Grito! (silêncio)
4 Moral & Humanidade
Não durmo, e regojizo minha ousadia
Ao tentar, e depois ver, com êxito
A mulher por detrás daquele seio,
Daquele beijo, decote, maciez
Da pele, da vulva, das palavras permitidas
Só depois da meia-noite.
A moral, vendi à natureza;
Mas agora, que provei
A camada externa e saborosa:
Cheiro a carcaça dentro do anjo,
E sinto nojo de mim!
A moral é um cachorro, que mesmo vendido
Volta pro dono.
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Os homens observam, minuciosamente, os quadris das mulheres,
O volume dos bustos, os decotes ousados, a malícia dos gestos,
dos olhares; e as já sabidas intimidades espontâneas,
depreciativas, e excitantes à fome tribal do bixo-homem.
Enquanto isso, elas se auto contemplam frente o espelho;
E, nessa, está a noite, as flores, e toda “Coisa-Linda”,
“Coisa-Não-Humana”, sendo ignorada.
Afinal, quem quer beleza, enquanto houverem as mulheres?
Quem quer cultura, enquanto houverem os espelhos?
Que quer humanidade,
Enquanto houver humanidade?
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