Guerra Fria

6 Capítulo 6 - Patricinha


Notas iniciais
Oie, POV especial do Miguel! Achei que seria legal fazer um capitulo dele, mas não sei se ficou muito bom.
Ficou muito grande porque eu voltei um pouco do capitulo passado pra narrativa dele.
Espero que vocês gostem, boa leitura!

POV MIGUEL

Eu não entendo como una chica tão pequena consegue ser tão absurdamente irritante como a patricinha, o meu dia estava indo muito bem até esbarrar com ela no campos. Aquele sorriso prepotente e os olhos castanhos que eu não conseguia decifrar não saia da minha cabeça desde que a vi pela primeira vez. Foco Miguel, foi gente como ela que estragou esse país, por consequência de todo esse individualismo que existem milhões de pessoas passando fome.

Voltei pra sala e peguei minhas coisas e fui para casa, eu não estava com cabeça para fazer nada agora. Fui até o estacionamento pegar Lola, a minha moto e a única mulher da minha vida e vi a patricinha entrando no seu Audi preto com Rob ao seu lado.

Cheguei em casa e encontrei Luna tomando café da manha toda feliz.

– Agora Luna? — Ela deu os ombros e continuou a sorrir — O que se passa hermana? — Perguntei sentando a mesa -

– Vou só tomar um banho e vamos na casa de Rob! — Ela se levantou da mesa -

– Luna, olhe lá o tu vais fazer! -Ela revirou os olhos e saiu -

Aquilo me preocupou um pouco, eu sei que Robert é alucinado por Luna, mas eu conheço muito bem a irmã que tenho pra saber que ela não gosta dele na mesma intensidade. Luna sempre teve o espírito livre e nunca ficou com alguém por muito tempo. Suspirei. Levantei da mesa e fui até o meu quarto, troquei a camisa e minutos depois ela apareceu para irmos. Como ela tem um verdadeiro horror por moto acabamos indo no carro da maluca. Logo que nós chegamos vi o Audi da Susi, e eu gostei de saber que ela estria ai.

– Pensa na patricinha hermano? — Ela gargalhou e eu revirei os olhos — Não precisa hablar, eu te conheço.

– Te cala chica! — Desci do carro e ela veio me seguindo e bateu na porta -

– Deus meu! Miguel, Luna! — Fati, a governanta do Rob, nos reconheceu — Quanto tempo!

– Oi Fati! Estávamos com saudade! — Minha irmã disse a abraçando e eu a abracei logo depois -

– Rob está? — Perguntei -

– Sala de TV, ainda lembra? — Assenti com a cabeça afirmando que sim e nós subimos. Como eu previ a patricinha estava lá, assim que Rob viu Luna quase morreu. -

– Luna?! E-e-eu não pensei que você vinha. — Ele deu um sorriso todo bobalhão -

– Holla Robert! — Luna tinha um sorriso um pouco enxerido — Porque tu pensaste isso?

– Na verdade... — Eu interrompi -

– Vão ficar ai de papo no meio da porta mesmo? — Falei rindo e entrando na sala e a patricinha logo levantou do sofá onde estava sentada -

– Tinha que ser o comunista idiota! — Ela falou toda bruta revirando os olhos — Porra cara, deixa de ser chato. — Tem como levar a sério? Chega a ser fofo uma coisinha pequena falando palavrões. Foco Miguel. -

– No, é só que faltava. O que a susi tá fazendo aqui!? — Disse sabendo que aquilo iria a irritar profundamente -

– Olha aqui seu imitador do Che, comunistazinho falsificado SUSI É O CARALHO, EU SOU LINDA E RICA, NO MINIMO SOU UMA BARBIE! — Eu tive que sorrir, ver a Susi irritada é a melhor coisa que existe -

– Então tu és a chica que vem atormentando meu hermano? Hum. — Luna sorria maliciosa e alternava o olhar entre mim e a patricinha- Acho que vamos ser boas amigas, sou Luna, hermana do imitador do Che. — Como é que é Luna? -

– Valentina Cooper. — Ela disse com o ar de superioridade e apontou para o casal que apenas olhavam a cena com um olhar divertido — Aqueles são Lennon Caffrey e Ian Storn.

– Oi Luna! — A tal Lennon disse indo até minha hermana e lhe dando um abraço — E você deve ser o guerrilheiro – Quer dizer que sou famoso é? Haha Ela sorriu e olhou para o garoto que estava com ela a poucos segundos — Sou Lennon e aquele é Ian! — Ela disse apontando para ele — É um prazer finalmente conhecê-lo.

– Oi! – Foi a vez do tal Ian, ele parecia ser bem metido a besta. — Vocês vão ficar para assistir o filme com a gente?

– Eu escolhooo filmee! — Rob falou animado -

– Nãão! — Eu e a patricinha falamos juntos e ela continuou –

– Da ultima vez você me fez assistir o pequeno polegar por duas horas! Se você acha que algum dia eu vou te deixar escolher um filme está muito engando. Vamos ver o mistério das duas irmãs.

– Nem vamos – Eu interrompi e ela fez um biquinho de birra — Vamos ver o clube da luta!

– Não, vamos ver across the universe! — Lennon falou, eu não sou muito fã desse filme, mesmo gostando de Beatles -

– Pinoquio é irado, vamos ver vaaai! – Tinha que ser Rob, com essas ideias malucas. -

– Que tal homem aranha? – Ian perguntou -

– Não! Que tal escola de rock? – Luninha falou e eu só faltei a abraçar, eu adoro esse. -

– Acho ótimo! E é um dos filmes preferidos da Valentina. — Lennon disse. Num é que a Susi tem um gosto bonzinho?! -

– Sério!? Do Miguel também. – Bufei. Luna não precisava ter dito isso –

Rob foi colocar o DVD, Luna foi juntar umas almofadas gigantes ou sei lá o nome dessas coisas frescas, Lennon e o Ian ficaram em um só, meio que agarrados e eu fui sentar com a patricinha, que ia ficar irritada.

– Sai pra lá pangaré! Você não vai ficar aqui, não quero pegar pulgas. – Ela bufou e eu sorri. Peguei seus pezinhos e os segurei. -

– Deixa de ser fresca Susi! – Disse olhando para ela e rindo -

– Olha aqui pangaré, eu sou rica e linda, de Susi eu não tenho nada. — Eu sorri — Vai se ferrar!

– Podem parar crianças, o filme vai começar. — Lennon reclamou -

Ela me tentou me chutar algumas vezes, mas eu só soltei seus pés quando tive a certeza de que ela tinha parada. Ela focou no filme e eu não consegui ficar muito tempo sem olhar para ela. Ela ria com todas as besteiras e cantarolava algumas musicas.

Um tempo depois ela adormeceu, olhei em volta e já estavam todos dormindo. Ótimo, era só o que me faltava. Olhei para a patricinha de novo e como um gesto meio que impensado eu a puxei para mim. Porque eu fiz aquilo? Eu não faço ideia. Ela ficava parecendo uma boneca de porcelana, seus lábios estavam num bico que os deixavam num formato de coração, os cabelos bagunçados muito escuros entravam em contraste com a sua pele branca e macia.

Me mexi um pouco para ajeitar minhas costas, suas mãos me envolveram e ela se ajeitou mais no meu peito. Coloquei as minhas mãos em sua cintura, vai que ela escorrega, né? Quando acordar ela vai ficar furiosa. Voltei a assistir o filme e pouco tempo depois me deixei levar pelo sono.

Senti mãos me apertarem e abri meus olhos devagar, e me deparei com a patricinha totalmente assustada.

– Apreciando a paisagem patricinha? – Perguntei sorrindo ao ver sua expressão confusa e irritada. Eu adoro vê-la assim. -

– Idiota! Será que da pra me soltar ou tá difícil? – Disse se soltando dos meus braços e quase pisando em Rob. -

– Se não estivesse bom teria se soltado há muito tempo Susi. — Meu sorriso aumentou -

Ela saiu dali soltando fogo. Passei as mãos no meu cabelo, olhei a minha volta e todos ainda estavam dormindo. Desliguei a televisão, peguei as chaves na bolsa de Luna e fui para casa. Tomei um banho e depois fui estudar um pouco. O que foi um pouco difícil, já que a patricinha insistia de ficar me atormentando. Sorri ao lembrar da sua expressão confusa acordando comigo. Meu telefone tocou.

– Fala Irmão! – Ouvi a voz alterada de Pablo, um amigo da faculdade de direito, que pelo visto já tinha começado a beber –

– E ai cara!

– Vai fazer o que mais tarde? Eu estava querendo ir ao pub que abriu semana passada. Paradise, dizem ser o paraíso mesmo, só gata! – Eu ri –

– Pode ser, to precisando mesmo me distrair! Que horas?

– As oito. Não fura, ein! Tchau.

Desliguei o telefone e olhei o relógio, eram sete e meia. Troquei de roupa e fui para o tal Paradise. Era bem diferente do que eu frequentava na Espanha, era escuro com umas luzes coloridas e tinha tanta gente que parecia que ia explodir. Não demorei muito para entrar Pablo, ele estava com uns caras da Universidade. Pedi uma cerveja e ficamos conversando besteira.

– Olha ali Pablo, Valentina Cooper! – Ele disse dando um soco fraco no ombro dele – Morre cara. – Eu olhei confuso para o Pablo e para o garoto –

– Ele é alucinado por essa mina, mas ela é muito impossível. – Ele disse rindo – E o cara ali que tá com ela – Ele apontou para um cara branco, de cabelos pretos. Ele a prendia pela cintura entre os braços e tinha um copo de bebida em uma mão e um cigarro em outra. – Jonnatan Hastings, quem mexe com ela, se entende com ele. É tipo, o bambambam da universidade, tem todas as garotas na mão, mas só tem olhos para ela. Só que ela não dá essa bola toda pra ele não.

Uma raiva me invadiu subitamente, minhas mãos fecharam em punhos e eu tive que me segurar para não ir até lá. Eles riam, trocavam caricias e bebiam. Eu não estava entendendo porque essa cena me irritou tanto. Ele levantou da cadeira e começou a abrir caminho pela multidão e a patricinha ia atrás dele cambaleando. Dei uma desculpa qualquer para os caras e os segui de longe. Ela ria descontroladamente e dançava com ele, depois de um tempo ele a beijou e saiu dali a puxando para um canto mais reservado. Fiquei observando, aquilo não ia acabar bem. A patricinha e esse cara não tinham nenhum controle. Eles estavam se agarrando e eu fiquei um pouco decepcionado com isso. Eu não sabia nem o que estava fazendo ali, a patricinha já é bem grandinha e não é nada minha. Balancei a cabeça e sai dali, mas ouvi uns gritos.

– PARA JONNATAN! – Era a voz da patricinha – Eu já disse que não quero isso, não agora, não assim!

Voltei na mesma pisada. O cara estava a imprensando na parede e ela lutava para tentar se soltar dele.

– Val, você me deixa louco, sabia? – Ele disse gargalhando e a segurando mais próximo dele –

Não esperei mais nada e o separei dela o jogando do outro lado. O cara me olhou com raiva e a patricinha estava confusa, lagrimas começavam a brotar nos seus olhos.

– Qual é meu irmão? – Ele disse levantando e se aproximando de mim – Nunca te ensinaram que se meter no assunto dos outros é feio?! – Ele disse e tentou me socar e eu revidei socando o seu nariz e ele caiu no chão –

– Vamos sair daqui patricinha. – Disse a puxando e ela não protestou, pelo menos não até sairmos do pub –

– Porra, caralho guerrilheiro! – Ela disse soltando a minha mão e logo em seguida colocou as suas no seu rosto. Pouco tempo depois ela me olhou, seu olhar era duro, frio e tinha uma pontada de dor – Obrigada – Ela disse seca –

Ela sentou em um batente do estacionamento e chorou. Eu nunca tinha visto a patricinha tão vulnerável. Fiquei com vontade de matar aquele cara por ter a deixado assim, queria a abraçar. Porra Miguel. Você não gosta dela, você a detesta! Bufei e a toquei no ombro.

– Vou te levar pra casa patricinha. – E eu a levantei segurando firme em sua cintura. Ela não protestou –

A levei até Lola e ela hesitou antes de subir, ajeitando o microvestido. Coloquei a minha jaqueta em seus ombros e ela a vestiu. Me disse onde era a sua casa e a levei. Quando chegamos, ela apenas agradeceu e entrou na mansão.



Notas finais
Leiam as notas iniciais hihi
Bjs.
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