Guardian
13 Final
Notas iniciais
Aldora seguiu até o reino onde Tristan vivia, junto do rei. Assim que chegaram, o príncipe foi recebido pelo pai, que estava feliz em ver o filho. Aldora e Iana ficaram no centro do palácio, esperando serem chamadas por François. Elas viram com seus próprios olhos a gentileza e bondade do rei de Asgard para com o filho único.
–Meu filho! –disse François se erguendo do trono e indo de braços abertos receber Tristan- Por onde esteve? Quase ordenei que um exército fosse atrás de voce... Deixe-me olhar pra voce... –o homem tocou o rosto de Tristan com ambas as mãos- Veja só, está com uma aparência péssima...
–Pai... –ele interrompeu o rei-
–Por onde andou Tristan? Quase matou seu velho pai de preocupação.
–Pai... –ele insistiu fazendo assim com que o rei voltasse os olhos para as meninas- Eu quero que conheça alguém...
O rei franziu a testa encarando Aldora, que baixou o rosto sem saber o que fazer diante do próprio rei que ela odiou boa parte da vida. Ele por sua vez olhou o filho que se aproximou dele e disse algo em segredo. Então o rei disse ao príncipe:
–É mesmo?
–Sim! –Tristan sorriu-
O rei se virou, e deixou o filho diante dos degraus e então se aproximou das duas dizendo com um largo sorriso:
–Queiram se aproximar minhas jovens...
Aldora ergueu os olhos e encarou o rei, com um pouco de vergonha. Iana segurou sua mão, e a conduziu até François. O bondoso homem diante delas manteve o sorriso aberto e disse olhando para Aldora:
–Então, como devo chamar a moça que salvou a vida de meu filho único?
–Aldora... –ela não se referiu ao homem diante dela como senhor ou algo do tipo-
–Aldora! –ele sorriu e olhou para Tristan que observava ela logo atrás do pai- É um belo nome... –o rei voltou a depositar seus olhos sobre ela- Tão belo quanto a moça que o carrega! Como posso agradecer por tamanha gentileza?
Ela continuou em silencio sem saber o que dizer então Tristan desceu os degraus e andou até estar ao lado dela. Ele segurou a mão de sua amada diante do rei e disse:
–Permita que ela fique conosco meu pai... Assim como Iana... –ele estendeu o braço e trouxe a menina para junto de si-
–É isso que voce deseja criança? –ele perguntou a Iana-
–Sim! –ela sorriu depois olhou para Tristan que sorriu de volta-
–E você minha cara? –o rei encarou Aldora, assim como Tristan também o fez-
Aldora olhou para Tristan, e então respondeu olhando nos olhos do príncipe:
–Se o rei não se ofender com tal pedido... –Tristan sorriu-
–Então que seja! –disse o rei erguendo as mãos-
Assim, o rei de Asgard se valeu de toda sua bondade e gentileza para fazer com que as jovens se sentissem a vontade em seu palácio. Durante algumas semanas, Iana e Aldora foram rodeadas por agrados, ordenados pelo rei. François estava ciente dos sentimentos do filho por aquela moça, e se era isso que o deixaria feliz, então o rei ficaria feliz também...
Naquela semana o rei ordenou que fosse organizada uma festa para festejar o regresso do príncipe ao reino. Assim todos os devidos preparativos foram iniciados. Por fim, Aldora acabou ficando perdida diante de tantas trocas de vestidos, e tanta cortesia. Ela quase não conseguia dormir nas camas macias e confortáveis do reino, pois sua coluna já estava acostumada com o chão frio e duro. No meio dos últimos preparativos para a festa, Aldora entrou em desespero sem saber como agir. Ela se viu rodeada de moças com a mesma idade que ela, mas com comportamento totalmente diferente. Entre suas conversas sobre cabelo, roupas e príncipes Aldora se sentia como um elefante entre cisnes. Os olhares se voltavam pra ela toda vez que ela tentava entrar na conversa. Mas seus modos eram de uma mulher que fora criada entre homens, e logo as damas faziam com que ela se sentisse vinda de outro planeta.
Aldora se afastou despercebidamente do grupo de moças, fugindo da prova de seu vestido de festa, e correndo em direção ao jardim real. Ela passou por alguns dos criados derrubando as bandejas que ambos carregavam. Desculpou-se, e então retirou dos pés os sapatos apertados e desconfortáveis, e os jogou na grama. Ergueu as inúmeras saias por baixo do vestido e correu pelo gramado querendo se esconder de todos.
Tristan andou pelo palácio, a procura da moça que não era encontrada em lugar algum. Até que ele encontrou seus sapatos sobre a grama, e imaginou para onde ela teria ido. Tristan encontrou Aldora junto dos cavalos, no estribo. Ela estava em pé, com o vestido branco levemente sujo nas pontas, diante de sua égua, acariciando a mesma.
–Aldora! –ele sorriu franzindo a testa enquanto ela se virou olhando pra ele- O que faz aqui? –ele se aproximou perguntando gentilmente- Todos estão a sua procura...
–Eu sinto muito Tristan, mas eu não nasci pra isso... –ela se desculpou- Toda essa loucura... –ela parecia desnorteada- Eu... Aquelas moças, estão me deixando maluca... –ela falava sem parar- Elas só falam de príncipes, e roupas... E aqueles sapatos? Eles são horríveis... Meus pés estavam pedindo socorro... Por favor, não me obrigue a voltar pra lá... –ele ficou diante dela- Eu preferia minhas roupas, e meus costumes de volta...
–Aldora! –ele sorriu gentilmente e tocou o rosto dela- Não precisa fazer nada que não a deixe feliz!
–Não vai me obrigar a usar aqueles sapatos terríveis de novo?
–Pode usar seus próprios sapatos nos próximos dias! –ele levou as mãos a sua cintura e puxou-a para perto de si- Mas hoje! –ele sorriu- Ainda precisa usá-los!
–Eu não quero... Por que tinha que me trazer pra cá?
–Por que eu a amo! E seu lugar é perto de mim!
Tristan estava tão lindo naquela roupa real, cheia de bordados, que Aldora achava até engraçado ver um homem vestindo tais roupas. Mas ele estava divino... Tristan tocou o rosto de Aldora e aproximou os lábios dos dela, então a beijou. Ele estava tão diferente, poucos dias haviam se passado, mas ele estava mais seguro, e sabia exatamente demonstrar o que queria. Ele a convenceu com todo amor do mundo a voltar para sua prova de vestido. Ele ficou com ela todo o tempo que foi possível, então no horário previsto, ele entrou pelo palácio, diante de todos os convidados, acompanhado por ela. Que mesmo com toda sua insegurança, sorriu por estar ao lado dele. Em seus pés, nada além de suas botinas costumeiras, por baixo das longas saias que arrastavam no chão do palácio. Tristan olhou para ela, enquanto ambos atravessavam aquele corredor, diante dos aplausos dos súditos.
...
Meu nome é Iana, e eu venho lhes contar a historia de uma menina que se perdeu de sua família, e cresceu acreditando que a felicidade era riqueza dada a poucos. Não, esta não é a minha historia. É a historia da minha rainha... Aldora Legrand Rousseau, que viveu entre os homens mais rudes, que a ensinaram como se defender e enfrentar esse vasto mundo. Eles a acolheram, com amor, assim como um dia ela me acolheu também. Esta jovem guerreira um dia encontrou um príncipe, por quem sem querer acabou se apaixonando. Hoje, cinco anos depois ela o chama de rei, e juntos eles vivem felizes em seu reinado. Quanto a mim? Bem, eu ainda sou jovem... Mas espero viver tantas aventuras quanto minha atual rainha. E quem sabe um dia, eu também encontre um príncipe que me faça tão feliz quanto Tristan faz sua rainha!
Aldora enfim descobriu que a vida pode ser tão maravilhosa como nos contos de fadas. Ela e seu príncipe, atual rei. Casaram-se em uma bela tarde de verão, e desde então viveram felizes para sempre... Bem, pelo menos até onde meus olhos podem ver!
** FIM
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