Guerra dos Deuses: Volume 1 - Prelúdio da guerra

3 Capítulo 3 — Dentro da Floresta do Sono Eterno (parte 2)


Viktor

Aos poucos, Viktor começava a se arrepender de ter resolvido sair do conforto de uma pousada para realizar uma missão em um lugar onde parecia que nunca mais iria sair. A cada segundo as coisas pareciam diferente de antes. As árvores pareciam mudar de forma e os vultos aumentavam com frequência.

— Esse lugar é um cu! E ainda por cima sujo!

Ele colocou a sua capa e saiu andando em direção ao aleatório. Em momentos mais tranquilos, teria colocado um marcador nas árvores, porém a tensão que a floresta imprimia nele era tão grande que o medo tomou conta do seu raciocínio. A cada passo que dava, tinha a sensação que estava sendo observado. Isso o fez caminhar mais rápido, quase correndo de desespero pelos sons que o ambiente emitia.

— Como essa merda pode se chamar Floresta do Sono Eterno? Não há paz aqui neste lugar!

Viktor começou a correr, pois não tinha percebido que estava sobre o efeito do miasma e que em alguns casos podem funcionar como veneno alucinógeno. Os sons ficaram mais altos, os vultos maiores e a sua cabeça parecia girar. A tensão foi tão grande que acabou tropeçando em um galho e rolando por dois metros.

— Eu nem dei PT e já estou assim! Aff.

Ao se levantar, viu que algo cintilava na sua frente, mais precisamente no chão. Com certa curiosidade, foi ver o que era e pra sua surpresa era a bússola que Brendon tinha colocado ali para fazer o mapeamento da floresta. Porém ele tinha se lembrado de que o livro tinha sido sugado pelo redemoinho mais cedo.

— Eu tô é achando que irei morrer aqui mesmo. Espera, acho que posso dar um jeito de acha-lo!

Com o seu cajado em mãos, um pequeno emblema dracônico marcado em seu punho começou a emitir um brilho azulado, transmitindo a energia pelo cajado e energizando a pedra azulada que residia no topo. Aos poucos, pequenos pulsos de energia eram liberados em um raio de cinco metros, identificando todo tipo de objeto que Viktor tinha na mente, que neste caso era o livro. Ele andou por uns dez minutos, até uma espécie de alarme mental começar a soar na sua cabeça, indicando a localização do livro.

— Finalmente achei essa merda!

Viktor correu até o local e pegou o livro, que já estava coberto por folhas secas. Ao abrir, viu um mapa todo desenhado indicando as possíveis saídas da floresta e o mais importante, a localização do artefato.

— Achei a minha saída, Brendon que lute pra sair!

Ele ia sair andando usando o mapa, mas ele escutou vozes e estas não eram espirituais. Eram de pessoas. Com certo desespero, Viktor correu para trás de uma árvore mais larga e se escondeu lá enquanto vigiava.

— Como assim já tem alguém nesse lugar além de nós! Não fode, porra! — gritou um deles.

Ao olhar melhor, percebeu que eram sete homens armados e enormes, todos usando roupas bastante misturadas e com algumas partes de armaduras, indicando que provavelmente eram ladrões. O homem que gritou, parecia ser tão jovem quanto Viktor e tinha um porte não tanto ameaçador. Parecia o tipo de cara que Vik daria em cima numa festa qualquer. Outro cara, meio gordinho, mas com um semblante meio doentio, se aproximou dele e apontou para o chão.

— Dá para perceber que alguém passou por aqui, além de que tem um fluxo mágico por aqui. Devem ter usado um artefato de localização como uma bússola ou algo parecido.

— Puta merda! Se isso der ruim e o Silas ficar sabendo, só pra deixar claro ele irá ficar sabendo de um jeito ou de outro, é melhor a gente nem voltar!

Ele andou de um lado para o outro, bastante tenso, como se a sua vida dependesse disso. Sem o menor tato, o cara segurou a gola da camisa do seu parceiro gordinho e mandou um olhar ameaçador, enquanto falava com os dentes bem cerrados.

— Escuta aqui! Eu quero saber quem são esses indivíduos que vieram aqui. Na verdade não, não quero saber, pois quero que mate-os assim que vê-los.

Com um olhar meio assustado, pois apesar dele não ser o líder, Maurício tinha uma raiva como ninguém e ai de quem ficasse em seu caminho.

— Calma, Maurício. Eu já mandei o Pereira fazer uma possível perseguição de rastros faz nem cinco minutos.

Ao escutar aquelas palavras, Viktor entrou em desespero. Começou a lentamente andar para trás, na tentativa de ser o mais silencioso possível. Ao dar cinco passos para trás, se esbarrou em uma árvore e pensou em dar a volta nela, mas de repente algo o segurou e o empurrou para frente. Quando ele se virou, viu que não era uma árvore, mas sim uma mulher com diversas cicatrizes no rosto e com um semblante ameaçador. Antes mesmo que pudesse falar algo, o punho dela desceu na direção do seu rosto com velocidade e força incríveis, esmagando o seu nariz e qualquer consciência que ele poderia ter. Ao cair no chão, viu tudo escurecer e entrou em um sono profundo.

Maurício

Força. Esta era a única palavra que ele entendia. Nunca tinha sido o mais inteligente ou o mais veloz, nem mesmo o mais forte em relação aos garotos da sua idade, mas o tempo foi passando e a necessidade de sobreviver foi chegando, então ele percebeu que no submundo do crime, teria que ser o mais forte se quisesse permanecer vivo. Seus olhos verdes eram ágeis, sempre se atentando ao redor, até perceber uma movimentação estranha em uma das árvores próximas.

— Pereira, é você?

Ela saiu de trás de algumas árvores, arrastando um homem caído e desacordado. Pereira não era o tipo de mulher que falava muito, preferia muito mais dialogar por meio da lâmina do que pela boca. Sem nenhum tato, jogou o homem aos pés de Maurício e entregou o caderno da missão a ele.

— Um caderno de missões? E com um mapa desse buraco de merda? Isso está ficando cada vez mais interessante. Alan, amarre esse corno aí no chão e o acorde. Quero fazer algumas perguntas a ele.

Ao olhar bem o livro, viu algumas coisas interessantes, como o nome do Conde Elnar nele. Aquilo era uma informação valiosa e ele tinha certeza que faria bom uso daquilo. Alguns minutos depois, Alan avisou que o seu refém tinha acordado. Com um olhar desvairado, foi até Viktor.

— Levantem ele.

Dois dos seus parceiros colocaram Viktor de pé, este que mal conseguia focar em algo devido à potência do soco da Pereira. Ao perceber a situação que se encontrava, ele nem perdeu tempo.

— Dois homens parrudos me segurando, minhas mãos atadas e você aí na minha frente. Só precisamos de duas garrafas de Vodka da boa e transformamos isso em uma orgia.

Sem tempo para piadas, Maurício deu um soco no abdômen de Viktor, este que se contorceu de dor e caiu no chão. Ele segurou-o pelo cabelo e o encarou cara-a-cara.

— Onde você encontrou isso? — ele mostrou o caderno — tem mais alguém aqui com você?

Viktor deu um sorriso ensanguentado.

— Me puxando pelo cabelo assim, espero que saiba realizar dominação.

Já no limite da paciência, ele jogou a cabeça do refém contra o solo e deu um chute na sua cara, desacordando-o novamente. Todos ali estavam somente esperando a próxima ordem de Maurício, esta que não demorou a chegar.

— Vamos usar esse mapa para chegar ao artefato. Quando fizermos isso, deixamos esse cara de isca e quando seus parceiros aparecerem, nós enterramos todos aqui mesmo. Sem erros, sem testemunhas.

Todos seguiram em frente, com Alan carregando Viktor pelo ombro. Maurício ia à frente guiando o caminho e Pereira os acompanhava de certa distância. Se caso tudo desse certo, uma nova era estava para chegar a Assueris e ele poderia finalmente sair daquela vida e levar a sua amiga junto com ele. Finalmente Maurício poderia realizar o que seu irmão sempre desejou, mas acabou deixando os seus instintos primitivos falarem mais alto que a razão, o que o levou a um fim misterioso.

Não demoraram muito até chegarem a uma área descoberta da Floresta, o que era estranho. As árvores estavam todas apodrecidas e não havia sinal de magia natural por ali, o que tornava as coisas mais macabras ainda.

— Não estou gostando disso — disse Alan.

Mesmo com tudo aquilo, ele não poderia se deixar abater por algo estranho. Aquela era a Floresta do Sono Eterno, era estranho por natureza. Porém isso nem foi o pior, mas sim a voz que surgiu no ambiente.

— Vocês até que demoraram.

Todos olharam para frente e se depararam com uma cena bem inesperada: um homem estava sentado em cima de uma arca fumando um cigarro, ao lado de um buraco enorme. Todos os companheiros de Maurício sacaram as suas armas, porém ele ficou atônito.

— Há quanto tempo, irmãozinho!

Maurício deixou as suas armas caírem no chão, pois não acreditava no que estava vendo. Eram dez anos no mundo aberto, não havia a menor chance de ter sobrevivido, mas o destino tinha sido implacável. Deu um jeito de reuni-los mais uma vez.

— Brendon? Você deveria estar morto!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.