Guardo teus pecados
1 Capítulo 1 - Assim um trouxa conheci
Notas iniciais
Na primavera de 2007... Uma época maravilhosa eu vivi, com Armando. Fomos um dos mais belos casais existentes, e ficamos sete anos juntos. Depois do que aconteceu, descobri que foram apenas malditos sete anos. Sete Anos que eu nunca queria ter vivido. Foi um grande arrependimento, e muitos me diriam que a vida segue, se eles não soubessem o que aconteceu na última semana desse relacionamento. Pra mim a vida não continuou, parece que regrediu.
Bem, eu (Estella) e Armando fomos muito felizes no tempo que passamos juntos. Nós nos conhecemos na festa de formatura, e como ele era do período da manhã no colégio, nós não nos conhecíamos. Bem poderíamos ter nos visto uma vez ou outra andando pelos corredores, mas nunca trocamos palavras. Durante a festa, eles anunciaram os estudantes com as notas mais altas em todos os anos do colégio. Não, Armando não foi um dos melhores alunos, e passou de ano com muitos esforços, apesar de ter merecido repetir várias series como me disse minha amiga Vanessa.
Os chamados para subir no palco foram eu, e um aluno do período da noite chamado Jeferson. Eu me lembro de ter visto ele algumas vezes, e ter dado algumas gargalhadas em grupos que nós fazíamos. Eu subi lentamente ao palco, morrendo de vergonha. Sempre que fico com vergonha começo a espirrar, o que infelizmente é um grande problema. Minha mãe me levou ao psicólogo algumas vezes quando era pequena, e ele sempre dizia a mesma frase:
“É apenas uma mania, e irá passar um dia.”
Bem, passou com 25 anos de idade, mas pelo menos ele estava certo. Como estava dizendo, quando subi no palco olhei para todos aqueles formandos me encarando, alguns sorrindo e outros com uma cara de ódio profundo. Como tinha dito de minha mania, não deu outra, e comecei a dar vários espirros seguidos. Fiquei até meio tonta na hora, mas a maioria dos alunos já sabia desse meu pequeno “problema”.
Peguei meu certificado de melhor aluna do colégio, e com muito esforço, consegui dar um sorriso para todos. Comecei a olhar bem todos os rostos, para não me esquecer das pessoas que estiveram comigo, sendo meu colega, me conhecendo ou não. Passei os olhos pelo rosto de Armando. Ele não tinha uma barba, mas também não sabia muito bem como usar uma gilete. Ou talvez ele tivesse aquele estilo para parecer um “Badboy”. Ele tinha olhos tão verdes como a grama de um campo que vi uma vez, a caminho da casa de minha vó, quando meu pai se perdeu e foi parar em uma cidade no interior. Todos nós tínhamos estranhado as demoradas 3 horas de viajem até a casa da minha vó.
Voltando para o Armando, apesar daquela tentativa de se barbear corretamente, ele era um dos garotos mais bonitos que já tinha visto em toda a minha vida. Comecei a espirrar novamente, mas dessa vez fiquei tão tonta que caí do palco. Bem adivinhem quem me segurou? Ninguém, eu apenas caí como um saco de batatas, mas então Armando veio e perguntou se estava tudo bem. Confesso que na hora fiz um pequeno drama para ele se preocupar comigo, então ele me pegou no colo e me levou até a enfermaria.
Quando ele saiu, eu disse para enfermeira que eu estava bem, mas ela insistiu em me dar dipirona. Fiz a pior das caretas, mas é a vida nem tudo que provamos é bom.
Saí da enfermaria e sim, Armando estava lá me esperando.
- Está tudo bem? – me perguntou meio sem jeito – bem foi um tombo feio.
Ele estava suando um pouco, deveria estar tímido, por isso consegui responder mais tranquila.
- Estou bem agora. Vou voltar ao baile agora.
- Eu posso ir com você, se você quiser é claro.
Não tinha muita certeza do que dizer, mas concordei com a cabeça.
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