Guerra VS Amizade

1 Bombardeio Aéreo


Perdão. Não posso começar a minha história com “Era uma vez”, pois tenho certeza de que não terá o seu “Felizes para sempre”. E convenhamos, o que é de uma história que começa com “Era uma Vez” e não tem o seu final feliz? Como você notou, a realidade ainda não chegou em minhas mãos, e deveria, pois conforme o meu pai, haverá uma guerra mês que vem. Eu estarei nela.

Naquele momento em que eu pensava sobre realidade, um barulho muito perturbante veio dos céus, eram aviões, eles estavam invadindo minha rua.

Minha família e eu estávamos jantando, mas eramos treinados para isso, cada um sabia o que deveria fazer, por mais duro que fosse.

- Ah não – Disse papai.

- Corra filho, vá para o abrigo – Disse mamãe.

- E você? — Eu pedi desesperado – E papai?

Devo admitir que eu nunca havia passado por um ataque aéreo em minha casa. Primeira vez.

- Vamos atrás de você. Eu prometo – Disse minha mãe lacrimejando – Agora vá, as bombas vão chegar logo.

Mamãe estava certa. 'BUM' fez a primeira bomba, a duas quadras de distância da minha casa, que em menos de um minuto viraria poeira. Infeliz realidade, nela há lembranças que eu não estou afim de esquecer, de perder.

Eu tenho medo, eu não me considero um homem de verdade por isso.

- Ande – Disse papai – Eu vou buscar os suprimentos filho, vá agora, antes que seja tarde de mais.

- Não vou abandonar vocês – Eu disse – Vocês não podem me abandonar.

- Cresça – Disse mãe – Filho isso se chama realidade, e se você não levá-la a sério, em poucos minutos não estará mais nesse mundo.

Apesar de estar acostumado com esse tipo de argumento, devo admitir que as palavras de minha mãe me machucaram um pouco. Ela estava certa novamente, estava na hora de crescer.

'BUM' fez a quinta bomba a uma quadra de distância.

- Eu te amo filho – Mamãe me abraçou.

- Por que você não vem? — Eu pedi.

- Prometi nunca me separar de seu pai e não vai ser agora que eu vou fazer isso – Disse mamãe – Desculpe filho.

- Calma, mãe, vamos se ver novamente, não vamos? — Eu pedi, com certeza das minhas palavras, era só mais um ataque aéreo, só que dessa vez era em nossa rua.

Mamãe não respondeu, limpou uma lágrima, e voltou para dentro. Eu sabia o que tinha que ser feito.

Realizei o maior ato de coragem que já havia feito em toda a minha vida. Virei-me para frente e sai correndo.

'BUM' fez a sétima bomba, explodindo minhas memórias, minhas lembranças, minha casa.

Não, eu não pude resistir em olhar para trás, ver os destroços, ver o meu quarto destruído, tudo acabado, limpei uma lágrima. Eu também era sensível.

Desci na escada de uma casa até o seu porão, permaneci lá.

Guerras. Tão injustas, por que as pessoas não aprendem a viver em paz? Nem é tão difícil assim. Olha, a Alemanha mora do outro lado do mundo, que mal poderíamos nós, fazer a ela? Não consigo imaginar se fossem nossos vizinhos.

- Está tudo bem? — Pediu a idosa Molly me oferecendo água.

- Não Molly, meus pais ainda não chegaram aqui – Eu disse, recusando a água.

- Menino, eles estão por vir, vão sobreviver, mas agora você deve se acalmar. Feche os olhos e pense em coisas bonitas – Disse Molly, botando sua mão em minha cabeça.

Eu adormeci. Acordei somente no dia seguinte.

Abri meus olhos e uma meninha pequena estava me observando.

- Oi – Disse ela – Meu nome é Kate.

- Oi Kate – Eu disse – Eu sou o Matin.

- Quer ser meu amigo? — Ela disse sorrindo – Eu preciso de alguém que me proteja.

Kate era uma menininha pequena, com cabelos loiros, olhos imensos e verdes, uma menina adorável.

Com as palavras da menina, me senti uma nova pessoa, alguém com uma missão. Crescer, ser forte. Eu não posso ser mais a mesma pessoa depois disso.

- Vamos Kate, vamos lá para fora – Eu disse pegando sua mão.

Subimos a escada. Silêncio, foi a palavra que eu usei para definir a situação.

- Eu estou com medo Martin – Disse Kate — Por que essas pessoas estão dormindo no chão? Elas vão ficar doentes Martin! Vamos ajudá-las.

Visualizei a minha rua, a casa de meus amigos, a casa de meu vizinho, a minha casa.

- Kate vá para a casa agora – Eu disse largando sua mão – Sinto muito, é importante.

Corri até o que restou da minha casa, derrubei a porta, que já estava metade quebrada.

- Mãe – Gritei – Pai, onde estão vocês?

Levantei uma cadeira, uma mesa, procurando por eles. Então é isso? É o fim?

Ouvi um sussurro vindo da sala, corri até lá sem pensar duas vezes.

- Filho – disse meu pai.

Entrei em estado de choque, meu pai e minha mãe estavam no chão, o telhado havia caído em cima deles.

- Seja forte, meu filho – Disse meu pai, com seus últimos esforços.

A minha direita, eu havia perdido o único sentido de minha vida. Família. Cheguei tarde de mais, e nunca vou me perdoar por isso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.