Grito! (silêncio)

2 Liberdade & Salamandra


Notas iniciais
Estou postando os dois poemas juntos, devido aos poucos caracteres.

Escrevo poesia na aula de escrituração fiscal!

Sou, portanto, a prova, de que a alma resiste

Ao canto hipnótico do corifeu social. Sou,

O ator indignado, que foge do gigantesco palco italiano,

Todo rebuscado, e banhado

Em luzes fluorescentes e demasiadas;

Todo preenchido por poucos protagonistas, burgueses,

Com reis e ditadores na barriga;

Além dos ignorantes e sonhadores coadjuvantes,

Todos, cegos diante à contra regragem que as vitaliza!

Eu, então, me liberto, respiro os becos vazios

Da realidade reservada aos estranhos, aos excluídos;

E, por fim, vou mostra àquela gente cega,

Do que a arte gosta:

“Um contador enforcado, num galho,

De um ipê amarelo!

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Salamandra! Salamandra!

Teu nome é Sol!

Salamandra! Salamandra!

Teu coração é de fogo!

Acinzenta a sola do pé mulato, descalço,

Salamandra!

Deságua suor nas testas franzidas,

Salamandra! Salamandra!

Come a coragem e a tarde do homem,

Salamandra!

Mata o bezerro e a rosa de sede

Salamandra! Salamandra!

E morre de sede quem tava com fome...

Salamandra!

Salamandra!