Guerras da Alvorada
5 Os Gêmeos Híbridos
3 dias antes de chegarmos a cidade dos humanos, os orcs haviam se encontrado com os drows. Pelo que Phillip nos havia dito, o líder do clã do Norte (o principal clã entre os orcs, o qual regia todos os outros grupos), Rafgur, havia deixado a fortaleza principal com todo o povo que nela habitava. Isso havia deixado o rei humano apreensivo, fazendo-o mandar espiões junto dos monstros. As notícias que eles tinham conseguido, chegaram com os corvos naquela manhã. Tinhamos chego na hora:
– Bem, amigos. — disse Phillip — Aqui estão os resultados que meus homens conseguiram.
O rei pegou um pergaminho, quebrou o selo e começou a lê-lo:
– Aqui diz: "Para Vossa Majestade, o rei Phillip, o Loiro. Encontramos os orcs e o chefe Rafgur entrando em uma velha ruína. Não foi possível dizer de qual raça pertencera, mas datava de antes da Grande Guerra. Ao nos aproximarmos, vimos Ragfur se ajoelhar perante um homem de pele acizentada e olhos amarelos. Vimos também que o mesmo possuía orelhas pontiagudas e carregava um cajado de mago. Logo atrás dele, estavam dois homens quase idênticos".
Meu tio se levantou da cadeira onde estava sentado:
– Seriam os drows Phill? — disse ele.
O rei loiro não respondeu de imediato e leu as últimas palavras da mensagem:
– "Está confirmado que os orcs se aliaram aos drows. Aviso: Preparar as defesas para qualquer ataque". Isso responde a sua pergunta En?
Erien voltou a se sentar, pensativo. Eu estremeci na cadeira, enquanto Ragnald permanecia sério. Mas de repente o rei humano ficou pálido. Logo que vi aquilo me levantei surpreso:
– Algo de errado senhor?
Ele me olhou e abriu a boca devagar. As palavras que saíram dela eram inigualáveis:
– Os Gumir'jorns...são reféns dos drows.
Nisso, meu tio se levantou e Ragnald caiu da cadeira. Eu tomei bruscamente o pergaminho da mão do rei Phillip e li duas vezes. Haviam colocado essas palavras no fim da folha da carta:
– Então é verdade... — Disse meu tio Erien — Eles tiveram filhos no Mundo do Crepúsculo.
Na Grande Guerra, Gut, um orc, e Mirrä, uma elfa, eram amantes. No fim das batalhas, ficaram sabendo da relação entre os dois. Como não queriam que houvesse um símbolo de trégua entre os dois povos, os quais se odiavam, baniram os dois para o Mundo do Crepúsculo, junto dos elfos-negros, esperando que os drows os matassem. Porém, se os dois tivessem um filho, os dois povos seriam obrigados a se aliar.
E pelo que parecia, os drows estavam usando os Gumir'jorns (filhos de Gut e Mirrä em élfico) para fazer com que os orcs se juntassem a eles. Em troca, os Gumir'jorns seriam mortos, pois somente orcs podem matar seres híbridos (talvez a única benção dada a eles).
Foi assim que passamos mais de duas horas planejando o que fazer até que Ragnald se pronunciou:
– Por que não sequestramos os Gumir'jorns e juntamos forças com os orcs? Eles não terão escolha. Assim teremos mais um exército junto aos nossos.
Todos acharam uma boa ideia:
– Mas quando faremos isso? — perguntou Phillip.
– Se conheço os orcs eles irão levar os gêmeos para a fortaleza principal e fazer um ritual. — disse meu tio — Eles são cheios dessas tradições.
– Então os pegaremos lá? — pronunciei-me — Podemos ir sozinhos. Desse jeito chamamos pouca atenção e não precisamos usar a força bruta e nem nossos homens.
Assim que todos concordaram, o rei Phillip mandou seus batedores seguirem com cautela os orcs e mandarem uma mensagem quando estiverem próximos a fortaleza Norte. Após alguns dias, um corvo chegou ao castelo.
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