Guardians I - The Divine Stones
22 XXII - Sons of Ivaldi
Notas iniciais

— Kevin. — Ouvi a voz de Logan em meu ouvido, fazendo-me assustar e acordar num sobressalto. — Se vista rápido, estamos esperando você.
Levantei o mais rápido que pude, colocando a primeira camiseta que vi e molhando a cara no banheiro do meu quarto para acordar de vez, já que ainda estava difícil abrir os olhos.
Assim como Logan havia dito, quando desci, todos estavam me esperando na sala, com expressões impacientes, até mesmo Aine parecia irritada.
— Até que enfim! — Resmungou a fada, que já havia se levantado e ido ao lado de Teseu. — Parece até Hypnos.
Olhei para ela, não entendendo a referência, mas que logo foi esclarecida por Cleo, que até então não estava entre nós.
— Hypnos, o deus grego do sono. — Explicou a garota, com um sorriso. — Ele era muito relacionado aos espíritos mortais, junto com seus irmãos.
Ela então passou por mim, exibindo um sorriso de bom dia e foi em direção à Teseu. Ainda sentia o toque de seus lábios contra os meus na noite passada e ainda tinha um sentimento profundo de repetir aquilo, só não sabia se era recíproco.
— Teseu. — Tornou a falar Cleo. — Você realmente tem certeza que quer leva-los até eles? Eu tenho tudo o que precisa aqui, todas as armas.
O homem sorriu, confiante do que iria fazer, embora não soubesse exatamente o que era.
— Tenho absoluta certeza. — Respondeu ele. — Eles precisam de armas que se encaixem com eles, e quem mais adequado do que os próprios filhos de Ivaldi?
— Você sabe que eles não são de confiança Teseu.
— Não se preocupe quanto a isso, está tudo sob controle. E além do mais, eles terão que se acostumar com isso. — O homem tornou a sorrir e então se levantou. — Vamos então?
— Onde? — Perguntei, ainda não entendendo nada. — Até agora não sei nem o que a gente está fazendo acordado essa hora da manhã.
— Como disse, iremos visitar alguns amigos...
♦
A caminhada, de acordo com Teseu, seria longa e cansativa, mas ele ainda se recusava a falar onde iriamos exatamente, o que me deixava angustiado.
Luna seguia em frente, ao lado de Teseu e Logan, com passos firmes, e esse jeito de andar me dava a impressão de que minha amiga já havia se acostumado com essa sua nova vida. Kendall e Aine estavam ao meu lado, em silêncio, o que chegava a ser incômodo. Cleo era a única que não havia ido com a gente, pois precisava resolver algumas coisas importantes que, assim como Teseu, não disse nada.
Todo esse mistério estava me matando por dentro, pois desde criança sempre fui curioso e ficar de fora dos segredos era algo que me atormentava. E a questão agora, não era somente saber o que Cleo e Teseu tinham em mente, mas coisas ainda mais profundas sobre meus pais. Principalmente quem eram eles de verdade ou o que faziam.
Embora tudo isso me incomodasse, precisava seguir em frente com a missão e não me distrair. E foi com isso que comecei a observar a paisagem de uma serra, distante da rodovia, para que Luna não fosse vista e causasse algum desentendimento com as autoridades.
Olhei para trás e pude ver a cidade se distanciar e se tornar minúscula diante de meus olhos. O parque de diversões da cidade era um dos únicos pontos visíveis e que se podia distinguir do lugar. Ver aquele parque me fez lembrar do dia do ataque em Santa Mônica, causando-me más recordações.
De repente algo me chamou a atenção, mais a oeste e não só a mim, mas como Luna e Logan também. Olhamos para a direção do som, que pelo visto foi ouvido somente por nós, mas não havia nada e ninguém, pelo menos que pudesse ser visto, pois isso não atrapalhou Luna, que disparou na mesma direção.
— Luna! — Gritou Logan, tentando correr atrás dela, mas a velocidade de meu amigo era absurdamente inferior a de sua irmã, deixando-o para trás em questão de segundos.
— Ela vai voltar. — Comentou Aine. — Licantropos sempre voltam, independente de sua sanidade mental.
— Você também ouviu? — Perguntou Logan, que até então não parava de olhar para Luna, que se distanciava cada vez mais, até sumir.
A única coisa que fiz foi assentir.
— O que? — Perguntou Kendall, que não estava entendendo nada.
— Um grito... — Respondemos em uníssono. — Vocês não ouviram?
Todos balançaram a cabeça, intrigados com o que havia acontecido.
— Como não? — Perguntei.
— Nossos ouvidos não são tão aguçados quanto o de vocês. — Comentou Kendall. — Licantropos e Transmorfos possuem sentidos mais aguçados.
— Que seja... — Falou Logan por fim. — Só sei que foi um grito agonizante.
Infelizmente eu tive que concordar. O grito foi tão horrível de se ouvir que chegou a me causar calafrios ao lembrar do som.
♦
— Chegamos. — Teseu se pronunciou assim que alcançamos o topo da colina, após uma longa hora silenciosa de caminhada.
No entanto, não havia absolutamente nada naquele lugar, a não ser uma vegetação rasteira, com poucos pássaros sobrevoando a região, uma brisa suave e alguns castores correndo de um lado para o outro.
— Mas não tem nada aqui. — Observei, fazendo Aine rir.
— Pobres mortais... — Disse ela. — Você ainda não consegue utilizar Visão corretamente, pelo visto.
— Do que você está falando?
— Olhe novamente Kevin. — Pediu Kendall, apontando para o outro lado da colina, mais abaixo.
Ainda não estava entendendo o que eles queriam dizer, mas decidi fazer o que ele havia pedido. Fitei o lugar no qual Kendall apontou, onde não havia nada a não ser os próprios castores, que ainda continuavam agitados com a nossa presença.
Já estava a ponto de retrucar novamente, não enxergando nada demais naquele lugar, até que os castores começaram a aumentar de tamanho. Aos poucos começavam a possuir aparências mais humanas, como barbas surgindo em suas faces, braços curtos e pernas grossas.
— Anões? — Perguntou Logan, parecendo surpreso, assim como eu.
Todos os castores ali, que na verdade não tinham nada de castores, olhavam para nós com expressões guerreiras, como se estivessem prestes a partir para uma luta com a gente.
— Olá meu velho amigo! — Gritou um deles, que parecia um velho, com um nariz grande e redondo, uma barba branca e que ia até seu peito, juntando com o cabelo em um só.
— Dvalin! — Cumprimentou Teseu, exibindo um sorriso e ficando de joelhos para abraçar o anão, que devia ter pelo menos 1 metro de comprimento.
Ele andava lentamente e até mesmo mancava pela idade, sendo obrigado a utilizar um pedaço de madeira como bengala para poder se sustentar em pé.
— Seus amigos? — Perguntou Dvalin, olhando para nós.
Teseu assentiu.
— Se são amigos de Teseu, também são meus amigos! — E então o anão foi cumprimentando cada um de nós, com apertos de mão firmes. — A que devo a honra de sua visita meu velho amigo?
— Procuro pelos filhos de Ivaldi.
Dvalin exibiu um sorriso por trás de sua longa barba branca.
— Aqueles dois anões safados? — Perguntou após rir. — Deixa eu adivinhar, precisa de armas para alguma missão?
— Exatamente. — Concordou Teseu, sua expressão era mais séria, demonstrando apreensão. — São tempos difíceis.
O anão rapidamente desfez seu sorriso.
— Isso está mais do que visível... — Murmurou Dvalin, virando de costas para nós e indo em direção ao outros anões. — Bom, me acompanhem, Brokk e Eitri estão por aqui.
♦
Dvalin nos levou ao lugar mais isolado de sua aldeia, que até então eram tocas de castores, mas conforme eu aprimorava minha visão, pude ver perfeitamente que eram pequenas casas subterrâneas dos anões.
E, diferentemente dessas casas, o lugar no qual o líder dos anões, que era considerado como um pai por todos os outros, nos levou era maior do que as demais, nem sendo subterrânea exatamente.
— Tomem cuidado com eles, costumam ser traiçoeiros. — Recomendou o anão, antes de se virar e ir embora.
A casa dos tais filhos de Ivaldi pelo menos cabia a todos nós, sendo feita de tijolos e talhadas com metais brilhantes. Havia um calor emanando naquele lugar, misturando com o som de metal batendo contra metal.
Teseu então bateu na porta com força, para que quem estivesse lá dentro pudesse ouvir. E então o som de batida cessou, fazendo com que a porta se abrisse após alguns segundos.
— Imaginei que fosse dar uma passada aqui qualquer hora. — Disse o anão ao abrir a porta. Ele devia ter um pouco menos de um metro e, diferentemente de Dvalin, ele não possuía nenhum resquício de barba. Sua feição era de alguém que adorava pregar peças, ainda mais com um sorriso maroto sendo exibido no canto da boca. — Todos passam.
— Há quanto tempo Brokk. — Cumprimentou Teseu, entrando na casa assim que o anão permitiu. — Onde está seu irmão?
— Aqui em cima! — De repente outro anão surgiu, pulando do teto e caindo na direção de Teseu, que deu um passo para trás e fez com que ele caísse de cara no chão. — Essa doeu!
O outro anão era semelhante à Brokk, com um nariz grande e pontiagudo, estatura baixa e troncuda, e sem nenhum sinal de barba.
— Ainda tentando se matar Eitri? — Quem perguntou foi Aine.
— Sempre! — Brincou ele ao se recompor. — Mas me diga Teseu, quem é que precisa de armas?
Os olhares se direcionaram a Logan e a mim.
— Eu preciso... — Disse meu amigo de repente, dando um passo a frente em seguida.
Brokk o analisou, dando a volta em Logan e dando uma batida em sua barriga e em suas costas, mandando-o se endireitar. Em seguida ele fez algo que surpreendeu a mim, fez um corte, com sua unha, na pele de meu amigo, provando-o.
— Que peculiar. — Avaliou o anão. — Sangue Licantropo e nobre...
— Nobre?
Brokk virou de costas e procurou por um livro.
— Qual o seu nome Sr. Diamond? — Perguntou o anão.
— Logan. — Respondeu, confuso. — Espera aí! Como sabe meu sobrenome?
Ele então se virou novamente e olhou para seu irmão, pedindo os óculos de leitura que estavam sobre a mesa.
— Todas as famílias possuem diferentes gostos de sangue e nós, anões, possuímos a capacidade de reconhecer cada uma das linhagens pelo gosto. — Comentou, enquanto procurava por algo no livro velho e gigante dele. — Achei!
Brokk então virou o livro para nós, mostrando uma página onde o nome Diamond estava escrito bem grande no topo. Havia uma imagem de alguns Licantropos em torno de um trono, onde um homem com estatura corpulenta, desde músculos avantajados até uma expressão cruel e nobre.
— Este é Lucyan Diamond. — Informou Eitri, que havia se aproximado. — Ele foi o último rei dos Licantropos, sendo herdeiro de séculos de tradições da sua família, até ser assassinado por Henry Kramer, um Vampiro do clã rival.
— Então você está querendo dizer que eu descendo de uma linhagem nobre de Lobisomens? — Logan não estava acreditando no que estava ouvindo, e de certa forma, nem eu.
— Exatamente. — Assentiu Brokk, pegando algo do bolso de Logan. — Uma Pedra Divina... Faz tempo que eu não vejo uma dessas.
— Devolva isso. — Disse Teseu de repente, tentando soar tranquilo. — Isso pertence a nós.
Ambos os anões sorriram maliciosamente.
— Você realmente quer armas Teseu? — Disse Brokk demonstrando sarcasmo em seu tom de voz. — Acho que há uma forma de pagar por nosso serviço...
— Não!
O homem já estava à frente de nós, com a mão na espada.
— Veja irmão! — Disse o outro anão, pegando a Pedra de Atena no outro bolso de Logan. — Temos duas pedras aqui.
— Devolva! — Os anões olharam para Teseu de forma zombeteira, não temendo a espada quase enfiada na garganta dos dois.
— Se não o que? — Resmungou um deles. — Acho que você ainda precisa de nossos serviços.
— Não há outra maneira de pagarmos? — Perguntei.
Os anões se entreolharam no mesmo instante, exibindo seus sorrisos marotos.
— Na verdade há sim. — Falou um deles, voltando a olhar para nós.
— Diga que faremos.
Eitri exibiu novamente seu sorriso.
— Há muito tempo atrás, na época em que criávamos para os deuses, tivemos a honra de presentear Frey com um animal feito inteiramente de ouro. — Disse ele, com os olhos brilhando. — No entanto, este animal se tornou um pesadelo para Midgard, quando Frey foi morto pelos Feiticeiros Negros.
“Conseguimos aprisiona-lo por séculos, em uma jaula feita do mesmo material que fizemos Mjölnir. Mas, uma semana atrás, ele conseguiu escapar misteriosamente, deixando um rastro de destruição na nossa aldeia.”
— E vocês querem que a gente mate esse animal?
Brokk imediatamente balançou a cabeça, em desespero.
— Não! — Disse ele. — De jeito nenhum! Quero que vocês apenas o capturem.
— Mas como iremos fazer isso se nem vocês conseguiram dar conta do animal? — Perguntou Kendall, fazendo os anões rirem.
— Não faço a mínima ideia. — Disseram. — Por isso é o nosso pagamento, caso contrário, ficaremos com as pedras.
Nos entreolhamos rapidamente, sem saber o que fazer, até que Logan decidiu por todos.
— Tudo bem. — Disse ele, confiante de si mesmo. — Iremos capturar esse animal.
— Ótimo! — Sorriu Eitri. — Boa sorte!
— Mas antes de partirem, quero entregar um presente a você, senhor Wayne, como um adiantamento de nosso serviço. — Disse Brokk, deixando-me surpreso.
O anão se distanciou de nós, procurando por algo em sua pilha de sucatas. Assim que ele encontrou o que procurava, se voltou para nós, mostrando uma espada grande e com uma lâmina grossa, além de um cabo com uma caveira prateada entalhada nele.
— Esta é Kólasi. — Falou o anão, entregando-a a mim. — Seu pai pediu que eu a entregasse a você quando tivesse oportunidade.
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