Guardião

11 Thomas Blowest Norton


Notas iniciais
Boa tarde, galera!!! Finalmente a tia conseguiu atualizar mais um capítulo dessa história. Espero que gostem do que vai acontecer a partir de agora, estamos entrando nos momentos cruciais/finais da história. Desculpem também a demora, é que me enrolei com as coisas da faculdade e nem respirar estão conseguindo direito. Sendo assim, tá osso fazer qualquer coisa relacionada a escrever. Desculpem mesmo!! Os comentários respondo assim que minhas últimas provas do semestre acabar (depois dessas duas semanas que vem)... É isso!!! Segue o capítulo (que no wattpad já havia atualizado)

Já era noite quando os dois finalmente chegaram em casa. Haviam passado a tarde sentados à beira de um lago, conversando sobre tudo que queriam dizer um para o outro naqueles dias que não se falaram.

Willa não deixou que Elizabeth recuperasse o folego da caminhada. Desandou a falar a respeito da burrice que foi negar o pedido do Sr. John Smith, mas ela pouco se importou em responder aquilo. Ela estava noiva sim, mas não de John. Ela se casaria em breve, mas não por dinheiro e não por status. Não seria uma mulher ranzinza em dez anos, não seria uma mãe frustrada. Se casaria por amor e isso lhe bastava.

Para encerrar a conversa, Lizzie apenas sorriu para a mãe e beijou-lhe a testa. Subiu correndo as escadas, em direção ao seu quarto e jogou-se na cama. Ela estava feliz, nada mais importava.

No jantar, haviam troca de olhares rápidas entre ela e Dylan. Um pouco constrangidas quando pegos no ato, mas ainda assim eles não paravam. Bruno percebeu aquilo e apenas limitou-se a analisar o mais novo casal secreto, sentado à mesa.

Quando todos terminaram, a mais velha ajudou a serva a tirar a mesa e levar tudo para cozinha. Encostou-se na porta e sua mente, simplesmente, voou enquanto se lembrava do que aconteceu há pouco tempo atrás. Levou os dedos finos aos lábios e sorriu ao sentir o toque neles. Isso lhe fazia lembrar do toque dos lábios de Dylan.

— Você está bem, Elizabeth? — perguntou sua mãe. Willa usava um vestido verde escuro, com detalhes de renda branca. O cabelo estava preso de modo a deixar apenas algumas mechas soltas.

— Sim, mãe! Estou ótima — respondeu sorrindo, voltando sua atenção a um chá que havia posto no fogo, para servir a todos mais tarde.

— Acabei de vir da sala, estava conversando com seu pai. Conversávamos sobre o que você fez hoje mais cedo... — ela começou a falar enquanto amarrava o avental na cintura, mas a realidade era que Lizzie não se importava muito com o que a mãe dizia. Ela estava aérea e poderia permanecer assim por dias, se não fosse o sobrenome de Dylan ser mencionado. — Mas então o senhor Norton pediu para falar com ele. Disse que era um assunto muito importante. Os dois seguiram para o escritório e estão trancados lá dentro — enxugou as mãos molhadas no avental e virou-se para a filha. — Não imagino o que deva ser tão importante ao ponto de me excluir assim.

Nem bem havia terminado de falar, Elizabeth jogou seu avental em cima da mesa e saiu correndo na direção do escritório. Parou na porta, ouvindo a conversa do pai e do jovem. A mãe a seguiu e, de igual modo, espremeu-se de alguma forma que desse para que ouvisse o que se passava também. Marie e Tina desciam as escadas, comentando sobre algumas fitas de cetim que haviam comprado, quando perceberam a aglomeração na entrada do escritório de seu pai. Correram, o mais rápido que conseguiram, para saber o que estava acontecendo ali.

— Deixa-me ver se entendi — o senhor Blowest tentou assimilar o que havia acabado de escutar. — Você quer a minha permissão para se casar com uma de minhas filhas? — as três garotas se olharam e Lizzie sorriu. Tina fez seus lábios formarem uma perfeita letra "o" enquanto voltava sua atenção para a conversa dentro da sala.

— Sim, senhor — ele respondeu. — Especificamente, estou pedindo a mão da senhorita Elizabeth em casamento — Dylan concluiu. A mãe olhou para Lizzie com a sobrancelha erguida. Entendeu o motivo dela ter negado o pedido de John afinal, mas ainda assim não gostou da ideia de Dylan ser o marido de uma de suas filhas. Lembrava-se bem o que ele era.

— A minha Lizzie? — Bruno sentou-se na cadeira. As mulheres souberam porque há muito ela precisava ser trocada. Sempre rangia quando alguém se sentava.

— Eu sei que não tenho nada a oferecer a ela e que levaria uma vida bastante humilde, mas meu coração é dela. Eu arrisquei tudo por ela e gostaria que o senhor me permitisse tê-la como esposa.

— Sabe que o senhor é bem-vindo em minha casa e que o recebemos bem, apesar de sabermos o que o senhor é de fato. O que me faz acreditar que suas intenções para com minha filha são verdadeiras e não apenas uma distração para que sua família possa nos encontrar e nos matar? — perguntou. Elizabeth arregalou os olhos ao ouvir como o pai falava com Dylan.

— Antes de qualquer coisa, se essa fosse mesmo minha intenção, isso já teria acontecido. Estou em sua casa há mais de três meses e já tive tempo e chance suficiente para fazer o que o senhor diz que eu posso fazer. Acredite quando eu digo que se quisesse fazer mal a algum de vocês, não precisaria de minha família para isso — respondeu. Bruno aceitou o argumento — e segundo, o senhor sabe que cheguei em sua casa ferido por uma arma de fogo, mas não sabe como aconteceu o tiro.

— Então me esclareça — o pai pediu.

— Uma família de caçadores os reconheceu como a família de bruxos que escapou de New Hampshire e avisaram a minha família. Até então ninguém sabia que eu havia encontrado a sua filha e a deixei escapar propositalmente — respirou de maneira tão profunda que as mulheres conseguiram ouvir. — A verdade é que eles continuaram procurando por vocês, buscando em cada núcleo de caçadores que conheciam, até que o meu irmão mais novo foi informado que estavam em charlestown. Descobriram a cidade em que viviam, mas a sua família já havia partido. A minha carta chegou há tempo.

— Então a carta veio do senhor?

— Exatamente.

— Que carta? — Lizzie sussurrou.

— No dia em que nos mudamos apressados de Maryland, lembra? — Elizabeth assentiu — Seu pai recebeu uma, sem remetente, informando sobre os caçadores. Conseguimos fugir graças a ela. Graças ao senhor Norton, aparentemente — respondeu também em um sussurro. A ruiva sorriu largamente, enquanto voltava sua atenção para a conversa dentro do escritório.

— Pensei que eles não iriam descobrir, mas o mensageiro ficou na cidade e meu irmão mandou capturar todos para interrogatório. O homem que lhes entregou a carta informou que eu a havia enviado e a minha própria família me acusou de traição. Fui condenado à morte por esse ato. Meu irmão mais velho conseguiu atirar em mim, pelas costas, enquanto eu fugia em um cavalo.

— Então veio para o único lugar onde sabia que poderia ser cuidado — o senhor Blowest afirmou.

— Não, eu vim para ter certeza que a senhorita Elizabeth estava bem. Pouco me importava se eu morreria ou não. Apenas queria ter a certeza de que ela estava viva e, se possível, vê-la pela última vez.

— Filho, o que ela fez com você? — o pai brincou. Elas conseguiram ouvir o som de vidros e líquidos, além de risadas. Estavam bebendo.

— Se me permite dizer, senhor — ele se interrompeu, sorrindo. — Ele me enfeitiçou.

— O que, exatamente, o senhor sente por ela?

— Eu a amo. Com todas as minhas forças — respondeu e a mãe olhou novamente para Lizzie que tinha os olhos repletos de lágrimas àquela altura. As meninas apertavam a irmã, em um misto de alegria e surpresa. Dylan seria mesmo da família dali em diante — A maior alegria de minha vida seria tê-la como minha esposa. Acredite quando eu digo que meu coração e minha alma pertencem a Elizabeth.

— Então que assim seja, senhor Norton. Eu lhe dou a mão de minha Lizzie em casamento e espero que aceitem o meu convite em permanecer morando aqui, conosco. Sua ajuda foi essencial nesses meses e a fazenda está começando a se erguer graças ao senhor — o homem aceitou, antes que Tina puxasse a jovem para a sala de costura. Segurou em seu rosto e sorriu.

— Você vai casar com o Sr. Norton.

— É, aparentemente sim — concordou abraçando-a.

—___ ღ ____

Dylan estava sentado em um dos corredores e parecia tenso. Girava a aliança dourada na mão esquerda enquanto aquela sensação, de apreensão e nervosismo, apenas se agravava ao ouvi-la gritar. Já estava nisso há mais de dez horas e não parecia que acabaria mais. Outro grito e ele apertou as mãos contra as pernas, impedindo-as de começarem a tremer.

— Posso dar uma dica como alguém que já vivenciou isso por três vezes? — o senhor Blowest entregou o copo com bebida para o genro e sentou-se ao seu lado. Dylan e Elizabeth haviam se casado dez meses antes.

— Sim, por favor — agradeceu, bebendo o líquido de uma única vez.

— Ficar assim não vai ajudá-la em nada. Tente relaxar e aí sim, verá que o tempo corre mais rápido.

— É natural demorar tanto assim? — perguntou encarando o homem.

— Quando a Lizzie nasceu, Willa ficou vinte horas — respondeu sinceramente. — É o primeiro filho de vocês, é normal demorar — Dylan encarou a porta do escritório outra vez, quando outro grito deixou os lábios de sua mulher. Estavam no andar de baixo e o parto ocorria em um dos quartos do primeiro andar, mas mesmo assim o grito foi ouvido como se ela estivesse no cômodo ao lado. — Respire fundo, meu genro. Elizabeth é uma mulher forte.

— Eu sei que é — Dylan fez conforme o senhor Blowest mandou, enquanto o homem enchia o copo novamente. Bebeu com o sogro, enquanto a espera parecia não findar nunca até que, duas horas depois, Willa entrou no lugar. O jovem levantou-se em sobressalto e se aproximou.

— É um menino — ela respondeu. Bruno vibrou na cadeira, abrindo um sorriso largo.

— Saudável? — perguntou enchendo novamente o copo. Dylan parecia paralisado com a notícia.

— Muito — Willa respondeu.

— E Elizabeth? — o rapaz perguntou. A feição de sua sogra mudou para preocupada.

— Ela perdeu bastante sangue. Foi um parto difícil.

— Mas ela está bem, não está? — incentivou para que a mulher continuasse. Esperava notícias de sua esposa e a forma como a Sra. Blowest falou, o fez crer que havia alguma coisa muito errada ali.

— Sim, ela está bem agora — respondeu por fim. O rapaz soltou o ar preso nos pulmões —, mas pela quantidade de sangue que ela perdeu, acredito que Lizzie não possa ter mais filhos ou vai ter complicações mais graves.

— O importante é que ela está bem — o senhor Blowest ergueu o copo de bebida no ar. — Ao meu neto, que seja um homem forte e com muita saúde. — Dylan aproximou-se da mesa do escritório e pegou o copo que já estava cheio outra vez.

— Ao meu filho — entornou a bebida e fez uma careta ao perceber que desceu queimando.

— Lizzie já pode receber visitas, embora esteja muito cansada. Vai falar com a sua mulher e conhecer o seu filho — A Sra. Blowest saiu da frente da porta e permitiu que ele passasse. Dylan subiu as escadas às pressas, encontrando suas cunhadas ainda no corredor. Queriam conhecer o sobrinho recém-nascido, mas Willa pediu para que Dylan entrasse primeiro e elas concordaram.

O homem respirou fundo antes de abrir a porta de madeira do quarto. Elizabeth estava deitada na cama, com o bebê nos braços e envolto em uma manta branca. Ao perceber Dylan parado na porta, ela sorriu e o chamou. Ele aproximou-se devagar e sentou-se ao seu lado. Lizzie tirou o pano do rosto do recém-nascido, para que o marido pudesse vê-lo.

Dylan sorriu quando o bebê fez um bico de quem havia sido contrariado e apertou os dedinhos pequenos.

— Ele é perfeito — comentou e beijou a testa da mulher que não cabia em si por tamanha felicidade. — Graças a Deus que se parece mais com você do que comigo. Seria uma criança desafortunada se assim o fosse.

— Não diga isso — Elizabeth reclamou sorrindo, enquanto Dylan novamente observava o bebê — Eu estou com medo.

— Medo, de que?

— Eu sinto algo diferente com essa criança. Ele é forte de uma forma assustadora. Acha que ele é um bruxo ou um caçador?

— Acertamos de não comentar isso, não foi? — o homem pediu.

— Sei que acertamos, mas...

— Lizzie, ele pode ser qualquer um dos dois e nada mudará. Se ele for um caçador, terá a mim para mostrar-lhe que o mundo não é preto no branco. Se for um bruxo, terá você para ensiná-lo tudo o que precisa saber — falava docemente. Se aproximou e a beijou de uma forma terna, cheio de significado. — Não se preocupe com isso, meu amor. Ele tem a mim e a você. Isso nunca mudará.

— Está bem — a ruiva sorriu e olhou para o bebê em seus braços — E qual o nome?

— Qual você tem em mente?

— Nenhum. Achei que seria uma menina, por isso não sei que nome poderíamos dar a ele.

— Posso sugerir algo? — Dylan perguntou e Lizzie sorriu assentindo. — O nome de meu pai era Thomas. Por mais que ele tenha nos ensinado tudo o que sabemos sobre caça às bruxas, ele se redimiu no final. William o matou porque ele se negou a continuar caçando e nos tentou enxergar isso. Ele dizia que a filha deles era uma bruxa, então deveriam ter dado um fim nela desde o primeiro momento em que nasceu. William não aceitou o argumento.

— Eu sinto muito.

— Eu gostaria que ele se chamasse Thomas, em honra ao meu pai por ter tido coragem de assumir que errou.

— Igual a você — Elizabeth alisou o rosto do marido e sorriu.

— Igual a mim — ele respondeu.

— Então será Thomas — a ruiva concluiu e bocejou. Estava realmente cansada.

— Vou deixar você repousar um pouco. Sei que foi difícil.

— Mas valeu a pena — ela segurou a mão do pequeno menino em seu braço.

— Sim, valeu a pena.

—___ ღ ____

Dois anos se passaram desde o nascimento de Thomas e a família permanecia ainda na cidade. Os cuidados que Dylan ensinou foram essenciais para todos e conseguiram se manter ocultos por um longo tempo.

Elizabeth, naquele dia, não se sentiu muito bem e por isso passou todo o tempo na cama. Tinha uma fadiga exagerada e tonturas constantes. A mãe não havia descartado a possibilidade de a filha estar esperando outro filho, visto que as regras estavam atrasadas. Na verdade, era quase certo aquilo.

Quando percebeu o sol se pôr, finalmente levantou-se. Dylan foi até ela, logo depois do almoço, saber como estava e não apareceu novamente. Estava preocupada e por isso resolveu descer.

Willa e Marie brincavam com Thomas na sala de costura, sentadas no chão como duas crianças fariam. Desde que ele havia chegado, todos pareciam ter rejuvenescido décadas. A ruiva encostou-se na porta e cruzou os braços.

— Com licença, senhora Norton — Acélia estava parada logo atrás de Elizabeth.

— Mas é claro que sim — deu um passo ao lado e a mulher entrou na sala. Buscou as almofadas e seguia de volta para fora quando foi chamada pela ruiva — Acélia, você viu o Sr. Norton?

— Ele saiu cedo, senhora. Até o momento não regressou — informou.

— Obrigada — agradeceu. Lizzie sentia que alguma coisa estava bastante errada. Ela tinha uma sensibilidade forte para isso e sempre acertava. Abraçou o próprio corpo e se limitou a observar o filho se divertir. O menino brincava com um cavalo de madeira e assim que a viu, correu com os braços abertos em sua direção. Elizabeth o segurou enquanto ele lhe contava histórias sobre o cavalo em um bosque encantado.

A mulher ria com ele e, por um minuto, esqueceu-se completamente da sensação ruim que lhe apertava o peito. Isso até Dylan chegar correndo em casa, quase pondo a porta a baixo.

— Temos que ir. Agora — informou.

— O que aconteceu? — ela perguntou desesperada.

— Eles nos acharam.

— Que gritaria é essa? — Bruno deixou o escritório e se aproximou rapidamente.

— Temos que ir embora nesse exato segundo, meu sogro. Meus irmãos, eles... — antes que concluísse, ouviu seu nome ser chamado do lado de fora.

— Dylan! — era a voz de Bill. Elizabeth o olhou assustada.

— Vão pelo fundo, deixem a casa e não olhem para trás — o rapaz ordenou.

— Sabemos que estas vivendo aqui. Que espécie de educação os nossos pais lhe deram, para que não convides seus irmãos para um jantar? — foi a vez de Charles falar.

— Eu não vou sem você, Dylan — Lizzie respondeu quando viu que suas irmãs, mãe e pai saíram correndo da sala.

— Sim, você vai — ele alisou o rosto dela e a beijou — Eu amo você.

— Não posso te perder. Não faça isso comigo.

— Eles não vão parar se eu não os distrair — encostou a sua testa na da esposa — Cuida do nosso menino, está bem? — pediu antes que William gritasse seu nome outra vez e ameaçasse invadir se ele não saísse. Elizabeth assentiu, tendo o rosto molhado por lágrimas de desespero.

— Eu também amo você. Tenta voltar inteiro para mim, eu imploro — Ele nada disse, apenas sorriu. Lizzie apanhou Thomas do chão enquanto o marido a ajudava a chegar na saída secreta que havia construído. Quando percebeu que eles haviam ido, seguiu para a porta da frente. Respirou de maneira profunda e saiu da casa.

— Ora vejam o que os bons ventos nos trazem — o mais velho comentou. — Pensei que não tinha sobrevivido, mas vejo que não só sobreviveu como constituiu uma família aqui. — Bill desmontou do cavalo e se aproximou do irmão. Charles e Georgiana fizeram o mesmo.

— Imagine a nossa surpresa quando ficamos sabendo que éramos tios e que não fomos convidados para o seu casamento — o mais novo comentou. — Que coisa mais mesquinha de se fazer — balançou a cabeça como se desaprovasse a atitude do irmão. — Então? Onde está o nosso sobrinho? Queremos muito conhecê-lo. É um rapaz, não é?

— Ele está bem longe agora — Dylan comentou sorrindo.

— Uma pena. Agora teremos que caçá-lo — Charles fez uma cara de desapontado.

— Deixem o meu filho em paz. É a mim que querem e estou aqui — comentou contendo-se. A raiva o consumia.

— Ah, mas nós vamos dar o que você merece, porém não vai ser agora — Bill se aproximou — Você vai ter uma chance e somente uma. Iremos atrás de sua mulher, que sabemos que é a bruxa que você tanto defendeu, e de seu filho. Deixaremos que um dos dois viva e o outro vai ser morto pelas suas próprias mãos — O sorriso maligno no rosto do mais velho fez Dylan tremer — Você vive e um deles vive. Estará perdoado por sua traição e deixaremos você seguir sua vida. Nunca mais ouvirá falar de nós outra vez.

— Se eu me recusar?

— Os dois morrem na sua frente e você vai por último — William foi direto e claro. — Qual é Dylan? matar é fácil para você. Era o melhor nisso.

— Eu mudei, William. Por amor, eu mudei — Georgiana o encarou e abaixou o olhar tristemente.

— E por amor vai matar uma última vez.

— Vai para o inferno — O homem comentou por fim, antes de receber um soco de Bill. Tão forte que o rapaz curvou-se. Em seguida, o irmão deu um chute em seu abdome que o fez cair no chão arfando. Antes que pudesse machucá-lo outra vez, um tornado aproximou-se com velocidade e os apanhou de surpresa. Eles e os cavalos foram arremessados há alguns metros enquanto Elizabeth corria na direção do marido. Thomas ainda estava em seus braços quando ela se abaixou ao lado de Dylan.

— Eu mandei você ir — ele sussurrou.

— Não ia permitir que eles matassem você. Eu consigo lutar — ela comentou em desespero, soltando o filho e apoiando o rapaz, tentado fazê-lo levantar.

— Não contra Georgiana — Dylan comentou no momento em que Elizabeth foi erguida há três metros do chão.

— Por favor, irmã. Não! — o rapaz levantou-se com dificuldade, trazendo o filho para perto de si. — Como pode ainda ficar ao lado de Bill, sabendo que ele matou o seu noivo? Como pode ajuda-lo sabendo o que ele faz com mulheres que são iguais a você?

— Cala a boca, Dylan — ela o ergueu no mesmo nível de Elizabeth. A mulher tentava olhar para o filho que chorava no chão e tentava acalmá-lo. Os olhos castanhos do menino arregalados de puro medo, enquanto olhava para cima. Nunca tinha visto aquilo na sua vida.

— Vem cá garoto. Vem com o seu tio — Charles abaixou-se na altura da criança e o chamou. O menino ainda apertava o cavalo de madeira quando começou a dar os primeiros passos na direção do rapaz. O poder do mais novo da família Norton era a persuasão.

— Thomas, não! — Dylan gritou, em completo desespero, quando Charles carregou a criança no colo.

— Eu tive uma nova ideia — William se pronunciou, tomando a criança dos braços do irmão. — Georgiana, traga-os para baixo — A bruxa recolheu as mãos e os dois despencaram em direção ao chão. — Vamos fazer da seguinte forma: Nós vamos levar o Thomas conosco e vocês estão livres. Podem fazer quantas crianças quiserem, mas ele é nosso.

— Não... — Lizzie sussurrou em completo desespero. A criança chorava ao ver a mãe naquele estado e por isso William o entregou para Georgiana, que se afastou.

— Veremos do que essa criança é capaz. A treinaremos e a ensinaremos tudo. Quando tiver em idade de matar, vocês serão os primeiros. Mortos pelo próprio filho. Isso é quase poético — o homem riu e deu a ordem para que Charles e Georgiana voltassem aos seus cavalos. A mulher entregou Thomas para o irmão mais novo enquanto montava. Depois que já estava no cavalo, recebeu a guarda do menino outra vez. A bruxa o colocou entre as pernas e o segurou com uma das mãos. — Nos veremos em alguns anos — comentou William subindo no cavalo. Charles ia fazer o mesmo, mas então Dylan levantou-se e correu na direção de Georgiana. O mais novo puxou a arma da cintura e deu dois tiros no irmão, que caiu no chão agonizando.

— Dylan! — Elizabeth gritou enquanto observava o marido no chão e os três cavalos se afastarem. O choro de seu filho se tornando cada vez mais distante. Queria correr na direção deles, tirar a criança à força dos braços de Georgiana, mas não conseguia sequer se mexer. Havia torcido o tornozelo com a queda. Se arrastou até onde Dylan engasgava com o próprio sangue, desesperando-se ao perceber a gravidade da situação. — Não! Por favor, não!

— Lizzie, ouvimos tiros e vimos os três irem embora... — comentou Willa aparecendo. Marie deu um grito, quando viu Dylan agonizando no chão, e abraçou Tina. — Meu Deus!

— O que eu faço? Meu Deus, o que eu...

— Você foi... — o rapaz tentou falar, mas a ruiva apenas balançava a cabeça. Pedia para que não o fizesse —... a melhor coisa em minha vida.

— Não ouse me deixar só, Dylan Norton.

— Eu não... — antes que concluísse, os olhos fixaram em um ponto qualquer e uma lágrima escorreu de seus olhos castanhos.

— Não! — ela gritou. — Acorde. Não faça isso comigo. Acorde! — sacudia o corpo, antes de perceber que ele já não conseguiria mais ouvi-la. Debruçou-se por sobre ele e urrou. O grito saiu da alma de Elizabeth. A dor era insuportavelmente grande. Chorou por alguns minutos, antes que parasse de repente. Segurou a cabeça dele e a aproximou da sua, sussurrando — Eu amo você. Nunca esqueça disso — beijou a testa de Dylan. Afastou-se novamente. — Me perdoe pelo que farei, mas é o único jeito. Eu não posso perder você. Não vou conseguir viver sem você — o fez deitar no chão novamente e ajoelhou-se.

— O que ela vai fazer? — Bruno perguntou.

— Lizzie, não! — Willa gritou quando percebeu o que viria a seguir. A garota começou a pronunciar um mantra em voz baixa, elevando o tom a cada repetição. Os outros quatro bruxos conheciam bem aquele feitiço. Era o do ciclo. Ela estava se lançando uma maldição dolorosa demais, não só para ela.

Ao terminar o mantra, inclinou-se por sobre o corpo de Dylan e beijou-lhe a boca. Uma luz brilhante deixou os lábios da mulher e entrou no corpo do homem, assim como uma sombra preta o deixou e invadiu o corpo da ruiva. Imediatamente as feridas causadas pelos tiros se abriram em Elizabeth e o sangue começou a molhar seu vestido amarelo. Ela tentou apoiar-se em uma das mãos, mas sem sucesso. Caiu deitada no chão, tentando respirar, no mesmo instante em que Dylan sentou-se em um sobressalto.

O homem olhou em volta, percebendo a esposa caída ao lado dele. Os olhos azuis marejados pela dor, pela saudade e pela culpa. O olhou demoradamente enquanto ele a amparava.

— O que você fez, Lizzie?

— Eu volto para você — falou com dificuldade. — Procure o nosso filho e volte para mim. Procure o Tho... — o ar lhe faltou e ela tentou respirar profundamente, sem sucesso. Dylan alisava o rosto da garota quando ela deixou sua cabeça tombar para o lado e morreu nos braços dele.

No instante seguinte Julia deu um grito alto no quarto, saindo do transe.

As lágrimas lavavam o seu rosto. O lugar onde havia recebido as feridas dos tiros latejava. Só então Julia entendeu porque tinha duas manchas marrons em seu tórax e barriga. Eram as marcas dos tiros, pela qual Dylan morreu e ela tomou para si, através do feitiço do ciclo.

O rapaz segurou em seu rosto e a fez encará-lo. Ele também chorava quando a puxou para um abraço apertado.

— Me perdoe. Por favor — implorou em meio aos soluços.

— Não tenho o que perdoar. Não tenho — ele respondeu apertando-a o quanto podia. Willa, Bruno e as duas filhas entraram no quarto depois de ouvirem os gritos. Entenderam o que havia acontecido e perceberam que agora ela sabia a verdade. Toda ela.

Julia apertava o rapaz o tanto que podia e ainda chorava em seu ombro. Se sentia horrível pelo que fez em seu passado. Foi egoísta e não percebeu o quanto aquele feitiço faria mal a todos eles.

O feitiço do ciclo fazia com que aquela pessoa retornasse a cada vez que morresse, mas trazia a maldição da eternidade consigo. Qualquer um que fosse íntimo do sujeito enfeitiçado não poderia morrer. Nunca.

Elizabeth nasceria sempre na mesma família todas as vezes em que morresse. Bruno e Willa sempre seriam seus pais e as irmãs estariam congeladas naquela idade para sempre. A eternidade também alcançou Dylan. Assim como alcançou Thomas.

Todos viviam por causa dela e isso inclua os irmãos de Dylan.

Notas finais
Enfim, esse foi o capítulo! Um beijão grande!!! Inté!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.