Notas iniciais
Pequeno também mas não está tãão ruim ;)

Voltei correndo para casa. Depois daquela cena não conseguia ficar mais nem um minuto naquele lugar, meu coração batia tão forte, que parecia saltar pela boca, minhas pernas tremiam tanto que tive que me apoiar nas paredes para conseguir ficar de pé. Meu rosto estava tão branco quanto a menina no balanço. Subi as escadas e fui para o meu quarto. Ele estava tão arrumada que eu mesma me espantei e por um segundo esqueci o que acontecera.

Deixei o livro na estante e fiquei analisando-o. Era antigo, com capa dura e folhas amareladas, sua história é de um terror e romance envolvente, mas uma coisa estava martelando em minha mente: Nas primeiras paginas a história relata os mesmos fatos desta tarde. Mas foi apenas uma terrível coincidência.

Até este momento não havia percebido o quanto estava suja, não era muito mas era o suficiente para obter uma aparência nojenta. Após o banho me deitei para relaxar um pouco, não conseguia dormir com a imagem daqueles olhos negros e o sorriso sarcástico daquela menina me atormenta a cada piscar de olhos. Decidi que ficar deitada aqui não resolveria nada. Peguei um casaco de chuva e galochas para não ficar muito enlameada.

Voltei para a arvore onde se encontrava o balanço. Tudo lá se encontrava como antes, exceto por uma pequena caixa em cima do balanço, a chuva não estava forte o suficiente para derruba-la e a árvore formava uma proteção contra os grossos pingos. Cheguei mais perto e a peguei. Ela era leve e de madeira, uma madeira que brilhava, a fechadura era pequena e muito bem detalhada, parecia ouro. Me assustei quando a abri e fez um baixo “click”, mas mesmo assim meus braços se arrepiaram, Por dentro a caixa era mais bela, ela era revestida com um veludo vermelho.

Havia somente um urso de pelúcia marrom com a aparência horrenda. E em suas mão havia um pequeno papel escrito “HELP ME".

Corri até em casa, e analisei melhor a caixa. No fundo havia as iniciais "L & J" entalhadas, e a sua volta um coração um pouco mal feito. O que seria isso? Por que isso estaria nas minhas mãos?

Ouvi o bater da porta e passos vindos da sala. Guardei a caixa em uma das gavetas velhas e desci. Minha mãe estava jogada no sofá tentando ter um momento de descanso. Fui para a cozinha, meu estômago estava gritando ja de tanta dor e fome. Peguei um pedaço do bolo que estava em cima da mesa e um copo de suco.

Me servi, saboreando cada pedaço como se fosse o ultimo. Ouvi um barulho na janela. Me virei mas nada. Foi apenas uma folha. Voltei a prestar atenção em apenas minha fome que não cessava. Mais um barulho. Definitivamente havia algo ali. Fui ver o que era. Abri a janela e me apoiei no parapeito. Olhei profundamente para frente em ireção a floresta densa e escura, ao longe pude ouvir uma coruja. Olhei a minha direita mas como antes nada. Virei-me para esquerda e o susto tomou conta. A garota me encarava com aqueles olhos negros e a pele mais empalidecida que antes. Com o pânico de tentar sair dali e fechar a janela acabei batendo minha nuca.

- Ah droga!

Sai dali e corri pra cozinha novamente. Minha respiração estava ofegante e meus pensamentos pareciam mais um burburinho. Virei me e olhei para a mesa, onde haviam apenas um prato e copo igualmente vazios, um guardanapo, uma garota pálida sentada de pernas cruzadas e ... Espere! O que? Fechei meus olhos e me fiz acreditar que era tudo uma ilusão. Mas no fundo eu sabia o quão verdadeiro isso tudo era. Apenas respire 1, 2, 3 ... Abro-os novamente e um grito é o que sai de minha boca. o medo tomou conta mas minhas pernas não seguiam meus comandos, elas apenas continuavam paradas, grudadas! A garota pálida, como sempre, estava em pé a 30 centímetros de distância. Seus olhos eram hipnotizantes, os cabelos sobre os ombros eram enormes e tão loiros que entravam em perfeito contraste com sua roupa.

- Luna, o que houve? Está tudo bem?

Minha mãe apareceu na porta de repente, sufocante, um pouco apavorada digamos assim. Olhei na direção da garota e seu indicador estava sobre a boca demonstrando um silencioso "shh". Se não fosse pelas órbitas negras que eram seus olhos, e os machucados e sua face, eu correria até ela abraçaria e a mimaria como uma garota dócil e frágil que precisa de cuidados.

- O que você tanto olha nesse canto? — Espere o que? ela não está vendo a garota? Mais confusão, impossível!

- Nada. Eu apenas pensei ter visto uma aranha. Está tudo bem volte para seu descanso.- Dei um sorriso não muito sincero e ela deu meia volta.

Olhei novamente a procura da garota mas nada. Ela havia sumido. Na verdade eu podia senti-la. Olhei pela cozinha a procura dela e me deparo com seu reflexo em todos os lugares, nos armários, nos copos, janelas, no azulejo.

- Luna...

Sussurros e mais sussurros sempre meu nome e a palavra "Ajuda". Estou começando a me confundir tanto. A todo momento é apenas "ajuda" aparições mas nada de me dizer o motivo, qualquer coisa além disso já me ajudaria e muito!

- Ande pela floresta. Você saberá o que fazer quando chegar lá!

Seus reflexos sumiram A unica coisa deixada para trás foi a inebriante brisa e o pensamento de que agora eu entrei e para sair tenho que continuar.

Notas finais
Até o próximo! ;) #xoxo