Grunenwald - Origens De Um Pesadelo
11 Capítulo 11 - A Batalha Final
Notas iniciais
Peter rapidamente avistou Zaqueu, que lutava incansavelmente contra um monstro.
A vista era terrível. Mas não pode olhar por muito tempo, sentiu algo afiado atravessar suas costas. Viu sangue escorrer por seu corpo. Virou-se, e viu uma mulher rindo.
- Despe’Roux! Enfiei uma faca no queridinho Maraunder! – ela dizia. Mas Peter não sentia dor, só uma coisa em seu corpo, agiu rápido, analisou as feições dela. Alta, magricela e cabelos negros como os seus, mas seus olhos eram penetrantes e grandes. Agarrou a adaga com mais força e antes que Despe’Roux pudesse olhar a situação, cortou o rosto da mulher. Que explodiu.
- Matou minha melhor seguidora, Maraunder. Matou Helena Lancelot. – disse o homem alto, de físico magro e cabelos vermelhos tingidos.
- Deve ser o famoso Valente Despe’Roux. – disse.
- Suponho que sim. E não escondo o ódio mortal de sua família.
- Nem eu da sua... Suponho. – disse, quando escutou gemidos, urros e explosões ao fundo, que ainda não tinha reparado.
- Essa faca... Não está lhe incomodando?
- Suponho que não. Posso conviver com ela até te matar.
- Ou não. – ele disse, e soltou uma gargalhada maliciosa.
Mais explosões chegaram ao seus ouvidos. Um tremor no chão indicava que um gigante acabara de cair. Muito bem, Cameron., pensou.
- Não é hora de conversarmos. Tenho de acabar com isso logo, ainda quero matar sua mãe. – disse Despe’Roux, com um sorriso maligno.
- Mas não vai. – na mesma hora, Despe’Roux ergueu a mão e Peter sentiu uma queimação no rosto. Ele levantava os dedos e a cada vez que fazia isso, Peter sentia dor.
- Deathirum! – gritou, e o garoto sentiu seus ossos estalarem. Logo lembrou que Terrence e Savah podiam fazer mágicas, pertenciam a uma linha rara de feiticeiros. Ele é um feiticeiro..., concluiu.
- Não acha covardia fazer uso de uma coisa que o adversário não tem?
- Magia não é covardia. Magia é poder.
- Se é tão poderoso assim, por que não acaba logo com isso? – Peter provocou.
- Como queira. – ele disse, depois de uma reverência estupidamente irônica. – Mortrose! – Peter sentiu sua vista perdendo o foco, estava morrendo. Mas algo dizia que ele era capaz de contornar aquele feitiço, afinal, era filho de Blair e Zaqueu Maraunder. Forçou seus olhos a focalizarem em Despe’Roux.
- Você é desprezível. – disse Peter.
- Igualmente. – Valente respondeu. – Caçadores! – ele chamou, e Peter sentiu sua felicidade sendo sugada pelas costas, como se saísse do enorme corte da faca. Concentrou-se em ser feliz. Pensou em Zaqueu. Pensou na lembrança de sua mãe escolhendo seu nome. Lembrou-se do beijo que deu Terrence. E do dia em que conheceu Savah, e Emma. Até que a lembrança de Bridget veio em sua mente, não sabia se era feliz. Peter, não me leve a mal. Você não me ama. Seu coração é de Ever, da minha irmã., ele pensou. Lembrava que Bree dissera uma coisa do tipo, mas ele estava ocupado admirando seus olhos verdes. Rapidamente sentiu os Caçadores irem embora. Mas eram muitos focos de fumaça. Tinha de acabar com todos eles.
- Pelo visto, foi bem treinado. – disse Despe’Roux. – Mas obviamente, não para resistir a um feitiço meu. – sorriu maliciosamente de novo, Peter já estava ficando estressado. – Tortera! – o garoto viu um lampejo azul escuro, e alguém pulando em sua frente. Era Zaqueu.
- Pai! – gritou. Abaixou-se para olhar pro pai, ver se estava bem.
- Pettero... – Zaqueu disse, estava fraco. – Olhe pra mim. – Peter não conseguia olhar, queria se redimir com o pai, queria ficar com ele, queria poder se desculpar. – Olhe pra mim. – disse, de novo. Peter se sentiu forçado a olhar nos olhos do pai.
- Eu amo você, pai... – disse.
- Eu sei. Eu não fugi. Estava te protegendo. Teria sido pior se eu ficasse.
- Eu sei, pai. Eu sei... – seus olhos se enchiam de lágrimas.
- Espero que um dia você me perdoe.
- Não tenho que te perdoar, você fez isso por mim. Você é quem tem que me perdoar. Fui um filho horrível.
- Não diga isso, filho. – ele disse, estava perdendo suas forças. – Eu quero... um abraço...
- Claro, pai. – e segurou-o, abraçou com todas as forças que tinha. – Não morra. Fique comigo...
- Está tudo bem, Peter. – Peter ouviu essas palavras, e não conteu nenhuma lágrima. Escutou os últimos suspiros do pai.
- Está tudo bem, pai. – o garoto disse. Fechou os olhos do pai. Admirou suas feições cansadas, e viu, que estava sorrindo. Morreu feliz. Ele não podia morrer, tinha que ficar comigo..., pensava. Era horrível a sensação. Mas tinha de acabar com tudo aquilo. Tinha motivos pra acabar. – Você matou meu pai! Matou meu pai! Seu monstro! – gritou, com raiva. Era horrível dizer isso. Mas não podia evitar, nem escapar da realidade, nem do era fato. Agarrou a adaga que tinha caído e apontou para Despe’Roux. Deu vários cortes no rosto do homem, que parecia muito mais decidido a matar Peter.
- Cometeu um grande erro, hoje. – disse. – Seguidores! Matem-no! – e desapareceu. Peter viu várias pessoas vestidas de preto, com cara de zumbis, se aproximando, desejando expressivamente a morte de Peter. Não tinha mais como adiar. A primeira pessoa que se aproximou morreu na hora, com um corte apenas. Várias outras cercavam Peter, Cameron e Savah, que agora estavam com ele.
- Temos mais chance de mata-los do que eles a nós! – gritou Cameron. Resultando em risadinhas femininas parecidas com a morta Helena Lancelot.
- Ele acha que pode nos vencer, meu Rei? – perguntou um dos homens que estavam vestidos de preto, esse, tinha a cara riscada de vermelho.
- Naturalmente, uma atitude digna do falecido Zaqueu Maraunder.
Essa palavras foram demais para a cabeça de Peter, segurando a adaga firmemente avançou para Despe’Roux e cortou sua bochecha esquerda.
- Pettero, não! – gritou Savah. Mas era tarde, ele já estava cortando todas as partes do rosto de Valente. Mas nada acontecia. Ele parecia imune ao suposto veneno.
- Há, há, há, há... – ele ria. – Com essa adaga? Nunca vai conseguir me matar... – ele disse, rindo. Peter ficava irritado toda vez que ele soltava esse tipo de gargalhada. – Mas nós, vamos lhe matar. – Peter viu de relance Cameron e Savah lutando com seus métodos. Cameron, pingava, de impulso, o sangue nos seguidores de Despe’Roux. Funcionava, eles se despedaçavam no chão. E a cada um que se aproximava de Savah, ganhava uma folha de morango corrente goela à baixo. E caíam mortos. – O que está fazendo com meu exército? – agora, parecia assustado.
- Matando. Não é o que você faz? – Peter sentiu uma mão em seu ombro, perfurou-a em instantes, e percebeu que além de gigantes e trasgos, estava lidando com os monstros, que muitos não tinham sido derretidos. Então, teve que enfiar a adaga na pata de um monstro com 2 cabeças, e uma aparência de leão.
- Boa sorte. – disse. E deu uns passos para trás, observando a luta de Peter com o monstro. Finalmente, ele conseguiu achar o ponto fraco do bicho, o pescoço, que ficava no mínimo a 2 metros da cabeça de Peter. Então, ao ver a morte do grande monstro, se deu conta de uma coisa: tenho de enfiar essa adaga em Despe’Roux. Era o que ia fazer, quando a faca em suas costas, começou a lhe incomodar. Estava rasgando seu corpo, não sobreviveria por muito tempo. Mas pareceu a ele, que Savah podia ler mentes, porque ela tirou a faca de suas costas e disse:
- Eu sei o que pretende, e quando terminar, seus seguidores serão explodidos de dentro pra fora, será o fim da Távola de Prata, mas os Caçadores virão. E terá de pensar na coisa mais feliz que puder.
- Tá, certo, entendi. – confirmando, cortou o rosto de vários seguidores que tentavam lhe impedir, e ao fundo, ouvia explosões. Teria de dar uma séria distração para Despe’Roux se quisesse mata-lo. Enquanto cortava o rosto de vários membros da Távola, estava pensando. Depois de muito tempo pensando em ir na cara de pau, decididamente, concluiu que seria suicídio. Então, como iria distrair Valente para logo em seguida lhe enfiar uma adaga envenenada? Não posso ser eu, alguém tem que me ajudar., concluiu, mais uma vez. E se Savah podia ler pensamentos, poderia ler o pedido de distração, já que sobravam poucos membros da Távola, não teria grande diferença. BUM! Uma explosão logo atrás de Valente o distraiu, e Peter reparou no sumiço de Savah. Brilhante, era o que conseguia pensar. Correu em direção à Despe’Roux, que observava o incêndio a sua frente calmamente. Segurou a adaga com força. Chegou perto, e enfiou a faca nele. Ele instantaneamente perdeu o equilíbrio.
- Você não é um vilão muito bom. – disse.
- Isso ainda não acabou. – embora a boca dele espumasse, uma espuma branca e asquerosa que saía de sua boca (a adaga teria raiva?), que escorria até seus cabelos avermelhados, e caía em seus olhos castanho grandes e perigosos. Movendo seus braços fracamente, sussurrou: — Mortabulus... – Peter sentiu uma queimação horrível dentro de seu corpo, incontrolável, caiu ao chão.
- Savah! Amero! – gritou, seus amigos ignoraram os seguidores se contorcendo e caindo ao chão, mas vivos, e correram em sua direção. – Eu... eu vou morrer daqui a alguns minutos. – Savah desabou no choro, sem se controlar, mas Cameron estava firme, mas visivelmente abalado. – Mate-o. – e apontou para o vivo, e cheio de raiva, Despe’Roux. – Faça-o comer as folhas, e ser derretido com o sangue... – perdia a força. Sentiu os olhos fecharem, e se viu, num lugar pacífico, que reconheceu como a escola. Andou, devagar até um banco na frente do portão. Estava limpo, sem cortes. Morrera. Sentou-se no banco, e ficou admirando a sua volta.
- Onde estamos, Peter? – ouviu uma voz à suas costas. Virou-se, e viu Zaqueu.
- Pai! – ele disse, e correu para abraça-lo.
- E então, meu filho, onde estamos? – perguntou, de novo.
- Na minha escola. – respondeu Peter, largando o pai, e se sentando de novo.
- E o que fazemos aqui?
- Não sei.
- Vim dizer à você, que já aprendeu tudo o que tinha de aprender. Seu lugar é em Grunenwald.
- Eu sei.
- Não, não sabe. Sua vida nunca mais será a mesma, terá de ser coroado Rei ou Imperador.
- Eu tenho escolha? Posso escolher o que quero ser?
- Pode. Mas aconselho que mantenha Grunenwald nas suas mãos, e escolha ser Rei. O Império decididamente é liberdade demais para gente como Valente Despe’Roux.
- Entendo. E posso escolher entre...
- Ser Rei ou apenas viver lá? Não. Isso não cabe a você. É sua linhagem. E garanto que será um bom Rei. – ele disse, se sentando.
- Mas, pai... Se eu estou aqui, e vou ter voltar, isso significa, que eu estou vivo?
- É claro.
- Estou sonhando?
- Não. Apenas em um breve devaneio.
- Isso aqui é real?
- Tudo isso é a sua realidade. Aquela é Ever, ela sabe que você não está morto. Veio à sua procura, mas não pode nos ver.
- Por que não pode?
- Porque ela veio procurar o seu amor, aqui. E estamos em uma outra dimensão, onde não há sentimentos como o amor.
- Mas eu... amei você quando chegou aqui.
- Você não pertence a essa dimensão. Nem ela. Vocês sentem, mas não encontram o correspondente.
- Eu a amo.
- Vejo isso em seus olhos.
- Poderei voltar?
- Quando quiser.
- Mas... como?
- Se isso é a escola, talvez deva correr até o seu destino.
- Vou te ver novamente?
- Em todos os seus sonhos. – ao ouvir essas palavras, saiu correndo sem rumo nenhum, mas fixando os pensamentos em voltar para onde estava seu corpo. Sentiu um calor tremendo, e se viu olhando para Terrence.
- Fiquei preocupada. – ela disse.
- Eu te amo. – disse, com sua total sinceridade.
- Eu também te amo, Peter. – respondeu.
- Agora, eu tenho que matar Despe’Roux. – anunciou, se levantando. Agarrou a adaga, novamente, e apontou para Despe’Roux, que ainda tinha a boca espumando.
- Mas, Peter! Nós já damos folhas, pingamos sangue, ele resiste a tudo! – disse Savah, Peter agora reparava nos seguidores que ainda se contorciam.
- Eu sei como mata-lo agora.
Dirigiu-se ao feio e descontrolado Valente Despe’Roux. Estava muito mais cortado e perfurado do que antes. Peter sentia o impulso de deixa-lo morrer naturalmente, sofrendo, mas sabia que se o fizesse, poderia arriscar uma volta por cima.
- Você matou o meu pai! – e enfiou a faca no peito de Despe’Roux. Puxou-a de volta e respirou. Ele continuava pondo espuma boca afora. – Você perseguiu minha mãe! – e enfiou a faca no pescoço do louco, Valente. – Você destruiu a minha vida! – gritou, enfiando a faca no rosto do mesmo. Ele agora, estava se desintegrando. Peter olhou em volta, todos os seguidores estavam sendo desintegrados também.
- Então... acabou? – perguntou Cameron.
- Acabou. – respondeu Terrence, que agora, andava na direção de Peter. – Significa que posso te beijar. – e o beijou. O beijo por qual Peter esperou tanto tempo. Matou todos os remorsos que sentia, e deixou-se levar. Era bom.
- Então, me responda uma coisa, Savah. Por que se Valente Despe’Roux morresse, os seus seguidores também morreriam?
- Porque eles estão selados com o mesmo sangue. É como uma bomba relógio. Quando dá o tempo, tudo se destrói. – ela respondeu.
- Peter, deixe-me cuidar desse seu ferimento. – pediu Terrence.
- Nós vencemos uma guerra, cara. – disse Cameron, vindo cumprimenta-lo.
- Nós vencemos! – Peter gritou, seguido por urros e comemorações.
- Então, Peter! Deixe-me cuidar do seu machucado!
- Mais tarde... – porque ele foi distraído por vários focos de luz. Viu surgindo vários vultos, pensou serem os Caçadores. – E os Caçadores?
- Deixaram Grunenwald pra sempre. – respondeu Cameron. Só então, Peter viu que não eram os Almeaters, eram pessoas se integrando. Primeiro, viu o irmão adotivo de Terrence, Raj.
- Ever! – ele gritou, correndo em direção à Terrence, que o abraçou. – Você está bem? Por que estou aqui?
- Estou ótima, Raj. Porque Grunenwald foi salva. O meu... namorado, Pettero, salvou o Reino.
- Valeu, cara! – ele veio apertar a mão de Peter. Depois, viu o Sr. Aza. Que gritava agradecimentos infinitos a Peter. Em seguida, viu surgir várias pessoas desconhecidas, até que sua vista alcançou Emma, entre a multidão, correu até a irmãzinha.
- Pettero... eu te amo, tá?
- Eu também te amo, pequena. – e abraçou a linda menina de seus cabelos loirinhos e olhos da cor do de Peter. – Tenho uma pergunta pra você.
- Faça.
- Você é adotada?
- Não, maninho, eu apenas não aparento a idade que tenho.
- Como assim?
- Eu tenho 12 anos, Pettero. Mas na outra dimensão, sou uma criança.
- Você É uma criança!
- Não sou não. Sou uma pré-adolescente. – ela disse, cheia de marra. – Mamãe foi embora um ano depois de eu nascer.
- Está completamente explicado. – ele disse, ainda abraçando a pequena Emma.
- Mas eu voltei, agora. – disse uma voz feminina, muito bela e corajosa. Era uma mulher, de seus 40 anos, de seus cabelos negros, como Emma, e com olhos da cor de ambos os irmãos. Era Blair Maraunder, linda, como si só. – Posso ganhar um abraço de meus filhos, que não vejo há tanto, tanto tempo?
- Claro que pode, mãe! – disse Peter, correndo para ela, de mãos dadas com Emma, foi um abraço apertado.
- Está tudo bem, Peter. – ela disse. – E minha pequena Emma! Linda como o pai... E... cadê ele?
- Ele morreu, mamãe. – disse Emma, com naturalidade, mas chorosa.
- Era de se esperar que ele desse a vida por Pettero. – disse, deixando escapar uma, duas, três lágrimas.
- Ele deu a vida por Grunenwald.
- Isso também, naturalmente. Eu o amava tanto. E estive dando uma olhada em vocês por todos esses anos. Ele te deixou pelo mesmo motivo que eu, querido, pra te proteger. Ah... venham cá, meus filhos! – e os abraçou, deixando a cesta de maçãs que carregava de lado, e afastando a capa dos braços. – Eu amo vocês, também.
- Amamos você mais. – disse Emma.
Peter, naquele momento, pensou ver outros fios negros entre a multidão: Bridget Carminne.
- Tenho que resolver uma última coisa. – e se afastou, deixando a família atrás. – Me desculpa por tudo?
- Não precisa se desculpar, meu querido cunhado. – ela disse, no tom sonhador que Peter já conhecia.
- Então, você está de volta. Sua irmã está logo ali. – e apontou para a amada Terrence, ou Ever, seja lá qual fosse seu nome.
Estavam todos ali. Sua felicidade estava ali. Ele estaria, onde sua felicidade agora estava. Teria finalmente, a vida que deveria ter.
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