Notas iniciais
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LANA

Quando a ligação de minha mãe cai na Caixa Postal pela terceira vez eu decido que é hora de voltar para casa. A intenção não é deixá-la preocupada, mas é inevitável. Eu não consigo olhar para ela sem sentir uma gigantesca decepção. Minha mãe fez o que nenhuma outra mãe teria feito.

Eu tenho que correr, mas não sei para onde vou. Não vou mais ficar em casa e correr o grande risco. É uma missão suicida, agora que já sei qual será o meu caminho, ignorar o que irá acontecer comigo é impossível.

Desço da árvore do centro da cidade. São oito horas da noite e já não tem ninguém na rua. E temos dois belos motivos: o primeiro é que vivo em uma cidade que quase não acontece nada, nosso turismo não funciona. Ninguém vem aqui, nem mesmo os moradores se arriscam sair. O segundo é que minha cidade, a famosa e odiada Ricetown, já teve constantes ataques de bruxas de outra cidade.

Viro duas esquinas e pulo a cerca de um beco. Entro no quintal de minha casa e subo para o meu quarto escalando um árvore. Eu sempre adorei árvores. A natureza sempre foi bem próxima da minha vida de fato. Um dos motivos de termos vindo para a cidade é que eu passava mal em cidades muito urbanizadas. O ar poluído, às vezes, me fazia um belo mal.

Meu celular toca novamente e não preciso olhá-lo para saber que é minha mãe.

— Eu estou aqui — é a resposta suficiente que lhe dou. Ouço os passos apressados de minha mãe subindo a escada.

Ela tenta abrir a minha porta.

— Lana, você tem que entender... — a voz dela denuncia que estivera chorando. Nada mais justo para o que ela fez comigo. — Eu prometi para a sua avó.

— E este é um motivo bom para acabar com a minha vida?

— Não é o fim.

— É o fim da paz, mãe! Você quer que àquelas bruxas me levem! Elas vão me matar e só você não percebe isso!

E essa é a verdade.

Única e soberana. Minha mãe quer que no final da semana eu me junte a um grupo e bruxas — que por sinal são muito mal faladas por maltrato de crianças e adolescentes.

— É necessário, querida.

Não é necessário, mas minha mãe sempre julgou-me como inconsequente.

— A senhora sabe que não é.

— Eu prometi à sua avó, Lana!

O chão treme e minha mãe dá um fino grito do lado de fora do quarto. As luzes se apagam. A energia caiu.

— Eu não prometi nada à ela — respondo.

Ouço os passos de minha mãe se afastarem da porta. Chega por hoje, ela não vai mais tentar me convencer que o Processo é uma boa escolha. Eu posso morrer lá do que aceitar a minha própria natureza. Morrer a aceitar que eu fui um dos quatro Escolhidos.

Dois minutos mais tarde a energia retorna. Cair a luz quando fico sob situações de estresse já vem se tornando rotineiro. É por isso que minha mãe não diz mais nada e é pelo mesmo motivo que ela quer que eu revogue meus poderes.

Ela nunca teve esse poder de escolha. Controlar um dos elementos mais poderosos para o equilíbrio humano nunca esteve sob as suas mãos, sua geração foi pulada. Minha avó sabia que talvez eu estivesse submetida à isso, e fez com que minha mãe prometesse me fazer revogar o meu direito. O quê nasci para servir. Mas eu não vou.

Meu dever como protetora do elemento terra sempre esteve oculto. A natureza dá-nos tempo quando criança para que possamos aprender a crescer sem ele, caso viemos a perdê-lo um dia ou para não nos tornarmos acomodados.

Li isso em um antigo diário de minha avó.

Ela parecia tão apaixonada por seu dever quanto estou agora.

Talvez seja uma ilusão que estou sentindo.

É uma pena que minha avó não continuou a escrever em seu diário para contar o resto de sua história.

E agora quer que eu desista de algo pelo qual ela lutou.

Mas eu não vou fazer isso.

Notas finais
olá, você que chegou até aqui obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.