Grito

1 Capítulo único


Notas iniciais
Boa leitura!

Quanto mais contida for a palavra, mais forte e libertador será o grito. Porém, a função deste é somente quebrar o que a perfeição das coisas construiu, aos suspiros laboriosos da Senhora Tempo e seu Senhor Silêncio. Eu quero gritar, mas sei que um grito me mataria.

Lá fora, o fogo é a lei, e se o sangue seguido dos murmúrios não lavar as ruas vazias e chamuscadas, os homens de hoje dirão com as bocas salivosas: “A lei não foi feita, pois vou fazê-la! E agora!”

Aprendi com os ouvidos aguçados à traduzir aquilo que os ventos na cortina costumam dizer. Diferente do mesmo contra as janelas seguramente fechadas, ou contra as sacolas solitárias que divagam nas ruas. O vento é calmo e quieto, adora brincar, mas também sente medo.

Entendi pela Natureza, que a própria é doce e delicada; mas daquelas que ao ver o jogo atravessando a malícia e o sadismo – Chora. Depois destrói seus brinquedos arrogantes.

Todo grito eufórico que antecede as arrancadas de tropas e disparos de mísseis, é um grito de dor. Medo. Vaidade. Como é da natureza dos que bradam. Estúpidos. Por isso às vezes, me sinto em conta de agradecer pela debilidade que priva-me do grito, ou mesmo da suspeita palavra; pois por mais que eu queira gritar, sei que um grito me mataria.

Notas finais
Obrigado pela leitura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!