Growing Pains

1 Para você


Notas iniciais
Oláaa aqui estou eu de novo escrevendo essas notas porque eu perdi a primeira e fiquei muito brava. Essa fic vai ser postada no SS com um user igual ao meu mas é de fandom. Mais tarde atualizo aqui com o link caso queiram ler.
Eu adorei escrever sobre essa fic foi muito interessante escrever e pessoas que leram disseram que realmente é interessante. Então não sei.
Leiam até o final apesar de que a fic é death e dark-fic compensa ler tudo.
Espero que gostem e nos vemos la embaixo.

Talvez o brilho dos seus olhos ou de seu sorriso tivesse me chamado atenção na primeira vez que te vi naquela festa. Seu jeito nervoso no nosso primeiro encontro resultando minha blusa manchada por um líquido frio, me fez perder a noção de tempo só observando se desculpar. As noites em claro trocando mensagens carinhosas com você, talvez fossem a melhor parte do meu dia. Seu corpo andando em minha direção até ao altar com um vestido roxo não-clichê, como dizia, comprovasse que era a mulher certa. Aquele resultado tão impactante acabando com as chances de montar uma família, e você disse que eu deveria estar ao seu lado sempre. Como se todos esses momentos e significados se perdessem, aqui estou eu observando o céu se escurecer aos poucos do outro da janela do hospital.

Pequenas gotículas de água apareceram no vidro, em um intervalo pequeno de tempo, o chuvisco virou uma chuva forte. Até os céus pareciam compadecer com meu humor e a situação que eu estava passando. Era deveras reconfortante, mas sabia que alguma hora o tempo abriria e apareceria o sol entre aquelas nuvens escuras, até mesmo a chuva encontra sua luz no final do túnel.

Aquele lugar frio com um cheiro inconfundível é de longe o meu maior pesadelo, poucos foram os momentos em que a visitei e quando o fazia, normalmente era por raríssimas exceções. Em nenhum momento eu hesitei em estar ao seu lado dia após dia nesse lugar, ver você definhando e aos poucos perder sua vitalidade, Elisa, você não deveria ter sido tão cruel comigo…

— Senhora Fornace? – Senti uma mão tocar meus ombros e quando me virei, só encontrei aquele olhar de pena da enfermeira – Já pode ver sua esposa.

Nunca desejei tanto que fosse apenas uma frase comum, uma frase que indicasse felicidade, qualquer coisa além daquele tom triste e a certeza de não eram boas notícias. A minha vida toda eu lutei para ser forte, lutei pelo nosso amor, lutei contra esse terrível câncer seu ao seu lado, lutei para controlar as lágrimas que eu jurei não derramar para você, amor. Desculpe, eu não sou tão forte como aparento e perder você, sentir sua pele morna contra minhas mãos e aqueles olhos fechados que jamais voltariam a se abrir, não foi fácil.

~.~

Primeiro dia sem você

Hoje às 10:00 foi seu enterro, Elisa, eu não sabia o que fazer ou dizer para seus pais. O que eu falaria? ''Sua filhinha não está mais entre nós, sinto muito''? Ninguém sabia o que fazer na verdade, eles estavam sofrendo tanto quanto eu, via nos olhos deles além da vermelhidão de tanto chorar a verdadeira dor de perder uma filha.

Foram tantos cumprimentos e tantas pessoas, que na maioria das vezes nem conhecia, vi hoje e todas carregando aquele olhar de pena. Eu não precisava da pena dos outros, sabia que tinha perdido minha esposa e todos me olhavam assim. Senti-me sozinha, no meio de tantas pessoas, minha bolha de tristeza só aumentou e o sufoco apenas aumentou.

Não trabalhei hoje e mesmo que eu fosse, seria imediatamente mandada para casa. Não queria conversar com seus pais ou com nossos amigos, eu precisava de apoio… Precisava de um ombro, e você costumava ser o meu e isso pode soar egoísta, mas não queria que ninguém naquele momento fizesse o seu papel.

Não consegui comer nada o dia inteiro, tampouco voltar para casa. Como voltaria para o lugar que mais me traz memórias suas? Eu ainda não estou pronta para enfrentar isso e não sei quando eu voltarei. Não gosto de ver essa figura fraca de mim mesma, mas não sabia qual rumo tomar. Você tirou meu chão.

Decidi que dormiria em um hotel qualquer hoje. Talvez amanhã eu vá para casa, não sei. A cama de casal está vazia ao meu lado, acho que para sempre estará assim. Nunca me imaginaria assim, jogada em uma cama de casal sozinha sem ter comido nada o dia todo. É complicado.

Sinto sua falta, amor.

Segundo dia sem você

Tive uma grande decepção, queria que tivesse sido verdade. Quando acordei, mantive meus olhos fechados sem os abrir e ouvia movimentos pelo recinto, imaginando e agradecendo que tudo tinha sido só um sonho e que estava comigo. Era somente uma faxineira qualquer entrando no quarto do hotel e saiu quando viu que eu ainda estava aqui. Devia estar com a porta aberta.

Minha imagem no espelho refletia uma pessoa acabada, cabelos totalmente desgrenhados e olheiras profundas, noite cheia de pesadelos era o motivo. Tomei um banho demorado, deixando a água escorrer pelo meu corpo e molhar meus cabelos, observando a parede branca do banheiro, não pensava em nada. Dez minutos sem pensar foi um presente dado a mim, uma paz pequena em meio ao caos.

Meu celular estava cheio de ligações perdidas e mensagens dos nossos amigos, sei que eles estavam preocupados comigo e o fato de eu não atender nenhuma ligação não ajuda em nada. Eu não estava preparada para nada, tampouco para lidar com eles.

Fui corajosa nessa tarde e decidi enfim ir para casa. Posso dizer agora que paguei com a minha língua em implicar tanto com a Rafaela, sua melhor amiga, dizendo que era uma estraga prazeres. Mas ela estava ali sentada no nosso sofá, esperando sabe se lá quanto tempo e simplesmente me abraçou quando me viu chegando.

Pouquíssimas foram as vezes em que eu chorei muito, mas nesse dia, naquele abraço tão reconfortante, eu chorei por tudo, pelo peso de uma perda, por me sentir sozinha, por você não estar ao meu lado, por voltar para a nossa casa e saber que agora era só minha. Eu chorei e ela em nenhum momento se afastou.

Quando enfim me acalmei, ela fez a janta e colocou nosso colchão de casal na sala. Nesse segundo dia, com alguém do meu lado e me confortando, foi uma noite sem sonhos. A dor não tinha passado, ela não tinha sumido, mas naquelas horas ela apenas se tornou suportável.

Desculpe-me por chorar, amor.

Terceiro dia sem você

Rafaela logo de manhã teve que ir trabalhar e como forma de se despedir, deu um beijo na minha testa, dizendo que ligaria de noite para saber se estava tudo bem. Meu orgulho não me permitiu pedir, mas intimamente desejei que ela ficasse.

Eu estava comendo, ou tentando comer, quando alguém tocou o interfone. Você estaria surpresa caso estivesse presente, porque eram meus pais. Sim, aqueles que viraram as costas quando contei que ia me casar com você, aqueles que não ligaram uma sequer vez para saberem como você estava durante seu câncer.

Sei que me bateria por eu ter permitido que eles entrassem, mas naquele momento eu ao menos queria ver aquele rosto materno e ouvir ao menos algumas palavras de consolo daqueles que me geraram. Uma frase de fracos? Talvez.

Fazia exatamente cinco anos que não os via mais, sei que você não era a culpada por me afastar da família e realmente não era e nunca irá ser. Quando fiz minha escolha sabia que era 8 ou 80, ficar com o amor da minha vida ou ficar com uma família preconceituosa. Sim, eu fui egoísta e preferi sim minha felicidade.

Mesmo no auge dos meus trinta e seis anos, dona Thaís sempre me tratava como se fosse criança, era algo normal de uma mãe, e naquele momento em que ela veio me abraçar, eu não liguei a mínima sobre esse costume e retribui o abraço fortemente. Meu pai apenas chegou perto e levantou meu queixo dizendo que estava aqui. Não me senti desprotegida ao lado deles.

Lis, como eu gostaria que visse essa tarde e ficasse feliz. Eles estavam ali, por um dia só, mas estavam e eu não derramei nenhuma lágrima, decidi que seria forte como meu pai sempre dizia para eu ser. Naquela tarde me permiti ser uma criança, exigindo os mimos dos pais. Quando fui dormir, foi apenas mais um dia sem sonhos.

Permiti-me ser forte, Amor.

Quarto dia sem você

Não tinha ninguém ao meu lado hoje na cama quando acordei, acho que por uma fração de segundos pensei que você estava lá embaixo fazendo o café da manha como todo domingo, quão idiota eu sou… Estou sozinha e sem mais ninguém na casa.

Nossas amigas... Eu sempre disse que elas eram um barato. Bárbara com seu incrível humor e piadas sem graça, Ana Clara com sua simpatia e calma contrastando com sua namorada, a humorista do grupo, Carla e Jacqueline eram a incrível amizade colorida mais sentimental há mais de dez anos. Eu as adoro.

E elas me levaram para fazer um piquenique, lê-se, obrigada, mas sair da nossa casa tirou aquele sufoco de mim. Elas sabem me subornar, bolo de chocolate e suco de manga, todos que me conhecem sabem que eu não resisto quando me oferecem. Elas são umas porcarias.

Ocorria tudo bem, até dei risada de algumas piadas da Bárbara e em alguma hora guardei minha aliança no bolso porque minha mão estava lisa e grudenta por ter derrubado suco de manga nela. Como eu odeio ter memória fraca, Lis, eu estraguei tudo.

Eu decidi jogar vôlei com as meninas e esqueci por um momento daqueles sentimentos ruins. Nunca fui uma boa jogadora, já era um milagre eu acertar a bola, mas tampouco ligava e continuava a jogar. Até que prestei atenção na minha mão esquerda…

Achei que tinha perdido a aliança, esquecendo que ela estava no meu bolso, parei o jogo e apenas gritei que tinha perdido isso e apenas me agachei procurando na grama algo dourado. Quando não achei, apenas esperneei e chorei insistentemente como criança quando não ganha um doce. Todas me olhavam com pena, Elisa, claro, era somente a viúva desesperada atrás de uma aliança.

Quando tateei meu bolso em busca da chave do meu carro, percebi que a aliança estava ali. Não tinha coragem de olhar nos olhos de nenhuma e como uma covarde sem saber o que dizer, corri sem olhar para trás até meu carro. Senti vergonha de mim mesma. Quando dormi, foi uma noite de pesadelos…

Eu não estou pronta para deixar você partir, amor.

Quinto dia sem você

Decidi que hoje seria o dia em que voltaria a trabalhar, aquele dilema de acordar cedo e ir para o guarda-roupa pegar uma roupa social. Não consegui olhar na direção das suas roupas, mas o cheiro seu estava presente em todo o closet. Você tinha um cheiro adocicado, como sentia falta dele…

Acho que o mais difícil de ir pro trabalho não eram meus colegas de trabalho e sim o fato que eu e você trabalhávamos juntas. Éramos advogadas em um escritório de advocacia, mas de diferentes áreas. Adorava trabalhar com você, mas agora penso que isso se tornou bem difícil.

Papeladas aqui, telefonemas ali, conversas com cliente lá, como coisas tão comuns no meu dia se tornaram tão forçadas? Sentia que não estava bem fazendo isso e tudo era excessivamente cansativo e monótono para uma coisa que eu amava fazer.

Toda vez que eu conseguia, olhava para sua mesa, agora, vazia e por uns segundos uma expressão triste tomava meu rosto e pensava nos nossos momentos, mas apenas balançava a cabeça e tentava manter minha mente longe.

Nossos colegas tentaram fazer meu dia mais feliz, sempre conversando comigo e fazendo piadas. Não gostava de ser falsa, mas hoje todos os meus sorrisos eram forçados e as risadas eram automáticas. Tudo estava muito sem graça.

Lembra daquele velhote safado, nosso cliente, Lis? Ele me perguntou de você hoje e eu não consegui dizer nada. O que eu falaria? ''Senhor, minha esposa faleceu há poucos dias e aqui estou''? Não seria o certo, então sorri dizendo que em outro momento explicaria e me despedi dele.

Aquela função que eu amava tanto exercer pareceu ser apenas algo chato e diversas vezes em que estava em minha mesa, eu quase dormia. Complicado admitir, mas sem você aqui tudo se tornou sem sentido, sem vida, cheio de memórias, claro, só para mim porque o resto seguiram suas vidas tranquilamente e faziam seu melhor, ou deveriam fazer.

Quando cheguei em casa, apenas me despi, colocando a roupa em cima da cadeira e fui tomar um banho para me limpar. Nessa noite, agarrada a uma blusa sua, eu dormi pacificamente e sem sonhos, apenas com o seu cheiro adocicado.

Eu não deveria ser tão dependente de você, amor.

Sexto dia sem você

Hoje era o dia que visitaria seus pais, não tínhamos combinado nada, mas sabia que eles estariam em casa porque ambos tinham folga nesse dia. Eles são ricos realmente, por serem dois médicos me permitia afirmar que eram. Um pouco arrogantes, mas trouxeram você ao meu mundo, então eles mereciam meu respeito.

Lá estávamos nós três sentados naqueles sofás sofisticados. Não me sentia confortável em um lugar tão alto padrão, vinha de uma família mediana que nunca gostou de esbanjar suas riquezas, eu era reflexo disso e você apoiava.

Senhora Paula era uma mulher com uma seriedade assustadora e dificilmente alguém conseguia tirar sua seriedade. Senhor Marcelo tinha sua simpatia, mas seu humor, muitas vezes negro, me deixava sem graça. Amor, se você estivesse naquela sala vendo aquela senhora encolhida e magra e aquele senhor com aquele olhar tão triste, estaria chorando. Eles perderam o brilho dos olhos deles: você.

Não esperaria que eles jogassem a culpa de você ter morrido sobre mim, o fato de ter se tornado rebelde, ter te magoado tantas vezes, não poder os dar netos como tanto desejavam. Eles o fizeram e em choque, eu nada fiz. Ouvi-os dizendo palavra por palavra, quieta, aqueles senhores que eu tanto respeitava estavam na minha frente dizendo coisa cruéis. Eu fui um monstro, Lis?

Mas eu sabia que isso era mágoa, isso era desespero, era dor, então apenas me aproximei de sua mãe e ela levantou-se para dizer algo, não era algo e sim um tapa no meu rosto bem-dado. Doeu isso? Sim, doeu muito emocionalmente.

Não a culpe, amor, ela não sabia o que fazer e naquele momento pensou só nisso, perdoei-a no momento que ela fez isso. Como forma de retribuir seu gesto, apenas a puxei para um abraço bem forte sem a permitir sair dele. Paula apesar de resistir, chorou no meu ombro, tentando tirar um pouco da dor que sentia nesses dias. Dormi uma noite de pesadelos, mas meu último sonho foi feliz…

Essa tristeza estava nos sufocando, amor.

Sétimo dia sem você

Faz uma semana que você partiu, amor. Não sei como consegui aguentar isso. Eu, Celeste, nunca imaginei ser tão forte assim. Dirigir até aquele lugar que no primeiro dia sem você foi o motivo de todos os meus pesadelos me causou arrepios até no fundo da minha alma.

Eu estava somente com um buquê de rosas vermelhas que você tanto amava, tinha que deixá-lo sobre seu túmulo. Nada fiz além de observar as palavras ''Elisa Moraes Fornace'', ler seu nome tão cedo em uma lápide era uma realidade complicada.

Não contei quanto tempo fiquei olhando para sua lápide, mas quando parti deixando as flores, uma tristeza avassaladora caiu sobre mim e a vontade de chorar foi imensa, mas segurei as lágrimas para não parecer fraca. Mas eu estava…

Voltando para casa, decidi colocar uma música no carro para diminuir a tensão e prestei atenção na estrada. Estava chovendo e a visibilidade não era das melhores. Como não gosto de pegar estrada, amor... Mas lá estava eu.

Tudo foi muito de repente, em um instante um carro foi para a pista contra-mão e em seguida, uma forte luz veio sobre meus olhos. Não dava tempo de desviar e aquele caminhão vinha de encontro ao meu carro e apenas fechei meus olhos.

A definição de morrer é bem diferente quando se está morrendo. No meu caso, eu não senti nada ou pensei em nada. Sabia que estava morta, uma batida de frente com um caminhão grande era fatal. Em um instante, senti meu corpo flutuando e nenhum peso da gravidade me puxando para baixo.

Quando abri novamente meus olhos, não era o mesmo cenário de um caminhão vindo na minha frente. Era uma vista clara, não conseguia definir o que era, mas ali bem ao longe tinha uma pessoa sentada encostada em uma árvore. E eu bem conhecia essa pessoa…

Eu te vi, amor.

Com você

Você está deslumbrante como sempre, sem nenhum sinal da doença antes na vida que te matou. Usava um vestido florido e uma sapatilha. Não tinha percebido minha presença, então aos poucos me aproximei do que até o momento achava que fosse uma ilusão.

— Lis? – Perguntei, receosa pela resposta – É você?

Para minha total surpresa, você olhou na minha direção e aquele sorriso que tanto senti falta estava no seu rosto. A pessoa que eu mais amo na minha vida toda estava ali na minha frente e eu só conseguia sorrir bobamente…

— Enfim chegou, meu amor – Sua voz naturalmente rouca chegou aos meus ouvidos como o som mais bonito da Terra, bom, no Céu – Estava te esperando.

Nada respondi a você, apenas pulei sobre você e por ali fiquei observando atentamente seu rosto com um sério medo de que a qualquer momento desapareceria e tratei de guardar cada mínimo detalhe seu.

— Boba como sempre – Seu rosto sereno também observava o meu como se tivesse com saudades – Devemos ir agora.

Nenhuma pergunta era necessária, somente tínhamos que atravessar aquela ponte que separava-nos de sabe se lá o que. Nos levantamos e de mãos dadas seguimos em direção a ela.

Eu estou feliz, amor.

Notas finais
Foi uma fic bem pesada mas acho que fechei com chave de ouro. Não sei...
3 pessoas disseram que choraram no final da fic, então já peço desculpas se acontecer com algum de vocês, kkkk.
Eu amei escrever e muitas pessoas que leram tambem gostaram. Se vocês gostaram é sempr bom receber comentarios, acompanhamentos ou favoritos.
Espero que tenham gostado.
E agradeço a linda da AnaBBC por betar minha fic, sem ela não seria nada aushuashua.
Beijundas da Nahu
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!