluminar o local repleto de mulheres com medo, um Hotaru prestes a ter uma crise e a garota que tentava se manter impassível:
—Já estou enxergado tudo embaçado se quer saber.-falou Hotaru andando de um lado para o outro se abanando com um leque de uma das mulheres:
—O medo cega seu caminho.-Hana falou firme o encarando.
—Tá explicado muita coisa então, minha amiga...-falou Hotaru sendo frio:-O seu plano é maluco. Na verdade não é um plano, somente a gente se jogar nos caras dando porrada em todo mundo, praticamente só na cara ena coragem. Bom, no meu caso só na cara mesmo...
—É a nossa melhor chance.-falou Hana:
—Nossa melhor chance seria a gente ir embora daqui.-falou Hotaru:
—Hotaru! Acalme-se, homem!-falou Hana:
—Estou calmo! Só tenho que matar uns inimigos, proteger essas mulheres todas, incluindo você e ainda proteger a mim mesmo... E o pior, lutar de kimono não está melhorando a situação.-falou o garoto loiro:
—Não precisa me incluir na sua lista e proteger.-falou Hana retirando de seu kimono um arco de madeira e algumas flechas que estavam presas em suas roupas íntimas:
—Watashitachi no haha... Não quero nem saber como você fez pra caber isso ai dentro deste kimono.-falou Hotaru se levantando e retirando sua espada também.
As demais mulheres se afastaram de ambos, enquanto Hana desfazia seu coque e deixava os cabelos negros e lisos, agora um pouco maiores caírem até um puco baixo dos ombros. Limpou os últimos vestígios de maquiagem em seu kimono, graças ao fogo ela estava sundo o que ajudo a remover o pó em sua face.
Hoaru com o auxílio da espada, cortou a parte de cima do Kimono, o deixando de peito nu e os cabelos loiros um pouco maiores até a nuca brilhavam em um dourado vivo. A parte de baixo, o garoto arrancou o véu e estava somente de calça.
Hana cortou alguns panos que estavam mito longe no kimono e e cortando as mangas desnecessária, tendo mas liberdade em seus movimentos:
—Pronto! Bem melhor!-falou Hotaru mexendo os cabelos. As demais mulheres gritaram com os rostos vermelhos de vergonha se escondendo entre elas mesmas, arrancado um sorriso baixo do garoto que balançou a espada se colocando na frente de todas em posição de ataque:-Senti falta do meu efeito nas mulheres.
Hana revirou os olho se colocando ao lado do garoto:
—Irão chegar quando?-ela perguntou.
A porta foi arrobada e uns cinco homens entraram com suas espadas. Hotaru e Hana nem ao menos tiveram tempo de se prepararem, enquanto as mulheres gritavam.
Hotaru se atirou de frente ao primeiro com golpes de espada e Hana atingia dois com flechas apostas. Um fatalmente na garganta com uma das mesmas, outro na cocha fazendo-o ficar imóvel no chão. Hotaru aproveitando disso, pegou a outra espada do homem e começou a lutar contra dois soldados ao mesmo tempo.
Hana pegou as flechas tentando acertar no último soldado que ali estava, todavia apenas uma havia lhe acertado no ombro, fazendo a garota xingar:
—Merda!-ela gritou:
—Watashi no kawai imasen.-murmurou o homem:-Comigo não, bonitinha.
—Vou te mostrar a bonitinha, infeliz!-falou Hana.
O homem foi pra cima dela, fazendo-a se defender do ataque com seu arco de madeira que bloqueou o ataque, porém danificou seu paceiro em balhas. O homem era mais forte, isso era algo notável, Hana sentia o suor escorrer pelas suas costas, enquanto forçava seus braços a defenderem o golpe.
Pelo canto do olho, Hana viu o homem com a flecha cravada na cocha se erguer e firmando-se na perna boa fora até as demais mulheres que ali estavam unidas em pleno pânico:
—AHH! Não!-falou Hana distraindo-se e logo em seguida o seu agressor lhe deu uma rasteira, fazendo-a cair no chão de costas. Mesmo com uma dor infeliz começando de sua coluna e se estendo por todo o corpo, a menina não retirou a força utilizada em seus braços contra o homem que ainda mantinha a espada no arco.
O miserável ergue novamente a espada e tentou cravar no estômago de Hana. A garota percebendo tal golpe, jogou o arco mais embaixo, fazendo a espada ficar ainda mais presa dessa vez na madeira:
—Maldita!-gritou o homem.
Os gritos vindo das mulheres ecou pelo recinto e Hana viu o homem começar a agarra-las, mesmo o maldito estando ferido:
—Senki to!-amaldiçoa Hana:-Hotaru! Ajude as mulheres!
O homem ergueu o arco de Hana levando, involuntariamente a menina junto e batendo a costas da mesma contra a parede, fazendo-a perder levemente o ar de seus pulmões.
Hotaru estava lutando com dois ao mesmo tempo. Nem mesmo ele sabia ao certo o motivo de tamanha ousadia nesta briga, por dentro xingava-se pela falta de juízo.
O garoto dá um chute na espada de um, e em seguida chuta-lhe o estômago, levando a espada logo em seguia com o auxílio de um giro na espada do outro cara com quem lutava:
—Sore wa dono yō ni?!-berra Hotaru:-Não está vendo que estou bastante ocupado no momento?! AHH!
Hotaru leva um soco no meio a cara. Não há outro modo de descrever, caros leitores que aqui e acompanham:
—Vou te matar!-fala o homem tentando fazer com que o arco de Hana vá para seu pescoço, começando a estrangulá-la:
—N-N-Nã-Não!-murmurava a garota:
—O que?! Maldito!-gritou Hotaru cravando a espada no peito do homem sem arma que caiu imóvel cuspindo sangue e logo jazia morto. O loiro tentou correr até Hana e depois olhou as mulheres. Não sabia o que fazer:-Desgraça!
Não teve mas tempo, seu outro oponente o agarrou, jogando-o no chão e começando a socar Hotaru, todavia o mesmo defendia com seu anti-braço, enquanto o xingava.
Hana estava vendo pontos negros na sua frente, enquanto o ar faltava e queimava-lhe os malditos pulmões. Se ela perdesse a consciência estaria perdida, não havia como Hotaru ajudá-la no momento, e também ela queria conseguir por si só:
—Shinu, fukō!-murmurou o homem sorrindo diabólico:-Morrerá, infeliz!
Hana olhou pra a espada cravada em seu arco de madeira e notou que suas pernas estavam próximas da região estomacal do maldito a sua frente. Notou também que o outro homem estava agarrando as outras mulheres e jazia com a perna ensanguentada, pois retirara a flecha e com o auxílio da arma estava fincando nas demais mulheres que gritavam desesperadas.
A menina viu Hotaru se erguendo do chão, mas o seu oponente não o dava tempo se atirando em cima dele novamente.
Teria que dar um jeito.
Hana ignorando a dor em seu pescoço, a falta do ar e seus pulmões em brasa, chutou com toda a sua força o estômago de seu oponente, fazendo-o cambalear para trás sem ar e cair ao chão. A menina nem ao menos recobrou a consciência do ar entrando em seu corpo, pousou no chão, rapidamente, batendo o arco de madeira com foça no chão quebrando assim a lâmina da espada. Deixando uma parte ainda presa no arco e a outra ela atirou nas costas do maldito que estava ferindo as mulheres.
Hotaru em um golpe bárbaro ergueu-se do chão pelo ar e fincou a espada na garganta do oponente que caia morto, afogado em seu próprio sangue.
Han estava tossindo, enquanto retomava a respiração, mal vendo o homem se erguendo e avançando até ela. Todavia o mesmo caía morto, com a espada de Hotaru fincada em suas costas.
Hana estava ofegante, enquanto Hotaru limpava sangue de seu corpo e o sangue nas feridas abertas, apena superficialmente:
—Yoku yarimashita! Arigatōgozaimasu!-murmurou Hana rouca:-Mandou bem! Obrigada!
Hotaru sorriu de lado e a ajudou a levantar.
Ambos olharam as mulheres chorando, algumas feridas outras... Jazidas mortas no chão com um perfuramento em lugares vitais, como coração, garganta, cabeça e costas:
—Ā, watashi no kami!-murmurou Hotaru:-Ah, meu Deus do céu! Mas que merda!
—De wa arimasen! Watashi ga otetsudai o sa sete... Fuku no heishi o haichi shi, mizu de anata no kyūjitsu o fukimasu.-Hana disse colocando as mãos nos ombros do loiro:-Não! Deixa que eu ajudo... Coloca uma roupa dos soldados e limpe suas ferias com água.
Hotaru assenti e Hana foi ajudar as mulheres com os ferimentos e cobrir os corpos das que perderam a vida tão tragicamente.
***
Goenji e Hideo continuavam seu caminho entre trevas no mais completo silêncio, ambos com as espadas preparadas para o bote fatal no primeiro inimigo que chegasse próximo de ambos. O castiçal banhado pelas chamas vindas de Takeshi iluminava o caminho, todavia não ajudava em tudo, em uma luta não poderiam duelar segurando velas.
Amaldiçoava o infeliz que tivera a brilhante ideia de apagar completamente todas as velas do local. Hideo com toda certeza usaria esta tática se assim Deus permitisse sair vivo e lutar em outras batalhas:
—Kono chinmoku wa, watashi o koroshite imasu.-falou Goenji bagunçando os cabelos vermelhos:-Esse silêncio está me matando.
—Controle-se! Ainda não achamos ninguém com quem lutar, e até agora estou muito satisfeito.-falou Hideo:
—Também não estou com a mínima vontade de lutar com algum idiota, porém ouvir somente nossos passos, respiração e o coração batendo, já é um pouco demais não acha?!-indagou Goenji:-Essa tensão acaba comigo! E ainda tem o Takeshi e o Riki....
—Ā, sorera ni tsuite kangaeru no o yamemasu! Watashi wa ryōhō no wa hijō ni yoku mamoru koto ga dekiru koto o iimashita. Anata to issho ni watashi yori mo sarani!-falou Hideo fazendo Goenji revirar os olhos:-Ah, pare de pensar neles! Eu já lhe disse que ambos conseguem se defender muito bem. Até mais que eu e você juntos!
Continuaram andando com o silêncio ecoando sua caminhada fatídica de medo em assombro súbito. Até que gritos e sons de algo batendo contra o piso e madeira frio que os mantinha presos:
—Mas o que, infernos, é isso?!-perguntou Hideo:
—Ā, watashi no kami! Ā, watashi no seibo!-murmurou Goenji pegando sua espada e deixando o castiçal tremer levemente:-Ah, meu Deus! Ah, minha Nossa Senhora! É agora, Hideo!
—Vai Goenji!-gritou Hideo.
Ambos avançaram nos corredores chegando próximos as janelas, vendo Norio caído no chã com o rosto ensanguentado e um homem gordo em pé com um objeto de madeira. Os olhos azuis de Norio se ergueram ao fitar as chamas iluminando o local, voltando suas orbes cristalinas para seu agressor sprrindo de leve:
—HIDEO!-gritou Goenji:
—Mas, o que...?!-indagou Hideo.
Norio se ergueu, evocando água congelando as pernas do homem contra o piso, em seguida pegou a madeira que outrora estava nas mãos de seu inimigo e começou a bater no mesmo, até quebrar o objeto na cabeça do homem que gritou pela dor forte do impacto. Norio em seguida congelo-o por completo e chutou a rocha de gelo a quebrando completamente e matando-o em mutilamento.
Goenji estava parado ainda com a espada erguida e o castiçal também, enquanto Hideo mantinha um olhar de alívio. O ruivo estava com a boca escancarada encarando o homem de cabelos azuis e riscos de sangue em se rosto:
—M-Mas...-começou Goenji:
—Watashi wa watashitoisshoni kurai kyōkan shimasen.-murmurou Norio arrancando os panos de sua roupa limpando suas feridas abertas com os mesmos:
—Que isso?!-indagou Goenji:
—Anata wa daijōbudesuka?-pergunto Hideo:-Você está bem?
—Watashi wa daijōbudesuyo!-falou Norio apenas com uma camiseta justa branca e os braços enfaixados com os lenços do antigo kimono:-Estou bem! Os ferimentos foram superficiais... Consegui manter a compostura enquanto deu.
—Sukunakutomo...-falou Goenj:-Pelo menos, né homem?! Mas o gordo ali, nada sobrou... Foi tudo para um lado, ao menos está congelado, senão... Nada parava no meu estômago.
Norio olhou ao redor e notou que faltava pessoas:
—Hokanohito wa doko ni imasu ka?-perntou Norio:-Onde estão Takeshi e Riki?
—Caíram no rombo que se abri na desgraça do chão e eu espero que estejam vivos!-falou Genji dando de ombros:-Normal, é a nossa sorte sorrindo feliz.
—Shikashi, nani?!-indagou Norio:-Mas, o que...?!
—Goenji está exagerando.-falou Hideo batendo na cabeça de Goenji:-Para de falar besteira, seu idiota! Eles não morreram!
—Vá saber...-falou Goenji e Hideo bateu novamente no ruivo:
—E agora...?!-indagou Norio:
—Watashi wa otoko, anata o motomete imasu!-falou Hideo:-O que aconteceu? Por que estava aqui lutando com quele homem e...
—Onde está o Daisuke?!-perguntou Goenji:
—Eu e o Daisuke vmos o Jin conversando com aquele homem e então nos separados. Eu segui ele e o Daisuke... O Jin.-falou Norio:
—Oh,merda...-falou Goenji fechando os olhos.
O ruivo confiava em Jin, afinal o cara havia o salvado da morte. Talvez ele não seja tão mal, Goenji aprendeu a olhar o lado do seu ex-companheiro, mas temia que Jin matasse Daisuke e se ele fizesse tal atrocidade, nada na Terra o impediria de arrancar a cabeça do Wurochiha mais novo:
—Espero que ele esteja bem.-falo Goenji voltando a prestar atenção na conversa de Norio e Hideo:
—É... Você matou o desgraçado, nem deu para fazer o interrogatório.-falou Hideo cruzando os braços:
—Watashi mo, anata ni wa nani mo iu koto wa arimasen! Watashi wa amarini mo suteki okonatta to omoimasu.-falou Norio cruzando os braços:-Nem vou falar nada com você! Acho que fui até bonzinho demais.
—É...Para o idiota ali, acho que não.-falou Goenji.
O som de aplausos e gritos foram ouvidos do lado de fora do local, ambos os garotos chegaram próximos as sacadas vendo as luzes do início da celebração ofuscar sua visão:
—Que se dane! Vamos! Temos que achar onde os soldados estão.-falou Hideo:
—Eu concordo! O plano deles está correndo perfeitamente bem para a nossa desgraça, enquanto a nós... Bom, nunca funciona nada mesmo!-falou Goenji.
***
Ran e Kyo estavam perdidos dentro daquele maldito galpão. Fizeram exatamente tudo o que o garoto havia falado para chegar até onde estava a maldita túnica de dragão, na qual Jin, por alguma razão que eles ainda desconheciam, havia roubado.
Ambos estavam parados em meio a uma enorme escadaria, que fique claro haviam subido à metade, porém o garoto não havia lhes informado que eram 47 vãos de escada. O motivo do tamanho exagerado, preferiam nem comentar. Kyo estava encostado com as costas apoiadas no corrimão de madeira e com pregos faltando, enquanto Ran estava sentado no chão sujo de poeira e insetos mortos, com os joelhos erguidos e seus braços descansando ali mesmo:
—Dono yōna utsukushi-sa!-exclamou Kyo socando o corrimão velho de madeira gasta:-Mas que beleza! Lindo mesmo! A guerra acontecendo e eu e você aqui presos dentro desta galpão abandonado que mais parece a porra de um labirinto de escadas velhas que não eu iria me surpreender se desmoronasse aqui mesmo, pelo estado que se encontram.
—Sukunakutomo nanika o kangaete mite kudasai... Yakunitatanai, monku o teishi shimasu.-murmurou Ran:-Pare de reclamar, inútil... Tente pelo menos pensar em alguma coisa.
—Eu não sei porque eu ouvi você! Eu deveria ter pego a liderança na nossa última curva de escada, aposto que a gente não iria estar nessa situação.-falou Kyo:
—Ā, damare! Tawagoto o henkō shimasen. Nani ga okotta ka no tame ni watashi o sememasu!-falou Ran se levantando e batendo a poeira das vestes:-Ah, cale a boca! Culpar-me pelo que aconteceu não vai mudar merda nenhuma!
—Não, é claro que não! Mas me faz sentir melhor.-falou Kyo batendo na cabeça de Ran:
—Baka!-falou Ran:-Mas onde, com todos os diabos, a gente foi errar! Não tinha como errar! Era só subir as escadas, ma...
Ran parou de súbito quando uma ideia bateu em sua mente, fazendo-o reconsiderar a ideia de que ele e Kyo não passavam de dois idiotas:
—Nanisore?-perguntou Kyo:-Fala! O que foi?! Pelo amor de Deus, seja algo bom... Uma ideia não seria nada mal!
—Kyo, meu amigo... Cheguei a uma conclusão muito importante.-falou Ran sorrindo irônico para o garoto:
—Ā, watashi no yo-sa... Nani?-perguntou Kyo com as duas mãos na cabeça:-Ah, minha nossa... O que há?
—Ā, zutto nani mo... Watashitachiha raba aru dake de jitsugen.-falou Ran agora gritando e chutando o corrimão de madeira:-Ah, nada demais... Apenas a constatação de que somos mulas.
—Por que?-perguntou Kyo com uma expressão de desgosto:
—Torappu, baka!-falou Ran com raiva:-Uma armadilha, idiota!
—Deixa de ser neurótico...Não deve ser uma armadilha! Estamos perdidos!-falou Kyo:-Temos que subir mais as escadas, aí chegaremos...
Kyo começou a subir novamente com Ran em seu encalço olhando de um lado par o outro ainda com a impressão de tudo não passar de um plano muito bem elaborado que ele e Kyo caíram como dois imbecis:
—Não achou muita coincidência a gente vir parar neste lugar?!-indagou Ran andando atrás de Kyo:
—Um garoto iria mentir para nós?!-indagou Kyo chegando até o alto das escadas e parando antes de subir o resto que vinha mais a sua esquerda:
—Um simples garoto não! Jin pode ter mandado a porra do recado.-falou Ran:
—Sono-gawa ni kangaemasu...-começou Kyo mas parou ao avistar alguém atrás de Ran:-Pensando por esse lado... Merda!
—O que...?!-indagou Ran se virando com o barulho de palmas.
Havia um homem de vestes negras com um enorme facão em mãos, sorrindo irônico para os dois garotos:
—Excelente, garoto! Descobriu! Shikashi, oso sugimasu. -indagou o homem:-Todavia, tarde demais.
O homem lançou o facão repentinamente rápido na direção dos garotos:
—Chūi!-gritou Kyo:-Cuidado!
—Deteike!-bradou Ran:-Saia!
Ambos os garotos pisaram na armadilha feita de fios de aço que acionou uma enorme gaiola. O piso de madeira velha se quebrou e ambos os garotos caíram na gaiola de ferro podre e horrenda que se ergueu presa a correntes de aço.
Os dos garotos dentro da gaiola a alguns metros do chão, encararam o culpado a sua frente que levava uma espada presa no cinto:
—Kon'nichiwa!-falou Kyo sorrindo irônico sentado na costas de Ran que se encontrava estirado na gaiola pequena:-Olá
—Watashi wa, anata ga daikiraidesu!-falo Ran com ódio:-Eu te odeio!
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