Greetings from midnight
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O prólogo não esclarece muito as coisas, mostra apenas a Louis bastante desamparada quando acorda no porão (carnificina).
Perdoem qualquer erro, estou pelo celular, e boa leitura!
Eram mais rastros e vozes, passos e corpos arrastados. Todos sabiam que a cada minuto que se passava, era o mesmo que sinalização de morte. Ah, a morte, uma realidade estupenda que naquele momento estava próxima de mim ao meio da imensidão negra que minhas pálpebras pesadas proporcionavam-me, me sentindo dolorida e até mesmo incapaz de abrir os olhos por completo.
—Ela está morta? –Um deles perguntou, pegando em meu braço e largando-o logo em seguida, talvez para ter certeza de que eu não iria apresentar algum reflexo ou algo do tipo.
—Não sei, deve estar. –Outro sujeito respondeu em indiferença.
—Devíamos enterra-la. –Sugeriu então o homem que encontrava-se ao meu lado.
—Talvez está não seja a solução... –Uma voz mais baixa destacou-se perante o ambiente, tão familiar que fez-me abrir uma pequena brecha de meus olhos.
Estava tudo embaçado, não podia ver, e era agonizante tentar sobreviver por dentro, tornar-se gritante em meio interno, enquanto o estado físico insistia em adormecer na inércia no aspecto mais pacífico possível. Está é a verdadeira dor de estar entre a vida e a morte.
—Como assim não é a solução?—Questionou o homem, enfático em sua indignação momentânea. –Ela sabe demais! Não vai pensar duas vezes em contar tudo caso for encontrada por aí! – Bradou em posição autoritária.
Pude sentir dedos agarrarem firmemente os fios de meu cabelo, puxando através dos mesmos a minha cabeça para trás, o que para mim foi até um gesto gentil por ter tirado pelo menos uma parte de mim daquele chão imundo que estava cheirando a carniça.
—Bom, ainda temos muito o que aproveitar, evidentemente ainda está viva. –Continuou o que tinha a voz baixa, fazendo uma breve pausa devido ao gaguejar constante em sua fala, suspirando. –Ainda pode ter algo de útil nela, o Mestre ainda não deu a ordem...
—Ah, foda-se a maldita ordem Toby. –Cortou ríspido, soltando meus cabelos e fazendo com o que meu rosto batesse com tudo no chão áspero, rendendo-me uma boa ardência na maçã lateral de meu rosto.
—Jeffrey, você se meteu no que não deveria, aguente as consequências! –Disse outro prontamente, bem firme.
Eram tantas vozes ali que nem sabia mais como distingui-las, e o que complicava mais ainda era o fato de que as vezes caia em inconsciência, e aparentemente voltava a acordar minutos depois, compreendendo apenas a metade dos diálogos.
—Seus idiotas! Ela era minha presa! –Argumentou o tal Jeffrey, nome que eu tinha a impressão de reconhecer.
—Isto não é uma competição de matança porra! –Berrou um em pura impaciência, como se estivesse tentando impor a lógica há tempos.
Em um relapso de loucura instantânea, tentei me levantar, esforçando-me mais do que poderia, pegando toda a esperança que tinha lá no fundo e conseguindo fazer uma mínima e breve locomoção, soltando automaticamente um gemido abafado de dor. Minha perna deveria estar quebrada.
—Jeffrey... –Começou o garoto que gaguejava, e que aparentemente parecia se importar com minha vida por algum motivo qualquer.
—Se me chamar pelo nome todo novamente eu juro que acho sua mãe só para mutilar o útero dela inteirinho. –Ameaçou prontamente em um rosnar, semelhante a um animal com raiva.
Neste momento consegui abrir, aos poucos, os olhos que tanto eram bloqueados pelas malditas pálpebras em representatividade da minha fraqueza física, e não pude deixar de assustar-me ao ver meu estado. Minha barriga estava sangrando bastante, ao ponto de sujar o chão em minha volta e colar a camisa verde escura em meu corpo, além de que sentia algo viscoso escorrer pela minha testa. Foi estranho ter percebido apenas naquele segundo a dor latejante em minha cabeça.
—Ora, ora, o pedaço de carne acordou. –O homem agachado ao meu lado disse em um escárnio, sorrindo mais largo do que um ser humano normalmente poderia sorrir. Havia um corte em suas bochechas, no estilo coringa porém de forma mais assustadora.
Arregalei prontamente meus olhos, erguendo meu corpo em desespero e ignorando toda a dor que me impedia, rastejando lentamente para trás em uma respiração descompensada pelo esforço. Mais assustador do que os olhos esbugalhados e o sorriso largo daquele homem, era o fato de que eu não me lembrava o do porque estava ali, ou de como havia chegado ali, e ter notado está enorme falha de memória repentinamente foi choque de realidade, o gatilho para que o pânico transbordasse em forma de espasmo pelo meu corpo mutilado.
—Só falta ela ter perdido a memória, isto será interessante. –Disse o coringa psicótico, debochando de toda a situação.
Por um momento me perguntei se aquele filho da puta era um telepata.
—Sim, assim seu argumento de que ela sabe demais irá a merda e não poderá mais matá-la por isso. –Gaguejava o menino num canto mais isolado, cuja possuía olhos e cabelos castanhos bagunçados.
O sorriso largo do homem sumiu de forma tão rápida que até seria cômico caso eu não estivesse desmemoriada e machucada em um porão repleto de cadáveres amontoados numa parte distante, perto do garoto que gaguejava. A única característica que tinha de assombrosa neste era um metal que cobria metade de seu rosto, sem citar sobre as faixas que cobriam desde os seus dedos magros até as mãos.
—O que deu em você Tobias? –Indagou lentamente, bem sério. –Não me diga que um perturbado como você se apaixonou pela própria vítima... –Aquele sorriso começou a esticar-se novamente em um aspecto sarcástico, que particularmente deixou-me exasperada por um motivo desconhecido.
E então comecei a tentar a raciocinar, pois algo tinha que fazer sentido nem que fosse por uma fração de segundo. Certo, eu estava num porão que parecia-se mais com uma carnificina, havia corpos empilhados ali, eu estava ensangüentada como se tivesse acabado de ser torturada, minha cabeça doía, sinalização óbvia de que havia levado uma porrada bem forte ali, o que ocasionou na perda de memória. O mais difícil era tentar reconhecer os três sujeitos que estavam no porão, e o mais familiar era aquele que sorria, o mais sádico, o que queria me matar. Bem irônico não? Ainda havia o último cuja ainda não caracterizei, trajava um moletom mostarda e largo, uma máscara que cobria sua cabeça inteira e estampava uma carinha triste traçada em um vermelho chamativo ao meio do tecido preto. Este devia ser o que havia colocado a moral no meio da discussão toda.
—Não. –Gaguejou Toby... Ou Tobias, tendo tiques.
—Ah, não é? –Riu o coringa, escandalosamente enquanto inclinava a cabeça para trás.
—Jeff. –Pronunciou o mascarado, parecendo estar sempre em uma posição mais firme.
—Hoodie, não vamos negar que isto é surreal! –Bradava como se estivesse repugnando aquilo, franzindo levemente o cenho. –Pobre garota, por isso que digo que é melhor matar logo...
—Por que você não dá um tempo? –Cortou o mascarado, ou Hoodie... tanto faz. –Isso tudo é medo de ser entregue à polícia ou é vontade de fazê-la ser uma de suas bonequinhas para tortura? –Provocava ácido, era como se sorrisse cinicamente por trás de sua máscara. –Seu doente de merda!
—Não queira se meter em problemas comigo. –Jeff trincou os dentes, virando na direção de Hoodie com os punhos fechados.
—Não queira se meter em problemas com o Slender.
—Uau, estou morrendo de medo!
—Melhor ter, nós dois sabemos muito bem o que aconteceu quando quis se meter em algo que não era assunto seu, porque quer enfiar essa maldita faca em tudo que vê pela frente! –Hoodie se aproximava enquanto cuspia as palavras, alterando cada vez mais seu tom.
Uma tensão espalhou-se pelo ambiente, e mesmo sem entender nada, pude senti-la me abater de forma que os questionamentos em minha cabeça se cessaram por alguns minutos, como se meu novo foco fosse entender a natureza daqueles três e o que eles eram. Podia analisar, claramente, que Hoodie e Jeff não se davam bem, e Toby era o mais quieto em um canto cheio de corpos sangrentos... o que o tornava um pouco mais sinistro do que os outros dois que discutiam. Ficar tranquilo ao lado de cadáveres não é algo tão normal.
—Eu vou avisar novamente. –Jeff também se aproximou, em um ar mais superior do que Hoodie. –Não se meta comigo, porque sou livre para fazer o que quiser ao contrário de você que é escravo de uma entidade que usa terno e gravata. –Inclinou levemente a cabeça para o lado, com o olhar fixo e mortal em seu adversário.
—Francamente! Parecem duas galinhas brigando pra ver quem pega a última espiga de milho! –Levei um susto, pois um sujeito que tinha certeza de que não estava ali brotou do nada em um piscar de olhos. Apenas não gritei por estar fraca demais para isto.
Sua altura era mediana, mais baixo do que Jeff e Hoodie que eram quase do mesmo tamanho, trajava uma jaqueta... bege (?), os cabelos eram tão negros quanto carvão com os fios bagunçados, tendo olhos destacados pela cor azul clara, mais puxada para a tonalidade cinzenta. Este estava tão tranquilo que até havia acendido um cigarro.
Porra! Eu não estava entendendo mais merda nenhuma... Aqueles quatro pareciam representar um pedaço de manicômio.
—Masky, não fode! –Hoodie protestou, impaciente.
—Seu cu, sossega aí e deixa esse arrombado pra lá. –Sugeriu com cara de paisagem, pegando-o pelo ombro e o afastando de Jeff.
—Me chamou de que?! –Jeff alterou-se para cima de Masky, que riu e esquivou-se de um soco, levando novamente aos lábios o cigarro como se nada tivesse acontecido.
—Toby, é melhor tirar a menina daqui antes que ela vire saco de pancada... de novo. –Sugeriu Masky, erguendo o queixo em minha direção num ar zombeteiro.
Automaticamente, segui meu olhar ao menino, que quase em imediato começou a andar em minha direção em passos apressados. Assim como um animal indefeso eu me encolhi ao arrastar-me até a parede próxima, impedindo que ele me tocasse, portanto aquilo obviamente foi inútil, pois insistentemente Toby me pegou no colo como se eu fosse um bebê.
—Para... –Tentei protestar, remexendo-me em vão. –Me solta.
—Cale a boca ou vão te matar mais cedo do que imagina. –Avisou em um ar de ameaça, em um tom que só eu e ele poderíamos escutar.
E nossa, era este o garoto que supostamente estava apaixonado por mim... bem romântico.
—Não... –Eu insisti, bem assustada ao ver que estávamos perto da escada que nos levaria a porta da saída.
—Certo. –Me largou inesperadamente, fazendo-me soltar um gemido de dor.
O impacto de minhas costas com o chão foi tão forte que pude escutar algo estalar, piorando toda a minha situação. Mal conseguia me mover por conta da perna e da barriga aparentemente furada.
—Não queria que eu te soltasse? Pois bem, suba sozinha! –Ordenou ríspido, subindo as escadas sem ao menos olhar para trás.
No fundo eram apenas vozes que discutiam entre si, ninguém iria me levantar, então pude dar foco a minha dor, e em como poderia derrota-lá para me arrastar naqueles degraus. Tinha certa impressão de que Toby iria me violentar caso eu não subisse por conta própria.
—Ei... Espera... –Perdi o fôlego, chamando sua atenção.
—Ou é isso ou te arrasto pela sua perna quebrada. –Encostou-se no batente da porta que fora aberta por ele, comprovado minha teoria de ser violentada com sua tamanha displicência.
Trêmula e incerta do que fazer, estiquei meus braços e fui dando um jeito de subir os degraus, agarrando-os e competindo com meu próprio peso para que meu corpo fosse para cima. Deus, eu tinha uma vida antes de entrar nesta situação? Eu nem ao menos sabia o meu nome.
—Viu? Você consegue! –Deu tapinhas no topo de minha cabeça, como se eu fosse um cachorro.
Ofegante deixei com o que meu corpo caísse de bruços no chão, minha barriga parecia sangrar cada vez mais. Pelo menos havia conseguido chegar até a porta.
—Para onde vamos? –Indaguei em um fio de voz, sem nem saber como eu tinha a capacidade de tentar dialogar com um desconhecido tão sinistro quanto aquele.
—No momento cuidar disso aí antes que morra. –Referia-se a minha barriga, suspirando. –Ah não ser que decida dar os pontos sozinha. –Completou debochado.
—Apenas faça logo... Por favor. –Implorei erguendo a cabeça em sua direção, com a visão retornando ao estado de desfoque.
Tive a impressão de que Toby revirou os olhos, e a única coisa que pude sentir foi o mesmo virando-me de barriga para cima e pegando-me pela segunda vez no colo. Até aí eu já havia caído em pleno estado de inconsciência novamente.
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