Guerra dos gêneros
2 Explicando tudo
Meu nome é Emma e tenho 17 anos com cabelos e olhos castanhos como os da minha mãe. Não sou tão alta e nem tão baixa. Minha irmã, Hannah tem 16 anos, é da minha altura e também tem cabelos castanhos, mas seus olhos são verdes como o do nosso pai. Somos totalmente o oposto uma da outra e não é só por causa da altura ou idade. Ela segue as regras e se sente bem com isso, é delicada, gosta de se arrumar, se cuidar e ajudar os outros. Eu? Não que eu não me cuide ou não ajude os outros, até faço isso, mas o que gosto mesmo é de lutar, do perigo e de sentir a adrenalina pulsando em minhas veias. Gosto de sentir e ouvir meu coração o mais alto possível. Não gosto da palavra rebelde então prefiro dizer que sou uma revolucionária. Acredito que nosso sistema seja falho e que deveria haver igualdade entre os gêneros, então, planejo fazer algo para que isso ocorra.
Moramos com o nosso pai Gustavo e nossa mãe Samantha. Ambos têm o cabelo escuro como o nosso. Edith e Guilherme eram nossos tios e tinham um filho, Caleb. Eles três eram nossos vizinhos antes dos soldados do prefeito matar a tia e o tio. Ninguém nunca soube ao certo do porque mataram os dois, a única coisa que o prefeito disse foi que eles não estavam seguindo as regras. Caleb que hoje deve ter 19 anos teve que ir morar fora do condomínio junto com os sem teto, pois segundo Daniel não poderíamos adota-lo.
Daniel é o prefeito. Tem aproximadamente 60 anos e é rico. Têm dois filhos, Ethan com 17 anos e Noah com 16 anos. A mãe deles dona Júlia morreu há três anos. Ela ensinava mulheres a manusear armas, mas não a atirar. Em uma das aulas uma mulher tentou atirar, antes que ela o fizesse Julia correu para impedi-la para que não machucasse ninguém, mas ao fazer isso a bala acertou seu peito. Tentaram levar ela ao hospital, mas morreu no meio do caminho. Surgiram boatos de que dona Julia gostava da mulher que tentou atirar por isso correu para protegê-la. Dois dias depois encontraram o corpo dessa mulher. Pediram explicações ao prefeito, mas ele apenas disse que ela havia cometido suicídio. Claro que eu nunca acreditei nisso. A partir dai Daniel surgiu com duas novas regras: todos são obrigados a serem heterossexuais e apenas homens fariam o trabalho pesado e de segurança enquanto as mulheres ficariam dentro de casa ou fazendo coisas leves. Quem não respeitasse seria sujeito ao julgamento e talvez à morte.
A cidade é pequena e nossa casa fica dentro de um condomínio cheio de seguranças (homens claro) por todo lado, vigiando cada canto em todos os horários para garantirem que homens e mulheres estarão fazendo seu papel para a sociedade. Dentro do condomínio temos de tudo, mercado, escola, hospital, academia, centro de treinamento para lutas, teatro, shopping, base policial, prefeitura e a casa do prefeito. Como o condomínio pega boa parte da cidade fora dele mora apenas as pessoas pobres e os sem teto.
A distancia entre a minha casa e a do Daniel é de aproximadamente 4km, então não tem muitos seguranças na minha rua por estarem concentrados na do prefeito. Na rua de trás da minha é a academia e o centro de treinamento do lado e já que é proibido para mulheres, todo dia de madrugada vou até o ct para praticar luta já que não ficam guardas lá perto. Meu pai trabalha de dia como professor de tiros e de noite como segurança do prefeito. Já minha mãe trabalha recolhendo frutos de uma horta e vendendo. Eu e minha irmã apenas estudamos e ajudamos com a limpeza da casa.
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