David estava assustado e ao mesmo tempo confuso com o que estava acontecendo. O número de monstros havia aumentado, uma criança sinistra que contrariava todas as suas crenças havia surgido e Anônimo dizia que ela não era um monstro.

- Ela está possuída. — disse Anônimo.

David havia pedido para Anônimo explicar o que estava acontecendo. Pelo jeito que ele explicou, Anônimo conhecia o assunto. Demônios eram algo que ele parecia ter experiência. Talvez tivesse passado por alguma situação parecida. O único motivo de David querer continuar nessa história sem pé nem cabeça, era a palavra "demônios". Essa palavra estava envolvida com o sumiço de seu pai e o fato ocorrido há anos nessa família, permanecia debaixo de um mistério completamente desconhecido, que aos poucos, começava a ser revelado.

- Você precisa vir comigo. — disse Anônimo.

- Eu? Por que?

- Porque eles irão te procurar.

- Mas por que?! Não tenho nada haver com isso!

- Muito pelo contrário.

- Ah, então sabe algo a mais e não está me contando, é isso?!

- David, acalme-se.

- Acalmar?! O número de monstros subiu esta semana, esta criança você diz ser um demônio, meu pai foi sequestrado por demônios e muito provavelmente está morto e você quer que eu fique calmo?!

- Há uma coisa que preciso lhe contar.

- Então diga. Nada mais pode me fazer ficar pior do que já estou.

- Sou um pastor.

David não aguentou e começou a rir. Como se não já bastasse tudo o que estava acontecendo, Anônimo ainda dizia ser um pastor. Agora todo o "circo estava armado.

- Isso é alguma maneira surreal de tentar me fazer virar crente? Não vai dar certo.

- Não seja idiota. Claro que não. Deus está lhe chamando para algo maior. Precisamos de você para evitar que um demônio chegue à Terra. E ele vai chegar em breve.

- Ah, ótimo, história de fantasmas. Quando?

- Não sabemos ao certo. Só sabemos que será em breve.

- Como assim "sabemos"? Existem outros que sabem disso?

- Sim. Vários outros. Na verdade, podemos dizer que seu pai era um de nós.

- Meu pai?! O que ele fazia envolvido com isso?

- Ele era noso líder. E eu era um tipo de aprendiz.

- Afinal, quem é você?!

- Ah, sim... Não esperei que hoje você fosse ser atacado por um demônio. Mas já está bem crescido e talvez esteja na hora de...

- Diga logo. — interrompeu David.

- Continuando, talvez esteja na hora de você saber meu verdadeiro nome.

- Que é...

Um silêncio predominou naqueles instantes. O vento bateu de uma forma congelante. Uma janela aberta logo se fecha e em um suspiro do Anônimo, ele finalmente diz seu nome:

- Ariel. Ou o Leão de Deus.

David permanecia olhando para ele. Aquele manejador de espada. Espadachim. A criança não estava morta. Estava dormindo, como se nada tivesse acontecido.

- Precisamos ir. Tem uma pessoa que quero que conheça.

- E quem seria?

- Apenas vamos.

David hesita.

- David, pela primeira vez na vida, deixe de ser um idiota e vamos.

- Não. Não tenho ideia do que está acontecendo. Não quero me envolver e acabar como meu pai. vou fugir enquanto puder disso.

- Esta falando serio?! O planeta está precisando de alguém que ajude e você cruza os braços e diz "não"? — gritou Ariel.

- Exato.

- Ok David. Quero apenas que ouça uma última vez antes de eu virar as costas e ir embora.

- O que?

- Seu pai está vivo.