Guardians I - The Divine Stones
24 XXIV - Trapped
Notas iniciais
Os Orcs levaram cerca de alguns minutos para invadir a aldeia dos anões completamente, enquanto todos lutavam por suas vidas, inclusive nós.
Teseu mirava suas flechas na direção dos primeiros monstros, derrubando-os aos poucos, enquanto Kendall e eu atingíamos os flancos do exército inimigo, o que não significava nada, pois eles eram em muitos.
No entanto, havia algo a nosso favor, ou melhor, havia alguém. Logan atacava os Orcs de forma brutal, derrubando cinco deles com um só golpe. Era incrível como o garoto lutava, deixando qualquer um no chinelo perto dele. Mas eu sabia que isso não era completamente ele, já que estava em posse de duas Pedras Divinas de deuses que representavam a guerra em si.
Porém, mesmo com a força de meu amigo, não havia nada que podíamos fazer, pois os Orcs estavam em muito mais número do que nós, somando com os anões, que estavam lutando bravamente, portando seus machados e martelos.
— Não vamos conseguir... — Murmurou Aine, que estava atrás de nós, indefesa e sem saber o que fazer. — São muitos.
— Precisamos fugir e nos salvar. — Falou Kendall, que havia recuado ao perceber que seria insano continuar ali, batalhando.
Teseu continuava nos protegendo com suas flechas, mas a aljava já estava se esgotando e em breve não haveria nada para nos salvar.
— E os anões? — Perguntei, mas foi algo que não precisava de respostas.
Ao meu redor havia tantos anões caídos no chão, ensanguentados e mortos, que era mais fácil contar quantos ainda restaram e estavam em pé.
Logan também havia recuado, percebendo que não daria conta de centenas de Orcs ao mesmo tempo. Restando-nos somente a fuga como solução.
— Estamos cercados... — As palavras de Aine se tornaram assustadoras, principalmente quando eu olhei ao meu redor e vi que havia centenas de Orcs, em todos os cantos, nos cercando.
Realmente era uma situação crítica para nós e não sabia o que fazer para tirar a gente dali, e creio que ninguém sabia.
De repente, os Orcs começaram a abrir passagem a nossa frente, mas não era para nós e sim para um Orc maior que os demais. Ele trajava uma armadura refinada e brilhante de prata, diferente dos demais que utilizavam trajes rústicos e simples. Seu machado era proporcional ao seu tamanho e, provavelmente, também a nossa morte. O Orc era o único que não utilizava um capacete, mostrando sua face assustadora, com dentes sobressaindo de sua mandíbula, olhos cor de sangue e uma expressão assassina no rosto.
— Pensei que seria mais divertido. — Comentou o Orc, que presumi ser o líder. Ele então caminhou em nossa direção, estendendo a mão a mim. — Lurtzog.
Ele se apresentou de uma maneira pouco formal e com um sorriso no rosto. Hesitei por um instante, até que estendi a mão para cumprimenta-lo, o que foi um erro. Assim que o Orc pegou minha mão, ele a segurou firme, me arremessando para longe, próximo aos outros monstros.
Felizmente consegui cair de uma forma que não me machucasse tanto, mas mesmo assim senti a dor me atingir em cheio.
Vi Logan se enfurecer com aquilo e partir para cima de Lurtzog, tentando desferir um golpe certeiro nele, mas o ogro foi ainda mais rápido, atingindo-o com um soco no meio da cara, derrubando meu amigo ali mesmo.
Todos tentaram revidar, mas assim que se moveram, os Orcs já estavam apontando suas armas para os demais, impedindo-os de seguir em frente.
Levantei-me pouco depois, mas logo fui empurrado até ficar ao lado de meus amigos, que estavam cada vez mais encurralados pelos Orcs.
Lurtzog se aproximou de nós, impondo autoridade e deixando-nos exprimidos em um círculo minúsculo no centro de centenas de outros da sua espécie. Ele brandiu seu machado, apontando para a garganta de Logan, preparado para decepar meu amigo.
— Senhor. — Interferiu um Orc atrás do líder deles. — Zargron nos deu ordens para leva-los vivos até ele caso os encontrássemos.
O ogro sorriu ao ouvir aquelas palavras.
— Ah sim, claro. — Murmurou ele. — Como pude me esquecer disso? Vocês terão a honra de serem mortos pelo próprio Zargron.
Algo em sua voz me dizia que ele não gostava muito da ideia de não ser ele quem iria fazer aquilo.
Naquele momento, meu ombro estava lado a lado com o de Logan e pude sentir o pânico dele somente com um simples contato. Mas a sensação de meu amigo não parava por aí, era uma mistura de raiva, medo e confusão. Era como se eu pudesse ler seus sentimentos...
A espada
Ouvi a voz de Logan em minha mente, deixando-me ainda mais assustado. No entanto as palavras dele se fixaram em minha mente, fazendo-me sentir o frio da lâmina de Kólasi em minha cintura.
É perigoso demais.
Logan deu um salto, provavelmente ao ter ouvido minha voz em sua mente também, mas logo disfarçou quando viu o Orc encarando-o.
— Amarre-os. — Pronunciou o líder dos ogros. — E levem para junto do javali.
Até então eu não tinha notado, mas os Orcs haviam capturado Gullinbursti durante a invasão, acorrentando o pobre animal.
Temos que tentar.
Mais uma vez a salvação de nossas vidas estava em minhas mãos, mas isso poderia ser realmente nossa salvação ou a antecipação de nossa morte.
Vi os Orcs caminharem em nossa direção, com suas correntes de aço em mãos. Por um instante hesitei, mas vi que era nossa única solução, sacando, então, a espada e a apontando para os inimigos.
Eles olharam para a cena e em seguida riram pela ousadia. O tal Fogo Negro desta vez não surgiu da lâmina, o que me deixou apavorado e sem saber o que fazer.
— O que você acha que vai fazer com isso? — Zombou Lurtzog, encarando a mim com uma expressão irônica e olhando também para seus servos. — Acha que vai conseguir derrotar meu exército com isso?
De repente eu senti uma forte vibração vinda da espada, mas não era algo perceptível que realmente vibrasse e sim algo interno, como se ela tivesse se irritado com algo. Até que a lâmina se incendiou novamente, fazendo o frio tomar conta do lugar.
Com um sorriso, apontei novamente na direção do líder dos Orcs, que encarava a espada com uma certa apreensão.
— Eu posso até não conseguir derrotar o seu exército inteiro, mas consigo fazer isso.
Então brandi a espada, acertando um dos Orcs que explodiu quase no mesmo instante ao ser congelado graças às chamas negras. Todos os outros recuaram de medo, mas logo viram que estavam em vantagem, se preparando para nos atacar pela última vez.
— Atacar! — Gritou Lurtzog, que foi o único a ficar parado ali, observando seus servos vindo em nossa direção.
Vendo que não havia outra solução, brandi a espada novamente, mas desta vez acertando o ar e criando uma torrente de Fogo Negro, que começou a se alastrar por todo o lugar, congelando e dizimando uma parte do exército de Lurtzog.
— Vamos! — Falou Teseu, aproveitando a distração criada, perfeita para que pudéssemos fugir.
Uma névoa fria foi criada graças às chamas, nos dando mais tempo ainda para fugir em meio ao caos criado.
Já havíamos conseguido escapar do exército, indo em direção à descida daquela colina. Olhei uma última vez para trás, vendo a aldeia dos anões destruída, assim como os próprios anões, me deixando sem respostas sobre meu pai...
♦
Chegamos na pousada de Cleo quando o sol já estava prestes a se pôr, sendo recepcionados imediatamente por Sebak, que levou Aine a uma ala própria para ferimentos graves.
— O que aconteceu? — Perguntou desesperado o servo de Cleo.
Estava sentado no sofá, com a respiração ofegante enquanto tentava me recuperar da fuga. Felizmente os Orcs não conseguiram nos alcançar, perdendo a gente de vista momentos depois quando entramos na cidade, nos escondendo dos mesmos.
De acordo com Teseu, os ogros evitavam entrar na cidade para não chamar atenção pela grande quantidade, o que foi a nossa salvação.
Kendall explicava o que havia acontecido a Sebak, mas eu não estava nem um pouco atento às palavras dele, pois a minha frente estava a espada que os anões haviam me entregue. Ainda tentava compreender que ela pertencera ao meu pai e que podia matar tantas pessoas sem precisar encostar sua lâmina nelas.
Há um pouco mais de uma semana eu estava na escola tentando me manter acordado nas aulas de matemática da Sra. Moralez, com minha mãe morta, meu pai desaparecido e sem notícias sobre ele, meus avós vivos e cuidando de mim. Agora? Bom, agora estava em frente a uma espada mortífera que pertenceu ao meu pai, que por acaso é um Transmorfo, além de descobrir que minha mãe era uma Bruxa e que tinha poderes usando uma mera pedra, sem contar que meus avós estavam mortos e meus dois melhores amigos são Lobisomens. Ah! Claro. E não posso me esquecer que em uma semana lutei com homens de vários braços, Ciclopes, Anjos, Orcs, encontrei uma Fada, Anões e Teseu, que possuía milhares de anos e até então era apenas um mito para mim.
A única coisa que conseguiu me tirar a atenção da arma foi a chegada de Cleo na sala, que parecia aflita com alguma coisa. Ela segurava um mapa, caminhando até o centro e colocando-o sobre a mesa.
— Rastreei Zargron. — Foi tudo o que ela disse, apontando para uma região do mapa, onde estava localizado o Parque Nacional Vale da Morte.
— O que ele está fazendo aí? — Perguntei, curioso.
— Não faço ideia, mas ele montou acampamento aqui, porque está parado desde ontem. — Informou Cleo. — E tem mais... Patrick está indo em direção a Zargron, sozinho.
Olhei de relance para Teseu, que parecia sério, enquanto encarava o mapa.
— Precisamos impedir isso. — Disse Kendall.
— Mas isso é loucura. — Retrucou Logan, o que tive que concordar. — Zargron vai nos massacrar.
— Ainda temos tempo o suficiente de alcançar Patrick e impedi-lo de seguir em frente. — Disse Teseu. — Mas temos que sair o mais rápido possível.
— Providenciarei algumas coisas para a viagem. — Se propôs Sebak. — Recomendo que partam amanhã cedo.
Todos assentiram, o que me deixou preocupado. Mas, se teve algo que me deixou muito mais angustiado foi o que Cleo disse logo em seguida, algo que não tinha reparado até então.
— Onde está Luna?
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