Greggory Field: A Vingança
2 Capítulo 2 - A Fábula Do Pequeno Inventor
Notas iniciais
Vou confessar... Fiquei bem desapontada por só ter recebido um review, depois me mandar tantas MPs com todo o carinho, para os meus antigos leitores. Mas saiba(m) que não irei desistir da estória por falta de leitores. Greggory Field me faz feliz, e além disso, tem uma pessoa acompanhando seria uma falta de consideração se eu parasse de postar.
Boa leitura.
Novamente o despertador tocara. Ele já havia sido desligado diversas vezes, porém, Greggory permanecia adormecido.
- Acorda, cara! Vamos, anda! São quase 6h40min! Vamos perder o café se você não se levantar agora! – disse Dylan, o melhor amigo de Greg.
- Eu fiquei treinando até tarde, ontem... Eu não quero levantar agora... Vai você tomar café. Não quero que arrume problemas por minha causa. – Greggory falou.
- Ora, então acho melhor você levantar. Eu não vou sair daqui até que você esteja pronto.
Às vezes, Dylan era insistente. Greg odiava isso nele. E ele sempre apelava para o lado da razão, por isso, quase sempre estava certo.
Greggory resolveu tirar seu corpo da cama. Seus olhos abriram lentamente, incomodados com a claridade do dormitório. Ele foi para o banheiro fazer sua higiene matinal e botou o uniforme da Associação lá mesmo.
Dylan o esperara do lado de fora do quarto.
- E aí, animado para treinar hoje? Ah, Peter me contou que hoje será Treinamento de Defesa. – informou o amigo, quando Greg saiu do dormitório.
- Ugh, Defesa? Isso é tão inútil! Só serve para os fracos. Os fortes só batem. – disse uma voz, vinda de trás dos dois. Era Kevin, um grande e rústico valentão, que açoitava Greggory desde o primeiro dia de aula na escola dos Normais.
- Desculpe, alguém chamou você na conversa? – retrucou Greg, irritado. Ele odiava acordar cedo, ainda mais quando estava cansado e mal tinha dormido.
- Eu participo da conversa que eu quiser, seu nanico. – grunhiu Kevin, fazendo uma cara carrancuda.
- Oh, por favor, não vamos perder tempo com esse ai. Um café da manhã delicioso nos espera. – disse Sabrina, a amiga dos dois, surgindo do dormitório da meninas e empurrando-os a seguir em frente, porque Kevin e Greggory se encaravam perigosamente.
Depois de algum tempo, eles se afastaram do Brutamonte.
- Você ainda dá corda para aquele ali? Sério mesmo, Greg, você parece que QUER briga. – Sabrina disse.
- Eu não “dou corda”. Ele simplesmente vem me irritar.
- E você cai na pilha. Você deve ignorá-lo. – falou Dylan.
Os três chegaram ao refeitório, onde vários Heróis-Aprendizes comiam e conversavam em voz alta. Greggory foi procurar mesas, enquanto Dylan e Sabrina foram para a fila, e iam pegar o café do amigo também. Greg desconfiava que havia algo acontecendo entre os dois, mas sempre que tentava perguntar, ambos mudavam de assunto, o que só tornava tudo mais suspeito.
O menino encontrou uma mesa perto da TV cinza, que ficava suspensa na parede, por um suporte.
Poucos minutos se passaram, quando Dylan e Sabrina logo chegaram com a bandeja de todos. Sabrina ria de uma bobeira que Dylan fazia, e Greggory mal prestava atenção. Ele ficava de olho em Mary, que era uma Alterada – como denominam-se os Heróis que nasceram Normais, mas, que por culpa de alguém tornaram-se Aprendizes-. Fora Thomas que a fizera virar uma Heroína, contra a vontade dela. Ela só servira como uma peça no plano de Thomas para afetar Greg. Ele a hipnotizara para fazê-la realizar coisas horríveis contra Dylan. Depois que a “curaram”, ela passou a agir normalmente, mas não foi totalmente confirmado que o elo fora quebrado.
Algum tempo depois, Dylan e Sabrina voltaram, e botaram a bandeja de Greggory perto dele e sentaram-se. Conversavam sobre qualquer besteira.
Em meio a esses pensamentos de Greg, eis que uma figura inédita surgiu no refeitório. Nesse instante, todos os murmúrios pararam. E ela se digira direto à Greggory.
- Bom dia, Sr. Field. Preciso falar com você. – disse. Em seguida, olhou para Dylan e Sabrina. – Hm... A sós. Acompanhe-me. – ela nem esperou para ver se Greg iria segui-la, apenas deu as costas e saiu andando.
Aquela era Ágata Brown, a supervisora e coordenadora chefe da Sede. Ela geralmente só se comunicava com os Aprendizes para falar sobre algo ruim, ou alguma espécie de emergência. Ela tinha praticamente a altura de Greggory, entretanto, ela quase sempre andava de salto alto, o que a tornava bem maior que o menino. Ela sempre usava maquiagem forte, e frequentemente estava com um terninho que se baseava numa saia e um blazer. Ela tinha diversos daquele, de várias cores diferentes.
A Sra. Brown havia parado em uma porta larga e extensa, o local de sua sala, cujo Greg nunca havia ido. Em geral, ele só ia até a sala do Sr. Burguins – que ia para a Sede de vez em quando, afinal, ele era responsável pela Associação de Heróis de Niceville, e tinha de administrar as coisas por lá-; e a do Sr. Payne – para resolver assuntos pendentes como treinamentos, aulas, trabalhos atrasados etc.-. A Srta. Sanders não possuía uma sala própria, ficava sempre perambulando por ai.
- Sente-se onde se sentir confortável. – ela disse, tomando seu assento na grande cadeira de couro preta, parecida com uma de executivo. Era a única cadeira giratória de todo o escritório. As outras eram quadradas, embora largas e macias. Greggory se sentou no pequeno sofá que havia perto do Gabinete de Ágata, era o lugar mais próximo dela.
O garoto ficou encarando um relógio cuco na estante, que fazia um barulho que poderia até ser irritante, se passasse um tempo excessivo naquele lugar. Ele sempre achou aqueles relógios interessantes. Era sempre uma surpresa quando aquele curioso pássaro iria pular para fora, indicando que era “alguma hora” em ponto.
Ágata juntou as pontas dos dedos das mãos, apoiou os cotovelos sob sua mesa e respirou fundo, como se tivesse ensaiado bastante, e debatido bem o que iria falar.
- Pois bem, Sr. Field, creio que não saiba por que está aqui.
- É... Para ser sincero, eu não tenho ideia.
Sra. Brown pigarreou.
- Hm... Suas primas, eu presumo que ainda lembre-se delas. Tiffany e Kimberly. – como ele poderia esquecê-las, se, afinal de contas, viveu sua vida inteira baseada em uma mentira? Ele sempre pensou que eram suas irmãs (apesar do desprezo). Mas tudo não passava de um plano de Thomas, que as chantageou e as obrigou a fingir. — Elas... Estiveram visitando seu irmão na prisão... E ele escreveu algo para você. Nossos peritos investigaram, desculpe a invasão de privacidade, mas não conseguiram encontrar nada muito comprometedor. É apenas uma história infantil tola... Não entendemos a ligação que tenha com você. Talvez seja uma metáfora... Ou algo que a sua mãe contava, quando você era menor...
“O fato é que todos nós ficamos surpresos quando a carta chegou. Faz alguns dias, na verdade. E eu sinto não termos lhe entregue antes... Porém, como já sabe, seu irmão é bem engenhoso, e nada do que ele faz é por acaso. Conversamos com alguns colegas de Confinamento dele, e disseram que ele andou meio pensativo com outro Colega, em especial. Não vou citar nomes, pois quanto menos você souber, melhor, e mais seguro estará.”
- A carta é... Esta. – ela disse, por fim, pegando uma pequena chave e abrindo uma gaveta de sua mesa, local de onde tirou um envelope escarlate. Ela o entregou à Greg, que hesitante, pegou-o. No verso da carta tinha algo escrito, em letra de máquina, preta e caprichada:
De irmão para irmão.
Greg engoliu em seco. Ele não estava com medo, mas sabia que poderia ficar surpreso com o que quer que fosse o conteúdo no envelope. Ele respirou fundo e tentou acalmar-se. Em seguida abriu-o, e leu para si mesmo.
A Fábula do pequeno Inventor
Era uma vez um inventor, que tentava, frustrante e inutilmente, dia após dia, criar uma maquina que atendesse ao seu alto padrão de exigência.
Depois de muita sucata, e diversas noites a esmo, à beira da desesperança, conseguiu construir um robô. Mas, assim que o fez, não parou. Nunca ficava se contentava com os que fazia. Queria sempre fabricar mais, e mais, em busca da perfeição. O homem fez muitos outros betas, e deixou a “cobaia” de lado. Ele tinha desenvolvido sentimentos pelo seu dono, o inventor. Era uma grande ligação de afeto, que, porém, não era recíproca.
Como o coitado descobriu, foi um dos piores jeitos, o “sem querer”. Um dia, enquanto falava com um freguês, o inventor do tal robô informou ao comprador, que pediu a versão-Cobaia: “Ah, a primeira versão? Foi por acaso, um acidente.” Alertou. “Cá entre nós, eu não desejei criá-la.” Como pudera o inventor ser tão frio com sua própria criação? Como pudera ele, fazer tanto descaso?Como pudera, dizer tamanha calunia? Ser tão hipócrita? Agora ele tinha vergonha de sua própria criação? Desgosto, talvez...
E ele deu continuidade aos outros. Se não tivesse sido a pequena e insignificante Cobaia, o Inventor nunca teria descoberto a versão mais atualizada do robô. E o sentimento que a Cobaia sentia, de afeto, foi substituído para raiva, até que um dia, ele matou o próprio dono, jurando que o faria ter se arrependido do que tinha dito. Suas ultimas palavras foram: Eu criei um monstro. Nem no ultimo segundo de vida, ele abandonou a ideia de que tê-lo criado foi um erro.
Como tinha sido um erro, se aquilo era o que ele mais almejava? As outras versões o faziam mais feliz, eram mais satisfatórias. Mas o Inventor não estava mais lá para apreciá-las. Se Cobaia não tinha o mais o amor de seu dono, então nenhum outro robô poderia fazê-lo. Por fim, Cobaia fez a menção de destruí-los. Todos. E acabou que a razão de sua vida, tornou a razão de o robô TIRAR vidas.
Então, maninho, algo familiar?
- T
Greggory ficou pensativo por uns instantes, mas logo entendeu o que Thomas queria dizer. O garoto estava em choque.
- Acho que você deve ir agora, Sr. Field. Não mostre a carta para ninguém. Temos que envolver o menos de pessoas possível nessa situação. Thomas é perigoso.
Greg não esboçou reação às palavras da Srta. Brown. Apenas levantou-se e caminhou até a porta.
- Ahn, Greggory... Tem mais algo... Que eu gostaria de lhe dizer...
- Sim? – ele perguntou, com um olhar vidrado. Seu cérebro estava a mil. Ele não conseguia se focar na Coordenadora.
- Seu irmão... Escapou da prisão. Existem rumores que ele possa estar em busca de algum tipo de vingança... E possa estar atrás de... Você. E ele tem um parceiro, o tal colega que ele conversou muito nos últimos dias atrás das grades. Nós redobramos a segurança aqui na S.A.H, e na prisão também, mas... Cuidado nunca é demais. Estamos praticamente impenetráveis. Ninguém vai entrar aqui sem a nossa supervisão... Mas... Fique alerta, certo?
Ele assentiu, ainda mais espantado. Antes de sair, ele ouviu algo sobre “treinadores ficarem de bobeira no refeitório quando não em sala de aula”, mas apenas abstraiu, afinal, era outra conversa, com outra pessoa.
Thomas iria vir em busca de Greg. O garoto olhou para seu relógio, o horário do café estava quase acabando. Em seguida, ele teria aula de Precisão de Poder.
Demorou um pouco para refazer o caminho de volta para o refeitório, mas quando o fez, percebeu que seus amigos tinham ficado preocupados.
- O que houve? – Sabrina perguntou.
- Ela brigou com você?
- O que você fez dessa vez?
- Você não foi suspenso, não é?
- Gente, calma. Eu estou bem. A Srta. Brown só queria conversar, sabe, sobre... O Thomas. – ele falou esse nome com desprezo.
- O QUE? – exclamaram os dois, em uníssono. Eles dois trocaram olhares e sorrisinhos. Greggory ignorou o feito.
- Ele... – Greg se aproximou dos dois quando disse isso – Escapou da prisão... Com um Parceiro.
- O QUE? – falaram novamente os dois, juntos.
- Certo, isso está ficando ridículo. – Greggory protestou. Ele tentou focar-se no assunto. – Enfim, ela suspeita que ele possa estar atrás de mim.
- Suspeita? É óbvio que ele virá atrás de você! Lembra? Táticas de Batalha, pagina vinte e quatro. “Se um Herói está em vantagem, ele tem grandes chances de atacar, por isso, você deve ficar na defesa. Preocupe-se em se proteger, depois, tente achar algum modo de pegá-lo (de preferência surpresa)...” – falou Dylan.
- Nossa, você é muito tranquilizador, Dylan. – Sabrina disse, acariciando o ombro de Greg.
- Ué, mas eu não vou mentir... E ainda dei uma dica do que fazer! No livro também dizia para você procurar o ponto fraco, ou algum tipo de distração até você pensar em algo e...
- Não vai acontecer. A S.A.H está super reforçada. Bom, pelo menos, foi o que a Ágata me disse... – Greggory falou, sentando-se à mesa e dando uma mordida em sua torrada. Ele estava faminto.
Sabrina deu de ombros, mas Dylan não parecia muito convencido. Ele sabia que Thomas iria lutar com unhas e dentes para capturar Greg.
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