Guerra Mutante: A Relíquia Roubada
13 13 - Me torno um invasor de mentes
Após fazermos a curva, avistamos o túnel muito ao fundo, atravessando a enorme montanha. No topo dela, havia um tipo de casa com uma torre de rádio, que antes eu não havia visto.
Quanto mais nos aproximávamos do túnel, com mais medo eu ficava. Meus pelos do corpo se arrepiaram quando por fim entramos no túnel escuro, completamente destruído, da mesma forma que estava em meu sonho.
No começo, nada aconteceu, mas o som de rochas rompeu o silêncio e tampou a caverna. Izuqui quase foi esmagado, se não tivesse sido puxado por James.
– E agora? – Murmurou Dave. Seus olhos ficaram amarelados. Estava adaptando sua visão à escuridão com seu mimetismo, provavelmente.
– Só seguirmos em frente. – Respondeu James, e Royal concordou. Nos movemos tentando fazer o mínimo de silêncio possível.
Enquanto passávamos pelos corpos de pessoas, pelas carcaças de carros e pelas várias marcas de destruição no chão, no teto e nas paredes, o ar ficava mais frio. Sentia que algo aconteceria ali. E Royal parou repentinamente, assutando-se com algo, e gritou para nós.
– CUIDADO! – Exclamou, e tudo ficou branco. Um ruído ensurdecedor alastrou-se pelo túnel, e eu parecia ter ficado cego. Estava atordoado. Granadas de luz, pensei.
Quando recuperei meus sentidos, vi que a nossa frente estava repleta de soldados fortemente armadurados. Apontavam suas armas para nós, e um deles deu um passo à frente. Ele era o mais bem armadurado, e o que mais se destacava no grupo. Sua armadura era negra com detalhes vermelhos e brancos, e seu capacete era escuro, com exceção de seu visor que brilhava em um tom avermelhado. Ele parecia ser o capitão do esquadrão.
– Rendam-se, Mutantes, ou serão mortos agora mesmo. – Falou, e todos olhamos para Royal. Ele sibilou algo que eu não entendi, mas todos os outros pareceram entender. Jake aproximou-se do grupo, tomando a dianteira ao lado de Royal, James, Rick e Ethan.
– Nos rendemos. – Falou Jake, erguendo suas mãos.
– Você é o líder? – Perguntou o capitão, apontando sua arma para Jake na mesma hora.
– Sim. – Mentiu Jake. Comecei a entender o que estava acontecendo. – Nos rendemos, não precisa nos atacar.
– Não iremos atacar vocês. – Falou o capitão, olhando para os soldados, que abaixaram as armas. Jake estendeu suas mãos, e todos nós fizemos o mesmo.
– Nem nós. – Ele sorriu e desapareceu. Os soldados grunhiram na mesma hora que Jake reapareceu, surgindo na sombra do capitão, materializando uma espada de sombras e fincando-a no peito dele. – Iremos matá-los.
– Ataquem! – Gritou Royal, mostrando suas duas asas e voando, pegando dois soldados pela armadura e impactando-os um contra o outro, fazendo um som ossos quebrando, e largou-os no chão, agarrando um outro pelo capacete e esmagando-o contra uma parece.
Demetria correu, e uma aura estranha surgiu em volta dela, e senti uma sensação de receio, tristeza e trevas em mim quando ela passou ao meu lado. Ao se afastar, voltei ao normal. Qual era o nome do poder dela, mesmo? Aura Bruxuleante, isso. Quando passou por dois soldados, eles ficaram receosos de atacá-la, e ela os agarrou pela cabeça e bateu-os um contra o outro, fazendo-os ficarem tontos. No mesmo instante, Dave apareceu já mimetizado e agarrou ambos pelo pescoço, e os ergueu no ar com um pouco de esforço. Sua aparência quando mimetizado era assustadora, e os soldados começaram a tremer. James apareceu logo atrás de ambos e tocou suas mãos em suas armaduras, e começou a sair fumaça dos espaços que elas haviam. Estavam tendo um curto-circuito.
Os outros também lutavam da maneira que podiam, criando combos magníficos. Eles batalhavam como se se conhecessem a anos, e estivessem treinando juntos desde então. Faziam combinações perfeitas, e resolvi entrar na batalha também. Criei duas kunais, e vi que havia um soldado desprevinido, mirando em Royal para tentar acertá-lo. Lancei-as contra sua armadura, atingindo sua mão, fazendo-o largar a própria arma. Quando virou-se para mim, a última coisa que viu foi eu pulando contra sua armadura, ficando duas facas em seu peito, atingindo sua pele.
Um outro soldado veio tentar me atacar. Ele estava com um bastão de densidade variável – um tipo de bastão onde três quartos dele é revestido de eletricidade –, e tentou atingir-me com vários golpes seguidos. Eu desviei dos três primeiros, mas no quarto ele acertou meu peito, fazendo uma onda de eletricidade penetrar em meu corpo e lançar-me para trás. Eu me levantei, e quando ele tentou me atacar eu agarrei sua mão, mimetizando a minha e torcendo seu braço da mesma força que Torrance havia feito comigo. Ele gritou de dor e largou o bastão, e eu o peguei no ar e comecei a desferir golpes contra seu capacete, quebrando-o e por fim atingindo seu rosto. Não o matei, pois ele já estava demasiadamente fraco. Iria morrer em breve. Eu corri para ajudar os outros, levando o bastão comigo.
Esmond estava em um sufoco, lutando contra um soldado desarmado em um combate corpo-a-corpo. O soldado, quando se cansou da batalha, retirou seu bastão da armadura e o ativou, deixando-o coberto de eletricidade.
– Esmond! – Gritei, e ele virou-se para mim. Lancei o bastão para ele, que o agarrou no ar e se defendeu a tempo do golpe do soldado, e os dois começaram uma batalha intensa na mesma hora.
Royal voava pelo túnel de cinco vias para cada lado, agarrando soldados e esmagando-os contra a parede como se fossem insetos, até que foi atingido por um disparo e caiu. Antes mesmo de eu ajudá-lo, ele se ergueu, enfurecido, e invocou uma enorme espada de duas mãos. A lâmina era de prata, e a guarda era de ferro. Ele a segurava com facilidade, e haviam inscrições na parte chata da lâmina, em uma língua antiga. E, no mesmo instante que a invocou, voou em direção dos soldados e os matou com extrema facilidade, como se estivesse fatiando queijo.
Depois de alguns minutos de batalha, com mais soldados aparecendo e mais corpos caindo no túnel, enfim terminamos. Estávamos todos muito cansados. Aquela batalha parecia ter durado anos. Senti meus músculos do corpo doerem. Esmond estava ofegante, segurando o bastão que falhava. Demetria cambaleou para trás, caindo sentada no chão. Sua aura se desfez no mesmo instante. As asas de Royal sumiram repentinamente. Yordle e Jake estava sentados juntos, ambos cansados. Todos estavam esgotados.
No entanto, podíamos ouvir o som de mais soldados vindo. Teria mais batalha pela frente, e não sei se todos queriam aquilo. Foi quando vi uma porta no outro lado do túnel, na área onde pessoas caminhavam.
– Aqui! – Falei para os outros, correndo até a porta. Todos me olharam, e quando abri a porta vi que tinha uma escada de degraus que subia pela montanha. Era completamente escuro ali, com a exceção de algumas pequenas janelas.
Eles começaram a correr até a porta. Royal foi o último a vir. Ele olhou para mim e disse:
– Bom trabalho. – Ele ajudou-me a travar a porta após fechá-la, colocando tudo que havia ali para impedir o caminho dos soldados: caixotes, objetos de limpeza, um armário, um latão de lixo, tudo.
E, por fim, subimos pela escada, sem saber onde iríamos parar.
Ela parecia não ter fim. Os degraus estavam me deixando cansado, mas eu tinha que ignorar o cansaço agora. Muito abaixo, os soldados gritavam para procurar por nós. Depois de um minuto, a porta começou a fazer barulho, e aparentemente os soldados estavam tentando arrombá-la.
Depois de um longo tempo subindo escadas, chegamos ao final da escada. Havia uma outra porta ali, que estava emperrada. Izuqui a abriu depois de alguns chutes, e nos vimos no topo da mais alta montanha que havia ali, e à nossa frente estava a torre de rádio. A luz do dia me deixou um pouco cego, já que até então estava em um ambiente escuro.
James fechou a porta, e Thomas retirou de sua mochila um caderno e uma caneta, e começou a desenhar.
– Sério que irá desenhar agora? – Perguntei, mas ele não respondeu. Desenhou uma corrente perfeita, e então tocou o desenho, que magicamente saiu do papel. Ele entregou a corrente desenhada para mim, e ela me surpreendeu com o peso. Parecia ser uma corrente real, e não acreditava que tivesse sido desenhada. Eu e Mikael a usamos para prender a porta. – Como fez isso?
– Realidade Artística. – Respondeu Thomas, observando a torre. – Transformo meus desenhos em realidade.
Agora, nós só tínhamos três alternativas: Descer a montanha com o máximo de cuidado possível para assim fugir dos soldados, permanecer ali e lutar ou entrar na torre de rádio e subi-la, para se esconder no topo. A porta atrás de nós começou a balançar com impactos. Os soldados já haviam chegado.
– Se escondam no alto. – Disse Royal, confiante. – Eu os distrairei. Eles não sabem que somos um grupo, espero.
– Mas você pode acabar morrendo! – Exclamei para ele, que tinhas as costas viradas para o grupo, olhando diretamente para a porta.
– Eu sei. – Ele virou-se para nós, e sorriu. – Se for esse o caso, Yordle, quero que seja o novo líder.
Ele estremeceu. Tentou falar algo, mas gaguejou. Uma lágrima saiu de seu rosto. Todos ficaram abalados.
– Agora, vão. – Ninguém queria deixá-lo ali, mas era preciso, e todos entraram na torre de rádio feita de metal, subindo as escadas.
Quando eu iria subir por último, me virei. Yordle observou e gritou por mim, mas eu ignorei. Fui em direção de Royal, fechando a porta da torre, e materializei duas adagas. Fiquei ao seu lado, e minhas mãos se transformaram. Ouvi os outros gritarem meu nome. Royal me olhou e riu.
– Se for para você morrer, não morrerá sozinho. – Murmurei, e ele me olhou.
– Por que se sacrificar junto de mim? – Falou, e eu o fitei. – Nem somos tão próximos assim.
– Eu prometi que voltaríamos todos juntos para o Abrigo, e assim será. Um contra vinte é suicídio, mas dois contra vinte é algo melhor.
– Mas, mesmo assim, quer mesmo lutar ao meu lado? – Eu assenti, preparando-me para a batalha.
– Sim.
– Por que?
– Porque você é o líder do grupo... – Murmurei, olhando para a torre. Todos corriam. Alguns deles estavam mais abalados ainda por causa de minha decisão. Depois olhei para Royal. – E vocês são meus amigos. Eu os coloquei nessa, e é meu dever protegê-los, assim como você está fazendo pelo grupo.
Ele riu, e a porta se abriu. Vários soldados saíram, apontando armas para nós. No entanto, Royal não fez nada. Eu o estranhei.
– Nos rendemos. – Murmurou. Uma lágrima saiu de seu olho. Eu queria avançar contra os soldados, mas entendi o que ele queria fazer. Desfiz minhas adagas, e cessei meu mimetismo.
– Sim. – Falei, com uma dor no peito. – Nós nos rendemos.
– Ótimo. – Falou o soldado que parecia ser outro capitão, mas agora daquela esquadra, e ele fez sinal para dois soldados, que se aproximaram de nós e nos nocautearam.
Antes de desmaiar, vi Demetria chorar e tentar gritar, mas James a segurou, e então tudo escureceu.
Acordei dentro de uma nave. Estava com meus braços levantados e presos por uma corrente amarrada em uma barra de ferro. Meus pés estavam presos aos pés do banco em que eu me encontrava. À minha frente, estava Royal. Sangue escorria de sua testa. Ele estava desmaiado.
Lembrava-me aos poucos do que havia acontecido. Os soldados nos encurralando, nós nos rendendo e então sendo nocauteados. Pensei que nos matariam, mas parece que nos fizeram de prisioneiros. Queria fugir dali, mas não conseguia. Tentei criar alguma arma, mas nada acontecia. Estava sem Energia Mutante. Eles deviam ter feito algo.
Eu ouvi então passos metálicos, e fechei meus olhos, tentando parecer inconsciente. Dois soldados conversavam algo.
– Aí estão eles, senhor. – Falou uma primeira voz, rouca. – Os responsáveis pelas baixas do Esquadrão KJ2.
– Como é que dois pivetes conseguiram acabar com um esquadrão tão experiente como o JK2? – Falou uma segunda voz. Era grossa e assustadora. – Devem ter sido mais que esses dois.
– Não encontramos ninguém, senhor. A torre de rádio estava há muito abandonada, e quando tentamos procurar por mais alguém ela estava vazia.
– Vazia... – Repetiu a segunda voz. Eu abri meu olho esquerdo o mínimo que podia para visualizar ambos, mas só pode ver o homem da primeira voz, pois o outro estava com um capacete. O homem tinha a cabeça raspada. Seus olhos eram castanhos e profundos, e uma barba crescia em seu rosto. Devia ter uns 30 anos. O outro homem usava uma armadura idêntica ao dos capitães que havíamos visto antes. Fechei meus olhos depois de visualizá-los.
– Senhor, um outro esquadrão será enviado para fazer uma busca nas áreas próximas à montanha em um raio de dez quilômetros. Se havia mais pessoas, não fugirão.
– Espero que não. Venha, já estamos chegando à base. Esses dois logo estarão presos, e poderemos interrogá-los quando estiverem acordados. Mas, por agora, queira voltar a nocautear o pivete de cabelos pretos? Mostre para ele que não deve ficar ouvindo a conversa dos outros.
Ouvindo aquilo, tentei reagir, mas em vão. O homem careca agarrou-me pelo pescoço com uma de suas mãos, e com a outra me pressionou contra a parede da nave, e uma onda de eletricidade percorreu todo o meu corpo, fazendo-me perder os sentidos aos poucos, até voltar a desmaiar.
Acordei agora em uma cela muito moderna, igual a que eu havia visto em meu sonho. Royal estava do meu lado, acordado. Seu rosto estava manchado de sangue, e o ferimento de sua testa estava já um pouco melhor. Estávamos ambos presos por algemas eletromagnéticas, uma que prendia nossas mãos pelos pulsos, e outra que prendia nossos pés pelos tornozelos.
Ele me olhou e abriu a boca para falar algo, mas nada disse. Estava muito fraco, e sua pele estava pálida, como se há muito ele não se alimentasse. Seus olhos vermelhos agora estavam um pouco mais escuros, em um tom de vinho, e seu cabelo branco estava um pouco acinzentado. Estava perdendo a Energia que lhe restara.
– Está tudo bem, Royal. – Falei, por fim. Percebi que minha voz estava rouca. – Eles não encontraram o pessoal... Eles escaparam.
Royal me olhou, com um pouco de esperança, mas desviou o olhar para a porta. Ele tentou se levantar, mas caiu. Tentei ajudá-lo, e ele negou. Novamente ele tentou se levantar, e conseguiu ficar de pé. Em pulos, foi até a porta, mas não a tocou. Se a tocasse, tomaria uma onda de choque, da mesma forma que havia acontecido comigo em meu sonho.
Ao invés de tocá-la, ele só ficou olhando-a. Estava tentando achar alguma brecha, provavelmente.
– Um campo de força que causa dano a quem toca... – Murmurou Royal, por fim. Quando falou ele expressou cansaço. – Será difícil fugirmos daqui...
– Parece que falhamos... – Falei, desolado. – Todos irão morrer, e tudo por minha culpa.
– Não. – Disse Royal, virando-se para mim. Ele sentou-se no chão, no outro lado da cela. – Não falhamos... Se o que você disse é verdade, se os outros tiverem de fato escapado, eles podem recuperar a Espada e levá-la ao Abrigo. Yordle será um bom líder.
– Ele só será um verdadeiro líder caso você morra. E você não vai morrer. Encontraremos uma forma de fugir daqui, e nós iremos...
– Não há como escapar, Franklyn. – Ele falou. Sua voz expressava pânico. – Estamos presos. Essa prisão é praticamente impossível de fugir. E a base em que estamos é enorme. Cerca de mil soldados estão aqui. Mesmo que escapemos da cela, morreremos.
– Nós iremos morrer de qualquer forma. – Eu me levantei, exausto, e fui até a porta. – E eu não morrerei aqui, não morrerei hoje! – Eu lancei-me contra a porta, e fui atingido pela onda de choque, que me lançou para o outro canto da sala. Mas eu me levantei e voltei à porta. Royal me olhava surpreso. – Eu irei recuperar a Espada Dourada! – Voltei a ser lançado para o outro canto, mas eu avancei novamente. – Irei me vingar de Torrance! – Mais um golpe, e novamente eu me ergui. – E irei salvar a todos!
Quando atingi a porta, ela se abriu, e um soldado entrou na sala. Agarrou-me pelo pescoço com facilidade e me levou até a parede do outro canto, me erguendo nela. Era o mesmo homem careca que eu havia visto anteriormente.
– Deve aprender a ficar quieto em certos momentos, moleque. – Ele retirou de sua armadura seu bastão. – Sua mãe nunca lhe ensinou isso?
Quando ia me golpear, impulsivamente eu coloquei minhas mãos sobre seu rosto, e nós dois caímos no chão. Nós gritávamos de dor, e fechei meus olhos. Minha cabeça foi para um outro mundo.
E eu agora estava vendo as memórias daquele soldado.
Pude vê-lo em Chicago, durante o início da guerra. Disparava contra Mutantes, matando vários. Ele não era atingido por ninguém. Quando um prédio então desabou, e ia em direção dele, mas alguém o empurrou, lançando-o para alguns metros. Quando se levantou, uma menina sorria para ele, enquanto lágrimas escorriam de seu olho.
– Filha! – Gritou, e o prédio caiu sobre ela. Tudo desapareceu em uma nuvem de fumaça, e agora ele estava em um caça do exército.
Ele o pilotava enquanto uma terrível tempestade caía, com vários relâmpagos. Outros caças voavam, perseguindo Mutantes. Explosões aconteciam no ar, e destroços e corpos de Mutantes caiam. Foi quando o caça em que o homem estava foi atingido. Ele tentou retomar o controle, mas não conseguiu, e se ejetou. No exato momento em que ejetou e foi lançado ao ar, o caça em que estava explodiu. Quando abriu o pára-quedas, estava em um outro lugar.
Parecia um quarto de bebê. Estava todo coberto de pó, e uma cama de bebê verde estava no fundo do quarto. Haviam brinquedos por todo o canto, e uma escrivaninha estava partida ao meio. O homem chorava. Devia ser o quarto de seu filho, que de alguma forma eu sabia.
E a cena voltou a mudar, agora ele estava no túnel em que eu e meu grupo estávamos. Ele olhava para os corpos em choque. Quando a porta das escadas foi arrombada, ele correu para subi-la ao lado do capitão. Acionou seu capacete, que apareceu de dentro de sua armadura, tampando sua face, e ao subir as escadas começou a arrombar a porta. Ao arrombá-la, todos os soldados saíram, e encontraram a mim e a Royal. O capitão deu a ordem para sermos nocauteados, e ele mesmo fez aquilo em mim. Quando me atingiu, eu voltei à vida real.
Estava ofegante. O homem ainda estava vivo, mas seus olhos estavam em outro mundo. Tinha um olhar de desespero. Quando em viu, ele assustou-se.
– Você... – Murmurou, completamente desolado. — ...Entrou em minha mente... Eu vi você... Bisbilhotando minhas memórias...
Eu estava muito confuso com tudo aquilo. Eu havia visto as memórias dele? O que significava tudo aquilo, afinal? Como eu podia ter feito aquilo?
Mas eu olhei para minhas mãos. Estavam tomadas de uma energia avermelhada. Manifestação Psíquica, pensei. Droga. Eu podia ver as memórias das pessoas? Aquilo era terrível. Senti-me um monstro. Queria não ter feito aquilo. Agora o homem estava muito fraco, e ele agarrou-me pela minha blusa.
– Acabe com isso. – Seus olhos se encheram de lágrimas. – Mate-me. Por favor.
Olhei para Royal, que não estava nem um pouco confuso. Ele trocou olhares entre o homem e eu.
– Qual seu nome? – Perguntou, levantando-se com um pouco de esforço.
– Phill. – Respondeu o homem, ainda desolado.
– Phill, nós não iremos te matar. – Royal ajoelhou-se ao seu lado. – Não sei o que Franklyn viu, e não quero saber, mas se isso o fez ficar dessa forma, é porque foi algo terrível. Portanto, Phill, preciso que nos ajude. Ajude-nos a escapar daqui.
Phill olhou para mim e depois para Royal, e então olhou para si mesmo. Procurava por alguma solução. Ele suspirou, e uma lágrima escorreu de seu olho.
– Já estou morto, de qualquer forma. – Murmurou, retirando de um compartimento de sua armadura uma chave, e destravou nossas algemas. – Irei ajudá-los.
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