Guerra Fria
19 Capítulo 19 - O farol
Notas iniciais
POV MIGUEL
- Miguel, acorda! – Ouvi alguém falar e coloquei um travesseiro em meu rosto – MIGUEL! – A pessoa gritou mandona, só podia ser uma pessoa –
- Me deixa em paz Lennon! Eu to dormindo. – Falei ranzinza –
- Não está não, está acordado. – Ela falou irritada – Anda logo, levanta dessa cama. Você é pior do que a Valentina pra acordar+! – Ela disso puxando meu lençol. Valentina? Não era pra ela tá aqui? –
- O que foi Lennon? – Disse sentando na cama – Já acordei satisfeita? O que foi que aconteceu? – Bufei e ela sorriu satisfeita –
- Nós estamos preocupadas com a Valentina, ela estava muito estranha. Acho que foi encontrar o Jullian. – Como é que é? Saltei da cama –
- Como assim? Onde aquela maluca está? – Perguntei e ela me olhou preocupada –
- Eu não tenho certeza, mas acho que em um farol encontrando com Jullian.
- Hermano, você tem que ajudar! – Luna disse tocando meu ombro –
- Certo, mas Rob, ele já sabe? – Luna e Lennon balançaram a cabeça negativamente – Deem um jeito de avisar a ele e me encontrem em vinte minutos lá em baixo.
As duas saíram apressadas, e eu fui direto para o banheiro, tomei o banho mais rápido da minha vida, vesti a primeira roupa que eu vi pela frente peguei meu celular e desci. Lennon ainda não estava lá em baixo, mas Paolo sim, ele deve saber de alguma coisa.
- Paolo não é? – Disse falando com o senhor e ele sorriu – Sou Miguel, amigo da Valentina.
- Claro! O que quer meu jovem? – Ele falou simpático –
- Você sabe alguma coisa sobre a Valentina frequentar um farol ou coisa do tipo? – Sua expressão fechou –
- O que aquele moleque fez com a minha pequena sereia? Foi ele na foi? Jullian, ele está atormentando de novo a minha menina. Mas ele vai se ver comigo. – Ele falou zangado –
- Senhor, como assim de novo? – Perguntei –
- É uma longa história Miguel. – A voz de Lennon surgiu nas minhas costas – Eu te conto no caminho, agora temos que ir.
- Escute garoto. – Paolo falou se aproximando – Eu vou com vocês, não vou deixar minha menina na mão desse desgraçado de novo.
- Tudo bem Paolo, agora vamos porque a princesa precisa de resgate. – Rob disse rápido – Eu vou esmagar aquele idiota com as minhas próprias mãos!
- Vou pegar o carro do senhor Cooper, encontro vocês lá na entrada em cinco minutos. – Ele disse saindo apressado –
- Vocês duas ficam! – Rob disse sério –
- Não ficamos não! – Luna disse rápida – Nós vamos e tente nos impedir pra vocês verem do que somos capazes!
- Nem tentem! Porque vocês não vão conseguir. – Lennon disse revirando os olhos – Só somos indefesas quando o nosso esmalte tá secando!
-Vamos lá pra fora e, por favor, me contem o que aconteceu com ela e o maldito. – Disse sério –
Mas o que essa garota tinha na cabeça? Vento?! Valentina, Valentina, porque tu és tão teimosa, garota? Enquanto Lennon contava o que havia acontecido mais eu tinha vontade de acabar com aquele infeliz, mandei o pacifismo pro inferno, agora ele ia pagar por tudo o que aconteceu com ela, por cada lagrima que ele a fez derramar. Robert estava com tanto ódio quanto eu, suas mãos estava travadas em forma de punho e seu rosto transparecia raiva, ele podia não ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas luta como ninguém. Luna estava numa espécie de meditação desde que saímos do hotel.
Quando começamos a nos aproximar do farol, Lennon começou a tirar umas coisas da bolsa e separando.
- Que porra é essa baixinha? – Rob perguntou confuso –
- São as minhas armas, vocês não esperam que eu consiga bater nos capangas do Jullian só, não é?! – Ela falou obvia –
- Vocês duas não vão descer! – Eu disse –
- Ah nós vamos sim Hermano! – Luna disse saindo do transe – Ou vocês dois acham que nós viemos aqui pra nada?
- Achamos! – Eu e Rob respondemos juntos –
- Pois acharam errado! – Lennon falou – Eu trouxe dois frascos de spray de pimenta, dois chicotes, um canivete... – Essa baixinha ficou maluca? –
- Chicote Lennon? – Rob perguntou confuso –
- Eu gosto deles! – Ela disse ficando vermelha e Rob riu alto –
- Foco pessoal, a Valentina tá com problemas! — Eu disse chamando a atenção deles –
- Olha só, cadê todo o ódio mortal, Hermano? – Luna perguntou com um tom malicioso –
- Calada! – Disse irritado — Fiquem aqui com Paolo e eu vou ver como estão as coisas por lá. Volto já pra chamar vocês. Rob cuida de tudo!
Sai do carro antes que a Lennon começasse a reclamar, ela sabe ser bem irritante as vezes. Fui me aproximando do imenso farol, não tinha ninguém na parte de fora e nem vigiando em cima. Fui me aproximando da entrada e comecei a subir devagar. Porque diabos essa garota tinha que ser tão complicada?Valentina, você não podia ser só um pouquinho normal? Cheguei até a ultima porta, que estava entre aberta, tinham três pessoas na sala, Jullian que estava em pé em frente a patricinha, que tinha um olhar desafiador e uma outra garota, de cabelos muito curtos, pequenina e magra que estava ao lado do filho da puta.
POV VALENTINA
Sai do hotel sem nenhuma presa, afinal eu to indo pro ao encontro do meu maior pesadelo. Apertei firme o cabo do canivete por cima da minha calça e um calafrio percorreu meu corpo. Eu só espero que tudo dê certo! Suspirei e olhei pro imenso mar que agora estava abraçado pela escuridão, parei um pouco, tirei os sapatos e continuei o caminho até o farol. Porque eu to indo encontrar o Jullian mesmo? Puta que pariu, na hora que eu tava começando a apagar tudo o que eu vivi aqui eu tinha que voltar! Porque tem que ser assim? A viagem nem tava sendo tão mal,só se passaram dois dias e eu já tomei um porre e me agarrei com o guerrilheiro, um bom saldo na minha opinião. O farol estava aceso e lindo, subi a escada com um pouco de presa e quando cheguei não tinha ninguém. Fui até o lado de fora, mas não havia ninguém? Como assim? Ele não desistiria tão fácil.
- Valentina? – Uma voz doce me chamou e eu virei automaticamente. Uma garota baixinha, muito magra e com os cabelos muito curtos me olhava com tristeza e felicidade. Meu coração deu um pulo, e eu sorri. –
- Martina! – Ela sorriu e eu a abracei – Oh, não acredito que é você garota!
- É muito bom te ver Valente, mas você tá maluca? Porque você veio?! – Ela perguntou segurando em meus ombros – Jullian está maluco!
- Eu tinha que vir Martina, Jullian é doente, eu preciso resolver isso de uma vez! Eu sei, ele não vai me machucar! — Tentei passar um pouco de confiança –
- Eu não sei o que fazer contigo, Jullian só piora a cada dia! Você tem que ir embora, some daqui Valente! – Ela pediu –
- Não! – Disse firme. Eu não vou desistir. – E você? O que ainda tá fazendo com ele Martina?
- Eu não tinha escolha Valentina, você sabe o quanto ele é insistente! – Ela revirou os olhos –
- O que você veio fazer aqui?
- Te ajudar! — Ela disse obvia e eu sorri – Eu...
- Olha só quem está aqui! – Uma voz rouca e fria invadiu o ambiente – Relembrando os velhos tempos? – Ele gargalhou – As minhas preciosidades juntas de novo, que maravilha! Minha irmã e minha adorada princesa!
- Chega Jullian! – Martina falou se aproximando do irmão – Você tem que parar com isso, é doente!
- Não se meta nisso, maninha! – Ele disse frio – Como esta, princesa Valente?
- Diga logo o que quer Jullian. – Disse sem paciência –
- Pensei que já estivesse claro, princesa, eu quero você! – Ele se aproximou de mim – Você é minha, sempre foi? Não lembra quando fazíamos planos nesse farol? Ah, como eu sinto saudade! Você me amava lembra?
-Claro que eu me lembro, me diz como eu poderia esquecer! – Sorri fraco – Nós éramos felizes, mas você mudou e eu mudei!
- Ah, eu percebi, minha princesa! – Jullian disse tocando a ponta dos dedos nas minhas bochechas e eu me afaste – Está mais linda e imponente que nunca, perfeita para ocupar o cargo sempre foi seu. Dessa vez não tem ninguém para atrapalhar, não é meu amor?
- Você tá maluco Jullian? Céus, o que aconteceu com você? Cadê o cara que eu conheci, ele sim era a pessoa que eu amava! – Sorri triste – Você é só um monstro que se apoderou do corpo dele.
- Não, nós vamos ficar juntos! – Ele falou alto e eu levei um pequeno susto – É aquele seu cavaleiro andante estúpido não é? Qual é mesmo o nome daquele espanhol ridículo? – Ele não pode saber nada do guerrilheiro, dele não! -
- Claro que não Jullian, você mais do que ninguém devia saber que ele não é o tipo de cara que me interessa, fala sério, depois de tantos anos você ainda erra uma bobagem dessas? Me poupa! — Disse obvia e ele sorriu –
- Acho bom mesmo, meu amor! — Ele voltou a se aproximar de mim e Martina ficou entre nós –
- Deixa ela em paz irmão! – Ela disse calma –
- Não se meta nisso Martina! – Ele disse a empurrando e me pegando pelo braço com força – E você, não vai tentar fugir. Você sabe muito bem do que sou capaz,Valentina.
- Me solta Jullian! – Disse alto tentando me soltar, o que foi em vão –
- Chefinho! – Alguém chamou e ele me empurrou com força –
- O que você quer Castor? – Ele disso bruto e virou para encara-lo – Ora ora, o cavaleiro veio resgatar a princesa! Que lindo! – Não podia ser! O guerrilheiro não! -
- O achei bisbilhotando, coisa mais feia! – Ele disse frio –
O guerrilheiro estava com os braços amarrados e a boca armodaçada, ele se mexia tentando se soltar, mas era em vão. O capanga do Jullian era duas vezes maior que ele. Meu coração apertou, o desespero bateu e eu levantei e me coloquei na frente do Miguel. Ele não podia machucar o projeto de Che, só eu podia fazer isso!
- Solta ele Jullian! – Disse firme – Seu assunto é comigo, ele não tem nada haver!
- Mas o amor é lindo mesmo! – Ele riu – É uma pena que não seja justo. – Ele puxou uma arma da calça – Ele entrou nessa história quando se ele envolveu com vecê, eu te avisei Valente, ou é minha ou não é de mais ninguém!
- Jullian...
- Olha aqui seu brutamontes ridículo, ninguém meche com os meus amigos e sai impune! – A voz aguda e mandona da Lennon ecoou pelo farol e com um momento depois Jullian estava caído no chão e ela olhava sorrindo para um chicote. -
Castor soltou o guerrilheiro e foi atrás da baixinha, mas Rob o segurou e os dois começaram a brigar e Luna pulou em cima do capanga batendo nele com um pequeno objeto. Martina se aproximou do guerrilheiro e começou a solta as cordas com um pouco de dificuldade. Corri até os dois e puxei o canivete contando a corda que prendia a boca do pangaré.
- Tu és loca? – Foi a primeira coisa que o idiota falou e eu sorri -
Continua...
Fale com o autor