Grey's Inside

2 O caso do Ambulante Apaixonado Parte 2


Notas iniciais
Segunda parte do mistério, talvez tenha mais uma ou duas.

O delegado não pareceu contente com a brincadeira. Seu rosto tomou uma expressão contorcida, aparentemente de raiva.

-Bem senhor Lewis,agradeço sua ajuda, daqui em diante a polícia trabalha sozinha. Muito obrigado. – falou ele despedindo-se de Lewis Grey.

-Mas senhor, se encontrarem suspeitos seria bom eu poder interrogá-los... – falava Grey quando foi interrompido.

-Acho que não fui claro senhor. Eu só o chamei aqui porque não conseguia descobrir de onde veio o corpo. O senhor descobriu e fim da sua participação. Lembre-se de que apenas a polícia pode investigar isso. – falou o delegado Ruppert.

-Mas senhor, eu ainda posso ser útil... É uma injustiça desprezar minhas habilidades! – falou Greys indignado.

-A porta da rua é a serventia da casa. – falou rudemente o delegado.

Indignado, Grey ia saindo já quando alguém entrou energicamente na sala e disse:

-A partir de agora eu tomo conta do caso, Ruppert. Você está dispensado. – falou o homem.

Era um homem alto e robusto. Postura firme, provavelmente militar também.

-Há quantos anos os cavalheiros serviram juntos ao exército? – perguntou Grey.

-Como sabe disso senhor? – perguntou o homem recém chegado.

-Apenas um palpite. Suas posturas indicam que eram militares, as aparências me dizem que têm por volta da mesma idade. Tal coincidência seria difícil de acontecer portanto presumi que serviram juntos. E também posso dizer que o senhor... – falava Grey.

-Willians, George Willians. É um prazer conhecê-lo senhor... – falou o homem.

-Grey. Lewis Grey. Como eu dizia, presumo também que o senhor Willians tinha certa “superioridade” em relação ao senhor Leonard nos tempos de exército. – falou Grey.

-Mas isso é um insulto! Como ousa dizer tal barbárie? – gritava o delegado chocado com o comentário de Lewis.

-Hahaha. Gosto de você rapaz! Tem um jeito malandro que eu admiro. – falou o senhor Willians.

-Sinto-me lisonjeado senhor. – disse Grey fazendo reverência.

-Um elegante cavalheiro. Mas bem, o que o senhor faz aqui? – perguntou George.

-Ele já estava de saída senhor. – falou Leonard tentando controlar a raiva.

“Que homem estressado.” Porque será que ele ficou tão bravo? Uma piada não faz mal à ninguém. Grey continuou pensativo.

-Na verdade eu estava contando ao senhor Leonard tudo que eu descobri numa análise do corpo. – falou Grey.

Ele contou tudo que sabia do corpo para o senhor Willians e no meio da conversa Leonard saiu furioso e perturbado.

-Interessante senhor Gray. Suas deduções são brilhantes! Por que não fica e ajuda na investigação? Isto é, se for do seu agrado. Um homem brilhante como o senhor deve ter outras coisas para fazer eu presumo... – disse George.

-De forma alguma. Estou totalmente livre. Seria uma honra ajudar na investigação. – falou Lewis orgulhoso de si.

-Pois bem então! Eu vim justamente trazer uma informação esclarecedora. Eu sei mais algumas coisas sobre o suspeito. O nome dele era John Richards e você estava certo sobre ele ser vendedor ambulante. Ele veio do norte há uns dois meses e se envolveu com minha filha. Ele havia pedido ela em casamento ontem... Ela está desesperada, não para de chorar. Resolvi tomar frente no caso para dar um pouco de conforto à ela. – falou Willians.

-Entendo. Pobre moça. Entretanto, os fatos que o senhor acaba de me passar podem esclarecer de vez o caso. – falou Grey, animando o senhor Willians.

-É sério? Mas que boa notícia meu amigo! Não sabe como lhe sou grato! – falou o homem animado.

-Mas antes eu preciso convidá-los para uma pequena “brincadeira”. O senhor e o delegado Leonard. Consiste basicamente em cada um de nós carregarmos, por cem metros, uma pessoa num carrinho de mão. Isto servirá para aliviar a tensão e estimular os pensamentos. – falou Grey animado.

-Tem certeza senhor? Isso parece meio diferente dos métodos convencionais. – falou George intrigado.

-Eu não sou uma pessoa convencional senhor. – falou Lewis com um sorriso no rosto.

Os dois ainda conversaram por mais uns minutos para se conhecerem. Depois Lewis foi para sua casa e o inspetor George ficou lá para levar o corpo ao necrotério.

Ao chegar em casa Lewis encontrou o mordomo descansando na cozinha, todas as tarefas da casa estavam feitas. Sobre a mesa de centro da sala encontrava-se um pequeno envelope branco o qual o mordomo disse ter sido entregue por um carteiro mais ou menos uma hora depois da saída de Lewis.

Grey agradeceu o mordomo, pegou o envelope e subiu as escadas para seu quarto. Chegando lá Persa estava sobre suma cama enrolado de frio. Pegou o gato no colo e deitou-se na cama, recostando-se na cabeceira. Enquanto acariciava Persa, que já havia se acomodado em seu colo, pensava no caso cuidadosamente.

Os fatos voavam em sua mente, ele tecia uma rede com as informações, estabelecendo conexões entre eles e validando-as ou não. Formando e reformando teorias sobre o caso. Ali ficou naquele estado por longos minutos até que Persa o despertou com um miado.

-Ah, me desculpa. Me envolvi demais nos pensamentos e me esqueci de você garotão. Aqui – disse abrindo a gaveta do criado mudo à direita e pegando um saquinho com ração para gatos – coma.

Enquanto o gato comia Willians deitou-se de bruços tentando pensar como aquele homem podia ter morrido. Esteve tão mergulhado em seus pensamentos que quando deu de si estava ficando sem ar. Levantou-se num pulo que assustou até o gato. Rapidamente uma idéia veio-lhe à cabeça. Correu para o andar de baixo chamando o mordomo quando se lembrou que não havia lido o envelope. Voltou para o quarto e abriu o dito cujo, dentro dele havia algo que chocou Lewis e tornou o caso ainda mais difícil. Ele ficou ali, olhando para aquela coisa macabra e pensando como alguém seria capaz de fazer aquilo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.