Guardando Um Anjo
2 Sombras Aladas
Notas iniciais
-Ennie? Ande garota, sua mãe está no saguão te esperando!- A irmã Millena dizia. A freira ajudava Ennie a terminar de se arrumar após acabar de acordar. A garota estranhava o fato da freira não perguntar o que aconteceu na parte antiga do convento.
-Irmã Millena, como vocês me trouxeram para cá? – Perguntava atordoada com ocorrido.
-O que está havendo com você? Você não saiu desse quarto a manhã inteira. – Ennie não acreditava no que ouvia. –Deve ser só um sonho, querida.
-O que como assim? Eu estava desmaiada ...- Uma voz diferente lhe interrompeu mentalmente. “Shhhiiiu... Não conte nada para ela. Você não está segura aqui! Aysla pode te encontrar. Apenas diga o que eu mandar. Você adormeceu esperando a sua mãe lhe buscar.” –Realmente deve ter sido só um sonho. – A irmã riu da confusão da jovem.
Ennie se dirigiu ao saguão do convento. Seus pais estavam a esperando sentados, e um jovem alto e loiro estava encostado na porta do convento. Nataniel não virou ao ouvir os passos dela.
-Minha filha, esse é o Nataniel, seu futuro noivo. –Eleonor, a mãe de Ennie, suspirou fundo ao dar a notícia para a filha. O pai dela se levantou de onde estava sentado.
-Ennie, como minha filha, você deverá honrar compromisso e se casar com Nataniel. Senão o fizer será um desgosto para mim e sua mãe. –Ele fez questão de reforçar a idéia de compromisso entre os dois. – Este casamento será bom tanto para o seu futuro quanto para os meus negócios.
-Sim, meu pai. Não envergonharei nossa família perante Deus e nem nossos vizinhos. – Ela mal conseguia pronunciar suas palavras.
-Meu caro senhor John Clwart, tenho a certeza que sua filha não lhe envergonhará. – Ennie se assustou ao ouvir pela primeira vez a voz dele. O som das palavras dele lhe lembrava algo que ela não fazia idéia do quê. – Será que o senhor permitiria que eu conversasse com Ennie a respeito de nosso casamento. – John apenas acenou com a cabeça.
Os dois foram acompanhados por uma das irmãs do convento.
-Senhorita Clwart, nossos pais firmaram um acordo, se nos casarmos, seu pai emprestaria dinheiro para o meu. E meu pai afirmou que esse casamento seria bom para minha imagem e carreira. – Ele baixou o olhar de vergonha ao dizer a última frase.
-Meus pais disseram o que houve com você e sua antiga noiva. Se meus pais lhe escolheram para ser meu marido, é porque eles acreditam que você seja o melhor partido para mim. – Ela tentou sorrir para ele, mas não conseguiu. A idéia de um casamento forçado lhe desagradava. Sempre sonhara com um casamento em que amasse o noivo.
-Ruth fugiu por algum motivo que desconheço, ela não parecia ser a mesma pessoa. Era o mesmo corpo, mas alma ali parecia não ser a dela. – A voz dele ficou embargada ao falar da antiga noiva. Ennie se comoveu com a situação e decidiu que era melhor deixá-lo só ali.
-Me desculpe tenho que ir, preciso me aprontar para a missa das 18 horas. Perdoe-me por não poder ficar por mais tempo. – Ela se levantou e saiu rapidamente dali.
Ao acenar para Ennie a manga da camisa dele escorregou mostrando a marca de nascença dele. Ela parou no meio do caminho ao ver a mesma marca que vira em seu sonho. Ennie foi caminhando de costas até alcançar a porta de saída. Ela percorreu a distância entre o saguão e seu quarto correndo. A sua mente girava, enlouquecida de medo. Trancafiou todas as janelas e portas de seu quarto quando entrou. Ao deitar na cama a mesma voz que estava em sua mente antes dela desmaiar voltou. “Ele é um “enviado”, mas não consigo falar com sua mente. Não posso me comunicar com quem renega ao meu senhor. Você foi escolhida para guardar a “descendente”. Acredite no poder de meu senhor e estará segura.” Ennie decidiu tomar o calmante para dormir. Mas o remédio havia acabado. E no lugar dele havia uma rosa branca.
No saguão do convento a irmã Millena conversava com os pais de Ennie.
-Temo por Ennie, as noviças dos quartos ao lado disseram que ela grita a noite toda. E que vem tendo alucinações durante o dia. Creio que isso não é obra do Pai, é o Diabo brincando com a mente dela. – John fez uma careta ao ouvir o que a irmã tinha dito.
-Sempre disse que essa coisa de convento era bobeira, Eleonor. Está deixando nossa filha louca. – Ele desacreditava no que ouvia.
-Querido, isso não é verdade! Nossa filha só deve ter tido alguns pesadelos, lembra como era comum ela ter pesadelos nessa época do ano. – A irmã fez o sinal da cruz.
-Eleonor, amanhã levaremos Ennie de volta para casa. Esse lugar está fazendo mal a ela. – Ele disse calmamente. – Mande arrumar as malas dela, hoje à noite ela parte conosco.
-Senhor Clwart, não seja radical. O convento Irmãs de Fé faz o possível para confortar as pessoas que aqui vivem. – A irmã Millena tentou acalmá-lo.
Nataniel pensava na reação estranha de Ennie ao seu aceno. Ele parou o carro num parque e foi caminhar. Um movimento estranho lhe chamou a atenção para dentro da floresta do parque. Ele saiu do carro para ir atrás do animal que se movimentava entre as árvores. Nataniel parou atrás de uma velha árvore e observou a clareira. Um animal abriu enormes asas negras e voou para o norte de onde eles estavam. Ele não acreditava que o animal fosse uma águia ou algo do tipo. A sombra daquele animal parecia de um ser humano. Olhou para o céu a procura do animal que sumira num instante.
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