Grunenwald - Origens De Um Pesadelo

10 Capítulo 10 - Império Maraunder


Notas iniciais
E é aqui. Apenas o começo do fim, ou o fim do começo? Faz sentido! Conheçam um pouco da história de Grunenwald.

Quando Pettero acordou, tudo estava escuro. Não havia nem uma tocha acesa, nem a lareira. Ele tinha a estranha sensação de conhecer aquela sala. Estava deitado num sofá aconchegante, veludo vermelho. Desnorteado, sem a mínima noção de horário. Ficou ali, olhando para o teto de pedra, sentindo um certo calor, mas imóvel. Absorvendo cada detalhe do que tinha escutado a... quanto tempo atrás? Ouvia o tilintar de objetos de metal, agora. Não sabia identificar, sua cabeça ainda estava confusa. Também ouvia passos de um salto tamborilando no corredor de pedra. Cada som era uma tortura para seus ouvidos, que pareciam querer castiga-lo, tudo tinha uma espécie de eco por Grunenwald. Sua cabeça doía cada vez mais, e latejava. Até que ouviu um ruído, uma porta rangendo, como se abrisse. E uma voz familiar disse:

- Eles estão lá fora. Lutando em seu lugar. – era a voz de Ever. A linda, e decidida Ever. Seus cabelos antes tingidos de negro, estavam totalmente loiros, escorridos, e divididos . Usava, no lugar do couro habitual, um vestido de seda azul, um véu por toda a saia, e na parte de cima do vestido, um corpete branco. Ever estava linda, como nunca.

- Há quanto tempo estou apagado? – pergunta.

- Faz semanas. Cheguei há 3 dias.

- Quantas... semanas, exatamente?

- Umas 3.

- Há quanto tempo eles estão lutando?

- A Távola de Prata entrou na sua mente. Descobriu que sua mãe está viva, e que você está vulnerável. Querem a sua morte. Querem a morte de sua mãe, e de Zaqueu.

- Você fala muito estranho para alguém do Havaí, Ever.

- Prefiro que me chamem de Terrence.

- Me surpreende cada dia que passa.

- Eu não mudei nada exceto o cabelo e as roupas. Continuo a mesma, é bom saber.

- Percebi isso quando começou a falar. Mas você não é a mesma, Terrence. Você fala com frieza. Como se acabasse de me conhecer. Não te reconheço, T.

- Eles querem a morte do Império Grunenwald. Querem tomar conta de tudo. – disse ela, como se Pettero não tivesse dito a última frase.

- Império Grunenwald? – pergunta Pettero.

- Sua família é o Império Grunenwald. A família que comanda todo o Reino.

- Você esteve doente, não esteve?

- E se eles vencerem, tudo irá abaixo. Será a queda eterna de G...

- Não mandou notícias em nenhum momento.

- Você tem que lutar, Pettero. Ou será o fim...

- Me responde! – gritou. Sua cabeça estava explodindo. O que houve com aquele “eu te amo” que incentivou tanto a sua vida? Teria ela se arrependido? – Faz meses que não te vejo! O ano está quase virando e você fala comigo como se mal me conhecesse? Está me evitando? Conheceu alguém melhor que o Príncipe aqui e resolveu me tratar como se a gente nunca tivesse se beijado? Foi isso... EVER? – a última palavra foi dita num tom ameaçador. Agora reconhecia o aposento em que estava. Foi onde ele e Ever, ou Terrence, dormiram juntos.

- Não é nada disso, Pet... – ela agora tinha a voz chorosa, e Peter percebeu seus olhos cheios de lágrimas.

- Então o que é? – perguntou ele, derrotado.

- É difícil olhar pra você, e não poder tocá-lo, não poder beijá-lo... Como é difícil, Peter. Mas não posso. Se eu o fizer, vou comprometer a Guerra. Quando você acabar com ela, eu juro, irei aos seus braços. – ela disse. – Mas estamos sem tempo. Savah foi ferida. Amero está lutando desde que a Távola de Prata cruzou o portão. Zaqueu não é nenhum jovem para lutar. Os Cavaleiros do Norte, estão tentando combater os Cavaleiros do Sul junto com Amero, as estátuas de pedra, grande parte foi destruída. Os trasgos, gigantes e as outras criaturas também perdem a força. É duro. Muita gente já foi morta. Perdemos 10 por cento da população. E Emma, ela não está nada bem. Você precisa lutar, Peter. Salve Grunenwald. É o seu destino. – um tom teatral selou seu discurso.

- Farei. Mas não faço ideia de como combater Almeaters.

- Invada-os com pensamentos alegres. Pense na sua felicidade, na sua mãe, na Emma, em mim...

- Pensarei na coisa mais feliz que puder.

- Pegue esta adaga. – e lhe entregou uma faca afiada, com cerras enormes, e o punhal encrustado de esmeraldas. – Ela mata as criaturas da Távola de Prata. Só um arranhão, e é fatal. Mas terá os gigantes e os trasgos. Pingue isto em seus pés. – ela tirou do pescoço um colar, no lugar de um pingente, um frasquinho, contendo um líquido roxo cintilante, perolado. – Sangue de língua de dragão. Também é morte certa, serve de ácido em pele de gigante, e trasgos também. Uma gotinha, a menor delas, derrete o gigante mais monstruoso.

- Você sempre encontra as coisas mais perigosas não é?

- Por acaso, eu conheço uma outra Maraunder, bem inteligente, a sua mãe. Ela sabe o que faz. Mas além de gigantes e pessoas, tem monstros. Enormes, aparência terrível. Contra eles, eu tenho isso. – ela mostrou uma pequena bolsinha de pano. – São folhas de morango corrente, o morango é uma delícia, suas folhas, são torturantes. Causa alucinações, e depois a morte. Nos monstros, só o cheiro causa isso. Sacuda o saco quando estiver próximo de um. Contra humanos, gigantes e trasgos, é preciso fazê-los engolir, o que torna as folhas de morango corrente melhor para os monstros.

- Mas ainda tem os caras da Távola de Prata. Quem comanda aquilo? Quantos eles são?

- Um cara chamado Valente Despe’Roux. São em torno de 200. A família Despe’Roux, antiga e sangue nobre, foi deposta do reinado de Grunenwald, quando a outra antiga e mais nobre ainda família Maraunder. Os Maraunder de 1800 e pouquinha coisa, tomaram o poder de forma repentina e brusca, convenceu a população de Grunenwald da sua descendência direta de uma extinta família O’Accer. Os O’Accer foram os fundadores do Reino de Grunenwald. Eram um casal feliz e unido, rico. Mas sem filhos. Então, resolveram partir em uma jornada longa, e sem parada final. Mas, no meio do caminho, encontraram um território vasto, diverso e perfeito para eles. Fundaram Grunenwald, construíram juntos e sozinhos, cabanas, jardins, pontes, e enfim, chegou a hora do castelo. Era também a hora de povoar o Reino. Chamaram pessoas sem teto para morarem nas cabanas, dariam alimento também, mas em troca da construção do castelo. Robbie e Verônica O’Accer não deixaram a construção nas mãos do povo, ajudaram. E 15 anos depois, na montanha mais alta e curvilínea, o castelo de pedra surgiu. Eles agora tinham um povo grande, os casais das cabanas tiveram filhos, surgiram empregos, estabelecimentos comerciais. Era a hora de ter filhos, Verônica já tinha seus 35 anos. Tiveram o primeiro filho, 3 anos depois, o segundo, 5 anos depois, a terceira. Eram três filhos, pequenos, e Verônica tinha 42, por aí. Decidiram parar. Daniel, Gale e Kathary, eram os três filhos O’Accer, nascidos em berço de ouro. Cada um com seu aposento, recebendo o amor, e a atenção da mãe e do pai. Eram muito amados. Cresceram, o mais velho, com seus 15 anos, decidiu seguir os passos do pai, e ir em uma longa e sem rumo viagem. Foi. A mãe, relutante em deixar ele ir, sofreu. O filho do meio, com 12 anos, novo demais para decidir, fugiu de casa, era sedento por poder, queria mandar. A mais nova, tinha 7 anos, era dócil, a única que tinha ficado, na imensidão e solidão do castelo. A história triste se espalhou por Grunenwald. Estavam mais uma vez necessitados de filhos. Mas Verônica estava envelhecendo, tinha 43 quando deu a luz aos gêmeos Martina e Olívio. Ambos cresceram, e 10 anos depois, quando a agora denominada a mais velha, Kathary resolveu ser florista, e trabalhar nas estufas, cuidando de plantas, mas ia continuar no castelo com a família, o casal O’Accer não teve motivos para reclamar da filha. Martina e Olívio tinham 10 anos, viviam entre tapas. Até que Martina se tornou fria, e cruel. Olívio continuou o bom menino. A altura em que Kathary se casou, com Robert Maraunder. E foi viver em uma cabana luxuosa providenciada pela família de Kathary. Restava os gêmeos, com seus 18 anos, para terminar de criar. Mas o casal estava muito doente, envelheceram rápido demais. Vieram a falecer no ano em que Martina e Olívio completaram seus 20 anos. Martina tomou o poder, com Daniel pelo mundo, Gale fugitivo, e Kathary Maraunder não querendo o poder, o gêmeo nascido primeiro, Martina, tinha de tomar o poder. Mas era cruel, castigava a todos, não tolerava servos ingratos. Foi assassinada. Olívio também não queria o poder. Casou-se então, com uma moça do Reino. O castelo ficou vazio por anos, até que chegou a notícia do falecimento de Gale. Ou Kathary tomava o poder, ou outra pessoa o fazia. Pressionada, fugiu com o marido. Para longe. Daniel voltou mais de 20 anos depois de sua partida, casado e com 3 filhos. Mas assumidamente dispensava a coroa. Sua família seguiu em frente, pelo Reino, e finalmente Olívio conheceu seu outro irmão. Se tornaram grandes amigos, inseparáveis. Os últimos O’Accer legítimos por ali. Era agora ou nunca, ou um dos dois assumia o cargo, ou o Reino iria parar nas mãos da família mais rica de Grunenwald. Foi parar nas mãos dos Despe’Roux. Que tinham o hábito de se reproduzir e matar, a mãe (ou pai) da criança. Se fosse homem, matava a mãe, pra não perderem a linhagem nobre. Foram gerações no comando dos Despe’Roux, um péssimo Império. Eram tão cruéis quanto Martina. Cresceu então, o jovem Valente Despe’Roux, sem mãe. Tornou-se o melhor, mas ainda assim cruel, da família. Nunca chegou a assumir o poder. No dia de sua coroação, a filha e família de Kathary Maraunder retornou. Isso faz uns 20 anos. Blair Maraunder, e seu filho bebezinho, Pettero, com seu marido, Zaqueu, que tomou seu sobrenome. Chegaram a tempo de interromper a coroação, e provaram descendência direta. Blair, Zaqueu e Pettero foram coroados o Império Maraunder, ou, o Império Novo. Valente jamais perdoou Grunenwald pela humilhação, e nos confins da Floresta Oculta, formou a União Távola de Prata. Blair precisou proteger o filho, entregou a coroa ao marido amado, e saiu para longe com os tios, Daniel, já um senhor beirando a morte, e Olívio, um pouco mais jovem. Deixou Pettero sob responsabilidade de Zaqueu, que criou o jovem menino. Até que um dia, ele desapareceu. Zaqueu sabia onde ele estava, mas se recusou a dizer. Estava sozinho, no imenso castelo O’Accer. E um dia, ele jurou, tudo aquilo iria mudar. – ela deu uma pausa, finalmente. Respirou um pouco, e Peter observou suas feições preocupadas. – Essa é sua história. E ela está mudando. É de você que Valente deve se vingar, depois que matar sua mãe, e Zaqueu.

- Mas não vou permitir. – saiu, segurando o sangue, a adaga e as folhas, em direção ao famoso porão, onde sabia que Savah estaria lhe esperando. Às suas costas, Terrence fez mais uma mágica, e desapareceu. Andou muito tempo até encontrar o caminho certo, mas quando encontrou a placa “Porão”, com uma seta indicando uma escada comprida, em que não podia ver o final, só uma escuridão no limite da vista. Parecia suspeito. A escuridão o amedrontou. Não enxergava nada. Olhou pro lado, tinha uma tocha que iluminava o corredor. Mas não tinha como segurar, estava carregando os itens de Terrence. Deu um jeito de guardar tudo no bolso, de um jeito que não iria cair. Pegou a tocha com muito cuidado para não se queimar. Com ela firma na mão, pisou no primeiro degrau. A tocha iluminou um a mais no alcance de sua vista. Foi descendo, e a medida que descia, sua vista alcançava mais degraus. Porém, quando estava no que lhe parecia apenas o início da escada, sem fim, a porta do corredor, ainda visível, bateu. O barulho foi estrondoso, e agora, os degraus acima de Peter estavam escuros, só enxergava a escada a sua frente. Andou mais um pouco, até a escadaria deu sua primeira volta, parecia não terminar, e as curvas eram abertas, realmente parecia não ter fim. A tocha estava se apagando e ele se sentiu obrigado a descer cada vez mais rápido. Andou por aproximadamente 2 horas, em sua mente, tempo suficiente para a Guerra terminar, e ele não estaria nem escutando, era sufocante. Mas quando saiu de uma última curva, finalmente pisou no chão. Tochas se acenderam por todo o lugar. Era grande, espaçoso, tinha uma sala central e várias portas. Exatamente como tinha visto em seus flashes. E lá estava ela, muito ferida, com um olho roxo, disse:

- Achei que ficarei dormindo até a Guerra acabar. – Savah, estava deitada numa maca.

- A Guerra não vai acabar até eu matar Valente Despe’Roux. – ele disse, sentindo um impulso.

- Terrence voltou, não? – perguntou.

- Voltou. Me deu isso. – ele apagou a tocha e colocou sobre uma mesa. Agarrou as coisas no seu bolso, com cuidado para não se cortar com a adaga. – Isso – e apontou para o frasquinho numa corrente. – É sangue de língua de dragão, uma espécie de ácido que derrete pele de trasgos e gigantes.

- Bem útil. Eles são péssimos de se ferir.

- E essas aqui – lhe mostrou o saquinho de folhas. – Folhas de morango corrente. Fatal para os monstros, só sacudir o saquinho, e é morte certa.

- Isso pode ser a sua vitória, se souber como usar. Eu sei usar isso. Costumava matar monstros na Floresta Oculta.

- Matava monstros? Interessante...

- Então, e a Távola de Prata?

- Vamos usar isso. – e lhe mostrou a adaga, ficou encantada. – Uma adaga. Um corte, e a pessoa morre. Acho que a cerra é envenenada. Ou alguma coisa do tipo.

- Deixe-me ficar com as folhas. Eu faço isso com você.

- Tem certeza? Está muito ferida.

- Eu sei disso. Mas nenhum desses cortes me impede de sacudir e amassar folhas.

- Não está doendo? Ainda está sangrando...

- Confia em mim, Pettero.

- Confio.

- Ótimo. – e arrancou o saquinho das mãos de Peter.

- Mas ainda assim, usar a adaga e o sangue ao mesmo tempo vai ser difícil. Dê ao Amero. Ele sabe como fazer isso sem ser derretido.

- Falando de mim? – perguntou a voz de Cameron.

- Amero! – Savah saiu correndo, disparou até Cameron, com seus cabelos desgrenhados, e o beijou. Eles ainda estão fazendo isso?, pensou Peter.

- E então... do que falavam? – perguntou, depois que Savah o soltou.

- Que precisamos de alguém ágil pra respingar isso nos gigantes e trasgos. – disse Peter, observando os cortes profundos e hematomas pelo corpo do amigo.

- Isso é comigo. Não é respingar, é assoprar. – ele tirou a corrente do frasco, e assim, a rolha que tampava o comprido frasco de líquido roxo. Assoprou o lado de fora do frasco, e uma gota de sangue saiu do mesmo, caiu sobre o chão, que derreteu e formou um buraco, grande, um buraco grande e fundo, que Peter achava caber um dos gigantes dentro. – Viram? Sou profissional nisso.

- Agora, me resta a adaga. Pelo visto, vou ter que ficar frente a frente com Despe’Roux.

- Pelo visto, vai. – Cameron disse.

- Como foi que saiu de lá? – perguntou Savah, reparando em seus machucados.

- Me fingi de morto por Gargamel Lazoüir, depois de um tempo, vi que ninguém estava reparando em mim, e fui me arrastando até a entrada o castelo.

- Brilhante. – disse ela.

- Podemos ir? – perguntou Amero.

- Agora. – Peter disse, determinado, com a adaga em mãos. Saíram em direção a porta da escadaria. Peter pegou a tocha, apagada. – Como fazemos pra acender. – Savah somente passou a mão por cima, e o fogo surgiu. – Valeu. Foram andando. A volta até a porta do castelo pareceu mais rápida.

- Chegamos. – anunciou Savah. Peter ergueu o braço, e de fato, era a porta pro corredor. Abriu, e saiu. Colocou a tocha em seu suporte, e foi correndo com Savah e Cameron atrás. Chegaram até um portão enorme, que se abriu sozinho, era a ponte do desenho. Tudo estava de fato calmo. E estranho. Não tinha sinal de luta. Até que...

- GRRRRR... – um grunhido, ou rugido soou da parte de trás do seu corpo. Um trasgo estava ali. Verde, feio e retardado. Segurando um bastão. Começou a balançar o enorme bastão, que quase acertou a cabeça de Peter.

- Cameron! – gritou pelo amigo, que na mesma hora, derreteu o enorme trasgo. Dali em diante, várias pessoas vestidas de preto surgiram, monstros enormes e mais trasgos e gigantes estavam lutando com a população de Grunenwald.

Notas finais
Finalmente: a Guerra! Todos que esperavam por isso agora podem ter!