Notas iniciais
Oiiiie Novo capítulo com fotinha do Cris. Aeeeeeeee

Cris acaricia meus cabelos lentamente.

A vida é como uma tempestade, bravia, impetuosa, cruel.

Os lábios dele sussurram palavras de carinho nos intervalos entre seus beijos.

A solidão é tudo que nos resta.

Suas mãos acariciam a pele de minha cintura e me pressionam de encontro a parede.

Eu mandei você desfazer essa palhaçada o quanto antes, não foi?!

Tiro as mãos de Cris do meu corpo e me afasto, trêmula. Minhas costas se chocam com a parede atrás de nós enquanto eu tento acalmar a respiração.

A voz de Estevão povoa minha mente, cada memória lutando dentro de mim.

— D-desculpe... – eu sussurro, encarando meus pés. O gosto de Cris permanece em meus lábios trêmulos e eu espero que ele desista de mim e me chute de seu apartamento.

— Você não precisa se desculpar. – Para minha surpresa, ele toca o cinto do meu roupão e o prende direito a minha volta. Seguro a respiração quando suas mãos largam minha cintura para tocar meu queixo, fazendo-me encarar seus olhos.

— Eu prometi dar tempo a você e não estou fazendo isso. – Meus olhos se enchem de lágrimas e eu luto contra o bolo em minha garganta. Toco seu rosto e sinto vontade de beijar a ruguinha de preocupação entre suas sobrancelhas.

— E-eu não mereço seu amor... não mereço você. – Minha voz sai entre soluços e para minha surpresa, Cris sorri. Não de um jeito empolgado, e sim, como um professor que espera pacientemente que a aluna aprenda uma lição que está bem na sua frente.

— O amor não se merece, Lisa. O amor é. – Ele diz isso de uma forma tão simples, tão doce, que eu o abraço com força enquanto as lágrimas descem por minhas bochechas. – Deixe o amor afastar as sombras que você carrega.

Solto um soluço alto e choro de verdade, grata por ter os braços dele a minha volta, seus lábios em meu cabelo e suas palavras em minha alma.

— Eu te amo. – Sussurro baixinho, percebendo que essa é a primeira vez que lhe digo tais palavras. É a primeira vez que admito ama-lo e isso faz com que meu peito fique infinitamente mais leve.

— Eu também, Elisa Nicole. – Ele suspira e acaricia meu cabelo, seu queixo apoiado no topo da minha cabeça. – É tão bom ter você tão perto.

Encosto a cabeça em seu peito e nós ficamos no perfeito silêncio até meu estômago roncar como um porco. Cris ri e eu sinto minhas bochechas assumirem um tom vermelho.

— Venha. Você deve estar faminta. – Concordo com sua fala, sem lembrar de quando fiz minha última refeição.

Nós vamos para sua sala/cozinha e meu estômago ronca ao ver a variedade de comida a minha frente.

— Você não precisava ter comprado tudo isso.

— Tem razão. Eu não precisava, eu quis. – Ele puxa uma cadeira pra mim com um sorriso brincalhão no rosto e eu acabo sorrindo também, tentando não pensar o quanto meu rosto deve estar horrível e inchado.

— Você também não precisava ter dormido no sofá. – Eu aponto para o móvel com uma coberta emaranhada por cima. – Da próxima vez, me sacuda pra eu acordar e não ocupar sua cama.

— Da próxima vez você não vai precisar se preocupar com isso. – Sinto sua mão em minha perna, debaixo da mesa – Nós dois estaremos na cama e as roupas estarão no chão.

Mordo um pedaço de queijo, sentindo meu rosto corar.

— Parece ótimo, Cristopher.

Ele me dirige um sorriso cheio de promessas e eu como como uma esfomeada, parando apenas ao ouvir um som conhecido. O toque do meu celular.

Eu olho para Cris, confusa, e ele aponta para minha mala.

Corro para lavar as mãos e depois abro a mala rosa a minha frente. O celular para e depois volta a tocar novamente. Eu o atendo, às pressas.

—Elisa?

— Oi, pai. – Eu sento no chão, meio ansiosa.

— Por que demorou pra atender? Você ainda está na casa de Cristopher? – Sua voz soa desconfiada e percebo que ele está me sondando.

— Eu não sabia que o celular estava na mala, por isso demorei pra atender. E sim, eu estou na casa dele.

— Eu pus algumas roupas aí. Mas não se iluda, você vai dormir em casa, entendeu?

Seguro um suspiro.

— Certo.

— Ok.

Um silêncio constrangedor se instaura entre nós antes de cada um falar um ‘tchau’ meio estranho.

Volto pra mesa e conto a Cris o que meu pai disse. Ele se compromete a me levar em casa mais tarde.

— Eu ganhei dois ingressos pra um show ontem, na faculdade. Vamos?

Meu lado antissocial me diz pra ficar em casa, emaranhada nas cobertas, mas Cris se esforça tanto por mim que não é como se eu estivesse disposta a lhe dizer não.

— Claro.

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— Santo Deus. – Eu sussurro, ao me ver diante do enorme galpão do tal show. Um rock pesado sai de dentro do lugar com letreiros iluminados dizendo On the air.

— Da próxima vez que eu ganhar um sorteio, vou me certificar se o prêmio vale realmente a pena.

Eu e Cris paramos em frente à casa de shows, encarando as paredes negras do lugar e a quantidade de pessoas que entram lá dentro. A maioria tem um estilo meio alternativo, com cabelos coloridos, tatuagens e piercings.

— Venha, amor. – Cris toca minha cintura e me conduz de volta ao jipe – Vamos embora daqui.

Eu paro no meio do caminho e dirijo a ele um sorriso sapeca.

— Já estamos aqui, não é? Vamos ver como é lá dentro.

Cris franze as sobrancelhas.

— Tem certeza? Não parece o tipo de lugar que você gostaria de ir.

— Vamos experimentar, ora! – Eu o puxo pelo braço, ansiosa por um novo desafio. Sinto a adrenalina em minhas veias e isso faz com que me sinta viva.

Cris se arrasta até a entrada e entrega dois bilhetes ao segurança enorme do galpão antes de entrarmos de mãos dadas.

O lugar é escuro e quente e as pessoas mexem a cabeça pra frente e pra trás ao som de Be Yourself do Audioslave.

Um rapaz bêbado tropeça e quase cai em cima de Cris, fazendo-o revirar os olhos.

— Você tem certeza que...

— Cristopher! – Uma voz masculina interrompe sua fala e nós paramos pra encarar o casal que se aproxima de nós. O rapaz moreno abraça meu namorado, com um sorriso enorme no rosto. – Que bom te ver aqui, cara! Achei que fosse desperdiçar os ingressos.

— Eu quase fiz isso, mas uma pessoa me fez mudar de ideia. – Cris envolve minha cintura com seu braço – Júnior, essa é minha namorada, Elisa.

— É um prazer te conhecer. – Ele aperta minha mão e a garota a seu lado também.

— Eu sou a Fabi.

Sorrio para a garota e fico mudando o peso do corpo de um pé pra o outro, tímida. Cris e o rapaz ficam contando piadinhas sobre a faculdade e os professores, as quais eu não entendo nenhuma.

— Vou ao banheiro. – Fabi diz e resolvo ir com ela.

— Vou também.

Cris olha a nossa volta como se estivéssemos cercadas por lobos.

— Eu levo vocês até a porta de lá.

— Não precisa, já estou acostumada a vir aqui. – Fabi me puxa pelo braço e manda um beijinho pra o namorado que toca o ombro de Cris, trazendo-o de volta a conversa. – Ele é super protetor, né?

— Ele é atencioso. – Retruco sem querer falar mal de Cris. Fabi sorri pra mim e eu vejo quão bonito é o tom ruivo de seu cabelo sob a luz do banheiro.

Nós fazemos nossas necessidades e vamos até a pia lavar as mãos.

Aproveito a água gelada e molho um pouco minha nuca para diminuir o calor.

— Aqui é quente. – eu digo e aproveito para lavar meu rosto também.

— Em todos os sentidos. – Fabi diz depois de passar um batom vermelho nos lábios. – Quer passar também?

Eu encaro a cor vermelho vivo do batom e fico indecisa.

— Vermelho combina com você. – Ela diz e eu aceito, pintando meus lábios. Noto como a cor contrasta com minha pele clara e gosto do realce.

— Obrigada.

Ela acena e nós caminhamos para fora do banheiro, entrando no breu do On the air.

— Loirinha. – Sinto alguém puxar meu braço com violência e encontro os olhos negros de Eduardo. Ele usa uma camisa azul e seus cabelos escuros estão grudados na testa pálida.

— Me solta. – Tento livrar-me de seu aperto, com raiva de seu tom de voz autoritário.

— Quer dizer que é pra cá que você vem agora?

Fabi se afasta de nós com pressa e eu imagino o que ela deve estar pensando dessa cena.

— Eu fiz uma pergunta, Elisa! – Ele me puxa com mais força e eu observo que os caras a sua volta dão uma risadinha, o que o faz me apertar ainda mais.

— Eu mandei me soltar! – Meu estômago se contorce de medo e indignação.

— Você fica se fazendo de santinha, mas vem pra o On the air com esse batom de prostituta, não é? – Eu sinto cheiro de álcool em seu hálito e sua camisa parece molhada de bebida.

Estou prestes a chutar entre suas pernas quando vejo seu rosto pender pra trás por causa de um soco do além. Reconheço a mão de Cris e ele me empurra pra trás de si, socando Eduardo novamente enquanto eu tento entender o que está acontecendo.

— Nunca mais toque nela!

Tento puxar Cris pelo braço pra que nós possamos ir logo embora desse lugar, mas a fúria dele é grande demais pra que eu consiga.

Eduardo esboça um sorriso sádico e seus três amiguinhos avançam em nossa direção.

Cris não teme e dá um passo à frente, me empurrando ainda mais pra trás de si. Júnior aparece também e se dispõe ao seu lado. Noto como isso irá se tornar um banho de sangue e sinto o desespero tomar conta do meu ser.

— Vocês dois. – O segurança surge no momento exato que Eduardo tenta acertar Cris e Júnior avança pra um dos seus capangas. – Pra fora.

O homem corpulento puxa Cristopher e Júnior pela camisa, levando-os até a porta. Cris o empurra, mas isso só faz com que o homem se ire e chame os outros seguranças. Eu e Fabi seguimos os rapazes juntas, uma segurando na mão da outra, as duas temerosas.

— Se alguém tem que sair daqui esse alguém é aquele moleque que estava tocando minha namorada!

O seguranças continuam puxando-os até a porta e um deles até tenta segurar eu e Fabi pelo braço.

— Não é necessário. – Ela diz, me puxando pra perto. – O que a gente mais quer agora é sair daqui.

Nós chegamos ao estacionamento e Cris me traz pra perto de si.

— Aquele filho da mãe maldito é tão covarde que fica se escondendo lá dentro, protegido pelos seguranças.

Júnior concorda, indignado.

— Claro que sim. O pai dele é dono de várias casas de festa da cidade. Aposto que essa daqui é dele também. — A informação deixa meus lábios trêmulos. Será que o pai de Eduardo era dono da Nyx? – O viadinho é podre de rico.

— Foda-se ele, eu só quero ir pra casa logo. – Cris aperta a mão do amigo e o abraça. – Valeu pela força.

— Não precisa agradecer. Sei que você faria o mesmo se fosse a Fabi. – Ele aproxima a ruiva de si e eu abraço os dois, agradecendo-os.

— A gente se vê amanhã.

Cris me conduz até o jipe e quando eu penso que ele fará o carro se mover, suas mãos apertam o volante e ele suspira, olhando dentro dos meus olhos.

— De onde você o conhece, Lisa?

— Como assim? – Eu retruco, desviando olhar para o poste acima de nós.

— De onde você conhece aquele tal de Eduardo, Elisa?

Sinto meu rosto queimar e penso em como explicar a ele minhas idas a Nyx.

Notas finais
Eu nunca escrevi cena de treta em bar então espero q tenha dado certo kkkkkdfdksifndjfkdfnkdnfks É isso. ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.