Guerra Dos Tronos
4 Começo da Tempestade
O acaso que fez Percy cair no cárcere dos revoltados do Extremo Sul não foi apenas o seu orgulho. Quando viu os soldados não olimpianos atravessando o campo para invadir a Fortaleza, ouviu Nico gritar para que ele esperasse Jason ou ele mesmo. Em que mundo o Chefe de Cronos aguardaria pelo homem — que mal tinha dezenove — dos templos? Jason era um assunto a parte, não muito detestável, mas bastante incômodo, embora, se não tivesse a certeza de que Deus Ares estava com ele, talvez o esperasse para a batalha.
O Deus de Guerras tinha dado um recado a Percy no verão anterior, que ele era o escolhido para ser seu campeão. Desde então, falava com o Deus a todo momento, ele dava suas ordens e regrava a existência do crônida. O passado ainda era doce em sua memória, pessoas que ele amou durante a mocidade, principalmente uma Lady, mas Deus Ares fez questão de exigir total devoção, para que não houvesse brechas para Aphrodite ganhar a guerra. E Percy se esvaziou de tudo para serví-lo e tomar uma coroa de ouro e uma de glória.
Então, sua vida de treinamento nos campos de batalha de Cronos, finalmente seria recompensada pelo resto da vida reinando no Olimpo. Percy era ambicioso, ao extremo, e se o Deus falasse que para ser rei ele precisaria eliminar a Casa de Cronos, Percy eliminaria sem hesitar. Aphrodite tinha lhe prometido algo há alguns anos, mas amor, para ele, era uma coisa vazia e dispensável, a glória de um trono perduraria por eternas gerações.
Então Deus Ares foi ter com Percy para dar sua missão, em seu sonho, Percy estava no Salão de Guerra, no trono do rei, o próprio Deus, que o encarava com seu olhar de ferro. Sem mais delongas, a ordem foi dada:
- Abandone Aphrodite, deixe seu pai, Poseidon, e o seu avô, Cronos, para dominar o Olimpo. Siga-me sem hesitar e lhe darei glória sem limites, minha adorada filha, Lady Clarisse, e um trono de eternidade no lugar de seu pai. Pois, para que servem os filhos fortes, se não para destronar Deuses ou homens fracos feito o equilibrado Poseidon?
E não houve hesitação nas palavras de concordância, pelo menos não naquele momento. Contudo, ainda aquela noite, Percy se lamuriou de ter que abandonar um antigo desejo por certa Lady. E mesmo em toda sua saudade, ele decidiu seguir Deus Ares e atender a um chamado grandemente complicado, deixar-se ser pego pelos bárbaros do Extremo Sul para conhecer sua defesas e ataques, para depois fugir e derrubá-los por fim.
Na noite em que recebeu a ordem, a Fortaleza de Cronos foi atacada e Percy se jogou feito um louco para o contra-ataque, talvez tenha ouvido Nico gritar seu nome, mas isso não era importante, irrompeu a onda de inimigos e mergulhou no perigo desmedido, antes que pudesse se dar conta da estupidez de sua mente, perdeu os sentidos e foi levado como um prêmio, um troféu. Chefe Perseus de Cronos, filho de Poseidon, o crônida era uma grande oferenda para aquele que liderava os bárbaros do Extremo Sul, porque, sobre todas as tribos do Olimpo, Cronos era a mais odiada.
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- E ora, não é o poderoso crônida que está amarrado em minha sala? — Percy estava um pouco desorientado, mas reconheceria para sempre aquela voz frágil com sotaque de escravo.
- Não é um maldito traidor da Casa de Hefesto quem amarra o poderoso crônida? -Provocou, sorrindo.
- Forcem as cordas! — Os escravos do sul puxaram a armadilha, forçando as mãos de Percy para cima, ao mesmo tempo que puxava suas pernas para baixo. Com toda dor, o crônida não gritou, somente trincou os dentes. — Não está rindo agora, Percy, seu idiota?! Você não está mais no seu castelinho de retardados que babam no seu pênis pra você gozar, eu sou o rei aqui, se eu não te mandar sorrir, você não sorri! — Deu um tapa no rosto pálido do filho de Poseidon.
- Chefe Leo de Hefesto, filho de uma escrava — sua voz era baixa, mas não falhava. — Quem é você perto de mim, o grande filho legítimo do Deus Poseidon, aquele que comanda os mares? — Riu mais alto. — Vou arrastar sua cabeça até os pés de seu irmão.
- Sabia que era eu aqui no Sul?
- Confesso que não, mas não me surpreendo, Thalia vai te adorar ainda mais quando souber. — Outro tapa.
- Ela não vai saber, Perseus, você não vai sair vivo daqui. Quando tomar Cronos e esfolar sua prima prostituta, vou à Casa de Aphrodite dizendo que sobrevivi e dominei o pequeno Extremo Sul, eu vou ser o herói, o dono do trono. Lady Annabeth vai chorar sozinha em seu túmulo. — Percy sentiu um calor de raiva no peito, mas o abrandou lembrando-se de seu Deus.
- Vingança? Ele realmente é muito tolo! Deus Ares vai aprovar seu reinado?
- Preciso dele? — Perguntou a si mesmo. -Claro que não, não precisei dele para vir até aqui e vencer o rei do Sul.
- Mas as coisas dentro do Olimpo são diferentes, Leo. Você estará sem aliados no trono, terá seus parentes, certamente, mas, o que é apenas Hefesto contra os outros dez? — Leo pareceu incomodado, então Percy resolveu continuar. — Não estou subestimando Hefesto, longe de mim, mas tente ver se não estou correto.
- Quer sugerir- me algo, pensa que sou tão tolo assim? — Leo riu e virou as costas para ir embora. Perseus só possuía mais uma tentativa.
- Thalia e o trono podem ser seus de um jeito mais fácil e com o apoio de Ares, Dionísio, as Amazonas e Belona Athenia. -Leo parou, pensando se deveria ou não escutá-lo.
Perseus não era muito dotado de inteligência, seu Deus Ares também, mas algo que os dois tinham em comum, além da ambição e da habilidade com ferramentas de guerra, era a esperteza para traçar estratégias. Pegar os arianos em uma armadilha era extremamente difícil, e isso também se aplicava aos abençoados pelo Deus Ares, e desde cedo, também era natural em Perseus, o campeão dos filhos de Poseidon e, agora, campeão de Ares.
- Soltem-no, quero ele na minha mesa ao jantar.
- Finalmente, boa alternativa, Chefe Leo de Hefesto, você não vai se arrepender.
Os escravos de Leo levaram Percy para a casa de banho, ele ainda estaria muito bem vigiado e, provavelmente, também acorrentado, mas com uma folga maior e uma liberdade relativamente controlada. Percy mantinha sua pose espetacular de homem equilibrado e grande Chefe de Clã, mas por dentro estava em pânico e seus pensamentos, para manter a ordem no corpo, se concentravam em Lady Annabeth, mesmo que Deus Ares lhe tivesse dito para esquecer o passado.
Existiu um passado em que Percy, o afilhado de Ares, fora apenas um homem, que como todos os outros, poderia vir até a ser um grande Deus, mas estava fadado a sempre se apaixonar por uma bela e viver pelo seu nome até o fim de seus dias. Porque Perseus era perdidamente apaixonado pela garota doce e delicada que hoje era chamada de Lady Annabeth. Então, mesmo que sua mente se dedicasse a ela com devoção, seu corpo e coração seguiriam o Deus Ares, sem mais hesitar.
Como Perseus estava preso há dois dias, imundo feito um porco no chiqueiro e machucado pelas torturas, as escravas levaram muito tempo para deixá-lo apresentável para o rei da Casa. Mas o esforço das mulheres valeram a pena, porque, no fim, Percy estava imponente como um príncipe e relaxado o suficiente para bancar um brilhante diplomata, que, acreditava ele, seria o suficiente para convencer Leo de Hefesto a fazer algo.
- Pode começar, Percy de Cronos. — Percy engoliu em seco e respirou fundo, foi uma reação sutil, Leo nem percebeu, mas mostrava todo o medo que sentia de tudo dar errado.
- Leo de Hefesto, sabemos de nossas desavenças, e sabemos que é algo relativamente tolo se comparado com a situação anterior, quando era apenas você contra a nossa Fortaleza e nossa Casa, você sozinho jamais tomaria alguma coisa de Cronos, fato?
- Fato, por isso hoje eu tenho o Extremo Sul a minha disposição para derrubar vocês.
- Isso é bom, muito útil na verdade. -Circulou a mesa onde Leo estava e sentou-se à frente dele, sem cerimônias. Pegou uma taça de vinho e brindou á glória do rei da casa. — Antigamente, você não teria chances, na minha Casa tínhamos eu, Chrisaor, Escamandro, Fineu, Soth e Penélope. De Zeus, Thalia, Jason e o pequeno Héracles. Em Hades, Hazel, Bianca e Nicolaus, que com certeza viria, sabe-se de onde, para lutar. Mais os escravos.
- E o que mudou de especial?
- Eu. — Viu o olhar desacreditado de Leo de Hefesto e decidiu continuar. — Bom, perdemos Fineu, Soth, Escamandro, Chrisaor, Penélope e Héracles. Mas temos uma coisa bem melhor, Deus Ares. Talvez você não acredite, mas o Deus me escolheu como alguém para dar o trono ao controle dele. Sabe, o Deus só quer o trono, não importa mais nada. E eu tenho um plano para que seja você a dar ao Deus esse trono.
- Prossiga.
- Leo do Extremo Sul, você me liberta e eu vou à Fortaleza de Cronos, lhe dou minha palavra em nome do Deus Ares, que faço Cronos atacar o Extremo Sul em uma armadilha onde você poderá pegar todos os crônidas presentes. A exceção de mim, claro, que voltarei desolado para o Olimpo, para convencê-los de atacar o sul em minha vingança, nessa hora, eu lhe mandarei uma mensagem para que você deixe de lado esse lugar sem graça e vá ao Olimpo com a cabeça de um escravo qualquer. Eu apontarei o escravo como o rei do Sul e você, com certeza, com o apoio que eu e Ares temos, sentará no trono pela lei de guerra.
- O que você ganha com isso? — Coçava o queixo meio desconfiado.
- Pago minha dívida de dar o trono do Olimpo ao Deus Ares, dever alguma coisa a um Deus é perigoso, faria de tudo para terminar com isso.
- E Thalia? Eu quero matá-la.
- Fique com ela, não me importo. — Percy não sabia dizer se um dia se arrependeria daquela decisão, não sabia nem se o Deus Ares aprovava o que ele dizia, mas se não aprovasse já teria sido posto de volta a tortura por Leo. E mesmo com as incertezas, Percy sentia-se menos nervoso, mais confiante que quando entrou no sala.
Então Leo sorriu, como o jovenzinho que era, ergueu sua taça e pediu um brinde ao brilhante crônida filho de Poseidon. Percy não tinha remorso e ceiou com Leo de Hefesto como se fossem amigos, ainda aquela noite ele terminou seus planos e partiu para voltar a Cronos e refazer um plano para matar Leo e Thalia e tomar o trono para si, com todas as defesas da Fortaleza do Extremo Sul gravadas em sua mente, tudo seria muito fácil, quase sentia vontade de rir da tolice dos homens, com Deus Ares ao seu lado, sentia-se mais esperto em batalhas que a própria Athena ou Belona. Tolos eram os que se meteriam em seu caminho e mais tolos eram Deusa Aphrodite e seu campeão por o desafiar, pretendia estraçalhar o campeão da Deusa como os deméritios separam o joio do trigo, e depois lançá-lo às chamas para que a Deusa de Amores jamais voltasse a acreditar que poderia guerrear com o Deus da Guerra.
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