Guerra dos Seres - volume1
7 Capítulo VII
Notas iniciais
CIDADE PRÓXIMA AO 7° REINO
Os soldados marchavam pela planície em direção à cidade, Regën assistia tudo aquilo no topo de uma colina. Os passos pesados e sincronizados dos soldados faziam barulho por todos os lados. Os poucos soldados da cidade inimiga começaram a se agrupar nas muralhas prontos para defenderem.
O exército do Sétimo Reino, composto por cem mil soldados, parou uns cem metros antes da cidade, o general Yunk passou cavalgando na frente dos soldados gritando ordens.
— Arqueiros, fiquem preparados para atirarem; lanceiros e espadachins, vocês vão avançar sempre de forma sincronizada, não quero ver nenhum de vocês perder o passo; assim que entrarem em conflito com o exército inimigo, matem sem dó nem piedade, eles tiraram nossa rainha, vamos tirar deles a dignidade!
O exército era composto por cem mil homens, sendo que trinta mil eram arqueiros; os outros setenta mil estavam divididos em lanceiros e espadachins, quarenta mil lanceiros compunham as primeiras fileiras, eles faziam o primeiro ataque e serviam para diminuírem os números inimigos; os outros trinta mil espadachins avançavam após os lanceiros fazerem a parte principal. Ninguém portava escudo para reduzir os gastos do reino e aumentar a velocidade dos soldados, mas eles eram treinados com golpes para a quebra de escudos e outras defesas: chutavam escudos de madeira e buscavam desarmar o oponente com suas armas. Mas esses cem mil homens não faziam parte do exército principal, esse era muito maior, tinha um milhão e meio de soldados e, dentre eles, soldados que lutavam até mesmo com a mão por falta de recursos para serem feitas mais armas.
O inimigo deles, naquela tarde, seria uma cidade vizinha do Sétimo Reino, pois Regën insistira, com todas as suas forças, de que o rei daquela cidade contratara um assassino para matar a ele e a Hylis, Yunk, depois de contra argumentar, teve que ceder e agora lideravam um ataque.
Os quarenta mil soldados inimigos já tinham se agrupado a cem metros do exército do Sétimo Reino. A cidade era totalmente inferior numérica e militarmente, o exército pequeno e todo desorganizado, isso que o sol ainda nem tinha se posto. Mas quarenta mil homens pareciam confiantes e seguros, tinham honra no olhar!
O ataque começou.
Com a permissão de Yunk, setenta mil homens saíram marchando pela planície em direção a quarenta mil inimigos. Flechas voaram pelo céu formando milhares de sombras, os arqueiros do Sétimo Reino atiraram todos no mesmo momento. A primeira flecha atingiu um soldado da cidade na perna, o militar caiu no chão agonizando de dor, nesse momento, o exército avançou para combater o do Sétimo Reino. Entraram em conflito rapidamente, o som de um metal batendo em outro era ensurdecedor. A violência foi altíssima, os lanceiros foram diminuindo e os espadachins tiveram que entrar em ação, os corpos dos vivos estavam molhados de suor e aos que morriam, o suor virava sangue e pintava seus rostos com um líquido vermelho. A carne arrastava pela espada banhando a lâmina em sangue, os ossos quebravam facilmente e os soldados mal sentiam a resistência inimiga. O tempo foi passando aos poucos e os soldados nem deram conta, as flechas tornaram-se escassas e, por fim, acabaram; as lâminas das espadas estavam marcadas e quebradas, muitas desgastadas. Um soldado teve a lâmina de sua espada quebrada e saiu na porrada com um inimigo, depois desse, outros também tiveram a espada quebrada.
Os gritos de dor faziam crescer o medo, os moradores da cidade ouviam tudo aquilo encolhidos em suas casas, amedrontados. A batalha então acabou. O Sétimo Reino saiu vitorioso, mas os soldados não perderam tempo, quebraram o portão da cidade e entraram seguidos pelos arqueiros, Yunk e Regën. Marcharam pelas ruas em direção ao castelo com ódio, acreditavam mesmo que o rei daquela pequena cidade mandara um homem matar Hylis. Talvez fosse verdade, mas eles não possuíam provas. Passaram destruindo tudo, causando terror. Matavam inocentes na rua, uns guardas que corriam, animais e até mesmo crianças. Regën assistia aquela cena com orgulho. Não tiveram trabalho pra derrubarem o portão do castelo, entraram sem medo e pegaram o rei. Era um homem ruivo e gordo, estava em um pijama, pegaram também a rainha, Regën deu sentenças diferentes: matou o rei ali mesmo e prendeu a rainha.
Regën declarou aquela cidade, um novo quartel para os soldados, era o maior quartel militar da Pangeia.
Na manhã seguinte, Regën evacuou a cidade, mandou os militares para dentro e os cidadãos para fora. Escravizou os antigos cidadãos da cidade obrigando-os a virarem soldados ou trabalhadores rurais. O povo do Sétimo Reino aplaudiu a atitude do rei e vaiou o povo da cidade, era um ódio enorme. Naquela manhã ainda, Regën foi até o túmulo de Hylis, era no cemitério do castelo, ali foram enterrados corpos dos homens e mulheres mais influentes do reino.
Na planície que serviu de campo de batalha, os corpos jaziam mortos. As gramas, antes verdes, agora eram todas vermelhas e pareciam tristes. Se plantas tivessem sentimentos, estariam chorando naquele exato momento, pois fora um massacre brutal. O ar estava mais triste, um sentimento de luto enorme. Os soldados passaram a manhã recolhendo os corpos dos falecidos, queimavam os inimigos e enterravam os aliados.
Cinco casais, expulsos da cidade, conseguiram escapar das garras de Regën e caminhavam para o Décimo Terceiro Reino, procuravam abrigo desesperadamente, mas não chegariam ao destino, sem comida e água, não iriam a lugar algum!
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