Guerras da Alvorada
1 Um Novo Dia
Estava no campo de treinamento fora do palácio. Usava um arco longo e flechas de madeira, perfeitas para treinar. Ventava muito naquela manhã e o sol ainda brilhava fracamente. De repente uma rajada de vento escoiceou minha nuca e meus cabelos ruivos tamparam-me os olhos. Ouço então o barulho da porta pesada abrindo-se e uma voz mais do que familiar soou atrás de mim:
– Arven...acordou cedo hoje.
Quando me virei, vi meu tio Erien, sorrindo, em sua vestimenta magnífica de Alto-Rei Élfico e com sua coroa de três pontas. Sorri em resposta e curvei-me:
– Bom dia meu senhor. — disse-lhe — Está ventando muito hoje, não?
– Certamente...um vento congelante...e nortenho. — falou com um rosto sério, o qual se desfez logo com um sorriso — E então? Pronto para a cerimônia em comemoração aos 4000 anos sem guerras?
– Sim tio. — levantei-me e guardei o arco e a aljava num baú.
Como meu tio havia dito, iria ser comemorado o aniversário de 4000 anos sem guerras. Curiosamente, também era meu aniversário de 90 anos, o que para os humanos é mais ou menos uns 23 anos. Havia ganho vários presentes e até uma promessa de casamento, mas o que meu tio me deu foi o que mais me alegrou: dois punhais feitos de aço-folha, o legítimo aço élfico.
Após sairmos do campo de treinamento, entramos nas muralhas de Vall'mer, capital dos elfos, que na língua dos humanos é Montanha de Fogo. A grande cidade, que ficava dentro do forte de mármore, era maravilhosamente linda e rica, mesmo tendo alguns bairros pobres. Comerciantes gritavam seus preços e produtos, ferreiros martelavam aço e estalajadeiros abriam as tavernas.
Tudo estava lindamente em paz...até que:
– AOS PORTÕES! TODOS OS SOLDADOS AOS PORTÕES! — gritou Goleb, o capitão da guarda real.
– O que esta havendo aqui Goleb? — perguntei ao velho capitão — Estamos sendo atacados?
– Sim meu senhor! — disse-me suando.
– Quem está atacando? Os orcs? Humanos? — interrompeu meu tio.
– Não meu rei...são elfos! Elfos!
– Traidores? Dispersem-os! Vamos! — disse-lhe desembainhando meu punhais.
– Não meu jovem senhor. São elfos...MORTOS! — gritou essa ultima palavra com medo.
– Como sabe que são mortos, Goleb? Está ficando louco? — perguntou Erien — Diga-me!
– Seu pai os comanda meu rei...seu pai, que morreu a 100 anos atrás!
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