Guardo teus pecados

2 Capítulo 2 - Explorando sua vida


Notas iniciais
Boa Leitura para vocês!

Chegamos até o salão onde o baile estava acontecendo e estava tocando a música “La bomba” do King África. Ela tem uma versão em português também, mas estava tocando a original. Todos estavam dançando “com uma mão na cabeça, a outra mão na cabeça, o movimento sexy”. Era super bizarro ver todos dançando daquele jeito, mas ao mesmo tempo era legal. Eu não iria dançar para não passar vergonha com Armando, mas no momento que olhei para ele, ele estava dançando e requebrando mais que algumas meninas... Nesse momento pensei seriamente se ele não era gay.

–Não está se divertindo? Essa música é demais – disse ele rindo e gargalhando como um bobo.

Eu pensei seriamente se aquela música realmente era “demais” ou coisa parecida, porque para mim ela parece ser bem tosca. Bem eu apenas ri e comecei a dançar também, mas claro de um modo bem mais discreto que ele. Foi divertido, tocaram várias músicas meio “trash” tipo essa.

A última música que tocou foi aquela da Celine Dion My Heart Will Go On. Como a música é lenta, todos começaram e dançar de parzinho, então olhei para o lado e Armando pegou minha mão e me puxou para dançar junto a ele. Ele tinha uns oito centímetros a mais do que eu, não sei bem, mas minha cabeça ficava bem abaixo do queixo dele. Ele basicamente era uma cabeça mais alto que eu. Começamos a dançar bem lentamente, e no final da música ele tentou me beijar, mas eu saí correndo.

Bem, nós tínhamos nos visto e falado apenas naquela noite, e como nunca acreditei nessa coisa de amor à primeira vista eu pensei que nunca mais iria o ver, e minha vida continuaria.

Bem durante as férias, eu trabalhei na floricultura da minha mãe, no caixa. Vocês já devem imaginar quem foi até lá né? Sim, Armando, mas ele não sabia que durante as férias eu trabalhava ali. Quando eu o vi entrando, fiquei de cabeça abaixa para que ele não me reconhecesse, afinal eu estava ridícula. Bem, ele estava com uma cara bem triste, e pegou rosas brancas. Não é só porque a floricultura é da minha família, mas nós temos as melhores flores da cidade. Quando ele foi até o caixa, ele infelizmente me reconheceu. Eu achei que nós nunca mais iríamos ver novamente, então quando ele me viu logo disse:

–Parece que o destino nos juntou novamente.

Eu deveria ter dito “merda de destino”, mas como naquela época eu gostava dele, eu sorri e dei uma risadinha para ele. Eu percebi que ele estava com uma cara de quem estava chorando, então eu perguntei se estava tudo bem, mesmo sabendo que não estava.

–Minha vó morreu. – disse ele depois de um grande suspiro.

Fiz uma cara de decepção...

–Sinto muito. Ela deve estar em um lugar melhor agora.

Ele me fez um convite para ir ao enterro no dia seguinte. Eu disse que iria ver se eu iria, e de primeira é claro que eu não quis ir. Eu não iria conhecer ninguém, e bem, eu nem conhecia ela então não faria muito sentido eu ir até lá. Mas então eu pensei bem, e acabei querendo ir, só para ver o Armando e ser um ombro amigo dele.

***

No dia seguinte, acordei umas 05h30min da manhã, já que o local era um pouco longe, e eu não sou do tipo de pessoa que se arruma rápido. Eu estranhei um pouco que eles não fizeram o enterro em um cemitério, e quando eu cheguei até lá mais uma coisa me deixou confusa: Ninguém estava de preto, e todos inclusive Armando estava festejando. Eu nunca tinha visto uma festa tão grande como aquela em toda minha vida. Entrei lá e Armando logo me viu. Ele estava todo feliz, assim como todos, e eu logo quis saber:

–Não era o enterro da sua vó? – Fiz uma cara de quem estava confusa com a situação.

–E é horas! Porque você está toda de preto? Ah, eu acho que me esqueci de te avisar. Na minha família, é assim que comemoramos todos os enterros. Se fizéssemos do jeito tradicional iria ser muito chato. Assim é mais divertido.

Nunca imaginei que iria escutar algo deste tipo, afinal, é sobre a morte de alguém era realmente para ser um evento com pessoas chorando, tristes, se lamentando e talvez até algumas pessoas desmaiadas. Bem apenas segui a “tradição” deles e nos divertimos. Dançamos muito, e confesso que tinha músicas bem melhores do que aquelas do baile de formatura.

Uma tia de Armando chegou:

–Que menina linda! É sua namorada?

Pronto. Bastou dizer isso para começar minha crise de espirros. E para piorar: Espirrei bem no copo de Armando. Um jato nojento de catarro, mas detalhes a parte. Eu fiquei morta de vergonha.

Tirando esse incidente à festa foi uma das melhores que já fui, tinha muita comida, música boa, e gente super simpática.

Notas finais
Gostaram? Aguardem o próximo capítulo!