Grunenwald - Origens De Um Pesadelo
4 Capítulo 4 - A Carta de Zaqueu
Notas iniciais
Os dias após a saída do hospital se seguiram arrastados. Principalmente para Peter que concentrava todas as suas energias em ter pesadelos. Com ajuda de Terrence, tudo ficava um pouco mais simples. Era difícil não ter Cameron por perto, já que ele continuava internado, recebendo soro.
- Já conseguiu ver outras coisas? – perguntava Terrence.
Não. Parece que quanto mais ele se concentrava em ter pesadelos, menos ele tinha.
- Peter, você sabe que amanhã é o primeiro dia de aula, né? – pergunta Terrence, na manhã do 31 de agosto.
- Sei. Falando em escola, quando Cameron vai voltar pra assistir as aulas? – ele perguntou.
- No dia 2 de setembro.
- E então ele não vai perder muita coisa, não é? – Peter alimentava esperanças de na verdade, ter o melhor amigo do seu lado para suportar a hierarquia escolar.
- Não muita coisa. – ela pareceu sofrer ao lembrar, e parecia estranhamente fria com Peter.
- Você acha que tudo isso é minha culpa, não é mesmo? – ele perguntou, sabendo que ela não confirmaria, mas que era exatamente o que ela achava.
- Claro que não, Pet. Como você poderia saber que os Almeaters apareceriam justamente na nossa vez?
Não muito melhor do que antes, T pareceu perceber que Peter se sentia culpado.
- Não foi culpa sua, Peter. – ela disse, atenciosa. – E... eu chamei Emma para nos visitar.
- Como assim? Aquela menina de 9 anos do Trem? – ele perguntou.
- Ela tem 10. Fez 10 no dia 14. – ela explicou. – Eu tenho visto ela, de vez em quando.
- De vez em quando? – Pet perguntou.
- Ok. Minha mãe resolveu adotar Emma. Já assinamos os papéis.
- Espera, além de Josh e Raj, agora você tem outro irmão? – ele perguntou, surpreendendo-se.
- Não sei qual é a surpresa. Raj também é adotado, e é indiano. – ela disse, se convencendo de que ter 4 filhos atualmente não é praticamente um suicídio financeiro, e sim normal.
- Então tá.
O dia passou tão rápido que de repente, já era dia 1º de setembro. Peter se deu conta de que era seu 1º dia de aula, no seu último ano de escola. Terrence bateu à porta às 6 e 30, pronta.
- Ainda está de pijama? – ela perguntou.
- Claro! Eu estava tomando café.
- Então se vista logo, vamos perder o primeiro dia!
- Não seria tão mal, já que não temos Cameron por perto.
Ele foi se arrumar, e voltou pra porta. Ele e T saíram juntos até a escola. Iriam enfrentar juntos o primeiro dia de aula no último ano. Sem Cameron, ainda internado. Chegaram a pé, pois T achava que aparecer na Kombi seria pedir pra ser alvo das piadas. E quando iam entrando, o telefone de Pet tocou. Rapidamente, puxou-o para atende-lo.
- Alô? – ele disse.
- Peter?! Seu pai!
O garoto sentiu o impulso de desligar, mas continuou escutando o que parecia uma respiração preocupada.
- Peter, peço que você fique atento a todo e qualquer sinal de Grunenwald! – o coração de Pet bateu com mais força. Como ele sabia sobre Grunenwald? – Tudo está para mudar, filho!
A ligação caiu e ele sentiu uma enorme dor de cabeça. Foi andando com T até o portão, enquanto contava o que o pai havia dito. Quando uma voz soou do seu lado.
- Você é Peter Maraunder. — disse a voz, Peter se virou.
- E você é Savannah Cin...
- Só Savannah. Sav, pra você. – ela disse, e com calma e seriedade, pediu: — Tenho que falar com você. É urgente. – Pet hesitou, mas seguiu Savannah até um canto, deixando T esperando no portão do estacionamento.
- Pode f... – mais uma vez foi interrompido por ela.
- Escute Pettero, Zaqueu mandou-me entregar essa carta. Guarde-a e leia sozinho em casa. – mais uma vez o coração de Pet bateu mais forte. Ela também sabia sobre Grunenwald?
- Como você sabe sobre Grunenwald?
- Moro em Grunenwald. Savannah é só um modo de proteger você, Terrence e Cameron nesses corpos.
- Nesses corpos? – pergunta Peter, absolutamente intrigado.
- Desculpe o mal jeito. Em Grunenwald, sou Savah, um dos Guerreiros do Sul.
- E quem são Terrence e Cameron? – ele perguntou.
- Cameron é Amero. Também é seu melhor amigo no reino e um Guerreiro do Sul, como eu e você. Terrence... – ela fez uma pausa – Você sabe quem ela é.
- Não, não sei... – pensativo, ele se lembrou. – Ever... – ele sussurrou.
- Sim. Ela te ama, aqui e em Grunenwald. Dá pra perceber só de olhar. A missão dela é motivar você, indo embora.
- Nos dois mundos? – ele perguntou. Queria Terrence com ele. Queria poder dizer que também a ama.
- Sim. Quando a hora chegar, ela terá de partir. E você só a terá de volta...
- Quando salvar Grunenwald. – o garoto completou.
- Isso. Bom, boa sorte, Pettero.
Ela se virou e foi embora, com o envelope nas mãos, ele foi ao encontro de T.
- O que é isso? – ela perguntou, referindo-se ao envelope.
- Carta de Grunenwald. – ela ficou parada, imóvel, perplexa.
- Savannah? – ela perguntou.
- É pra você ver o quanto eu preciso ter pesadelos. – ele disse, revirando os olhos.
- O sinal. Temos de ir. – ela disse, um tanto quanto atordoada. – Que aula você tem agora?
- História. Um tempo inteiro escutando o novo professor falar sobre a importância da História pro Vestibular... – ele disse. – E você?
- Geografia! – ela exclamou em tom alegre – Se quero viajar pelo mundo atrás da onda perfeita, tenho que saber onde procura-la.
- T, você mora no Havaí! – ele disse.
- Mas não é só o Havaí que tem ondas! Ouvi dizer que algumas praias do Brasil são excelentes pra surfar! E Austrália também! – ela disse. – Tenho mesmo que ir, Pet. Até mais.
Ela se virou, e foi andando pra sala de aula de Geografia, no 1º andar. Já Peter, subiu as escadas pro 3º e partiu rumo à última sala do deserto corredor do terceiro andar. Entrou, olhando pro relógio e observando o ponteiro maior indicar que ele já estava atrasado.
- Atrasado, Sr. Maraunder? – perguntou um homem velho, enrugado, Sr. Aza.
- Senhor Aza? – perguntou Pet, boquiaberto. – Você não trabalha no Velho Túnel?
- Trabalhei, Sr. Maraunder. Então, por gentileza sente-se ao lado da Srta. Cindy. – ele piscou disfarçadamente para a garota.
- Sim, prof... – ele hesitou. Aquilo era muito estranho. – professor. – o garoto concluiu. E foi andando até a mesa onde Savannah estava sentada.
— Olá, Pettero. – ela cumprimentou.
- Oi, Savah. – ele retribuiu.
- Não abriu a carta agora não é?
- Não. – o garoto respondeu com frieza.
- Ser frio comigo não vai mudar o fato de eu ser de Grunenwald e estudar com você desde o ano passado.
- Não é isso, Savah.
- E também não vai mudar a paixão e o amor entre você e Ever.
- Então posso parar de fingir que você é bonita?
- Pode, mas é importante lembrar que uma vez Ever sendo seu motivo, você não poderá abandoná-la, Pettero.
- Abandonar Terrence não está nos meus planos.
- É bom que se lembre disso quando ela partir.
- Sr. Maraunder! Srta. Cindy! Agora não é hora de conversa! – gritou Sr. Aza. Savannah calou-se por um instante, e quando as atenções da turma voltaram ao professor, Savah disse:
- Ele acha que estamos falando alto demais. – explicou.
- O Sr. Aza sabe sobre Grunenwald?! – perguntou Peter, mais um que sabia sobre Grunenwald.
- Se ele sabe? Ele é o braço direito de Zaqueu! – ela exclamou, baixo, para ninguém ouvir.
- Ele... Quem é Zaqueu afinal?
- Você sabe exatamente quem é Zaqueu. É aquele te alertou mais cedo. – ela disse, deixando Peter confuso. Como o que pareceu minutos, o segundo sinal tocou. Era o primeiro intervalo. – Se quiser abrir a carta agora, entenderei. E aposto que Zaqueu também. Mas abra na sala 213, e de preferência, sem Ever, ela não iria embora se lê-se a carta.
- O.k. – Peter avisou, e seguiu para o segundo andar, direto para a sala 213. Destrancou a porta. Aquela era na verdade, uma sala abandonada. Sentou-se numa carteira perto do quadro negro, e abriu o envelope, que dizia:
Reino de Grunenwald – Carta Oficial
Caro Peter, lamento não poder revelar minha real identidade. Porém, quando chegar a Grunenwald saberá quem sou. Preciso alertar-te para os 5 cinco sinais de que a Batalha Final está próxima.
1º — Amero que sairá do coma para lhe ajudar na vitória contra a Távola de Prata.
2º — Ever partirá ao pôr-do-sol do dia 30 de Outubro.
3º — Seus flashes do que acontece em Grunenwald virão com mais frequência, alguns gerados pelos Caçadores de Alma, portanto, concentre-se na compreensão dos pesadelos.
4º — Savah se juntará a você e Amero na sua realidade. Juntos vocês irão enfrentar o resto deste ano.
5º — Conhecerá uma pessoa encantadora. Também reside em Grunenwald e precisa de ajuda. Inocente, você se apaixonará por ela e pensará apenas em ficar com ela. São os Almeaters. Ela só precisa de ajuda, e você deve ajudar.
Peter, esses 5 sinais são vitais. Não deixe de prestar atenção em tudo isso. É de extrema importância que faça essa compreensão. Uma outra coisa essencial, é que não abandone Emma. Sei que ela agora é irmã de “Terrence”, mas na realidade ela é SUA irmã, e está perdida em sua realidade. Precisa trazê-la de volta para Grunenwald. Mandarei outra carta, por meio de Savah, dizendo o dia e o meio exatos de chegar até aqui. Muitos votos de que esteja bem,
Zaqueu M. Ollarias, Rei e Membro da Suprema Corte de Grunenwald.
Peter tinha uma irmã. Ela quase morrera no Trem Fantasma. E estava lá para protege-lo. Peter sentiu instantânea culpa. Correu para o refeitório, para procurar T. Procurou ela em todas as mesas, mas só viu Savah sentada com um grupo de meninas. Imaginou que talvez também soubessem sobre Grunenwald.
- Savah! Precis...
- Savannah! E quem é você afinal? – ela perguntou, dando a Peter entender de que não sabiam de nada.
- Desculpe, confundi você com uma pessoa.
- Tá. – ela disse, olhando Peter de baixo pra cima, de cima a baixo. – Gostei de você. Não quer ir ali comigo? – ela se levantou. E puxou ele pela gola da camisa em V. Dirigiram-se pro mesmo canto onde ela o entregou o envelope. – Pettero, cuidado como fala. Não é porque eu e Aza sabemos sobre Grunenwald, que o resto da classe também sabe.
- O.k., então outra pessoa sabe?
- Não, Pettero. Sou só eu e Aza. – ela deu uma pausa – Afinal, o que quer?
- O que quero? Aquela carta! Eu vou enlouquecer com tudo isso! Eu tenho uma irmã e nem sabia que tinha! O amor da minha vida vai embora e eu terei de lutar com você e Cameron, ou Amero, sei lá! O que Aza é em Grunenwald afinal?
- Ele já foi um grande Cavaleiro do Sul, mas perdeu a felicidade por um Almeater e agora vive nessa dimensão para proteger o escolhido. No caso, VOCÊ!
- Tudo bem, então. Posso saber pelo menos o que levou o reino à batalha? E o que acontece se eu perder ou desistir?
- Você já viu do que Almeaters são capazes. Eles vieram para cá para perturbar aquelas pessoas, perturbar você, Pettero. Aquele garoto que morreu no Trem Fantasma foi morto por um Almeater também. Aza ainda trabalhava no Velho Túnel, tentou impedir aqueles Caçadores de matar a criança, mas era tarde. Aquela morte levou Grunenwald à batalha, Pet. Zaqueu ficou com raiva dos Caçadores, que trabalhavam para ele. Dispensou seus serviços e daí, eles se uniram à Távola de Prata. As consequências se você falhar, será a morte de todas as dimensões. Serviu como incentivo?
- S-s-serviu. – ele disse, gaguejando de nervoso.
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