Guerra entre mundos

1 Capítulo 1 - O início de suas dúvidas


Pietro não era muito o tipo de garoto que gostava de estudar. Exceto quando se falava em história... ah como ele amava.

Acabava de bater o sino final do intervalo. Pietro se dirigiu a sua carteira e abriu seu caderno para ver qual era a próxima aula.

— Sociologia, que tédio, preciso achar meu fone de ouvido! ~~Disse Pietro a sua melhor amiga, Merida)

- Aff, Pietro, as aulas da professora Katie são ótimas, se você ao menos prestasse atenção em alguma aula dela, saberia disso.

- Prestar atenção pra quê? É a mesma baboseira de política todo ano, só eu assistir o jornal que eu consigo fechar as provas.

Merida virou os olhos e então sentou na frente de seu melhor amigo. Professora acabara de chegar na sala de aula, deixou seu material sob a mesa e escreveu no quadro ‘’Relativismo cultural’’.

- Relativismo cultural... alguém sabe me dizer sobre? Não? Ah, imaginei. Bom relativismo cultural é o que vivemos, bem, ou tentamos viver. Vivemos em uma sociedade etnocêntrica que diz apoiar o relativismo cultural. Alguém faz ideia do que seja o Etnocentrismo?

E para a surpresa da professora, Linos levantou a mão e começou a falar:

- Bom professora, não tenho certeza, mas acho que etnocentrismo é quando uma sociedade julga a outra por ser menos evoluída, coloca a outra sociedade em situação de como a outra cultura fosse inferior a nossa.

- Excelente Linos!!! Alguém pode me dar um exemplo de etnocentrismo? ~~Disse a professora se referindo a Merida

- Hm, é, nós sabemos que o que a cultura do povo da Etiópia é um absurdo, por exemplo, a mutilação do órgão genital da mulher obrigatória, nós sabemos que é errado, mas para eles, eles estão fazendo o certo. Querendo ou não, o preconceito que temos com esse tipo de sociedade, é etnocêntrico.

- Até que essa aula está inovando meus conceitos. ~~Sussurrou Pietro para Merida

- Ótimo exemplo Merida, continuando com a matéria, relativismo cultural como vocês devem ter percebido, é exatamente o contrário de Etnocentrismo, o relativismo cultural prega a igualdade entre culturas, ou seja, que não tenhamos preconceitos perante as outras culturas, alg...

A professora foi interrompida pelo sino e sem nenhum ato de bom senso dos alunos, todos se levantam arrumando o material para seguir as aulas seguintes.

- Minha próxima aula é de biologia ~~Disse Merida virando os olhos e curvando o corpo como quando alguém está com vontade de dormir.

- A minha é de História, chora recalcada, agora sim vou para uma aula com um professor decente.

Se despediram e foram para a suas devidas salas. Quando Pietro chegou, o professor já estava na sala, sentado com uma televisão diante dos alunos.

- Boa tarde. Sentem-se e calem as malditas bocas, quero comentar depois sobre o documentário, ainda hoje!

Ninguém questionou e nem se surpreendeu, toda aula de segunda ou sexta o Professor Renato era estupidamente grosso por causa da sua ressaca. Após alguns segundos que todos os alunos se ajeitaram, o professor colocou o documentário.

- Ok, depois desse belo documentário sobre Hitler, o que vocês tem a dizer sobre ele?

- Nada de relevante professor , ele é apenas um babaca que matou muita gente! ~~Disse Katrina, uma aluna típica dos: ‘’Descolados do fundão’’.

- Apenas um babaca? Katrina, né? N me recordo bem. Enfim, apenas um babaca? Comentarei sobre este terrível ponto de vista depois que ouvir a opinião de um aluno que eu espero não me desapontar... Pietro?

- Sem dúvidas ele foi um babaca, porém ele é muito mais do que apenas isso, além do que, um babaca qualquer não conseguiria chegar ao ponto que ele chegou, tem níveis de babacas: 1) babacas estilo não são ninguém. 2) babacas estilo são ninguém, porém são babacas com outras pessoas, mas são babacas burros e 3) babacas estilo Hitler. Que foi um babaca incrivelmente inteligente, que apesar de ter sido um grande militar, seu sonho sempre foi ser Artista, acredito eu que suas mágoas foram tão guardadas e acumuladas, que ele acabou descontando em pessoas que ele acreditava ‘’sujar’’ seu país. Então apesar dele ter sido um babaca, isso não passa de uma frustação e ignorância com outras raças. Ele acreditava ser o certo a fazer, então ele com seu poder imenso, simplesmente fez.

- Bravo. Tá vendo classe? É nesse tipo de aluno que vocês tem que focar, tentem aprender a ampliar seu campo limitado e aprendam a desenvolver uma resposta. Prosseguindo... a história, vai muito além do que coisas terrenas. Tudo é história, como o universo foi criado, vidas em outros planetas, vida no nosso planeta, tudo é história. Tentem imaginar vocês apenas a partir de agora, como se você não tivesse existido antes. Conseguem?

- Óbvio, é só pensarmos que não existimos. ~~Diz um alunos e ecoam risadinhas pela sala.

- Aí é que tá, depois de imaginar que não existem, o tempo vai passando e o tempo passando, vocês automaticamente começam a criar a história de vocês! Mas o que acham? Acreditam que a história é apenas antes da vida e depois acaba junto com a nossa morte? Ou acreditam que continuamos a nossa história após a morte?

O sino bate anunciando o término da aula, todos saem pensativos. Principalmente Pietro, Pietro era ateu e acreditava que depois da morte, tudo acabava para ele. Porém ele está na dúvida, não sabe mais se acredita em vida após a morte, mundos espirituais ou algo assim.