Notas iniciais
E aí galerinha Este na capa é o Patrick ^^ Fodão como sempre P.S.: As capas são meramente ilustrativas

O Anjo Negro nos encarava de forma assustadora. Era como se a presença dele tivesse paralisado meus músculos, fazendo o medo tomar conta de mim e não havia nada, nem mesmo os poderes da pedra, que podia me libertar do pavor que estava sentindo naquele momento.

Logan era o único que demonstrava coragem, se pondo a frente de mim e de Luna, com a intenção de nos proteger. Mas eu sabia que o garoto não teria chances contra o anjo, nem mesmo eu com tantos poderes que eu poderia aprender.

– O que quer de nós? – Perguntou meu amigo em tom alto e claro, que acabou ecoando pelo saguão cheio de mortos.

Zargron olhou para seus dedos, como sinal de desinteresse perante Logan. Em seguida, o olhou pelo canto dos olhos.

– Quero isso que você está segurando. – Falou ele, acenando com a cabeça.

Ele então abriu as mãos, exibindo sua pedra vermelha, pulsando uma luz fraca.

– E por que precisa disso?

As sobrancelhas do anjo arquearam e vi seu olho brilhar.

– Não é da sua conta. – Foi tudo o que disse, desencostando-se da parede. – E você vai me dar essa pedra, seja por bem ou por mal.

Zargron fez uma pausa e olhou para os mortos.

– E eu espero que seja por mal... – E no mesmo instante ele saltou, abrindo suas asas negras e as batendo para ganhar impulso.

O punho do anjo acertou a cara de Logan, derrubando-o no chão com facilidade.

Bob começou a latir para ele, rosnando e ameaçando com suas mandíbulas. O cão esperou o momento certo e saltou na direção do anjo, mas acabou errando o alvo.

Ele então pousou ao meu lado, aproximando sua cara a centímetros de mim ao se inclinar.

O cheiro de morte e carniça estava presente no Anjo Negro, apavorando-me ainda mais.

– Você fede a morte. – Sussurrei, afastando alguns passos dele, encontrando a parede atrás de mim.

Notei um sorriso entre o sangue escorrendo de sua boca.

– E você fede a medo.

Zargron estendeu sua mão e pegou-me pelos braços, arremessando na direção de Logan, que estava se recuperando.

E então o anjo se abaixou para pegar Luna. Somente com o toque de suas mãos, ela pode acordar desesperada em busca de ar, enquanto ele a enforcava.

– Não... – Ouvi ela sussurrar, se debatendo contra o homem a sua frente.

Levantei-me e disparei contra Zargron, tentando alcança-lo o mais rápido possível. A minha intenção era atingi-lo com um soco certeiro em suas costelas, mas assim que me aproximei, ele girou seu corpo, acertando um chute em minha garganta.

Senti o ar escapar de meus pulmões enquanto caia desesperado. A sensação era horrível e eu me debatia, tentando encontrar o ar que não me chegava.

Aos poucos tudo começou a virar um borrão e eu perdia a consciência. Isso até ser salvo por Logan, que me ergueu e me ajudou a respirar.

Conforme recuperava meu fôlego, consegui ver Logan tentando ajudar a irmã. Embora tenha conseguido livra-la das garras de Zargron, foi ele quem acabou ficando em uma situação ainda pior.

O anjo simplesmente abandonou Luna, desferindo diversos golpes contra a cara e o estômago de meu amigo. Com sequências de cruzados perfeitos e chutes, utilizando seus pés e joelhos.

Precisava agir de alguma forma, mas não conseguia me concentrar em nada. Apenas corri na direção de Luna, ajudando-a se levantar.

– Você está bem? – Perguntei, assim que a alcancei.

Seu pescoço estava vermelho devido a força de Zargron enquanto a enforcava com sua mão.

– Acho que sim. – No entanto ela parecia atordoada.

Olhei para o anjo e o vi derrubando Logan após tantos golpes.

– Aqui. – Disse, entregando-lhe a Pedra de Atena. – Se proteja.

Assim que fiquei em pé, vi Bob passar ao meu lado e saltar sobre Zargron. Aquele cachorro não era normal e provavelmente havia algo de especial nele, pois sua determinação em proteger Logan era incrível.

– Não vou ficar aqui sem fazer nada. – Luna se ergueu de repente e seguiu Bob, com um extintor de incêndio na mão.

Decidi fazer o mesmo, enquanto ela o distraia, disparando jatos do extintor e eu tentava atingi-lo de alguma maneira com meus socos e chutes.

Tentei também utilizar os poderes de Hades, mas havia algo me bloqueando. Talvez precisasse recuperar a energia depois de ter utilizado contra os tais Asuras.

Assim que Logan conseguiu se recuperar, mesmo que estivesse sangrando bastante por ter quebrado seu nariz, a luta finalmente ficou mais equilibrada.

Eram quatro contra um.

Luna atrapalhava a visão de Zargron a cada jato disparado, enquanto Bob saltava sobre o anjo, arranhando-o. Logan e eu ficávamos encarregados de tentar nocauteá-lo, algo praticamente impossível.

– Merda. – Ouvi Luna dizer enquanto tentava apertar o gatilho do extintor, que não saia absolutamente nada.

De repente todos paramos, observando Zargron rir de nós.

– Tolos! – Gritou, dando um salto e abrindo suas asas negras, fazendo uma corrente de ar nos arremessar a metros de distância.

Novamente me choquei contra a parede, sentindo a dor me atordoar.

Mesmo com a visão turva, consegui ver o Anjo Negro indo na direção de Logan de forma lenta.

Aquele seria o nosso fim...

No entanto acabamos sendo salvos quando uma flecha surgiu no saguão, indo de encontro a Zargron, que conseguiu desviar com seus movimentos rápidos.

Ele grunhiu, olhando para todos os lados em busca da origem da flecha.

– Apareça Teseu! – Gritou ele.

E então mais uma flecha surgiu, seguido de um barulho estrondoso assim que a entrada do motel se abriu.

Três jovens surgiram, fazendo o anjo grunhir novamente de raiva.

Um deles, um garoto com cerca de 20 anos, pouco atlético, mas alto, lançou uma bola de fogo de suas mãos. Zargron apenas bateu suas asas, fazendo o ataque se dispersar.

Em seguida outro, com a mesma idade disparou com uma espada em mãos, demonstrando fúria em seus olhos. Zargron apenas olhou para cada um de nós e nos ameaçou, antes mesmo do garoto chegar para ataca-lo.

– Eu voltarei! – Sua voz soou como um trovão no lugar.

E então ele alçou voo, saindo pela entrada.

– Você não é o Exterminador do Futuro, babaca. – Zombou o mesmo garoto que lançara a bola de fogo em Zargron.

Em seguida uma garota com a mesma idade que nós, se aproximou de mim. Ela possuía os cabelos loiros e os olhos azuis como o céu.

– Você está bem?

Tentei responder, mas ainda estava atordoado demais para conseguir qualquer coisa. Apesar disso, tentei me colocar em pé. Um erro, pois naquele mesmo instante, senti tudo girar ao meu redor, até virar um borrão e eu cair...

♦

Hades desta vez apareceu em uma forma humana, não somente mostrando sua face enorme e pálida.

O deus era alto, mas nenhum pouco atlético. Por trás de tantas roupas escuras, sabia que havia um homem pálido e magro, que podia assustar somente com um olhar.

– A pedra falhou. – Falei, lembrando-me de quando ainda tentava salvar a vida de Logan e Luna contra Zargron.

Ele balançou a cabeça.

– A pedra nunca falha... – Corrigiu. – Quem falhou foi você.

– Mas eu só queria proteger meus amigos, como falhei? – Minha pergunta fez o espírito tremeluzir.

Temia que o sonho desaparecesse novamente.

– Você demonstrou determinação contra aqueles Asuras, com um sentimento nobre. – A voz do deus estava fraca. – Mas quando chegou a hora de enfrentar Zargron, demonstrou medo. Você deixou esse sentimento te dominar.

– Então ela só funciona quando não tenho medo? – Hades negou.

– Ela funciona quando você não deixa o medo lhe dominar por completo ou qualquer outra emoção.

– E como farei isso?

O sorriso dele tornou a surgir no canto de sua boca.

– Isso cabe a você, meu caro. – Disse. – Só quero que se lembre de uma coisa sobre as pedras. Elas na verdade possuem uma maldição perigosa, que atrai o perigo e a ganância dos seres mal intencionados.

Infelizmente eu acabei descobrindo isso da pior maneira possível, antes mesmo dele me avisar.

– E maldição sempre atrai maldição...

♦

– Acorde, Bela Adormecida... – Ouvi uma voz masculina sussurrar em meu ouvido, fazendo-me acordar assustado e com o coração batendo aceleradamente.

Quando abri os olhos me deparei com o mesmo garoto que havia disparado as chamas de sua mão.

– Quem é você? – Perguntei enquanto me afastava.

Ele tinha os cabelos negros e penteados para o lado, e eram, de certa forma, parecidos como meu. Os olhos eram azuis e me encarava com um sorriso.

– Pode ficar tranquilo, não sou o príncipe encantado e nem vou te beijar. – Foi tudo o que ele disse, se levantando e me ajudando a fazer o mesmo. – Eu sou Smith. Kendall Smith.

Ele se apresentou como James Bond e parecia orgulhoso de fazer aquela idiotice.

– Você nos salvou... – Infelizmente foi um erro falar aquilo.

Assim que Kendall ouviu dizer tal coisa, logo começou a sorrir sem parar, se achando importante.

– Eu sei, sou demais. – Levantou uma de suas sobrancelhas e piscou para mim.

Olhei ao meu redor e vi que ainda estava no motel, com os mortos ainda no chão ensanguentado.

– Onde estão meus amigos?

Kendall coçou a barba rasa que estava em sua face e fez uma careta como se tentasse lembrar de algo. Notei que ao redor de seu corpo havia uma faixa, onde guardava uma espada nas costas.

– Ah! – Disse, estalando os dedos de repente. – Cleo está cuidando deles.

A imagem de uma garota surgiu em minha mente. A mesma que apareceu para me ajudar antes de eu perder a consciência.

– Eu te levo até eles. – Se propôs Kendall.

E então passamos pelos mortos, indo em direção ao estacionamento, onde a caminhonete, agora destruída, de meu avô estava.

Na entrada estavam dois homens conversando. Um deles tinha o corpo idêntico ao de um atleta olímpico, portando um arco em suas mãos e uma aljava com flechas em suas costas. O outro era loiro e também era forte, mas não tanto quanto o parceiro, e também não portava nada em suas mãos. Assim que passei por ele, o garoto me lançou um olhar sério e desinteressado, até que desviou o olhar para voltar a conversar com o seu colega.

– Não liga, Patrick é assim mesmo. – Comentou Kendall ao ver o olhar que havia lançado ao me ver. – É difícil gostar de alguém.

– Isso é animador...

Depois disso, continuamos a andar pelo estacionamento, até que Kendall me levou a um lugar reservado, onde Logan estava sentado ao lado de Luna, enquanto a mesma garota que havia visto cuidava de seus ferimentos.

– Olá! – Cumprimentou ela com um sorriso. – Está se sentindo melhor?

Até aquele momento eu não havia reparado em como meu corpo estava, mas quando fiz isso percebi que havia uma ferida enorme em minha cabeça, que estava sangrando, embora a maioria do sangue estivesse seco.

– Mais ou menos.

Ela levantou e rumou até mim, ficando na ponta do pé para observar o ferimento.

– É... – Analisou ela com uma expressão séria. – Isso daí foi bem feio.

– Obrigado por me animar.

A garota riu e foi pegar um balde de água com uma esponja e um pano seco. Em seguida começou a limpar o sangue próximo ao ferimento.

A sensação era horrível e fazia arder a cada passada que ela dava com a esponja.

– Acho que vou ter que dar ponto nisso aí.

Nunca havia tido pontos em nenhuma parte do meu corpo, pois na verdade era raro eu me machucar, já que não fazia nada além de ficar comendo e dormindo. Foi por isso que devo ter feito uma expressão assustada.

– Espera aí! – Luna acabou assustando seu irmão ao se pronunciar do nada. – Acho que eu sei como cuidar disso aí.

Ela colocou a mão no bolso e retirou de lá cinco frascos de vidro com um líquido verde e brilhante, me entregando um deles.

– Isso é uma Poção para Ferimentos? – Perguntou Cleo, curiosa.

– Sim, como sabe?

– Meu pai vivia fazendo essas poções para seus clientes, então reconheço uma de longe. – Comentou a garota. – Colocou o sangue de lagarto antes ou depois da folha de laranjeira?

– Antes. – Respondeu Luna, olhando para os frascos novamente para ter certeza. – É, foi antes.

Cleo sorriu novamente. Era incrível como ela vivia sorrindo, mesmo eu a conhecendo por alguns minutos.

– Ótimo. – Suspirou aliviada. – Uma vez meu pai colocou o sangue de lagarto depois e o cliente dele acordou careca.

Cleo foi a única que riu daquilo, me deixando um pouco inseguro.

– Mas fique tranquilo, se sua amiga fez corretamente não vai ter problemas. – Garantiu ela. – Pode tomar.

Olhei para Luna, que exibia um sorriso brincalhão para mim.

– Vou adorar te ver careca. – Comentou Logan, que ainda estava sentado, observando Kendall brincar com algumas fagulhas de fogo.

Abri o frasco, presumindo que ele havia feito quando Luna ainda estava no banheiro hoje cedo, antes de tudo acontecer.

Senti o cheiro daquele líquido, que era uma mistura de maracujá com ácido. E então, depois de hesitar por alguns segundos, acabei virando o frasco na minha boca, despejando seu conteúdo aos poucos.

O gosto era o mesmo que o maracujá, embora fosse mais amargo e quente. Não era ruim no geral, mas também não era muito bom.

– É bom? – Perguntou Kendall que havia se interessado.

– Dá pra engolir...

E então senti algo em minha testa, fazendo a região em que meu ferimento estava, latejar. Era incômodo, mas não demonstrei nenhuma dor.

– Kevin. – Luna parecia assustada com o que estava vendo em mim, deixando-me em pânico. – Por favor, não grite.

– O que foi? – Procurei por algo que pudesse ver meu reflexo, começando a entrar em desespero.

Fui até um carro que estava no estacionamento ali perto e olhei no reflexo do vidro dele, mas não encontrei nada demais. Eu continuava o mesmo garoto estranho e magricelo de sempre.

Olhei para Luna que estava rindo de mim como se fosse um panaca.

– Você devia ter visto sua cara. – Sua gargalhada soou alto, fazendo Kendall também rir da cena.

Revirei os olhos, assim como ela sempre fazia.

– Você é tão mongoloide.

Logan me olhou no mesmo instante.

– Não roube meu bordão. – Ameaçou ele de forma séria.

Tudo ali estava se resolvendo aos poucos, até que Patrick chegou ao lado do homem.

– Alguma notícia Teseu? – Perguntou Cleo a ele.

O olhar do homem era sério e parecia pensativo também.

– Precisamos sair daqui. – Disse ele com uma voz rouca. – A polícia está chegando.

Notas finais
O que acharam?