Guardians I - The Divine Stones
27 XXVII - The Dead Legion
Notas iniciais
— Como isso é possível? — Murmurei ao ver tanta destruição em um só lugar.
— Tratando-se de Dracfo, qualquer coisa é possível. — Disse Teseu, com um tom sombrio de pavor e pânico. — Siga em frente, mas não chame atenção.
Logan arqueou uma sobrancelha.
— Uma van vagando no meio da destruição e de tantos carros parados não irá chamar nenhuma atenção. — Ironizou a situação.
Teseu imediatamente se virou, pegando seu arco e a aljava com flechas, se preparando para qualquer situação. Decidi fazer o a mesma coisa, assim como os demais, mesmo tendo noção de que somente nós não conseguiríamos parar o tal mercenário com tanta facilidade.
Assim que andamos por mais ou menos cinco minutos, Teseu então pediu que Logan parasse o carro no meio da rua, abrindo a porta da van.
— O que faremos Teseu? — Perguntou Cleo, que estava segurando duas adagas com um cabo de vidro, nas quais nunca havia visto antes.
Ele saltou do veículo e olhou de soslaio para a garota.
— Salvar Patrick.
♦
Caminhos pela cidade fantasma por volta de meia hora e conforme andávamos, cada vez mais encontrávamos destruição e morte, não importa onde, ela sempre nos seguia.
Mas, apesar disso, não conseguíamos encontrar nenhum sinal de Patrick ou do tal Dracfo, o que nos levou a crer que ele já havia ido embora.
— Nada de Patrick? — Perguntou Teseu a Cleo, com esperanças.
Ela apenas negou com a cabeça, desanimando a todos.
Mesmo assim seguimos em frente, com todos armados e preparados para qualquer situação.
Sentia o peso de Kólasi em minhas mãos, mas eu já estava começando a me acostumar com a arma, sentindo meus músculos inflarem de tanto treino que estava tendo nos últimos dias.
A aflição de todos em estar naquela cidade sinistra não se limitava somente a nós, pois Bob também estava cauteloso a cada passo que dava ao lado de Logan. Era de se admirar a companhia inseparável entre os dois, que se conheceram a menos de duas semanas. Sabia que cachorros tinham um sentimento forte pelos seus donos, mas não sabia que podia ser tão grande assim e ao mesmo tempo recíproco em questão de proteger um ao outro. Mas aquilo era bom, pois Logan havia mudado bastante depois de tudo o que lhe acontecera e uma companhia como aquela podia distrai-lo, mesmo que pouco.
Meus pensamentos voltaram à realidade quando Cleo parou ao meu lado de repente, pondo a mão na cabeça e exibindo um olhar intrigado.
— Esperem um pouco... — Disse ela, olhando para Teseu. — Patrick. Ele está...
Cleo nem terminou sua frase quando começou a gritar de forma agonizante, caindo no chão e se contorcendo de dor.
Tentei ajuda-la, acalmando a garota, mas as tentativas eram em vão. Cada vez mais ela se virava e gritava, me deixando desesperado e sem saber o que fazer.
— O que está acontecendo? — Ouvi Aine perguntar em meio a gritaria.
De repente Cleo parou, ficando deitada no chão a nossa frente, imóvel. Por um instante meu coração parou, temendo o pior, até que Teseu se abaixou e colocou a mão próximo a garganta dela.
— Ela desmaiou. — Disse ele, me tranquilizando, mesmo que pouco, já que estava tão confuso e assustado com tudo que estava acontecendo que não tinha tempo para me sentir tranquilo.
— O que diabos acabou de acontecer aqui? — Perguntou Kendall, pondo a mão na cabeça ao ver sua amiga no chão.
Ninguém sabia o que responder, já que não havia nenhuma resposta para aquilo.
No entanto, enquanto ainda pensávamos e tentávamos entender o que tinha acontecido, algo passou despercebido por nós, até que vimos um movimento a nossa frente.
— Quem é você? — Perguntou Teseu, sacando uma flecha e apontando na direção do homem a nossa frente.
Ele estava totalmente ferido, com um corte profundo em sua garganta e um olhar vidrado e fixo em nós, enquanto andava lentamente.
— Fique onde você está! — Ameaçou Teseu, puxando cada vez mais a corda de seu arco. — Se não vou atirar essa flecha em você!
Mesmo sob ameaça, o homem continuou andando feito um zumbi em nossa direção, isso até Teseu disparar a flecha na testa dele, derrubando-o no mesmo instante.
Por um instante pensamos que nosso possível problema havia acabado, mas o homem logo se levantou novamente. Porém ele não era o único morto-vivo naquele lugar, pois ao nosso redor havia dezenas de mortos se levantando e indo em nossa direção, até nos cercar.
— Estou começando a ficar cansada de nos cercarem. — Murmurou Aine, recuando toda vez que olhava para um morto vivo.
Kólasi refletia a luz do sol a minha frente, enquanto eu segurava firme seu cabo e me preparava para os ataques dos zumbis. Porém, eles pararam a uma certa distância, não nos permitindo ter para onde fugir, a não ser enfrenta-los.
Já estava assustado o suficiente perante a situação, porém uma risada acabou causando calafrios em minha espinha. Uma risada tão sombria quanto a de Zargron, que fez com que os mortos vivos abrissem um espaço para que o causador daquele som tenebroso pudesse passar.
Mas, assim que ele ficou a nossa frente, todos ao meu lado recuaram. Não dava para acreditar no que estava vendo e creio que nenhum dos meus amigos também.
— Patrick? — Kendall demonstrou sua surpresa, assim como eu.
O garoto exibiu um sorriso maquiavélico, que causou mais calafrios em mim. Seus olhos estavam inteiramente brancos, mas nos encarava de uma forma sanguinária e vingativa.
— Enfim nos encontramos novamente, não é? — Ele parecia entediado e sem paciência para continuar conversando.
Patrick então olhou para a legião de mortos-vivos ao seu redor e, com seu sorriso ainda vingativo, disse:
— Mate-os. — Ele então se virou. — Mas tenham certeza de que morreram.
No mesmo instante a legião começou a correr em nossa direção, com alguns tropeçando e se atrapalhando. Mas, apesar disso, a quantidade de zumbis era tanta que alguns no chão não fariam a menor diferença.
— Patrick! — Gritou Kendall, na esperança que ele ouvisse e mudasse de ideia.
O primeiro ataque chegou rapidamente, obrigando-me a usar a espada para decepar o braço de uma mulher, fincando a lâmina em seu peito em seguida, perfurando não só ela, mas também um outro homem que a seguia.
Cleo ainda permanecia inconsciente no chão, e fazíamos o possível para protegê-la, enquanto Aine tentava reanima-la.
— Por que diabos Patrick mandou nos matar? — Ouvi Logan perguntar enquanto tentava batalhar com cerca de cinco mortos-vivos ao mesmo tempo, dando-lhes socos e chutes.
— Aquele não é Patrick. — Respondeu Teseu, atirando flechas e impedindo que os inimigos se aproximassem ainda mais.
— Como assim? — Minha pergunta quase foi calada quando uma grande quantidade de crianças assustadoras saltaram sobre mim, levando-me ao chão e me enchendo de socos, mordidas e tudo o que tinha direito.
Só fui ser salvo quando Logan e se jogou no meio, tirando uma a uma e me ajudando a levantar.
— Aquele é o espírito de Dracfo. — Disse Teseu, pegando dois mortos pela cabeça e socando um contra o outro.
Percebi que suas flechas haviam acabado, o que estava dificultando ainda mais as coisas, já que ele não possuía uma arma de longo alcance, apenas duas adagas curtas.
Quanto mais batalhávamos, mais cansados ficávamos, diferente dos mortos-vivos, que não paravam por nada, até mesmo se suas pernas fossem cortas, eles rastejavam até nós.
— Eu tenho um plano. — Murmurou Kendall ao meu lado.
Ele estava com sua espada em mãos, assim como eu, desferindo golpes e cravando a lâmina nos zumbis. Frequentemente ele batia com a espada no chão, que absorvia o impacto e devolvia uma pequena quantidade de energia que dizimava pelos menos três mortos a nossa frente.
— Pode ser perigoso e arriscado. — Continuou ele.
— Desde que funcione, eu não me importo.
— Me empreste sua espada. — Pediu, pegando-a logo em seguida e saindo feito um lunático, matando qualquer um que estivesse a sua frente.
Kendall conseguiu afastar o suficiente, chamando a atenção de muitos zumbis para si, até que Kólasi se incendiou. Ele encostou ambas as lâminas, enquanto sua espada absorvia toda energia fria da minha, emitindo uma luz intensa e poderosa.
De repente houve um clarão, que me cegou por alguns instantes. Assim que conseguiu me recuperar, vi que praticamente todos os mortos-vivos que estavam próximos haviam sido congelados e estilhaçados graças à explosão causada por Kendall.
O único que permaneceu em pé foi Patrick, ainda olhando de uma maneira ameaçadora e com seu sorriso irônico.
— Vejo que vocês tem novos truques... — Disse ele.
Ao dizer isso, os olhos de Patrick voltaram ao normal, fazendo-o cair de joelhos, tentando se acalmar.
Mas o que mais me chocou foi Cleo se levantar de repente ao meu lado, pegando sua adaga e fincando no peito de Aine, que abriu os olhos de dor, fazendo o sangue escorrer por sua boca, até ela cair morta no chão.
— Mas vocês não são os únicos! — Disse Cleo com uma voz sombria.
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