Grito! (silêncio)
1 Nós, Eu, e o Estado
O Estado roubou as vidas, consciências
E inconsciências de meus irmãos homens,
Mulheres: Humanos!
O Estado inventou muita coisa,
E enquanto inventava, desinventava o homem;
Quando inventaram o dinheiro,
Meus irmãos homens, mulheres – Humanos!
Embarcaram na onda do consumo
E naufragaram no mar da alienação...
No fundo do mar, meus irmãos assistem TV,
Compram roupas, e plastificam suas faces;
Eu, só, em uma canoa cambaleante,
Remei às pressas rumo à marés bem calmas,
Cujas águas límpidas revelam verdades
Inexpressáveis em meus versos, e que,
Só quem resistir as bajulações do Netuno Estatal,
Poderá ver:
Poetas mortos, músicos mortos,
Artistas, loucos e crianças precocemente mortas
Impondo rigidamente sobre os que lá habitam:
O dever constitucional de ser livre,
De sentir, de fazer poesia, música, teatro
E cirandas em paz!
Oh! Como lamento as vidas, consciências
E inconsciências de meus irmãos homens,
Mulheres: Humanos! E vos digo:
“Libertem-se do Estado! Que esse é contra a abolição da escravatura!”
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