Guardian

2 Capítulo 2


Decidi ir até a beira do rio, dar água a Alice. A amarrei na arvore próxima a margem, e depois me despi de parte das vestes e me pus a nadar um pouco. Algum tempo depois voltei ao acampamento e encontrei os outros já prontos para seguir viagem. Não costumávamos ficar muito tempo no mesmo lugar, pois tínhamos muitos inimigos.

Poucas horas mais tarde, Arthuro ordenou que Pietro e eu o seguíssemos até uma aldeia próxima para pegar alimento, e roupas para a viagem. Enquanto eu vagava por entre as barracas avistei uma menina sendo levada por um homem alto, de roupas escuras. Ela parecia assustada, e seus pulsos estavam vermelhos.

Decidi seguir o sujeito para ver ate onde ele iria. Em um beco, ele deixou a menina na posse de dois de seus capangas enquanto adentrava em uma taberna. Ela tentava se soltar, mas eles a seguravam com força entre uma barraca de frutas.

Aproximei-me fingindo escolher algumas laranjas, e então observei a menina. Ela olhou em meus olhos, quase implorando ajuda. Então um dos homens me encarou rudemente e disse:

-Se afaste moça...

Não respondi nada, apenas subi a ladeira de volta ao meu caminho.

Mais tarde, cruzamos novamente com o sujeito, que carregava a menina em seu cavalo. Então comentei com Arthuro:

-Aquela menina... –eu fiz sinal- Estão mantendo-a a força.

-Não é problema nosso Aldora. –ele respondeu- Devemos seguir nosso caminho, não temos tempo a perder.

Arthuro e Pietro seguiram em direção a saída da aldeia, mas quando chegamos próximos aos portões puxei as rédeas de Alice e fiz a volta.

-Aldora, aonde vai? –disse Arthuro-

-Não esperem por mim. Eu os encontrarei no caminho... –disse enquanto me afastava-

-Mas que droga... –eles seguiram adiante-

Galopei rapidamente na outra direção, indo atrás dos três homens com a garotinha. Consegui alcançá-los antes que chegassem ao bosque. Apanhei meu arco e flechas e apontei na direção de um deles. O atingi na perna fazendo-o cair do cavalo. Os outros se viraram, e me observaram. Então começaram a correr para a mata.

Segurei firme minhas pernas contra as costelas de Alice, enquanto segurava o arco em mãos. Apontei mais uma vez, dessa vez para o segundo homem e o atingi nas costas. Ele despencou do cavalo, enquanto o seguinte fugia com a menina. Fui atrás dele, e nos encontramos no centro da floresta. Ele usou uma arma de pólvora para atirar em mim, mas consegui desviar. Segurei-me firme em Alice depois retomei minha posição. Mas ele voltou a atirar, fazendo com que Alice se assustasse, e começasse a se inclinar. Isso fez com que eu caísse no chão, enquanto ela corria em volta de mim.

Então o sujeito com o rosto coberto se aproximou de mim apontando a arma para meu rosto. Tentei apanhar meu arco, mas ele fez sinal avisando que era melhor nem tentar. Quando ele tocou o gatilho, o encarei firmemente, sem desviar o olhar. Foi quando o vi cair do cavalo com uma flecha nas costas. A menina gritou, enquanto caia junto com o homem...

Olhei na direção de onde veio a flecha e logo avistei Pietro em seu cavalo. Na outra direção vinha Arthuro segurando Alice pelas rédeas. Me aproximei da menina e segurei sua mão tremula.

-Voce esta bem? –perguntei-

-Sim... –ela disse aos prantos-

-Ficará segura agora... –eu a ajudei a se levantar-

Ela pulou em meu pescoço me abraçando. Arthuro e Pietro se aproximaram, então coloquei a menina sobre o lombo de Alice e tambem a montei. Decidimos levar a garota dali.

...

Unimos-nos aos outros do bando, que nos esperavam já em um novo ponto, onde passaríamos a noite. Acedemos uma fogueira, e esperamos a noite cair. A menina dormia tranquilamente envolvia em uma pele de carneiro entre as raízes de uma arvore grande. Apanhei alguma coisa para comer, e me aproximei dela sentando em uma raiz larga.

Observando-a dormir como um anjo puro, acabei me lembrado de minha própria infância. Sentia que precisava proteger aquela garotinha, ate que ela pudesse voltar para seus pais.

...

Acabei dormindo abraçada a menina, protegendo-a do frio da noite. Quando acordei na manha seguinte, ela estava mexendo no meu cabelo. Ela sorriu quando abri os olhos, e disse:

-Bom dia! –com aquela voz fina de criança-

-Já está acordada? –me levantei-

-Seus amigos fizeram muito barulho com os cavalos. –ela disse tímida-

-Já se alimentou?

Ela apenas sacudiu a cabeça dizendo que não.

-Vou pegar algo pra voce comer. Depois vai me contar por que aqueles homens raptaram voce...

Levantei-me e fui apanhar algo para que ela comesse. Enquanto ela devorava faminta, um pedaço de pão velho, com um caneco de água. Eu perguntei:

-Onde estão seus pais?

-Mortos... –ela disse com olhar triste-

-A quanto tempo estava com aqueles homens?

-Três dias.

-Eles não deram nada pra voce comer?

Ela sacudiu a cabeça dizendo que não.

-Voce tem família? Alguém pra quem voltar?

Apenas uma nova sacudida de cabeça em negação.

-Tudo bem! Ficará conosco! Estará segura... Ninguém aqui vai machucar voce, tudo bem?

-Aham! –ela sacudiu a cabeça de cima para baixo-

Arthuro se aproximou e me chamou apenas fazendo gestos.

-Fica aqui, eu já volto! –disse me levantando e indo até ele-

-O que vamos fazer com a menina? –ele disse-

-Vamos ficar com ela. Os pais dela estão mortos, e ela não tem pra onde ir. Isso te lembra alguém? –me referi a mim mesma-

-Tem certeza? –ele franziu a testa- Não sabemos por que eles estavam com ela. Pode atrair problemas pra nós.

-Eu me responsabilizo por ela. –toquei seu braço- Além do mais... –eu sorri- Quando não atraímos problemas?!

Voltei a me sentar ao lado de Iana procurando saber mais sobre ela. Mais tarde Pietro nos chamou para seguirmos viagem, então pegamos a trilha em direção ao nosso destino com uma integrante a mais no nosso bando.