Greggory Field: A Vingança

11 Capítulo 11 - Conheça Bem seus Inimigos


A penumbra ainda açoitava o quarto dos meninos, quando, de repente, uma tela que nem Greg nem Dylan sabiam que existia desceu do teto. Era uma espécie de mini-tv, do tamanho de um computador portátil.

- Levantem-se! – gritou uma voz. Greggory acordou, mas, com preguiça de abrir os olhos, apenas virou-se para o outro lado da cama. Dylan, por sua vez, nem se moveu. – Se eu tiver que repetir, ambos serão reprovados em todas as matérias, me ouviram? – tornou a voz, falando ainda mais alto.

Greg preguiçosamente girou o corpo, coçou os olhos e logo decidiu abri-los, ainda que vagarosamente. Em seguida, botou os pés no chão, já acostumado a não sentir a friagem nos dedos, devido ao carpete e fitou a tela.

- São 4h30min da manhã! Por que eu tenho que levantar tão cedo? – Greggory perguntou, conferindo o despertador que ficava acima de sua cabeça.

- Se você não reparou, também acordei seu amigo preguiçoso.

- Mas Sra. Brown... – começou o menino, mas logo foi cortado.

- Nada disso. A culpa não é minha se você não arrumou suas malas ontem. Quero vê-lo daqui a quinze minutos no refeitório para tomar café (sim, será servido mais cedo). Qualquer demora, cancelaremos a missão. Entendido? – perguntou, ríspida.

- Sim, Sra. Brown.

A imagem de Ágata saiu do monitor e entrou em um cronômetro, que iria calcular os quinze minutos mencionados.

Greg levantou, na esperança de poder reclamar com o amigo sobre a hora, mas Dylan não estava acordado, e Greggory não iria culpá-lo.

Os próximos cinco minutos foram uma loucura: Com uma mão, escova os dentes, com a outra, passa gel no cabelo, reveza com a direita para pegar suas únicas três blusas sociais (entre elas sua blusa da sorte); sua única calça jeans e tênis; A outra alternava entre arrumar a cama e botar o sapato. Só no final, Greg resolveu botar o macacão da S.A.H, que era preto, confortável e flexível, e mais parecia uma roupa de mergulhador. Faltando apenas dois minutos, o garoto saiu do quarto apressado, sem ter certeza se poderia despedir-se de Sabrina e Dylan.

Chegando ao refeitório, o grupo da Expedição já estava praticamente formado – faltando apenas Greggory -. Ninguém falava nada, apenas comiam. Ele pegou sua bandeja e sentou-se entre Mason e a Srta. Sanders. Seu café era igual ao de todos: Dois pães de forma, um tablete de geleia e outro de manteiga, uma maça e um copo de suco de laranja.

Assim que a maioria terminou de comer, Sr. Burguins, Sr. Payne e Srta. Brown ficaram na frente de todos e deram inicio ao discurso.

- Bom dia a todos. – começou o Sr. Burguins, sem esperar nenhuma resposta. – Gostaríamos de falar um pouco sobre os planos desta arriscada partida. Pois bem, antes de tudo, vocês têm de conhecer o que irão enfrentar. Thomas Field é um adolescente de dezessete anos com distúrbios mentais. – ele falou, com um pequeno controle remoto na mão, e, ao apertar um botão, um holograma em 3D com uma luz azul projetou-se, de repente, na frente dele. Era Thomas, com uma roupa estranha. Provavelmente, a roupa da prisão. Ele rodava em uma base, sem sair do lugar. Enquanto isso, Sr. Burgins seguiu falando:

“Quando era bem pequeno – mais precisamente com três anos de idade -, já tinha alguns de seus Poderes desenvolvidos, logo, não é como o resto dos Heróis. Ele sofreu, provavelmente, um tipo de mutação genética. Bom, creio que todos aqui já têm conhecimento da história de Greggory. A tendência de Thomas será fazer Jogos Psíquicos, que mexam com o nosso subconsciente. Por isso, eu alerto a todos: Nunca, de maneira alguma, não importa a hipótese, pensem em seus medos.”

“Uma das informações mais importantes que temos, é que ele escapou da cadeia com um parceiro. Isso significa que se ele matar um Herói, Thomas poderá transferir os Poderes da vítima para si, com a ajuda do comparsa. Nós acreditamos que esse fora um dos benefícios que ele ofereceu para o colega de cela para escaparem, em um esquema de alternância. Ora ele recebe o poder, ora ele transfere o Poder. Todavia, como sabemos, logo chegará o momento que ele terá Poderes o suficiente para poder liquidar o parceiro, que pode acabar tornando-se um empecilho na conquista total de poder. Então, será ponto nosso. Podemos convertê-lo para ser nosso aliado, afinal, que inimigo é pior do que aquele que um dia já foi seu amigo?”

Nessa hora, ele fez uma pausa, e o holograma girou, fazendo com que ele olhasse diretamente para quem o encarava. Um calafrio percorreu o corpo de Greg.

- Sem querer ser pessimista, mas... Thomas já tinha os poderes desenvolvidos antes, certo? – perguntou Mason. Romero assentiu. – Então, agora tendo a chance de ser mais poderoso do que já era antes... Como vamos derrotá-lo? – Mason perguntou, pensativo, ajeitando seus óculos. Um sorriso bem leve preenchia seus lábios. Apenas os mais atentos reparariam nisso. É claro que ninguém percebeu também seu leve tom de sarcasmo na ultima frase. Mason era bem sutil.

- É aí que o Greggory entra. – falou o Sr. Payne. – Ele é da família de Thomas, e sabemos que tem sido a presa há anos — não que seja do conhecimento do menino-, e a única pessoa que pode ser tão poderosa quanto Thomas é o próprio irmão.

- Mas não se pode matar Heróis da mesma família, eu... Eu não entendi o seu ponto ainda. – falou a Srta. Sanders.

- O rapaz não vai matar Thomas. Não vê? Ele já deu indícios de ser mais capaz do que pensa, e, com o treinamento certo, será forte o suficiente para vencer Thomas. Queremos que Greg neutralize todos os poderes que Thomas adquiriu e destrua-os, tornando-o próprio para estudo, e, finalmente, iremos descobrir o segredo e o motivo dos poderes dele terem se desenvolvido tão precocemente.

- Então ele irá se tornar um Extraído? – tornou a perguntar a Srta. Sanders.

- Exatamente. – respondeu Sr. Payne.

- O quê? – Greggory, que estava quieto até agora, resolveu questionar. Ainda não tinha se adaptado à esses termos de Herói. – E como exatamente você espera que eu “capture” os podes do Thomas?

- Extraídos são como os Heróis que costumavam ter Poderes que foram retirados se chamam. Alguns Heróis que estão na Prisão têm como pena tornarem-se Extraídos. E você vai saber como, Greg, na hora certa. – ele respondeu.

- E quanto ao outro? Ao comparsa? – Greg perguntou.

- Soube que ele apenas se identifica como Taz, seu verdadeiro nome nunca foi divulgado. Dizem que ele é bruto e forte, e que Thomas sempre subestima a sua inteligência... Mas, no fundo, ele é mais esperto do que todos pensam. – falou Mason, de repente.

- Este é o indivíduo. – falou a Sra. Brown, apertando o mesmo botão no controle do Sr. Payne e fazendo o holograma de Thomas sumir, dando lugar ao de Taz. Era um homem parrudo e baixo, com sobrancelhas negras e grossas, braços largos, mas não eram definidos. Ele usava a mesma roupa de Thomas. – Tudo o que sabemos sobre ele, é que o seu poder era aparecer e reaparecer no lugar que ele quer, de forma muito rápida. Como se ele se teletransportasse.

Nesse exato segundo, eles ouviram um barulho na porta, e as mochilas de todos apareceram ali. Greg ficou aliviado.

- Estamos prontos para partir. – falou o motorista do ônibus da Sede, o mesmo que os levou da A.A.H para lá. – Vou botar logo as malas no ônibus, pois são as mais pesadas... Tem duas enormes, aqui.

Todos se entreolharam. A Srta. Brown ficou furiosa, ela tinha sido bem clara quando tinha pedido para que todos arrumassem suas MOCHILAS, e não malas. Mas não tinham tempo de ver isso, agora. Em silencio, todos se dirigiram para o ônibus. Nem sinal da Srta. Evans, nem Dylan, nem Sabrina.

Antes de entrar no ônibus, Greggory deu uma olhada na Sede. Não seria a ultima vez que a veria, mas queria apenas observar, pois não sabia o que podia acontecer a ele. Estava decidido a sobreviver, mas sabe-se lá as peripécias de Thomas e seus truques sádicos.

A S.A.H era uma grande estrutura branca, no meio de um monte de rochas e Quénias. Disfarçada, poderia ser facilmente confundida com pedra. Mas quando desativavam essa espécie de ‘fantasia’, era perfeitamente visível. Uma grande construção por entre os rochedos. Portas automáticas situavam-se nas entradas, que abriam-se com a presença. A fachada era como uma espécie de caverna, talvez mais até para um túnel. Mais ou menos no meio do buraco a Sede começava. Havia rumores de que nesse vão, abria-se uma passagem, onde os inimigos eram atirados, quando não reconhecidos.

Talvez eles nunca mais veriam a luz do dia.

Depois de ficar fitando o que ele pode chamar de lar por um tempo, embarcou no ônibus. Todos sabiam que seria muito mais difícil para ele, então ninguém fez pressão, pois sabiam que ele não iria dar para trás. Não que não tenha passado pela sua cabeça, mas era algo que precisava ser feito. Ele, e apenas ele, tinha o poder de derrotar o irmão e voltar com a ordem natural das coisas.

Assim que todos tinham embarcado, Sr. Burguins e a Srta. Brown entraram no ônibus e ficaram de pé, ainda com as portas abertas.

- Para melhorar a comunicação, pedimos ao Departamento de Tecnologia e Desenvolvimento da Sede, criasse algo para nos comunicarmos. Se observarem bem, a unha da Srta. Sanders tem uma micro-camera com um microfone de alto alcance instalado. Vocês só irão se comunicar caso haja uma emergência. Combinamos assim: quatro batidas em uma superfície lisa para falar que está tudo bem. três, para alertar algum perigo. E duas, para gravar algo sem ser notado. Em caso total de emergência, apenas uma batida e as palavras-chave “Raiz forte”, irão ativar a câmera e o microfone instantaneamente e vocês poderão entrar em contato conosco, pedir auxilio etc. Desejamos boa sorte à todos. – o Sr. Burguins falou, e olhou diretamente para Greggory. A Srta. Brown apenas sorriu e assentiu.

- Se importa se eu me sentar aqui? – Mason perguntou a Greg, que olhava para a janela, pensativo. As portas se fecharam. O ônibus começara a se mover e a Sede já ficava para trás.

- Não, tudo bem. Essa viagem será longa... Não vejo problema algum em companhia.

Notas finais
Gostou? Agora sim a aventura começa,e você não perde por esperar! Mal posso ver sua reação! Obrigada por ler, te vejo nos reviews :*