Guarda Costas

26 A saudade fala mais alto


Notas iniciais
Este capítulo ficou bem mais legal sendo "romântico", algo calmo e interessante. A surpresa ficou para o final galerinha :D Espero que gostem deste!

Emma olhava para o lado, especificamente para o rádio relógio do quarto de sua patroa, insistentemente. Por falar nesta, estava deitada sobre uma agente que estava de bruços sobre o travesseiro emprestado. Depois de toda a ação, Regina se dera conta da porta aberta. Com receio de que alguém visse-as sem roupas, fechou a porta do quarto.

Aquela intimidade era algo tão gostoso, estava achando interessante estar partilhando a sua com Mills naquele momento. Voltou sua atenção no rádio relógio que indicava ser cinco horas da manhã. Tomou um fôlego que não achou ser preciso, mas foi o suficiente para acordar sua parceira.

– Swaaaan?... — Perguntou pela mesma com a voz arrastada, por causa do sono. — Você tá sem sono?

– Só um pouco.

– Que energia hein! — Riu baixinho do próprio comentário, após bocejar. — O que está te preocupando?

– Ah nada não. — Moveu-se devagar para se virar, dando tempo de Regina deitar agora na cama.

– Foi algo que eu disse? — Tentou saber.

– Não.

– Então... Foi algo que eu não disse?

– Também não.

– Foi algo que eu fiz?

– Não.

– Foi algo que eu não fiz? — Estava chutando todas as possibilidades.

Emma foi obrigada a rir daquilo, a cara de preocupação de Regina por mais cômica que fosse, não poderia deixá-la pensando que a falta de sono era por causa dela. Emma foi se levantando da cama deixando uma Regina confusa.

– Vai embora?

–... — Continuou a se arrumar.

– Não vai falar comigo? — Parecia ter ficado chateada.

Emma se vestiu bem rápido, mas diferente do que Regina achou que aconteceria, ela sentou no espaço mínimo do lado de Regina e fez um carinho na bochecha da mesma. Depositou um selinho demorado na boca da outra.

– Eu saio pra correr todo dia de manhã... Te vejo no almoço. — Mais um selinho. — Obrigada pela noite maravilhosa. — Agora um beijo delicioso o suficiente para fazer Mills parecer desorientada.

Saiu deixando Mills feliz e satisfeita em sua cama.

[...]

– Emma. Chegou mais cedo. — Era Cricket, seu terapeuta. Um pouco irônico.

– Se estiver muito cedo eu posso voltar mais tarde... — Já estava se virando para ir embora.

– Imagina, entra. — Olhou seu relógio de pulso, eram sete da manhã. — Só me responda uma coisa... Sua cama é feita de madeira, gelo ou pregos? Quem levanta a essa hora para ir à uma consulta médica... — Estava sendo sarcástico.

– Em alguns países sul americanos as pessoas costumam pegar suas senhas para serem atendidos às seis horas da manhã. — Respondendo deixando o doutor de boca aberta.

– Eu fiz uma brincadeira Emma, é que costumo acordar às oito horas. — Estava com uma aparência horrível. — Se me permitir vou lá em cima pra ficar apresentável. — Fica a vontade, acho que lá na cozinha tem café e chá nas garrafas térmicas ainda. — Bocejou alto.

Swan se dirigiu até a cozinha devagar, estava se lembrando de Regina e toda a sua majestade, de como ela foi paciente e atenciosa com ela. Aquelas mãos, aquela boca... Ai, aquela língua. Só de imaginar já se excitava. Esbarrou na garrafa térmica que estava na borda mesa, derrubando-a no chão. Por sorte esta estava devidamente lacrada.

– Que coisa. — Abaixou-se para pegar, mas por pura infelicidade bateu a cabeça na mesa. — Merda! — Praguejou baixo ao coçar a cabeça. — Deixa eu parar de pensar em safadeza, ai! — Coçava a cabeça, ela só era atrapalhada daquele jeito quando ficava pensando nela.

Sentou-se na cadeira, depositou a garrafa agora em um legar seguro. No meio da mesa. Lembrara-se da noite anterior antes de tudo acontecer.

"- Estou encerrando o contrato..."

Será que ela ainda manteria a palavra, relacionado a isto? Ficou apreensiva, não queria que ela fosse embora. "-... Archie que me desculpe.". Saiu às pressas da casa do doutor, precisava impedir isto de acontecer.

[...]

Já eram oito horas, Regina já estava de pé na cozinha, preparava o café da manhã para todos os que restavam na casa. O rádio da cozinha estava sintonizado na rádio em que costumava ouvir todos os dias na hora do café da manhã. Tocava Feeling Good de Nina Simone, uma música harmonicamente falando, sensual. Ela se movia de forma suave seus quadris, nada chamativo, nada constrangedor, só balançando o corpo com a música. Gostava dos cafés da manhã, Henry e Daniel eram duas crianças, só lhe davam trabalho no café da manhã.

Daniel, enquanto Henry era pequeno, trazia o garoto sentado nos ombros para a cozinha, lhe dava um beijo de bom dia, abaixava de forma que o menino ficasse na altura da mãe para beijá-la e abraçá-la e depois o derrubava dos ombros o pegando nos braços, somente para depois colocá-lo no balcão e lhe fazer cócegas. Inúmeras vezes este costume matinal quebrara copos. Regina ficava brava momentaneamente, mas logo esquecia ao ver o garoto pular no pescoço do pai dele. E os dois recomeçavam a bagunça. Quando "grande", os dois vinham lhe beijar a bochecha, um de cada lado. Daniel de abusado que era, abraçava a mulher por trás, afastando-a do fogão quente, a rodopiava no ar, a fazendo gritar com ele de susto e muitas vezes xingar a mãe do mesmo.

Bons tempos, podiam até não ser o casal tradicional que suas famílias criam que eram, mas eram felizes da forma deles. Sentiu dois braços lhe abraçarem por trás quando terminara de colocar as torradas sobre o prato que estava disposto sobre o balcão. Ao reconhecer aquele aroma gostoso de canela, já sabia quem era.

– Eu posso me acostumar a isso, sabia? — Comentou ao acariciar as mãos macias da Guarda-Costas. Tentou alcançar com seu braço os cabelos de Swan. Estavam molhados. Acariciou-os mesmo assim, sentiu o queixo dela sobre seu ombro e o beijo que a mesma depositou em seu pescoço.

– Você não vai embora, vai? — A garota respondeu à outra pergunta com uma pergunta. — Não vai embora Regina.

– Fiquei pensando nisso há umas horas, eu já estou incomodando vocês, é melhor que eu vá... — Não terminou a frase, mas como dizem por aí... Para bom entendedor, meia palavra basta. Emma virou o rosto dela com delicadeza e a beijou antes de quê terminasse a sentença. -... Uau! — Suspirou. — Com um "pedido" desses... — deu ênfase. — Eu fico aqui.

Emma a virou para si a pegou pela cintura e a ergueu o suficiente para que ela pudesse se sustentar no ar, prendendo as pernas paralelas à cintura de Swan. Um beijo quase erótico estava rolando. Sustentava a mais velha segurando-a pelas coxas.

– Eu quero você... — Confessou contra a boca de Emma bem baixinho, para que só ela pudesse ouvir. — Vamos lá para cima, sua avó saiu para levar o seu irmão, o Henry foi junto com ela. — Agora dizia em seu ouvido. — O que acha?

– Eu adoraria Juíza Mills... Mas temos um pequeno problema. — Sorriu ao ver aquele sorriso malicioso dela.

– E qual é? — Roçava a ponta do seu nariz contra o de Emma.

– Aquelas panquecas vão queimar e eu adoro panquecas. — Fazendo Regina quase que instantaneamente saltar de seu colo para ir ver as panquecas.

– Minhas panquecas!!! — Só faltou chorar para completar a comicidade daquele momento. — Pára de rir Emma! — Ordenou o que só fez Emma rir mais.

Ouviu uma batida na porta, Emma achara estranho, sua avó nunca batia na porta, ela tinha a própria chave. Aquilo era motivo para estranheza. Pegou uma mini metralhadora de baixo do balcão o que fez Regina arregalar os olhos.

– Não saia da cozinha.

– Sua avó sabe que você coloca essas coisas aqui? — Perguntou Regina ainda bestificada.

– Não saia daqui. — Não respondeu à indagação.

Emma ia a passos vagarosos para a sala.

– Quem é? — Perguntou normalmente.

– Emma querida. — Era sua avó, que estranho. — Desculpa incomodar querida, acho que esqueci a chave em casa.

Emma olhou para o porta chaves que fica ao lado da porta. A chave de sua avó não estava ali, ela havia levado. Havia algo errado.

– Nossa vovó, que descuido. — Emma entendeu, sua vó estava em perigo. — A senhora levou o Ike na escola? — Disse um nome qualquer, queria confirmar o que estava acontecendo.

– Levei sim querida, o Henry está um pouco apertado querida, poderia abrir logo.

Com certeza ela estava em perigo.

– Vovó, sabe o que é? — Ajeitou sua arma, ficou em frente a porta, pronta para disparar. — Tem várias chaves aqui. — Queria saber quantas pessoas rendiam os dois.

– Como querida, só tem três, a grande da porta, essa é a minha, e as duas do Henry, são grandes também. — Três pessoas os rendiam, e com certeza eram altos.

– Putz vovó, desculpa estava olhando para o vidro, realmente elas estão aqui. — Destravou com cuidado sua mini metralhadora.

Já sabia que o que rendia sua avó estava atrás dela, do contrário a voz sairia um pouco mais abafada, restava saber os de Henry. Provavelmente eles estavam assustados.

– Henry, eu já preparei o vídeo game. — Fingiu andar, dando passos no mesmo lugar. — Nossa revanche do Super Galaxy vai ser hoje.

– Bom mesmo. — Fingiu animação, mas foi o suficiente para ela saber a atual situação.

Se bem ela percebeu, eram três pessoas altas, uma rendia sua avó atrás dela, quanto á Henry duas pessoas o rendiam, e pela voz um pouco mais abafada, pelo menos um estava na frente. O outro possivelmente estava atrás dele. Considerando que sua avó é dez centímetros mais baixa que Henry e ele tem alguém em sua frente. Ela sabia que sua avó estava na esquerda e Henry na direita. E tem algum idiota bem na frente da porta. Atirou com a mini metralhadora arrancando gritos tanto do lado de fora quando de dentro. Abriu a porta logo após, encontrou Henry assustado e sua avó abraçando o garoto que era boquiaberto com o que acabara de ocorrer.

– Vocês estão bem? — Emma travou a arma de novo.

– Eu estou, ainda bem que me entendeu querida. — Abraçou agora a neta dela.

– Emma... — O garoto estava em choque, a mãe dele atravessou a sala com a maior rapidez para poder chegar até ele e o abraçar. — Você salvou a gente.

– QUERIDO! — Com desespero o envolveu no abraço. — Você tá bem?! — Olhava e puxava cada parte de seu garoto para verificar.

– Estou mamãe. — Tentava despreocupar a própria mãe, mas não funcionava.

– Todo mundo para dentro. — Ordenou puro e simplesmente, sem mais, nem menos. — Por favor gente, preciso investigá-los. Não quero ninguém em perigo.

– O que aconteceu gente?! — Chegou Grace toda preocupada, na porta de entrada. — Meu Deus! Tá todo mundo morto. — Ela colocou a mão na boca.

– Você ficar Grace, preciso de você.

[...]

– Quem são eles? — Perguntou depois de coletar seus possíveis documentos. — Só os nomes não me adiantam, sabem quem são? São homens do seu pai?

– O quê?! — Estava desatenta para o que a agente falava.

– São homens do seu pai?

– Do Killian.

– Killian? Então já começou? — Chutou o ar frustrada. — Família complicada hein! — Sarcástica comentou.

Emma mandou Grace entrar em casa e não sair mais e que não deixasse os outros fazerem o mesmo. Ia dar um jeito em toda aquela bagunça. Achou estranho ninguém ter chamado a polícia local.

Algumas horas depois, quase tudo estava "limpo", o gramado de sua avó ficara uma lástima, devia uma nova paisagem para esta. Havia escondido os corpos na garagem da casa. Aqueles homens eram descuidados, trouxeram suas identificações. Mais tarde com certeza iria pesquisá-los.

– Emma. — A voz de sua avó chamava da porta da casa. — Já está na hora de comer alguma coisa. Regina me disse que não tomou café.

– Só mais alguns minutos vovó, eu prometo. — Sorriu para a avó que meneou a cabeça negativamente antes de entrar. — Eu preciso resolver isso o mais rápido possível.

Sacou o celular do bolso da calça e discou um número desconhecido para a agenda de seu celular.

– Boa Tarde senhora Hunter, é a neta de Eva Swan, eu poderia falar com a Gretel? — Esperou a reposta da mulher. — Ok! Quando ela chegar a senhora poderia dizer que a Emma ligou? — Esperou mais um pouco. — Tudo bem, por favor, peça a ela que me ligue de volta, pois o assunto que preciso tratar com ela é de extrema importância. — Sorriu como se falasse cara a cara com a mulher. — Muito obrigada.

Desligou o celular e adentrou a casa. Precisava averiguar algumas coisas. Regina ainda estava abraçada a seu filho, então naquele momento ele não servia para ela. Foi direto para sua avó que estava preparando as coisas na cozinha, mais especificamente o almoço.

– Vó.

– Eu já sei o que vai perguntar... — Já foi logo dizendo isto. — Todos esses anos casada com seu avô me serviram bem para muitas coisas, até para o que aconteceu hoje.

– Talvez se eu não tivesse voltado para casa antes de me consultar com o doutor eu receberia alguma mensagem trágica. — Disse de uma vez.

– E por quê voltou? — Ficou curiosa quanto à isso, quando se virou alguns segundos depois do silêncio, viu o rosto dela um pouco avermelhado, além de estar com os braços cruzados. — Você está bem?

– Esqueci meu cigarro. — Por mais que soubesse ser mentira, não iria questionar seus motivos, apenas agradecera por ela ter voltado.

As duas conversaram um pouco sobre o ocorrido e alguns detalhes do ocorrido, claro que a neta de Eva Swan tinha que estar preocupada o suficiente para ir durante o almoço buscar Baelfire na escola, não queria correr riscos de algo acontecer com ele. Como ainda não tinha maioridade legal para isso foi obrigada levar alguém que pudesse, e não era a sua avó.

– Você está bem Mills? — Perguntou tocando o ombro dela, enquanto esperavam na sala da coordenação.

– Não Emma, meu filho... Eu... — Estava em choque, abraçou Emma bem forte. A mesma a envolveu com um braço, batendo gentilmente em suas costas, sinal de compreensão.

A coordenadora estava voltando com Baelfire, que estava com uma cara confusa carregando sua mochila de Homem-Aranha nas costas.

– Liguei para sua avó, só por precaução Emma.

– Tudo bem senhora O'Connor. Se nos der licença temos que ir para casa, emergência de família.

– Ok. Volte logo querido. — A coordenadora disse para Bae que sorriu e fez um sinal positivo para ela.

Quando chegaram no carro de Emma, ela tirou sua jaqueta vermelha, sim, a odiável jaqueta vermelha que a avó de Emma reclamava toda vez que esta a utilizava, ela já estava bem envelhecida, mas até que conservada.

– O que eu fiz? — Bae foi logo questionando. Emma obrigou-se a olhá-lo pelo retrovisor. — Emma, não mente tá.

– Não foi você Bae, só isso que eu posso dizer. — Respondeu já saindo daquele local. — Regina, você está bem? — Tocou a coxa dela apenas para chamar sua atenção.

– Uhum... — Balançou a cabeça positivamente antes de tocar a mão da outra que retirou a mão dali.

Durante uns quatro minutos houve um silêncio mortal. Até Bae ter a brilhante ideia de falar...

– Vocês estão namorando? — A perguntou custou um galo em sua testa.

A irmã do garoto freou o carro, foi por isso que um galo formou na testa dele.

– Ai, ai. — O pequeno esfregava a testa, reclamava da dor.

– Me desculpe Bae. — Preocupada tentava alcançá-lo, só que acabou trombando com Regina que também tentava alcançá-lo.

– Dói. — Usando as duas mãos para apertar o lugar dolorido.

– Não aperta gatinho, é um galo. — Regina o acalmou segurando suas mãos. — Quando casar sara.

– Vai demorar. — Ele só podia ser mesmo parente de Emma, já estava aprendendo a ser sarcástico.

[...]

Emma adentrou a casa só depois de seu irmão que foi acompanhado de Regina. Por sorte sua patroa era uma mulher extremamente eloquente, convenceu a todos de que não passara de um problema com uma lombada avistada no último instante a obrigando frear rapidamente.

– Emma. — Agora era Regina que vinha lhe socorrer. — Você está pálida.

– Não é nada Regina. — Segurou as mãos dela e beijou discretamente os dorsos destas.

– É tão ruim assim a ideia do seu irmão? — Perguntou rindo baixo, deixando uma Emma muito sem graça.

– Para falar a verdade nem um pouco. — Admitiu olhando nervosamente para outro lugar.

Regina riu de novo deixando uma agente mais sem graça.

– Certo, acho melhor irmos almoçar. — Desviou do assunto sendo seguida pela patroa até a cozinha.

[...]

Emma estava muito concentrada em sua papelada a aquela hora da noite. Mas foi tirada dela quando o telefone da cozinha tocou. Como sabia que sua avó estava em casa e que provavelmente fosse Mary Margareth nem se deu ao trabalho de sair do escritório.

– Posso entrar? — Era Henry perguntando do outro lado da porta.

Estranhou, mas não impediria isto.

– Entre Henry. — Se ajeitou na cadeira e ajeitou a roupa amassada.

– Boa Noite. — Ele entrou um pouco "murcho", no sentido de desânimo.

– Senta aí Henry. — Ofereceu assento.

O garoto parecia estar incomodado com algo, se sentou e ficou a tamborilar um apoio de mão da cadeira. Ele estava nervoso, ficava girando sua cadeira.

– Seja lá o que for que está te incomodando, não seria melhor dizer?

– Obrigado por me salvar! — Agradeceu de uma vez, quase não deixando a agente terminar sua frase. — Fui um idiota ontem. — Pôs uma mão na cabeça em sinal de desistência.

– Olha Henry, não tem pro...

– Não. Pára! — Henry se levantou de sua cadeira. — Você vem nos protegendo este mês todo, eu ainda tenho pesadelos com meu pai, mas... Sei lá, eu acho que você é tipo uma mãe... — Ele falou sem se dar conta.

– Uma mãe...? — Perguntou rindo contida. Achando graça da frase do garoto.

– Sim, tipo, uma supermãe, você não nos deixa em perigo e quando estamos em perigo você nos salva, assim... — Estalou os dedos, indicando a velocidade em relação ao tempo.

– Já passou pela sua cabeça que eu fui muito bem paga pra fazer esses serviços? — Tentou desviar-se da possível admiração dele por ela.

– Ninguém recebe o suficiente para salvar vidas, nada justifica você levar uma bala pela minha mãe, dirigir feito uma maluca para salvar a mim, tratar a Grace bem depois de fazer o que fez. Ninguém é suficientemente não egoísta deste jeito. — Ele tentava fazer boa imagem dela.

– Henry...

Ela foi obrigada a se levantar e apertar a ponte entre os olhos, e bufar um pouco.

– Olha, eu sou uma assassina, muito bem treinada, nada do que estou fazendo está fora das especificações que me foram exigidas. E no momento minha missão são vocês dois, sua mãe e você.

– MAS O SENHOR GLASS MORREU!

– HENRY!... Henry... Vocês já foram muito injustiçados, as coisas que eu vejo na TV a cada dia só deixa a imagem de vocês dois mais pútrida. Não gosto da ideia de que pessoas justas e honestas sejam injustiçadas. Eu conheço esse lado muito bem. Eu não estou fazendo isso porque eu tenho uma alma nobre. Não. Estou fazendo porque eu fui paga para este serviço.

– Mas...

– Eu não sou uma pessoa nobre Henry... Ninguém é. — Tocou o ombro do filho de sua patroa.

–...

– Mas isso não quer dizer que eu não possa me afeiçoar a ninguém. — Sorriu sincera para ele. — Você e sua mãe são pessoas especiais, são únicos.

Ele sorriu de lado para ela.

– Você gosta da minha mãe?

–... — Ficou muda.

– Eu tô ligado que você fica toda besta perto dela. — Comentou rindo também contido.

– Henry, isto não é assunto...

– Joguei verde e colhi maduro! — Comemorou, fazendo a garota ficar de boca aberta com a estratégia dele. — É o seguinte... — Sentou na cadeira em que estava alguns segundos atrás. — Quais são suas intenções com ela? Cê tá ligada que eu não vou te chamar de mãe, né? Até porque você é só uns anos mais velha do que eu...

– Henry, vai encher a paciência de outra pessoa vai. — Desviou do assunto.

– Tá bom, tá bom... — Ria descarado. — Só fecha a porta do quarto da próxima vez.

A agente ficara vermelha, mais vermelha do que o normal. Devia ter fechado a maldita porta.

– Emma, vem jantar. — Sua avó chamou.

– Já tô indo.

[...]

Não sabia o que era mais irritante, os olhares de Henry praticamente "zoando" ela, o silêncio irritante que reinava na cozinha, Regina não lhe olhar nos olhos, Grace ficar pensativa o suficiente para brincar com a comida ou Bae ficar brincando com a comida. O jantar estava maravilhoso como sempre, mas aquilo estava acabando com os nervos dela, se sentia culpada por tudo aquilo.

– Alguém me passa a jarra de suco? — Pediu Emma.

Regina pegou a garrafa e entregou a Emma, que lhe tocou a perna dela tentando chamar a atenção dela. A mesma lhe olhou de modo compreensivo, sorriu fraco para ela.

– Esse silêncio está me matando. — Grace por fim anunciou.

– Eu que o diga... — Sussurrou enquanto dava um gole em seu suco.

– Querida, eu tenho algo para lhe dizer. — Sua avó estava distante desde o telefonema que Emma a flagrou encerrar.

– É só falar vovó. — Emma disse.

– É, até porque não há segredos entre nós... — Henry soltou a frase.

– O quê? — Vovó Swan em vez de ignorar ficou confusa com a frase do garoto.

– É vovó, a Emma e a Regina estão namorando. — Dedurou erroneamente Baelfire.

Grace que até então estava calada ficou de queixo caído enquanto a vovó Swan estava de olhos arregalados. Baelfire fofoqueiro. Não estavam namorando, apenas... Ficando?

– Bae! — Reclamou com seu irmão mais novo.

Podia ficar pior? A campainha tocara. Como já se tornara costume, já ia atender armada. Desta vez com sua mini metralhadora. Ninguém dissera nada desta vez, só se via Bae e Henry rindo na mesa. Regina ia matá-la provavelmente.

– Mas que história é essa? — Ouvira sua avó questionar na cozinha.

Nem ligou já levantou a metralhadora e foi abrindo a porta, não estava surpresa ao ver uma arma apontada para ela, mas sim por ver quem estava apontando esta para ela. Um ser humano em um estado catastrófico.

A pessoa que lhe apontava uma armada estava munida em seu olho direito por um tapa olho, daqueles de pirata. Os cabelos desgrenhados e a boca com uma cicatriz horrível no canto dela lhe assustaram. Abaixou a arma primeiro, o que fez alguns segundos depois a outra pessoa também abaixar.

– Surpresa... — Disse desanimada a "ameaça".

– Você está horrível.

– Eu trouxe mais gente comigo. Acho que você vai gostar.

– Sabe Aurora, você está um caco.

– Ela me salvou Emma. — Um ser humano ruivo veio correndo lhe abraçar. Sentira falta de sua parceira NERD. — Swan! Que saudade de você. — Beijou o rosto todo da colega.

– Deixa um pouco de Emma para gente Anna. — Reclamou quem parecia ser Elsa. — E aí Emma? — Esticou sua mão para a parceira de campo.

– Elsa. — Puxou ela para um abraço.

– E eu? Não ganho abraço? — Lancelot viera com ela, carregava uma mochila enorme. Emma lhe abraçou.

– Eu só vim porque eles me trouxeram e porque aqueles dois exigiram minha presença. — O homem desconhecido apontou para Elsa e Lancelot e logo depois para fora.

Ficou muito, mas muito surpresa por ver a imagem muito ferida de Sidney e seu querido avô Leopold.

– Vô?! — Perguntou incrédula. — VÔ!! — Abraçou o senhor com toda sua força, estava com muita saudade. Muita mesma. Sua avó estava certa.

– Oh querida! Você está bem mesmo, fiquei preocupado de você ter feito alguma besteira.

– Eu disse seu velho ranzinza, sua neta é inteligente. — Sidney tocou as costas da moça que estava agarrada ao avô. — Será que tem lugar para nós e mais duas pessoas? — Sidney perguntou saindo da porta.

Revelando a imagem de Madge Glass, sua esposa e a figura que há muito tempo não via, seu pai. David.

– Eu não ganho abraço princesa? — Seu pai como sempre um homem encantador. Abriu os braços para receber o saudoso abraço de sua menina.

– Leopold? — O chefe Swan se virou para a dona daquela voz, que por sua vez também era a dona do seu coração.

– Eva. Querida. — Todos ficaram estáticos observando a interação dos dois.

– É você mesmo? — Se aproximou de seu marido calmamente.

– Sim querida.

– Você se atrasou para a janta. — Reclamou com ele. — Sabe que odeio quando se atrasa para a janta. — Aquela reclamação soou estranha para todos, exceto para os dois, ele sabia que ela estava muito preocupada.

– Me perdoe meu amor. — Pegou as mãos dela e as beijou. Sua barba grande arranhou as mãos macias de sua esposa.

– Vai tomar banho... Você está precisando. — Foi a forma dela de dizer que sentia falta dele.

– Sim querida. — Sorriu para ela que acabou cedendo e sorrindo de volta antes de adentrar a cozinha.

– Não ache que eu esqueci o que eu escutei aqui Emma, nós ainda vamos conversar sobre esse seu namoro com Regina...

Todos olharam para ela confusos, exceto Sidney que ria descontrolado.

– Eu sou ou não sou um santo casamenteiro? — Sidney perguntou ainda dando boas risadas.

É, realmente Emma corria perigo. Entre a cruz e a espada.

Notas finais
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