Guerra entre Mundos

15 É o tempo da travessia.


“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

– Fernando Teixeira de Andrade

O mundo é enorme, e ele parece duplicar quando se perde alguém que se ama.

Christopher estava sentado na janela de Mary, assistindo Annie e Peter enterrar seu melhor amigo.

Ele pensava em quantas coisas queria ter dito a ele, tudo o que não deveria ter feito. Mas no final tudo é igual. Só existem lamentações pelo tempo mal aproveitado.

Sabia o que faria dali para frente. Cansara de ser um caçador de recompensas sem alma. Ele buscaria a vingança, e lutaria por o que achava certo.

– Estou pronta.

Todos a tratavam como lixo, então Christopher iria ajuda-la. Ela jamais seria a mesma novamente.

Ele assentiu e ambos foram embora dali.

Sem uma última olhada, sem mais sofrimento. Agora seriam somente eles e a sede por vingança.

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Sabia que tinha uma promessa a cumprir, mas simplesmente não conseguia pensar em como a faria. Como poderia encarar Elizabeth enquanto pensava em como viver mais um dia? Queria poder dizer a ela o quanto a queria por perto, e no quanto sentiu sua falta quando foi embora naquele dia, mas como faria isso? Não saia de seu quarto há mais de uma semana, e duvidava que ainda se lembrasse de como mexer as próprias pernas.

Annie o trazia comida e água, mas ele mal comia duas garfadas. Talvez um dia superasse. Talvez um dia pudesse dizer que James fora a melhor coisa que já aconteceu em sua vida. Talvez.

No entanto, a única coisa que queria agora era esperar a morte, para se juntar ao seu melhor amigo novamente.

Ouviu uma leve batida na porta, mas não se incomodou em abrir ou perguntar quem era. Não se incomodava mais em fazer nada.

– Peter?

Uma voz leve. Quase podia ver os cabelos ruivos de Elizabeth. Ajeitou-se da melhor forma que conseguiu e, quando falou, sua voz saiu esganiçada. Há quanto tempo uma palavra não saia de sua boca?

Elizabeth parecia uma boneca pirata. Seus cabelos estavam presos em um coque mal feito, e seu olho esquerdo estava coberto por um tapa-olho. O outro era contornado por algo escuro, e ela vestia uma capa que cobria todo o corpo por cima de seu vestido habitual.

– Você tinha me prometido que não me deixaria. – sua voz era determinada

– Elizabeth, olha, me desculpa. Meu amigo, ele...

– Eu sei. Por isso eu vim. Você não tem cara de alguém que quebra promessas. Vamos, vou te levar a um lugar.

– Elizabeth, por favor... Eu não quero sair daqui.

Ela suspirou, mas acabou sentando na poltrona ao lado de sua cama.

– Peter, escute, por favor. Você ficar deitado aí não irá adiantar nada. Isso não fará com que morra mais cedo, já que Annie não descuida de você. Eu sei como é perder uma pessoa, acredite. Principalmente uma próxima de você. É como se você estivesse à beira de um precipício, e a única coisa na qual você se sustenta é essa pessoa. E então, do nada, a pessoa sai correndo, e você se vê sem amparo. – Elizabeth abaixou a cabeça. Sua voz baixou, e ele teve que se esforçar para ouvir – É só que... Desde que te conheci, você tem sido meu amparo. Quando você viu o que eu era por dentro e não correu, eu sabia que poderia contar com você. Então, por favor, não saia correndo. Por favor.

Peter não sabia como reagir. Nunca pensou que um dia alguém diria algo como isso, mas sabia que valia a pena. Sabia que valia a pena lutar.

Enquanto alguém ainda precisasse dele nesse mundo, ele não desistiria. Lutaria, até que destruísse o último inimigo, ou até que não pudesse mais lutar.

Notas finais
Yay! Último capítulo postado. Já comecei a escrever o segundo livro e, assim que tiver terminado o primeiro capítulo - e arranjado um subtítulo decente para o livro -, postarei aqui.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!