Guardiões

24 Medos e decisão.


Notas iniciais
Postei e corri o/

Tudo foi rápido demais, em um segundo estávamos quase na porta e no outro fomos alvejados. A princípio não identifiquei de onde partiram os tiros. Minha mente trabalhou em conjunto com meus reflexos e transladei para a origem dos disparos e nocauteei o homem com um único golpe.

Infelizmente minha reação fora atrasada. Ao me virar para verificar meus amigos, vi Mady no chão choramingando em quanto lorde Sky parecendo transtornado correu para socorrê-la. Cortei a distância que nos separava no instante em ele a pegava no colo. O casaco claro estava ensopado de sangue na altura do ombro.

— Orion, me diz que você tem um lugar onde possamos socorrê-la. — O auto-guadião se esforçava para manter a calma; mas o terror em seus olhos deixava claro o quanto estava em pânico.

— Fique calmo Sky estou baleada, mas não estou a beira da morte. — Lorde Sky a olhou incrédulo provavelmente se perguntando como ela conseguia estar tão calma. O semblante da loira estava contorcido pela dor, mas podia ver a determinação nos lhos claros dela.

— Escute-a maninho. Não vai ajudar em nada entrar em pânico agora. — O caçador segurou a mão do braço bom de Mady e a colocou sobre o ferimento. A loira trincou os dentes por causa da dor, mas permaneceu com a mão no lugar. — Muito bem Madison, tente conter o fluxo de sangue. — Era para eu estar fazendo isso, no entanto parecia estar em transe minha mente esvoaçou imaginado por alguns segundos Elizabeth na mesma situação. Tal idéia me fez arfar. Não! Nunca poderia deixar Lizie passar por isso! — Em minha casa na sala de armar há um cômodo escondido vá até a miniatura de canhão e gire. Vai encontrar o que precisa lá. Agora vá! Eu Edwad vamos levar as garotas. — Lorde Sky apenas assentiu abalado demais para responder.

Segui lorde orion até a van onde acomodei-me mecanicamente no banco do carona e ele atrás do volante. Nos bancos traseiros as garotas dormiam tranqüilas pareciam finalmente sentir que estavam seguras.

O veículo arrancou no instante em que a guarda do conselho chegava ao lugar onde a pouco funcionava um bordel clandestino. Porém no momento não estava me importando com uma possível visita deles. Tinha outras coisas mais urgentes para pensar e uma decisão a tomar. Queria convencer a meu coração que era a coisa certa a ser feita mesmo que doesse em mim pelo resto de minha existência.

— O que há Edward?! Está pálido e suando. — O caçador olhou de esguelha. Respirei fundo tentando afastar a crescente angustia em meu peito.

— Deveríamos ter usado as armaduras. — Minha voz não passava de um sussurro.

— Não podíamos arriscar chamar ainda mais atenção havia muitos civis lá. — Pela primeira vez senti raiva pela forma pratica que Orion pensava.

— Mas a que preço? — Fechei as mãos em punhos.

— Ed meu amigo, todas as vezes que entro em um combate sempre espero que algo dê errado. Assim não corro o risco de ser super-confiante.

— Não está nem um pouco preocupado com Madison?

— Ela sabia dos riscos. Madison é uma de nós agora, meu irmão tem que parar de tratá-la como uma boneca de porcelana. — O olhei indignado.

— Madison não é igual a nós! — Minha voz subiu dois tons. Não me importava está falando com uma autoridade minha racionalidade estava segura apenas por um fino e frágil fio. – Não sabemos quais são os limites dela, a única coisa certa é que ela não se cura tão rápido quanto nós. – Não sabia como essa conversa havia tomado esse rumo talvez só estivesse procurando uma desculpa para descarregar a raiva que sentia de mim mesmo. Por que sabia que daqui a pouco tempo feriria meu código de honra de tal maneira que não conseguiria deitar a cabeça no travesseiro e dormir, pois minha consciência não deixaria.

— Não entendo por que você e meu irmão estão sendo tão irracionais, o tiro não acertou nenhum órgão vital. — Ele nunca entenderia.

— A dor... Orion. — O auto-guardiao olhou para mim por alguns segundos tirando a atenção da estrada. — O primeiro tiro que tomei... A dor fora tão intensa que cogitei a hipótese de estar morrendo esqueci por alguns instantes que era imortal. Mady não foi preparada desde cedo para batalhas como noz. Imagine como está assustada agora e não me venha com a conversa que ela escolheu, por que não é verdade! Mady não teve escolha... — E não forçaria outra pessoa a isso. Tinha uma saída e a usaria teria muito tempo para me martirizar depois.

— Tem razão... Não tenho como saber e nem entendo. Não foi minha intenção ofende-lo eu... Realmente não imaginava o quão ela é importante para vocês.

Não respondi mais. Apenas voltei a olhar para a estrada. Permaneci em silêncio por todo trajeto por mais que quisesse não conseguia me concentrar. Mal percebi quando a van entrou nos terrenos magicamente protegidos da casa.

— Chegamos garotas. — Orion tirou a chave da ignição. Saltei para fora do veículo e abri a porta traseira. Esperei pacientemente que cada garota despertasse e então saísse do carro.

As seis meninas pareciam quase em transe ao passar pela porta de madeira entrando na sala de estar. Onde Elizabeth caminhava ininterruptamente de um lado para o outro, seus olhos castanhos ansiosos vaguearam para onde estávamos ao nos ouvir entrando e em passos largos cortou distancia vindo em nossa direção.

— Oh Elizabeth... — A loira que aparentemente era a porta-voz do grupo abraçou Lizie. — Eles falaram a verdade. Você esta viva! — Mal se podia compreender as palavras por causa do choro.

— E ela ainda tinha duvidas? — Lorde Orion parecia quase ofendido. — Elizabeth, você poderia ajudar suas amigas a se instalarem? Espero que não se importem em acampar no jardim. — Poucos dias atrás havíamos preparado roupas e sacos de dormir para nossas hospedes.

— Tudo bem. Venham garotas. — Elizabeth me lançou um longo olhar antes de subir com as garotas. A segui com o olhar até que desaparecesse de vista. Sacudi a cabeça tentando afastar a indecisão e a dor de cabeça que começava a incomodar.

— Vou ver como Mady está. — Andei a passos rápidos até a sala de armas.

A olhos pouco atentos jamais perceberia a fresta de luz que saia do que deveria ser uma parede. Empurrei a porta falsa e entrei em uma saleta totalmente branca e climaticamente regulada. Os barulhos dos aparelhos sendo utilizados encheu minha audição sensível. No canto esquerdo da sala estava mady deitada em uma maca, o braço direito estava escondido em uma tipóia enquanto no esquerdo estava uma intravenosa levando sangue a seu organismo.

Lorde Sky se encontrava sentado na beirada da cama, ele parecia tão concentrado olhando sua guardiã que não percebeu minha chegada até que estivesse ao seu lado.

— Como está baixinha?

— Só meio grogue por causa da anestesia. — Ela se ajeitou na maca estreita procurando uma posição mais confortável.

— E a bala? — Agora olhei para lorde Sky.

— Entrou e saiu pelo ombro. — A voz dele estava mais calma, mas ainda havia preocupação.

— Menos mal. Realmente vaso ruim não é fácil de quebrar.
— Hilário Edward, já pensou em largar a vida de guardião e se mudar para o circo? — A guardiã estreitou os olhos. Mas ao perceber que não ri ela me encarou séria. Os olhos translúcidos pareciam ver minha alma. O que torci para não ser verdade porque ela com toda certeza tentaria me impedir se soubesse o que se passava em minha mente. — Está tudo bem Ed?! Parece que viu assombração.

— Estou ok, deve ser só cansaço. — Lorde Sky me olhou desconfiado; porem guardou silêncio.

Deixei os dois sozinhos e subi para meu quarto. Podia ouvir os risos vindo do quaro das garotas. Suspirei e entrei no meu, larguei as roupas pelo quarto e entrei no banho. A água morna me causou arrepios. Sentia-me mentalmente esgotado.

— Coragem Edward. — Fechei os olhos com força. — Tenho alguns dias para reunir a coragem necessária.

Vesti um conjunto de moletom e desci indo para a cozinha em busca de algo para comer. Apesar de estar com o estômago retorcido sabia que precisava colocar algo para dentro e preparar algo para o pessoal comer.

Estava concentrando cortando alguns legumes para colocar no ensopado quando a presença dela encheu toda a cozinha. E isso quase me fez perder um dedo, respirei fundo e seu perfume teve um efeito tão devastador quanto. Ouvi seus passos até que pararam a meu lado, persisti em fingir que não sabia de sua presença.

— Ed? – Não seja covarde Edward faça alguma coisa. Deixei a faca de lado e virei para olhar para ela. Elizabeth estava com o cenho franzido. – Aconteceu alguma coisa? Por que Sky e Mady não estavam com vocês? Você parece abalado. – Por que você tem que ser tão perceptiva minha querida? Se eu lhe contasse o que se passa dentro de mim jamais me perdoaria. E estou em um momento muito egoísta para querer isso agora.

— Mady foi baleada. Ela e lorde Sky tiveram que vir na frente. – As orbes castanhas se arregalaram.

— Ela está bem?

— Está, só vai ter que ficar com o braço de molho por alguns dias.

— E você? Está tudo bem? – Fui surpreendido por suas mãos me vasculhando causando cócegas me permiti rir.

— Estou inteiro. – Segurei suas mãos. Talvez não deva sofrer antecipadamente não é? Ainda temos alguns dias juntos. – Não se preocupe. – Beijei as pontas de seus dedos e a abracei.

— Fiquei tão angustiada. – A voz dela soou abafada por está com a face contra minha camisa. – Ele... Ele estava lá?

— Não. – Lizie tremeu em meus braços. – Mas sabemos onde Lesath está. E vamos caçá-lo. – Me certificarei pessoalmente para que nunca mais volte a causar danos.

Nos dias que se seguiram conseguimos despachas as seis garotas para seus lares ficando somente Lizie, eu mesmo a levaria para casa. Enquanto isso tentei manter minha mente longe desse futuro não muito distante. Ficava cada vez mais difícil pensar em me separar dela conforme ficávamos mais próximos, sentia está cada vez mais perto da loucura.

— Encontrei pessoal. – Lorde Orion entrou na sala trazendo um rolo de pergaminho. – Mira me deu isso na ultima vez que esteve aqui.

— E o que seria isso? – Madison se ajeitou para ver melhor o conteúdo do rolo misterioso.

— Um mapa das passagens na “realidade”.

— Onde Mira encontrou isso? – Lorde Sky estreitou os olhos sabendo que tal documento poderia causar catástrofes em mãos erradas.

— Relaxe irmãozinho só há um exemplar e é esse que estão vendo. Foi nossa própria irmão que o confeccionou. – A pergunta é: Porque lady Mira faria isso? A não ser que estivesse procurando por algo.

— Do que estão falando? – Elizabeth olhou para mim curiosa.

— Vai por mim, nem queira saber.

— Hum. – A morena estreitou os olhos fazendo um bico manhoso irresistível, no qual selei. Estou terrivelmente ferrado.

— Como podem ver a poucas passagens que levam para as terras sombrias. A mais próxima está na Europa mais precisamente Inglaterra. – Fala sério, estão de zoação comigo.

— Só uma pergunta. – Todos olhamos para Madison. – Por que o conselho não mantém

vigilância nesse lugar? Não faz sentido.

— Foi um acordo. Muitos e muitos milênios atrás antes das terras sombrias terem esse nome. Esse lugar nunca teve um dono então incontáveis reinos a queriam por se encontrar em um lugar estratégico. Se prestar bem atenção você pode perceber que as terras sombrias se encontram bem no meio dos universos. O conselho para evitar uma guerras de grandes proporções fez um tratado para que esse lugar fosse neutro nem mesmo os conselheiros interfeririam. De tempos em tempos um guardião faz uma visitinha para ver como as coisas estão.

— Lesath parece ter gostado da estádia. – Concluí.

Embarcamos para Londres dois dias depois, deixamos o frio ártico da Rússia pelos dias nublados da capital da Inglaterra. Nos separamos no aeroporto, Lorde Sky e Mady ficaram na capital e segui com Elizabeth para Newcastle. Conforme nos aproximávamos do destino final meu coração se apertava um pouco. Pouco a pouco o desespero tomava conta de cada corpo de meu corpo. Em breve estaria deixando para trás uma parte de mim mesmo.

Estacionei em frente ao orfanato a acompanhei até a porta da frente onde ficamos nos olhando por alguns instantes sem saber o que dizer. Até que Elizabeth tomou a iniciativa e beijou-me. Coloquei naquele beijo todo sentimento que vinha prendendo até aquele momento.

— Edward... Eu quero ir com vocês. – Oh, por favor, não.

— Não pode. Vai ser perigoso. – Ela negou com a cabeça.

— Não importa. Quero ficar com você, não me peça para ficar longe. – Céus. Sentia-me o pior dos seres. – Eu... Eu. – Não diga Lizie. – Amo você Edward!

A abracei desejando mais do que nunca perder esse fardo que era a imortalidade e poder morrer ali. Porque de qualquer forma em poucos instantes estaria morto por dentro.

Levei a boca até seu ouvido e tentei convencer a mim mesmo que o que estava prestes a fazer era ao bem dela, precisaria que minha voz soasse convincente.

— Esqueça... – Meu coração gritava em fúria para que parasse. — Esqueça tudo a meu respeito, você nunca foi levada para Rússia ou mantida presa, não existem guardiões ou qualquer outra criatura não humana. – Senti seu corpo mole contra meus braços. A partir daquele momento não seria mais capaz de andar com a cabeça erguida, pois carrearia sobre meus ombros o peso de minha covardia. – Me perdoe Lizie. – Encostei minha testa na dela. – Deixei que as lágrimas fluíssem. – Te amo de mais para suportar a possibilidade de colocá-la em risco.

Notas finais
uuuuh e agora?