Guarda Costa
22 Bem-vindo a família.
Notas iniciais
— E o que você fez depois? — Perguntou Bianca pegando algumas batatas fritas.
— Nada — Respondi — Ela foi para o banheiro e quando voltou não quis conversa. Havia mais de uma semana que eu e Noah não trocávamos uma palavra, não me queria nem no mesmo ambiente, por isso que eu voltei para a minha casa.
— Mas o culpado disso tudo é você. Com essa neura de privar ela de saber que o pai de vocês estava ligando. — Suspirei comendo algumas batatas.
— Eu sei.. Só que, quando nossas mães falam dele, é sempre que ele magoou o coração delas.. E eu não quero que a minha irmã tenha a decepção de saber que ele é muito pior do que ela imaginava. — Bianca sorriu gentil e tocou o meu braço.
— Se ela vai quebrar a cara ou não, ai é com ela. A sua função é que se ela se decepcionar, você esta lá de braços abertos.
Bianca passou a tarde comigo. Por mais que amasse a sua presença, não era nada em comparação a presença da minha irmã. Merda! Por que eu tenho que ser tão orgulhoso? É nessas horas que sinto falta da nossa infância e das nossas mães.
P.O.V. Noah
Eu não falo com o Yuri e isso me dói o coração, nós nunca ficamos mais do que 24 horas sem nos falar e o motivo era que as nossas mães nos forçavam a fazer as pazes " Vocês são praticamente gêmeos, então engulam esse orgulho e se abracem" diziam. Entretanto nossas mães não estão mais aqui e não estão sabendo da briga. Depois da briga eu expulsei Yuri da minha casa e ligue para Juan, marquei um encontro com ele Sábado, ou seja, hoje.
Vesti uma camiseta preta, uma camisa xadrez vermelha por cima, calça jeans preta rasgada no joelho e coturnos. Nós nos encontraríamos no " Romanni" um restaurante italiano, para o almoço. Como eu estava ansiosa, acabei chegando muito mais cedo talvez estivesse sendo julgada pelos garções. Quando Juan chegou, já estava um pouco mais calma, beber uma taça de vinho branco ajuda. Juan vestia um terno risca de giz preto, gravata vermelha e camisa branca. Seus cabelos curtos e ondulados negros, com uma única mecha branca, estavam penteados para trás. Ele tinha barba, essa sim, completamente negra. Começamos com as conversas que se vê em filmes, sobre a minha infância, com o que eu trabalho, o que eu mais gosto, meus sonhos para o futuro, e etc.
— Usted me parece triste — comentou - O que houve?
— Nada — Sorri — É que eu.. Eu briguei com o meu irmão e..
— Quien? Marcos o Pedro?
— Nenhum dos dois. Yuri é seu nome — Ele levantou uma sobrancelha — Ele é seu filho também — Completei. Ele ficou surpreso, ele respirou fundo, tomou um gole do vinho e só então olhou para mim novamente.
— Yo pensé que era solo usted como filha.
— Da minha mãe, a Isabelle, sim. Yuri é filho da Anna, a nossa vizinha. — Ele ficou sério e então perguntou em um sorriso simpático como Yuri era — Ele parece comigo, parecemos aqueles gêmeos com as telepatias estranh-
— Ele es macho ou es un viado? - Me interrompeu. "oi? " soltei e ele voltou a repetir — Este mi hijo, Yuri, ele es un hombre de verdade o es un viadinho? — Eu levantei com a minha taça em mãos joguei o vinho nele, sujando o seu conjunto de terno e gravata, falei com nojo:
— Eu achei que você não fosse assim. Nunca mais me procure, nem quando estiver morrendo eu vou querer saber de você. — Sai apressada do restaurante. Já na esquina, desabei a chorar, continuei a caminhar e deixei o destino no automático.
Quando cheguei ao meu destino que percebi onde o modo automático me levou, ele me levou para o meu melhor amigo. Enxugando as lágrimas toquei a campainha, Yuri atende e sem precisar dizer nada ele me puxa para um abraço demorado e reconfortante. Depois que os meus soluços se tornaram nulos ele me guiou para dentro da sua casa e me colocou no sofá.
— Toma. Bebe água. — Ofereceu o copo, o qual aceitei e bebi — O que houve? — Perguntou sentando-se a minha frente na mesa de centro. Contei toda a história, desde quando cheguei até ele chamar Yuri de "viadinho" — Você me defendeu — Disse com um sorriso no canto da boca.
— Claro. Ninguém chama você de viadinho, só eu. — Respondi fazendo-o rir e me abraçar.
— Sim, só você. — Ficamos lá pelo o que pareceram séculos até alguém falar atrás de nós.
— Yuri? — Ainda abraçando o meu irmão, levantei o rosto e mirei o ruivo postado na porta do corredor.
— Quem é você? — Perguntei variando o olhar entre Yuri e o cabeça de fósforo.
— Noah — Yuri levantou-se me levando com ele — Esse é o Bruno, meu namorado. Bruno, essa é a minha irmã Noah — Ambos estávamos em choque, desde quando Yuri estava falando com esse cara? E aparentemente, Bruno não sabia que o moreno tinha uma irmã.
— Ah ! Prazer — Estendi a mão, que Bruno apertou — Desde quando vocês estão juntos?
— Nós eramos colegas de classe — Yuri tomou a iniciativa de falar — Nos reencontramos à seis meses.
— Avisar pra mim nem né? — Joguei os braços para o alto.
— Ah.. você sabe como eu sou supersticioso.. — Fez bico — Não queria falar que estava namorando para estragar tudo em duas semanas, como sempre acontece.
— Por mim, anunciava no almoço de domingo já no segundo mês — Se pronunciou o ruivo de farmácia tocando o ombro de Yuri.
— Então, vamos fazer um almoço no domingo. Vamos convidar todos, até a tia Marza. — Estendi a mão para Bruno, formando um Hi-5 — Será o começo de uma ótima aliança? — Sorri para Bruno que retribuiu.
— Espero que não — Comentou Yuri disfarçando — Hum? Oi? Quem disse isso? — Rimos.
— Pode crer que é sim. — Falou Bruno.
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