Guardians I - The Divine Stones
35 XXXV - Suicidal Plan
Notas iniciais
Uma hora havia se passado desde que os Orcs haviam batido em retirada graças a Logan e o máximo que conseguimos fazer foi acertar Zargron com uma pedra que Kendall encontrou no chão.
Era incrível a desvantagem em que estávamos, mesmo tendo do nosso lado sete pessoas, um fantasma sinistro, um cachorro mais sinistro ainda e dois Licantropos.
— É impossível vencê-lo. — Falei ao ajudar Teseu a se levantar, após um golpe surpresa do Anjo Negro.
— Tem alguma coisa errada. — Disse ele.
— Sim! Ele é muito mais forte do que todos nós juntos.
— Não é isso... — Teseu murmurou e parecia intrigado com a situação, mas eu não estava entendendo-o. — Zargron está estranhamente quieto.
— E isso não é bom?
Naquele momento houve disparos múltiplos que caiam do céu como meteoros em várias direções, sendo que uma delas quase nos acertou, explodindo ao nosso lado.
— Não sei. — Disse ele, olhando para todos os lados a procura de algo. — A única coisa que sei é que precisamos de uma estratégia diferente.
— Um ataque em conjunto... — Luna surgiu de repente ao nosso lado, com uma ferida grave em sua testa, mas que aparentemente estava se cicatrizando.
Avistei Logan ajudando Dracfo a tentar proteger Cleo, que estava se recuperando das explosões criadas pelo anjo. Enquanto isso, Patrick e Kendall ainda tentavam a todo custo manter afastado os dois lobos de Odin, com a ajuda dos dois Licantropos restantes, mas pelo visto estava tão difícil quanto.
— Não é uma má ideia. — Concordou Teseu, voltando o olhar na direção de Zargron, que apenas voava rapidamente e tentava atingir Dracfo. — Vejam...
Ele apontou para um edifício intacto na cidade, no qual o Anjo Negro circulava.
— Podemos usa-lo para um ataque surpresa. — Murmurou Luna.
De repente algo passou por minha cabeça como um estalo. Mesmo diante daquela bagunça e situação, a gente podia derrotar Zargron, só bastava trabalhar em equipe e não desistir.
— Eu tenho um plano. — Falei, chamando a atenção dos dois. — Distraiam Zargron o máximo que puderem, mas mantenham-no próximo daquele prédio.
Ambos hesitaram já que eu não havia explicado absolutamente nada, mas eu não tinha muito tempo para fazer quase nada.
“Logan!”
No mesmo instante que o chamei mentalmente, meu amigo parou no lugar onde estava e me fitou, confuso, até que eu fizesse um sinal para ele me seguir.
Num último movimento de Dracfo, Zargron acabou se chocando contra o chão, o que me deixou ainda mais com esperanças, embora aquilo não fosse o bastante para detê-lo.
Logan me alcançou no momento em que eu me aproximei do prédio, que felizmente continuava intacto, mesmo com tantas explosões.
— Por favor, não me diga que você tem um plano. — Disse ele em pânico.
— Eu tenho um plano!
Ele choramingou, mas continuou me seguindo pelo interior do prédio abandonado, com os degraus todos ensanguentados e marcados pela morte dos moradores naquele local.
— Estamos fudidos então...
Ignorei aquele comentário, por mais que soubesse que meus planos sempre eram ridículos e insanos.
As paredes possuíam manchas de mãos com sangue por todo o lugar, além de alguns cadáveres que estranhamente não se transformaram em zumbis. O cheiro horrível de morte impregnava meu nariz, causando-me náuseas, algo que já era para eu estar acostumado, já que se fazia mais de duas semanas que minha vida começou a girar em torno disso tudo.
Ouvimos mais algumas explosões do lado de fora do prédio enquanto subíamos desesperadamente os degraus daquela escada sem fim.
— E aí, o que acha? — Perguntei de repente, quando já havíamos alcançado o sétimo andar.
Ele me olhou confuso assim que perguntei.
— Do que você está falando?
— Você não leu minha mente? — Logan logo negou, o que me deixou frustrado. — Quando é pra você fazer isso você não faz!
— Cale a boca... — Disse ele, enquanto se espreitava pelo quarto em busca de uma janela que nos dava visão para a batalha entre o Anjo Negro e nossos amigos. — Pode funcionar.
Logan disse aquilo como se realmente tivesse esperanças no plano que eu havia tido, o que me deixou muito surpreso.
— Sério?
— A gente já está na merda, o que custa tentar suicídio? — Respondeu com um sorriso travesso e sacando seu bastão de metal.
Achamos uma janela grande o suficiente e com uma boa vista no segundo quarto que abrimos, que estava, felizmente, vazio e sem nenhum cheiro de morte.
— Consegue se comunicar com Luna de algum jeito para ela atrai-lo o mais próximo possível da janela?
Meu amigo se espreitou novamente, tentando se esconder de Zargron e procurando por sua irmã ao mesmo tempo. A única coisa que ele fez foi pegar um espelho da cabeceira de uma cama e refletir a luz do sol em direção à Luna.
— Conseguiu? — Demorou pelo menos dois minutos para que Logan se abaixasse novamente.
— Ela conseguiu ver, mas não sei se conseguiu entender meu recado.
— E agora?
Logan me olhou como se fosse um idiota com aquela pergunta, se levantando logo em seguida.
— Agora vamos ao seu plano suicida, seu mongoloide!
Senti o desespero apertar meu coração, fazendo-me hesitar a cada segundo sobre aquela ideia, mas eu não tinha outra escolha.
Logan correu para o outro quarto, com uma janela que dava em direção ao outro lado, deixando-me sozinho e rezando para seja lá quem fosse me ouvir.
Avistei Zargron sobrevoando o prédio enquanto batalhava com Dracfo, embora fosse algo ridículo de se ver, mesmo com um fantasma incrivelmente poderoso.
E foi no momento em que o anjo passou pela terceira vez, próximo o suficiente que saltei da janela, tentando atingi-lo.
Por um instante pensei que conseguiria abater Zargron, mas com um único movimento rápido ele se virou e me pegou pelo pescoço, antes mesmo de impactar com ele.
O Anjo Negro exibiu seu sorriso sombrio enquanto apertava minha garganta com força, sufocando-me rapidamente.
E, por mais que ele estivesse quase conseguindo me deixar inconsciente, eu precisava me concentrar o máximo possível. Precisava fazer com que aquele plano desse certo, pois nossas vidas dependiam daquilo.
— Idiota... — Consegui murmurar as últimas palavras quando vi Logan se aproximar, graças às sombras que eu havia criado, que serviram como degraus.
Seu bastão metálico brilhou e cresceu, se transformando em uma lança afiada, perfurando o peito de Zargron.
No mesmo instante, senti o peso da gravidade agir em mim quando o anjo caiu em queda livre, rumo ao chão. E graças aquilo, minha concentração se esvaiu momentaneamente, o suficiente para Logan também ir direto de encontro a nós.
A dor foi imediata e era como se tivesse quebrado uma costela ou outra parte do corpo. Senti o sangue escorrer de meu nariz enquanto Luna se aproximava de mim e de seu irmão, ajudando-nos.
— Você é louco! — Exclamou Luna com seu típico sorriso, algo que senti falta quando ela desapareceu.
— Eu sei.
Felizmente a dor foi passageira, mas não graças a mim e sim a poção criada por Luna quando estávamos hospedados no hotel.
— Em mim não, por favor. — Disse Logan quando me viu ingerindo o líquido ácido e quente. — Não estou pronto para virar um lobisomem.
Foi um rápido momento descontraído, até me lembrar que o motivo daquilo tudo era Zargron, conseguindo me levantar.
— Pessoal... — A voz de Cleo surgiu como um sussurro surpreso e receoso.
Caminhei até onde a garota estava, com a ajuda de Kendall e então consegui entender o motivo daquela sua expressão.
— O que diabos está acontecendo?
O corpo de Zargron estava se desintegrando aos poucos, se misturando as sombras.
Dracfo surgiu como um espectro de repente, se abaixando e fitando as sombras.
— Agora faz sentido. — Disse ele, deixando não só a mim, mas todos confusos. — Este não é Zargron.
Houve alguns suspiros de surpresa, pelo menos até o corpo desaparecer por completo e uma risada cruel e sombria tomar conta do lugar.
— Tenho que admitir. — A voz era irreconhecível e me causou arrepios ao ouvi-la. Virei com dificuldade e receio para me certificar do que eu estava pensando. — Vocês lutaram bem...
Zargron caminhava lentamente, ao lado de seus dois lobos e corvos, desta vez verdadeiros e ainda mais assustadores. O anjo estava usando sua máscara, que tampava sua boca deformada e sangrenta, mas que só o deixava ainda mais apavorante.
— Mas continuam patéticos.
Aquilo não fazia o menor sentido, por mais que eu tentasse entender e provavelmente todos ali estavam em pânico com a cena.
— Esperava mais de você Dracfo. — Murmurou Zargron, parando frente a nós, por mais ou menos uns 15 metros.
— Você estava tentando utilizar meu corpo para alguma seita satânica, então tive que apelar para isso.
Assim que o fantasma disse aquilo, notei que os músculos da face do anjo se moveram, provavelmente ele sorrira do comentário.
— O que você quer de nós? — Quem gritou foi Kendall, que estava segurando com força sua espada.
Zargron suspirou de tédio.
— Só preciso me certificar que vocês não vão estragar meus planos...
— E quais são seus planos? — A minha pergunta só serviu como um motivo de risada para ele.
— Meus planos são muito além da sua compreensão mundana. — Falou o anjo, num tom de superioridade, em seguida ele olhou para Dracfo. — Não adianta tentar entrar em minha mente, você não vai conseguir me controlar.
O fantasma tremeluziu de forma inquieta perante as palavras de Zargron.
Em seguida ele olhou para Patrick, que estava expressando fúria conforme olhava para o anjo.
— Olá garoto. — Cumprimentou, levantando a sobrancelha. — Como vão seus pais?
E foi naquele momento que Patrick explodiu, gritando e indo em direção a Zargron.
Mas tudo em seguida transcorreu lentamente. Com o canto dos olhos vi o anjo arremessar sua lança na direção de Patrick, que voou em linha reta até ser parada ao atingir algo.
Por um instante pensei que ela havia perfurado Patrick, matando-o, mas algo entrou em sua frente para protegê-lo...
— Teseu. — O garoto chamou o nome do homem com um sussurro praticamente inaudível e em choque, enquanto ele caia no chão, inconsciente e espalhando seu sangue pelo asfalto.
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