Guardiões
13 Nocaute.
Notas iniciais
Forcei os olhos a abrirem, as pálpebras pareciam ser feitas de chumbo de tão pesadas que estavam. Ao abri-los pisquei algumas vezes, para que os contornos do local onde estava entrassem em foco. O lugar estava iluminado pelo sol entrando pela janela. O quarto parecia muito com o que estava hospedada na casa de Sky; porém não lembrava desse bip irritante perto de mim. Talvez isso signifique que de alguma forma ainda estou viva, a morte não pode ser tão barulhenta.
Conforme a sensibilidade retornava a meus membros, senti o desconforto de uma agulha intravenosa em minha mão e um tubo saindo de meu nariz. Vários outros fios estavam ligados a mim, em uma reação instintiva tentei arrancá-los.
— Não, nada disso. — Dedos longos seguraram minha mão.
— Sky? — Virei à cabeça encontrando com o rosto belo dele, ele estava sentado em uma cadeira do lado esquerdo da cama, por isso não o vi ao acordar. — Ah Sky... Eu... Eu... Tive tanto medo. — O coração acelerou fazendo a máquina bipar loucamente.
— Shhhhh, calma, está segura agora. — Respirei fundo, tentando fazer o ritmo cardíaco desacelerar.
— Como vim parar aqui? Não consigo lembrar direito. — As lembranças estavam um caos, alguns fios de memória dançavam aleatoriamente em minha cabeça.
— Eu a trouxe... Foi por pouco que... Se tivesse demorado um pouco mais... Desculpe-me.
— Você não teve culpa. — Queria desesperadamente dizer-lhe o quanto estou grata, e levar embora a culpa estampada em suas feições e voz. — Salvou minha vida mais uma vez, obrigada Sky.
— Não há de quê. — Ele repousou a mão sobre a minha, um ato tão simples; mas suficiente para fazer o monitor cardíaco enlouquecer com meus batimentos acelerados não podia ser menos constrangedor.
— Por quanto... Tempo fiquei fora do ar?
— Uma semana. — Arregalei os olhos.
— Ok, posso desistir da escola. Uma semana sem assistir aula é o mesmo que decretar meu fracasso estudantil. — Gemi consternada.
— Não conhecia esse seu lado dramático. — Tive vontade de bater nele, como podia achar meu desastre acadêmico divertido? Emburrada olhei para janela. — Mady, olhe para mim. — A contra gosto obedeci. — Os bombeiros fecharam a escola por tempo indeterminado, aparentemente as fundações do prédio foram bastante danificadas.
— Então... Não estou ferrada?
— Não. — O imortal parecia está segurando o riso.
— Que alívio. — Tomada por uma coragem desconhecida sustentei o olhar dele. O rosto perfeito estava marcado por olheiras profundas e escuras. Pela primeira vez em toda minha vida, senti raiva de verdade. Raiva pelos responsáveis por trazer sofrimento tanto para mim, quanto para ele.
— Deveria descansar. — Consegui dizer.
— Estou bem Mady. — Ele parecia resignado como se já tivesse tido essa conversa mais de uma vez. — Conversei com Edward... — Está tentando mudar de assunto, estreitei os olhos mostrando que havia percebido a intenção dele e fui ignorada com sucesso. — E concordamos que você precisa ser treinada.
— É, já chega de ser saco de pancadas. — Preparei minha jogada. — Mas quem vai me treinar?
— Eu e Edward, é claro.
— Hum... — Os olhos azuis desconfiados pairaram sobre mim, não permiti que isso desviasse minha linha de raciocínio. — Você? — Queria que minha incredulidade parecesse verdadeira.
— É... Eu. — Agora foi ele que estreitou os olhos.
— Acho que não meu rapaz. — Sky pareceu surpreso. — Se eu te enfrentar no estado em que está, irei vencê-lo com as mãos nas costas. — Era um tremendo de um exagero; mas pareceu surtir o efeito desejado, pois ele abriu a boca para replicar; para logo a fechar em seguida.
Sky pareceu ponderar, lutei para me manter firme, o que estava difícil diante da expressão magoada dele.
— Você e Edward são impossíveis.
— Só queremos seu bem, não fique chateado. — Virei à mão inventando a posição, agora era a minha que estava sobre a dele, pelo menos dessa vez não fiquei envergonhada.
— Eu sei. — Ele suspirou relaxando as feições. — Não estou chateado. — O sorriso cheio de covinhas voltou a brincar em seus lábios. Deveria ser um crime alguém ser tão dolorosamente atraente.
***
Fui obrigada a passar mais cinco dias de repouso absoluto, mesmo dizendo está perfeitamente bem, claro que não me deram ouvidos mesmo dizendo não está sentindo dor em uma unha.
Os três primeiros dias foram de longe os piores, por que não vi nem a sombra de Sky. Segundo Edward ele resolveu finalmente descansar. Mesmo tendo a companhia de Ed, não conseguia parar de ficar inquieta. Não que a companhia de Edward não fosse boa, é só que... Nem consigo explicar o motivo. Devo está ficando doida mesmo.
Somente no final da tarde do quarto dia, Sky deu as caras, o alívio que senti chegava a ser ridículo. Agradeci mentalmente por Ed ter tirado aquele monitor cardíaco fofoqueiro do quarto no dia anterior. Caso contrário os bips irritantes teriam entregado a reação de meu coração rebelde.
Para minha surpresa o guardião trazia um aparelho de celular que reconheci como sendo o meu, era Helena ligando. De acordo com ele, não era a primeira vez que ela ligava.
Não sabia se ficava constrangida por mentir para minha melhor amiga, ou por estar fazendo isso sob o olhar curioso de Sky. Por via das duvidas, optei pela primeira opção; a segunda era constrangedora demais. O imortal parecia achar graça de minhas expressões torturadas, sempre detestei mentir e sou ruim de mais nisso, agradeci por Helena não poder ver minha cara, por que ela não acreditaria em nenhuma de minhas desculpas esfarrapadas. Mas o que podia fazer? Não podia dizer a ela que o motivo de meu sumiço é que quase fui morta por um ser imortal. Isso não é o tipo de coisa que se diz pelo telefone.
Na companhia dele os outros dois dias passaram surpreendente rápido, o que comprovou que a teoria do tempo relativo é verdadeira, um dia sem a presença dele parecia ser um século, o contrário acontecia quando estava presente. Ao ser liberada de meu repouso forçado, quase saí saltitante do quarto que já começava a acostumar a chamar de meu.
Apesar de me sentir ansiosa a ponto de o estômago ficar contraído, tomei o café da manhã reforçado que os rapazes haviam preparado. Não fazia ideia que tipo de treinamento aqueles dois me submeteria, mas tinha plena certeza de que pagaria mico.
— Pronta? — Sky entrou na cozinha, parecia animado. Ele vestia um short a cima dos joelhos, uma regata realçando seus músculos e para finalizar um tênis esportivo. Engoli em seco varias vezes contendo o ímpeto de babar.
— Na verdade, não. — Suspirei e levantei, não conseguiria comer mais nada.
— Relaxe Mady. Você vai se sair bem.
— Sua fé em mim chega a ser constrangedora. — Ele riu e me abraçou pelos ombros guiando-me em direção ao jardim.
Uma mesa retangular havia sido colocada no extenso gramado, só quando estava perto o bastante consegui identificar os objetos sobre ela. Havia uma espada, um arco; uma aljava cheia de flechas e dois estojos fechados de madeira.
— Hoje vamos focar nas armas que um guardião costuma utilizar. — Paramos em frente à mesa. — A espada creio que já conhece. — Assenti lembrando de minha tentativa frustrada de utilizá-la. — Esse é um arco recurvo, é menos potente do que o arco longo que estou acostumado a usar; mas a leveza e o tamanho o fazem perfeito para você.
Nunca havia visto um desse de perto, a arma era ainda mais impressionante do que nos filmes. Quase toda a estrutura formava uma curva comprida, as postas eram viradas em direções contrárias como dois "S". Sky tirou o braço que estava em minha volta, me deixando livre para tocar no arco. Ansiosa peguei a arma, prontamente tentei esticar a corda, mal consegui puxá-la parecia pesar vários quilos.
— Espere um segundo. Coloque isso na parte interna do braço, vai proteger da corda quando soltar a flecha. — Ele entregou um objeto comprido feito de couro com formato cilíndrico. Fiz como fui instruída. — Agora sim, vá em frente. — Sky mostrou o alvo a uns dois metros de onde estávamos, peguei uma flecha e encaixei na corda. — Com o polegar não, deixe que a flecha fique apoiada entre o primeiro e o segundo dedo. Tente usar os músculos das costas além dos do braço, deixe suas omoplatas juntas. — Tive a impressão de que a corda ficou mais leve ao seguir as instruções dele.
Mirei no centro do alvo e atirei. A flecha passou longe de meu objetivo, bufei descontente.
— Só mais um pouco de treino. — Sky era gentil demais para dizer o quanto minha tentativa foi patética. — Vamos para a próxima arma. — O guardião abriu um dos estojos.
Dentro havia uma faca pequena, ele entregou o objeto a mim, a analisei com cuidado. A pequena arma tinha o cabo pesado e grosso, uma cruzeta de bronze separava a empunhadura da lâmina que começava estreita alargava no meio e retornava a estreitar até a ponta afiada. Sem sombra de duvida estava segurando uma arma perigosa.
— Você tem duas dessa em sua armadura, uma localizada ao lado da espada e a outra dentro da bota direita. Essa belezinha foi feita para ser atirada, deixe-me mostrar. — Devolvi a faca.
Com um movimento suave e rápido ele jogou a faca que girou quase invisível em direção ao alvo. A faca atingiu o centro com um baque surdo.
— Uau. — Estava embasbacada. — O que tem no outro estojo? — Não escondi o entusiasmo, rindo Sky abriu o outro estojo.
Dentro desse também havia uma faca; porem essa era mais comprida e bem mais pesada, em um dos lados era bastante afiado e do outro grosso e pesado, a cruzeta era mais curta também.
— Essa aqui também fica ao lado da espada. É usada para ataques de curta distância, se bem manejada pode parar o ataque de uma espada. – Assenti impressionada.
Finalizada as explicações partimos para a prática, durante toda a manhã o treino foi direcionado para o arco e flecha e a faca de atirar. Sky não saiu de perto, sempre dando alguma dica ou fazendo correções em minha postura. Quando a hora do almoço finalmente chegou, estava destruída. Suava em bicas, músculos que nem sabia que existiam doíam intensamente. Segundo meu treinador boa pinta era perfeitamente normal.
Ataquei o almoço com voracidade, cheguei até a esquecer minhas boas maneiras. Edward riu, Dizendo que eu tinha algum parentesco com o Goku, não o mandei se calar, por que esta com a boca cheia. Descansei por uma hora após o almoço, antes de retornar para o treino. Agora era Edward que me guiaria.
— Muito bem senhorita, vamos ver o que sabe fazer com uma espada.
Nem preciso dizer que fui massacrada, Ed era rápido e habilidoso, perdi as contas de quantas vezes fui desarmada, ou a lâmina sem corte me atingiu dolorosamente em alguma parte desprotegida. E o fato de ter que também usar a faca longa não facilitou as coisas para mim. Já anoitecia quando praticamente me arrastei para dentro da casa dolorida e cheia de hematomas, depois da janta desmaiei no sofá.
Acordei com a sensação estranha de não saber onde estava. Havia apagado no sofá e acordei em minha cama. O quarto estava claro, o relógio digital sobre o criado mudo marcava seis da manhã, eu ainda vestia a roupa suada do dia anterior. Sentei na cama e estiquei o corpo, estranhamente não sentia mais dor. Ser meio guardiã tinha suas vantagens.
***
O ritmo dos treinos continuaram intensos, além de treinar com as armas, também comecei a ter aula de artes marciais e ainda fui apresentada a academia particular deles. Ao fim da primeira semana quase senti falta da escola, quase porque nada se comparava com o entusiasmo de Sky quando eu fazia algo certo, e com o senso de humor estranho de Edward sempre arrancando uma risada quando esta prestes a chorar de frustração. Posso até dizer que apesar da exaustão no final de cada dia estava me divertindo. Sem contar o fato de que em breve não seria mais uma garota indefesa.
Duas semanas depois quando me olhei no espelho e vi os primeiros resultados dos treinos, fiquei chocada. Aos poucos os bíceps e os tríceps ficavam mais definidos, a barriga secando era uma conseqüência mais do que boa. Dia a pós dia sentia minha resistência aumentando. Valia a pena ficar sem minhas guloseimas, Edward fez uma varredura pela casa e aboliu todos os doces e tudo que não considerava saudável, e disse que eu só voltaria a comer bobagem quando conseguisse nocautear Sky. Se era uma de suas piadas não sei dizer; mas ganhou ainda mais empenho de minha parte.
—Vamos lá Mady, você consegue! — Edward gritava incentivos enquanto eu tentava acertar Sky. Detalhe, eles me vendaram. — Use os outros sentidos.
— Falar é fácil! — Rosnei.
Minha audição captou um movimento quase imperceptível vindo da minha direita, sem hesitar lancei um soco que atingiu o nada.
— Passou perto. — O riso dele ecoou a minha esquerda. Sky era muito rápido, e eu estava frustrada com a privação de minha visão.
— Qual é mesmo o objetivo disso? — Resmunguei.
— Deixar você menos dependente de sua visão. — Usei o som da voz dele como guia, fingi dar um soco; senti a pequena corrente de ar que ele produziu ao se esquivar, me agachei esticando a perna fazendo um arco, meu calcanhar acertou alguma, em seguida o som de algo batendo contra o tatame ecoou pela academia.
— Isso aí Mady! — Edward bateu palmas, retirei a venda encontrando Sky estatelado no tatame, ele estava com olhos fechados e um meio sorriso estampando seu rosto. — Vamos fazer uma pousa.
— Ok. — Sorri mais do que agradecida. Deitei ao lado dele cansada, ouvi Ed saindo. Meu peito subia e descia, por causa do cansaço. — Sky?
— Hum?
— Posso fazer uma pergunta? — Virei para olhá-lo, ele também virou em minha direção, fazia algum tempo que não conversávamos, a rotina exaustiva de treino estava tomando todo meu tempo.
— Pode.
— Não precisa responder se não quiser. — Apressei-me a dizer.
— Vai em frente Mady. — Sky revirou os olhos, senti o rosto corar arrependendo-me de ter começado.
— Qual sua idade? — Ele me encarou por alguns segundos antes de responder.
— Estava estranhando você ainda não ter feito essa pergunta... Pergunto-me se isso vai assustá-la. — Não deveria estar tão ansiosa. — Tenho quase cinco mil anos... Vivo entre os humanos desde a idade média. — Abri a boca sem palavras.
Ele deve ter visto tanta coisa, presenciado tantos acontecimentos. Só agora me dava conta da complexidade que era ser imortal. Ficamos em silêncio por alguns minutos, sentia o cansaço indo embora gradativamente, infelizmente as borboletas em meu estômago não foram junto.
— Como é viver tanto?
— Na maior parte de tempo é meio monótono, com o passar do tempo você começa a se acostumar com as mudanças ao seu redor; mas há ocasiões que fazem valer a pena viver por tanto tempo. — Os olhos azuis me fitaram de maneira tão intensa que pareciam conseguir ver minha alma, o que esperava que não fosse verdade, por que se caso fosse, ele saberia o quanto estou por um fio de fazer uma loucura que não me arrependeria.
— Pronto para continuar? — Reuni o que restava de minha força de vontade para quebrar o contato visual e levantar. — Quero meus doces de volta. — E me manter mentalmente sã.
— Eu também, mas não irei facilitar. — Um brilho travesso brilhou em suas orbes azuis.
— Ótimo velhinho. — Provoquei, recebi um sorriso de desafio em resposta.
Movemo-nos de lado, estudando um ao outro, tentei encontrar uma brecha em sua defesa. Ataquei quando imaginei que iria pegá-lo de guarda baixa, meus socos e chutes não chegavam nem perto dele. Sky se esquivava uma fração de segundos antes que qualquer golpe meu chegasse a tocá-lo, contorci-me de frustração.
— Concentre-se Mady. Ouça seus instintos e use o que lhe ensinamos. — Fechei os olhos por alguns instantes. — Não tenha medo de dar tudo o que tem. — Deixei minha força fluir livremente para cada centímetro de meu corpo.
Me lancei para frente, tudo parecia se mover em câmera lenta quando o alcancei. Saltei e chutei mirando a lateral de sua cabeça, dessa vez ele teve que se defender. O imortal levantou o braço defendendo-se de meu chute. O impacto do golpe chegou a assustar e quase me fez perder o foco.
Ao aterrissar usei o gancho de esquerda que Edward havia me ensinado hoje mais cedo, Sky desviou do soco por pouco. Não esperei que ele se recuperasse, usei o joelho para acertar-lhe o estômago, o golpe foi parado pelas duas mãos dele.
— Bom! Muito bom mesmo! — Ele deu alguns passos para trás. — Continue. — Não hesitei, parti para cima desferindo socos atrás de socos. O via desviar com cada vez mais dificuldade. Cheguei até a sorrir, teria meus doces de volta mais cedo do que imaginava.
Comemorei cedo demais, pois Sky segurou meu punho esquerdo, com a outra mão segurou a parte da frente de minha blusa.
— Você baixou a guarda. — As iris azuis pareciam quase hipnóticas. — Agora você está muito perto para atacar, enquanto eu poderia jogá-la no chão facilmente.
O calor emanando dele estava me deixando tonta, meus olhos viajaram por sua face, descendo para o busto, a camisa estava suada e gruda em seu corpo deixando os contornos de seus músculos visíveis. Engoli em seco repetidas vezes sentindo meu controle se esvaindo como fumaça. Quando sua respiração quente e seu hálito mentolado atingiram-me em cheio, dei a deus ao último fio de sanidade que me restava.
Levei a mão livre para a lateral de seu rosto, surpreendi-me com a textura macia, fiquei ainda mais surpresa por não ser afastada ao tentar diminuir a inda mais a distância. Tomei isso como um incentivo e cobri seus lábios com os meus.
Instantaneamente meu sangue ferveu, a adrenalina mandando comandos para todo meu corpo deixando minha cabeça leve, sentia-me quase febril. Ao ser correspondida foi como ir a céu e voltar. Sky liberou minha mão que ainda segurava fechada em punho, prontamente foi parar junto com a outra em seus cabelos as afundei em seus fios negros, as dele foi direto para minha cintura acabando assim com o resto da distância entre nós. Fiquei feliz em constatar que ele era tão inexperiente quanto eu, estávamos em meio a uma confusão de lábios, dentes e línguas, tamanho era o nosso desespero. Tivemos que romper o beijo, pois precisamos buscar por ar.
— Será que isso conta como nocaute? — Sky riu, pelo menos eu não era a única abobalhada. Sabia que daquele momento em diante não resistiria mais aos encantos dele.
Fale com o autor