Guerra Interna
1 Prólogo

Lá estava eu, olhando-me no espelho. Os olhos marejados, o sorriso maior que rosto. Era o dia mais feliz da minha vida. Ignoro as risadas histéricas das minhas madrinhas e me perco em pensamentos. Hoje era o dia em que eu me casaria não apenas com o amor da minha vida, mas com o meu melhor amigo. O homem que me entreguei de corpo, alma e coração. O primeiro, o único e o último.
Meus pais entram no quarto, os rostos contentes e chorosos como o meu. Minha mãe se debulha em lágrimas ao ver-me de noiva e eu me seguro para não fazer o mesmo. Svetlana me mataria se eu borrasse a maquiagem. Meu pai se aproxima com um sorriso terno e beija minha testa enquanto sita frases de amor, carinho e orgulho. Tudo estava perfeito.
Era isso faltavam minutos para dirigir-me ao altar. Não havia mais ninguém no quarto e eu me olho por alguns segundos antes de me dirigir a porta, quando ouço batidas. Ao abrir a porta tudo oque vejo é um é uma caixinha de presente lilás muito bem embrulhada. Leio o cartão:
Para garantir a felicidade dois noivos.
Olho-o intrigada. Não a assinatura e os presentes estão no salão de festas do hotel. Penso em deixar para abri-lo depois da cerimonia e festa, como todos os outros. Mas minha curiosidade bate forte, não haveria problema algum. Noivas atrasadas é um clichê esperado. Então desfaço o lacinho com cuidado e ao ver a tampa liberada retiro-a quando o conteúdo me choca:
Flashback on:
Jogamo-nos no bando aos risos graças as caretas de Mike, estávamos todos suados e lambuzados de sorvete, absurdamente cansados após a tarde de brincadeiras. Olho para meus dois melhores amigos, orgulhosa, Ana e Mike são as melhores coisas na minha vida, não quero perde-los.
—Acham que um dia vamos deixar de ser amigos? Pergunto de repente fazendo ambos pararem de rir. Ana me olha abismada como se eu tivesse dito algo tão absurdo quanto o Power Ranger vermelho ser mais forte que o preto. Enquanto Mike me dá o sorriso tranquilizador mais lindo.
—Não diga besteiras – me repreendeu – nem se o scooby doo fizer dieta vamos nos separar. Ana cai na risada e os dois começam a fazer a apostas de quem aguentaria mais tempo sem comer, Salsicha ou Scooby. Já eu reflito em silêncio, quando chego à mesma conclusão que Mike. Eu os amo, eles me amam oque de errado pode acontecer?
Flashback off
—Isso pode acontecer. Constato.
Meus olhos estão borrados, não ligo mais pra maquiagem, não ligo mais pra Svetlana, não ligo mais para o Mikhail, não ligo mais pro casamento. Recolho as imagens esparramadas no chão e saio, pisando duro pelo corredor. Atravesso o saguão em direção ao gramado lindamente decorado, passo pelo tapete branco em direção ao altar, seguindo o caminho das belas tochas estrategicamente ali coladas ajudando a iluminação precária do por do sol. Todos os convidados me olham assustados até que fico de frente ao homem que amo com todo meu ser. E lhe dou um tapa estralado na frente de todos os nossos amigos e família. –Como você pode seu cretino?! Ele me olha sem entender e então jogo as provas de sua traição na sua cara. Olho para a minha “grande amiga” vestida de dama de honra com um sorriso vitorioso. E naquele momento eu sei. Fora ela quem tirara as fotos, ela sempre quis destruir nossa relação. Mas a trouxa aqui não percebeu.
Voo pra cima agarrando seus cabelos e a jogando-a na grama chuto suas costas fazendo-a cair na terra úmida. A mesma se levante suja e me encara com ódio enquanto distribuímos tapas, mas o “peso do chifre” deixa-me mais forte. E eu soco-a até que a dor se esvai e uma vontade absurda de chorar me invade. Ajeito meus cabelos já sentindo meus olhos arderem e me dirijo aos convidados horrorizados em seus acentos. –A cerimonia foi cancelada, os presentes serão devolvidos com prazo de duas semanas e os senhores podem voltar para suas devidas casa, me desculpe o incomodo e com licença.
E saio dali com o nariz empinado e os pés descalços, pois joguei os saltos no meu ex noivo.
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