Grito! (silêncio)
3 Vou destruir o mundo!
Eu vou destruir o mundo
Começando pelos espelhos...
Depois vou furar os olhos,
Puxar as línguas, obstruir os seios,
Costurar os ânus, os ventres,
Cortar os pênis
De todos os homens,
Todos.
Improdutíveis seres – Agora!
Irão ceder à dor de não serem mais
Leões corruptos em terra de carneiro,
Metamorfoses sintéticas, irreais.
Eu vou destruir o mundo,
Privando do toque, os dedos;
Dos lábios, amargos e secos – O beijo,
Do menos que era – Ser mais.
O ter de ser pouco, pouco mesmo:
Fara-se cinza, sejam os valores
Que chama gozo, da dor dos outros,
Do anel de ouro, dos teus troféus.
Eu vou! Vou destruir o mundo
Seguindo pelo líbido das prostitutas,
O executor, o proprietário,
O monógamo, o Operário,
O padre e qualquer cientista.
Não! Meu pescoço é de fibra de aço! Será que é?!
Pois sim, eu, eu vou
Destruir o mundo
COMEÇANDO PELOS ESPELHOS.
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