Greggory Field: A Vingança
13 Capítulo 13 - Convidados Indesejados
Notas iniciais
Quase todos os pertences que estavam naquele compartimento caíram quando ambos se mexeram.
- Como...? – o motorista perguntou.
- Quando...? – Greggory questionou.
- O principal não é como nem quando, mas sim que não deviam ter vindo. – falou o Sr. Payne, muito ríspido. Sua verruga latejava. Sempre que ficava irritado, tinha vontade de gritar, mas não podia gritar como as pessoas normais. Quando pressionava a grande verruga em seu rosto, produzia um som super sônico letal ao inimigo que ele desejava atingir. Mas quando queria apenas gritar, atingia quem estivesse perto.
- Mas estamos aqui, não estamos? – ele falou, saindo do compartimento. – Greg, me ajuda a tirar a Sabrina daqui. – Dylan chamou e Greggory foi, ainda meio assustado com o fato dos dois terem ficado ali por mais de uma hora.
- Olha como fala, rapazinho. – disse o Sr. Payne. – O fato é que estão aqui, e já chega de atrasos. A cada segundo que passa, Thomas está mais perto de capturar outro Aprendiz inocente. Vamos logo, entrem no ônibus, crianças. – ele disse, tocando nas costas de Dylan e Sabrina, que abraçavam e falavam com Greg animadamente. – Oh, e não pensem que irão sair impunes disto. Terão uma punição severa quando retornarmos a Sede.
- Se retornarmos a Sede. – Sabrina sussurrou, enquanto ia em direção ao ônibus.
- Ora, não tenha pensamentos desse tipo! Lembra, falaram para não pensarmos nos nossos medos, logo, não devemos ser negativos, no caso, pensar no que seria um fracasso, que é um medo e que talvez possa ser usado contra nós, futuramente. – Dylan disse, sentando-se em um acento vazio. Sabrina sentou-se ao seu lado. Mason agora sentou do lado da janela, para que Greggory pudesse conversar com os amigos.
- Vou tirar um cochilo, se não se importar, Greg. – Mason lhe disse, ajeitando seu casaco.
- Tudo bem, Mason. Descanse. – Greggory falou. Em seguida, virou-se para os amigos. – Ainda não acredito que vocês estão aqui! Como conseguiram? Eu nem desconfiei de nada... Já estava até chateado por vocês nem terem se despedido de mim...
- Bom, vou contar o que aconteceu depois que você saiu do quarto. – Dylan falou. – Quando Ágata te acordou, eu acordei junto, mas fingi que estava dormindo, para que nem você nem ela desconfiassem do nosso plano. Eu e Sabrina começamos a planejar isso pouco depois do aniversario dela, quando você entrou na sala da diretora e a gente entendeu toda a história.
- Basicamente, a ideia era entrar em alguma mala bem grande e deixar Ágata furiosa, para que ela nem ao menos tivesse tempo de se desconfiar. Em seguida, Walter, o motorista, nos botaria nos compartimentos e nós iríamos seguindo você, escondidos, até a hora que nos encontrassem. Mas isso aconteceu antes do que esperávamos. – Sabrina disse.
- Entendi... E porque não me contaram? – Greg perguntou.
- Porque talvez, se você soubesse, ficasse encrencado, por ter sido cúmplice. E nós resolvemos vir por livre e espontânea vontade, você não tem culpa de nada. Além do mais, será ótimo passar uns dias longe de tudo e todos, sem falar que...
- ELES NÃO DEVERIAM ESTAR AQUI! – Ágata berrou, fazendo todas as conversas cessarem e todos os olhares se voltarem para ela.
- Vamos conversar na cabine do motorista, está bem? – o Sr. Payne disse, calmamente. – Srta. Sanders, por favor, venha conosco, quero que anote isso. Tudo pode ser importante, nesse momento. Às vezes os pequenos detalhes podem desencadear ações e reações que nem imaginamos. – falou, abrindo a porta que dava para o acento do motorista. Antes de fechar a porta, deu para ouvir a Srta. Brown gritando: “WALTER, SERÁ QUE DÁ PARA ABAIXAR ESSA DROGA DE RÁDIO?” e a porta de fechou, abafando todos os sons audíveis.
- Ela vai cuspir fogo, ou...? – Sabrina perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Ela está assim por causa da gente. Mas o Sr. Payne é educado demais para gritar na frente de crianças... Bem, depois do que ele soube sobre... Ah, deixa para lá. – Dylan disse, murchando. Uma sombra passou por seus olhos.
- O que foi? – Sabrina perguntou, apertando de leve o ombro de Dylan. Eles se encararam nos olhos por um instante, mas ela logo balançou a cabeça e desviou.
- Meus pais, lembram? Separados, papai é florista, e minha mãe é de uma empresa de Cosméticos multinacional... E eles eram exatamente opostos. Minha mãe era ambiciosa, queria se formar em Harvard, ganhar muito dinheiro e poder me dar o que ela não pode ter quando era criança. Já meu pai, queria apenas uma pequena fazenda, e queria viver isolado de todos, criando vacas, cultivando gado... Sempre foi apaixonado pela natureza. E... A maior parte da minha infância...
“Tudo que me lembro é que eles brigavam, e brigavam. Mas sempre se reconciliavam, porque o amor era mais forte. Mas... Houve um dia em que... Ela chamou meu pai de caipira pobretão e falou que não sabia o porquê de ter se casado com ele... E ele falou que ela era uma mesquinha de nariz em pé, e que não era humilde, sempre doida para esbanjar dinheiro e essas coisas... E... Nesse dia eu me lembro de... De chorar até cair no sono e... Jurei para mim mesmo que nunca mais iria acreditar no amor, nem na paixão, porque nada disso existe. Bom, eu cumpria rigorosamente essa promessa, até eu conhec...”
- VOLTEM, POR FAVOR! NÃO É SEGURO! – uma mulher do meio da estrada apareceu gritando de repente, acenando para o motorista e para todos. Seu rosto parecia ter sido modificado por cirurgias plásticas e ela aparentava ter seus cinquenta e poucos anos. A mulher usava uma bandana e seus cabelos ficavam presos, mas, por alguns fios soltos na parte da frente, notava-se que eram negros. Seus olhos eram cor de mel e ela tinha uma estatura media, não era alta nem baixa.
Novamente, o ônibus parou. Em volta deles, havia um campo de rosas, lírios, jasmins, e todas as flores possíveis e conhecidas pelo homem. O dia estava ensolarado e ao longe, viam-se montes verdes e sadios, uma paisagem realmente bonita.
Greggory foi para um acento vazio e meteu a cabeça pela janela, para tentar entender o que estava acontecendo com tudo e todos. Sabrina, por sua vez, sentiu-se incomodada por não saber o final da frase de Dylan, mas não achou muito sensato em perguntar o que ele iria dizer, então, fez o mesmo que Greg. Dylan também resolveu espiar, e Mason dormia tranquilamente.
A cabine do motorista era maior do que as convencionais; Havia três poltronas além da do motorista, um frigobar com bebidas bem geladas e comida congelada, no caso de alguma emergência. A cabine também era equipada com um alto-falante para o motorista poder entrar em contato com todos e rádio, para distrair tanto como a si mesmo, tanto como aos outros. Mas não tinha musica alguma, pois era um momento muito tenso no local: Assim que a moça apareceu na estrada de terra, Ágata, que já estava com os nervos à flor da pele desceu do ônibus e gritou alguns palavrões para a mulher. A mulher rebateu, falando que estava apenas querendo ajudar, e a Srta. Brown falou que aquele era o único caminho para Athos. A mulher respondeu que um “certo jovenzinho” tinha dominado a cidade e que ninguém poderia entrar e nem sair de lá.
- Me desculpe, queridinha, mas não estou com paciência para drama. Se você quer uma carona, eu dou uma carona, mas NÓS VAMOS PASSAR, quer você goste ou não, porque eu não me recordo de ter pedido a sua permissão. – a Srta. Brown falou, chegando perigosamente mais perto da mulher.
- Lamento, mas só por cima do meu cadáver. – a mulher disse.
- Você vai arrepender-se de ter dito isso. – Ágata falou, dando mais um passo a frente. Em seguida, algo inusitado aconteceu: A Srta. Brown abriu as duas mãos e virou as palmas para cima. Em seguida, tentou fechá-las, como se fizesse o maior esforço. Depois, começou uma gritaria, de ambas as partes.
- Seu nome é Rose... Você perdeu seu hamister de estimação aos 8 anos... Quando era adolescente nunca recebeu flores de nenhum menino... E desde então prometeu cultivá-las, mas... Você não... Não é Normal... Você é uma Alterada... Você era uma abelha! O feitiço do Mago que te amaldiçoou e te transformou em humana... Seu poder é... – a Sra. Brown parou de falar na hora e arregalou os olhos. – IMPOSTORA! CORRAM! ELA É HEROÍNA, ESTAVA SE FAZENDO DE SONSA PARA NOS CAPTURAR E... SALVEM-SE! – berrou, acenando com os braços para Walter abrir a porta. Aquela era a primeira vez que Greggory via Ágata com medo e também era a primeira vez que tinha visto-a usar seus poderes.
Ela entrou correndo no ônibus.
- Ágata, você está bem? – Sr. Payne perguntou. Ela levou as mãos a cabeça e assentiu.
- Segurem-se todos, crianças, nós vamos acelerar o ritmo por aqui! – Walter disse, engatando a marcha e pisando com tudo no acelerador.
Mason finalmente acordara, assustado.
- Que está acontecendo?! – perguntou, confuso. Ele esfregava a cabeça, porque quando o motorista andou, ele tinha batido-a na janela.
- Fomos atraídos para uma emboscada. Uma moça muito louca chamada Rose se fez de donzela quando na verdade ela era a predad... – Greg ia explicando, quando sentiu um forte impacto na parte da frente do ônibus.
- O QUE FOI ISSO? – Dylan praticamente guinchou. Parecia apavorado. Sabrina também estava, porém não demonstrava, fazia uma cara valente. Já Greggory estava com medo e não escondia isso.
- PARA O FUNDO DO ONIBUS AGORA! – Sra. Brown berrou, correndo com o Sr. Payne atrás dela.
Todos levantaram e obedeceram, em desespero. Em pânico, ao olhar para fora, Greg reparou que as rosas não estavam mais tão vibrantes e coloridas, e que o tempo não estava mais tão ensolarado e bonito. Agora havia uma grande nuvem sobre eles, e depois que ele entendeu o que engolia o ônibus, mal teve tempo de se apavorar:
- A PLANTA ESTÁ VINDO, CRIANÇAS, ABAIXEM E PROTEJAM-SE! – Sr. Payne falou. – TEMOS DE DAR UM JEITO DE CAIR FORA DAQUI!
- Achei o buraco que eu e Sabrina fizemos, caso quiséssemos ir ao banheiro, Sr. Payne! – Dylan falou, desesperado, abaixando-se e destapando a fresta que havia entre o banheiro e o compartimento de malas.
Mason foi o primeiro a sair. Bem atrás vinha Sabrina, em seguida foi Dylan. Logo depois foi a vez de Greggory, e por ultimo, a Sra. Brown.
A vista do lado de fora do ônibus era ainda mais pavorosa: Uma planta carnívora de uns dez metros metia o ônibus inteiro pela goela. Dava para ouvir os gritos da...
- Oh meu Deus, a Srta. Sanders! Ela ficou na cabine do motorista... E Walter! Ainda tem Walter, ele... Pelo Santo de Capa! Que faremos? – Mason perguntou, encafifado.
- E o Sr. Payne?! Ele estava bem atrás de nós! – Ágata disse, fitando o ônibus sendo estraçalhado pela planta. Em seguida balançou a cabeça levemente, respirou fundo e disse: — Não temos tempo a perder, crianças, refugiem-se no campo de flores, Rose deve estar focando-se apenas nessa coisa horrorosa e enorme... – Nessa hora, a planta soltou um grasnado terrivelmente alto. Ainda quando o ônibus estava no chão, Dylan os guiou para uma moita bem no inicio do campo de flores. – Mason, se não se importar, pode ficar para ajudar?
- Com prazer, Sra. Brown. – Mason falou, meio impaciente. Ele era bem educado, mas naquele momento, o que parecia é que ele queria salvar a sua pele antes da de todos. São nesses momentos que vemos quem realmente se importa com a gente e quem quer salvar a si mesmo antes.
A Sra. Brown ficou, fazendo o mesmo movimento com a mão que ela fizera quando descobrira as informações de Rose. Depois, ela olhou para a planta, que parecia imune a seus poderes.
Em seguida, algo caiu da parte traseira do ônibus, que já estava suspenso e praticamente engolido pela planta-carnívora. Em questão de segundos, Ágata conseguiu identificar o que era. Não tratava-se de uma coisa, e sim de uma pessoa. Era o Sr. Payne. Ele aterrissou direto no asfalto, e a Sra. Brown, ainda com a mão erguida lutando incansavelmente para que seu poder tivesse algum efeito sobre a planta correu para acudi-lo.
- CARAMBA, PAYNE, ESTÁ TUDO BEM? — Sra. Brown perguntou.
- ESTÁ, ESTÁ SIM. – ele disse, levantando-se rapidamente. – Tape seus ouvidos, isso pode doer um pouco. – falou, e tocou em sua verruga do rosto. Um som agudo, potente e alto foi produzido, fazendo a planta-carnívora se remexer e soltar mais um grunhido pavoroso.
- O Sr. Payne está bem, Dylan. – Greg informou ao amigo, espiando da moita.
- Vamos bolar um plano, eles não vão conseguir sozinhos. – Dylan falou, respirando bem rápido, não ofegante, mas sim nervoso. – Se a planta é controlada por Rose, ela deve estar por perto para saber o que está acontecendo. Tudo que temos que fazer é achá-la e cortar o mal pela raiz.
Fale com o autor