Grunenwald - Origens De Um Pesadelo
6 Capítulo 6 - O Beijo
Notas iniciais
O garoto sentiu suas emoções o levarem a um lugar quase tão longe como Grunenwald. Não queria saber se T estava indo embora, precisava fazer aquilo.
- O que foi? – perguntou a garota.
- Eu amo você ainda mais. – ele disse, e a beijou. Por um instante sentiu seu coração palpitar, mas logo foi tomado pela sensação excelente que era poder tocar os lábios de T com os seus próprios. – Não volte até eu salvar o reino.
- Não cometerei o mesmo erro que Ever.
- Você é Ever.
- Sou uma Ever melhorada. Sei os riscos que trarei se voltar.
- E aquele momento no sofá?
- Ele chegará, na hora certa. – ela disse, realista e apaixonada que estava.
- E Emma?
- Ela é sua irmã. Cuide dela por mim. Sei que minha mãe o fará, mas a pequena Emma sente sua falta.
- Cuidarei. – e puxou Terrence para outro beijo. Dessa vez um pouco mais curto, pois a garota o interrompeu.
- Salve Grunenwald. Me terá de volta então.
- E a escola?
- Nada disso é real. Não pra nós. – ela disse. – Eu am...
- Eu sei. Agora vá. – Peter disse. Viu a garota indo, e como um piscar de olhos, desapareceu diante seus olhos. Andou de volta pra Cameron e Savannah.
- Tem algumas mudanças pra fazer em sua carta, não?
- Claro. – disse Pet, respondendo a pergunta sarcástica de Savannah. – Vamos à biblioteca comigo?
- Pode ser. – disse Cameron, seguindo Savannah, e mal acreditando que era agora amigo da garota que gosta. Andaram até a biblioteca, onde Peter pegou outra folha em branco e uma caneta, e começou a escrever:
Havaí, Carta Não-Oficial
Caro Zaqueu, mesmo não sabendo exatamente quem é, compreendi o que quis dizer sobre os 5 sinais e ficarei atento. Depois da notícia sobre Emma, me apeguei a ela. Ela sabe sobre mim mesmo nessa dimensão. – escreveu, copiando algum conteúdo da carta antiga. – Ever acaba de partir. Sentirei falta dela. De todos os momentos que passamos juntos. Mas confio que salvarei Grunenwald, agora só faltam 3 sinais. Incrível como 2 sinais já se foram de ontem pra hoje. Savah e Amero estão comigo, vão me ajudar. E diga à Pettero, pra deixar de ser um completo idiota e me tratar como ele mesmo, porque sou. Minha Ever (a desta dimensão) jurou-me que não vai voltar enquanto eu não salvar Grunenwald, alguma coisa será consertada por aí, não é mesmo?
Com muitos votos de que me responda logo,
Peter, porque não gosto de ser esse Pettero imbecil.
- Acabou? – perguntou Savannah.
- Sim. – Peter respondeu, vendo a amiga pegar o envelope, pousar em uma das mãos e com a outra, passar por cima, fazendo o papel se envelopar sozinho. E por vez, soprá-lo, e com o vento, fazê-lo desparecer de sua mão.
- Prontinho. Já está entregue. – ela disse.
- Vocês fazem mágicas em Grunenwald? – perguntou Cameron.
- Somente a rara linha familiar de feiticeiros treinados. – a garota respondeu.
- E quantas pessoas são dessa “rara linha familiar”? – Peter perguntou, bastante impressionado.
- Atualmente? Só eu. Meus avós e meus pais já se foram, assim como os meus bisavós e tataravós e o resto.
- Uau. – disse Cameron. – O sinal. Que aula nós temos?
- Por sorte, eu, você e Savannah somos da mesma turma. Temos Biologia. – disse Peter.
- Ok. Em que andar?
- A sala de sempre, no 125. No 1º. – andaram então, até a sala correspondente, e viram uma professora baixinha, de seus cabelos curtos e negros, a mesma do ano passado.
- Peter, Cameron! – ela disse. – Bom rever vocês! – era simpática, carinhosa e fazia todos serem aprovados em sua disciplina, era a melhor.
- Bom rever a senhora também, Prof.ª Lester. – disse Cameron, com um sorriso.
- E cadê aquela amiga de vocês?
- Terrence? Ela... humm... – Peter hesitou. Precisava inventar uma desculpa rápida. – Ela teve de viajar.
- Sei. – disse a Prof.ª Lester, num tom desconfiado, porém simpático. – E trouxeram outra menina pra compensar! – disse ela, feliz. – Quem é essa menina linda? – perguntou.
- Savannah Cindy. – respondeu ela. – Entrei ano passado, mas tinha aula com o Prof. Casagrande.
- Que bom! Vocês três podem sentar juntos, enquanto Srta. Fletcher não volta.
- Sim. – disse Cameron. Os três se dirigiram a uma mesa bem no meio da sala. Três microscópios e algumas vasilhas aparentemente vazias, a não ser por uma pasta transparente, cobertas por filme plástico, estavam na mesa. Aos poucos, o resto da turma foi chegando. Era a primeira aula em que Peter não se atrasara. Quando a turma estava completa, a Prof.ª Lester começou:
- Boas vindas novamente, aos alunos antigos! E boas vindas aos alunos que acabaram de se juntar a nós! – o mesmo tom feliz. – Que tenham um excelente ano na nossa escola. Hoje vamos trabalhar esses seres nas vasilhas. – a aula praticamente voou. As duas seguintes também. Logo era hora do intervalo.
- Que aula temos depois? – perguntou Cameron, ainda desatualizado.
- Geografia, e depois, dois tempos de História. – disse Savannah – Vou te dar uma cópia do horário, ok?
- Ok. – ele respondeu.
- O que vamos fazer agora de noite? – perguntou Savannah.
- Eu tenho que fazer lição de casa. – disse Cameron.
- Eu vou ao supermercado com Emma. – disse Peter.
- Ah! Esqueci que Zaq... – ela deu uma pausa, parecia ter falado algo errado – Que seu pai te emancipou.
- É. – Peter respondeu, triste. Queria o pai com ele.
- Então eu faço lição com o Cameron. Pode ser, Amero? – perguntou.
- Pode. Mas se importa de não me chamar de Amero aqui? – ele pareceu muito feliz de levar Savannah pra casa, e passar um tempo sozinho com ela.
- Ok, mas não vou fazer nada que eu não deva, diga-se de passagem. – Cameron pareceu desapontado, mas ao mesmo tempo conformado. A aula de Geografia seguiu bem até demais pro nervoso Sr. Grant, que só faz gritar desde que pegou a classe deles, no 1º ano do E.M. Logo eram os 2 últimos tempos de História com o Sr. Aza, que surpreendeu Cameron com sua presença. No fim da aula, Peter se despediu dos amigos e foi à casa dos Fletcher buscar Emma.
- Você de novo, Peter, querido? – disse a Sra. Fletcher.
- Dessa vez eu vim buscar Emma, sei que Terrence não está.
- Então tudo bem. – ela disse. – Emma! Peter veio te buscar pra... – ela deu uma pausa – Pra quê você quer buscar minha filha?
- Gosto de Emma. É irmã de T, então é minha irmã.
- Ok. Emma! – ela gritou. Peter ouviu barulho de pés na escada. Emma estava descendo.
- Peter! – ela disse, e correu pra um abraço apertado.
- Oi, pequena! – Peter cumprimentou. – Não se preocupe, Sra. Fletcher. Vou trazê-la de volta antes das 8.
- Tudo bem, Peter. Antes das 8. – ela fechou a porta depois de se despedir da filha adotiva. Peter e Emma foram d e mãos dadas até o mercado, depois de lá, foram fazer um lanche no Mc Donald’s.
- Desculpe por quebrar a promessa, Pettero. – disse ela.
- Não foi nada, irmãzinha. Me chame de Peter, aquele Pettero que fez você prometer, não sabia o quanto você poderia me ajudar. – a menina deu um sorrisinho. Depois do lanche, foram pra casa de Peter, pra se divertirem um pouquinho. Brincaram de pega-pega e tudo o mais. Quando deu 7 e 30 da noite, ele levou Emma de volta pra casa dos Fletcher.
- Você vai voltar? – perguntou a pequena.
- Vou. – ele respondeu. – E a propósito, o que você disse pra Sra. Fletcher sobre Terrence?
- Zaqueu ligou do lugar onde ele está e...
- Em Grunenwald?
- Não, Pet, ele também existe nessa dimensão. E também foi embora. Enfim, ele ligou dizendo que era o pai de Terrence convidando ela pra passar uma temporada lá.
- Excelente desculpa. Eu só queria saber quem é Zaqueu nessa dimensão.
- Vou dar um dica. – a pequena insinuou – Você conhece essa pessoa.
Peter ficou ligeiramente confuso, mas era uma dica. Ela falou bem mais do que Savannah falaria. A menina abriu a porta, depois de dar um último abraço no irmão.
- Tchau, Pet.
- Tchau, pequena. – disse ele, retribuindo o abraço com um beijo na testa. Quando ela fechou a porta, Peter foi andando pra casa, pensando que Emma fizera sua tarde bem melhor. Não sentira falta de Terrence, e foi só lembrar dela que a sensação de beijá-la deixou saudades.
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