Greeneyes
6 Capítulo 6
- Acorda agora. – Cantarolou Julia.
- Sai.- Eu respondi sonolento apontando para a porta.
- Acorda agora. – Cantarolou uma voz familiar. Max.
Acordei.
- Max..?
- Liguei para seu celular e ela atendeu. Disse-me como chegar. Cheguei ontem a noite e você estava dormindo, não quisemos te acordar.
- Trouxe o que pedi?
- Sim e precisamos conversar.
- Já entendi. – Disse Julia quando Max a olhou. – Você tem treinamento as sete e meia John, não se esqueça. Até mais Max.
- Até depois garota. – Ele a respondeu virando o pescoço para avaliá-la e quando ela bateu a porta Max se virou para mim, se jogando de joelho na cama. – Que casa é essa meu amigo? Tem certeza que não esta pegando ela?
- Absoluta. – Voltei a me deitar.
- Peguei dinheiro com a Maggie e deixei um bilhete para minha mãe dizendo que estava com problemas e cá estou. – Anunciou Max despreocupado.
- Porque será que não espero nenhuma atitude responsável de você?
- Porque precisamos treinar mais a harmonia do relacionamento?
-Tem umas coisas acontecendo Max.
- Claro que tem, uma garota rica e gostosa deixou um nerd dormir em um dos quartos dela. É o fim.
Ignorei o comentário.
Max era o tipo de cara que atraia qualquer menina, era extrovertido, sabia se vestir mesmo sendo de Ruston, dominava a arte da lábia infundada porem não tinha nada na cabeça alem de um cérebro morto, sobrancelhas bem feitas e uma franja emo desnecessária.
- Eu tenho poderes cara. – Disse eu.
Max soltou uma gargalhada estridente e audível, suas mãos foram para a barriga e seu corpo sacudia tanto que seus cabelos movia junto ao chacoalhar de seu corpo.
Mas como não ri também ele parou.
- Esta brincando não é?
- Não. – Apoiei meu corpo sobre os cotovelos e o encarei.- Me passa o canivete. – Max andava com o canivete no chaveiro junto a chave do carro e logo após que me entregou eu passei a lamina da faca sobre meu antebraço até o pulso, o liquido negro brotou como antes e o corte se fechou na mesma rapidez com que se abriu. – Viu.
Ele me olhou com a boca aberta e isso me fez rir.
- Não pode contar a ninguém Max.
- Não sei o que dizer cara.
Contei tudo que sabia a Max, até o plano de Julia. Eu sabia que o estava confundindo pois aquilo era confuso pra mim igualmente porem eu confiava nele, nos conhecíamos desde o quarto ano e nunca houve segredos, a não ser a vez que eu fiquei com a prima dele mas eu sabia que ele desconfiava.
Max se mostrou surpreso a tudo que contei mais não duvidou, seus comentários eram irônicos porem cheio de restrições, ele se afastou de mim após o corte e se sentou no sofá pequeno próximo a cama. Quando o silencio se tornou estranho Max o interrompeu dizendo.
- Então foi por isso que os socos de Paul Harrison não te machucaram, o cara te bateu por quase dois minutos e quando terminou ele estava cansado e você disposto o bastante para derrubá-lo com apenas um soco.
Eu não me lembrara disso até o momento..
- Eu... eu não sei o que pensar cara. – Concluiu Max.
- Você não esta com medo, não é?
Max gargalhou e eu o senti ali novamente desde que contara tudo que era.
- Você precisa voar e ter um testículo na testa para me por medo.
Eu ri.
- É que você se afastou... Eu pensei que...
- É que não é todo dia que seu irmão não é da mesma espécie que você. — Disse ele de repente abatido. Eu não respondi de imediato e ele sorriu para mim, sem olhar para meu rosto, seu sorriso foi breve e sem humor.
— Ainda somos irmãos... — Consegui dizer antes de ouvir alguém bater na porta. – Entre.
- Meu pai disse que se você não descer agora ele quebra suas pernas. – Julia tentou parecer ameaçadora, mas nem ao menos chegou perto.
- Ele disse isso?
- Não mas eu vou.
- É impressão ou estou sentindo uma tensão sexual entre vocês? – Perguntou Max.
- Agora! – Disse Julia antes de sair e bater a porta.
- Ela tem cara de que gosta de uns tapas na hora do “vamos ver”.
Eu ri antes de me levantar.
O café da manhã foi rápido porem na mesa tinha de tudo, eu comeria uma boa parte daquilo, mas os testes não me deixava disposto o bastante porem Max comeu minha parte, a dele e um pouco da parte do Sr. Percie também, Julia manteve o equilíbrio, mas a competição estava acirrada.
Logo quando o café terminou o pai de Julia esperou um tempo antes de anunciar o período de testes. Ele nos guiou até o corredor térreo da enorme casa e adentrou em um cômodo de luz fosca. Um laboratório, eu já tinha pensado em ser tratado como um rato mas não achava que seria tão literário, o lugar tinha tudo que um laboratório tinha, desde maquinas sofisticadas á um esqueleto desmontável no canto, ao lado da pia, nem o piano de calda ao lado da maca no centro do cômodo me tirava a sensação de ter me tornado um rato, subitamente.
- Porque não consigo parar de pensar em ratos?
- Você não vai ser testado assim John. – Tranqüilizou-me Carl. – Você vai variar entre testes psíquicos e práticos. Vamos testar a tesinesia, força, persuasão, rapidez.. coisas assim. Não se preocupe.
- Pior do que com ratos. – Ouvi Max dizer.
Os testes foram intensos, principalmente os psíquicos pois eles estimulavam uma capacidade que nem eu sabia que existia em meu cérebro. Carl havia me ligado a aparelhos e exigia que eu me concentrasse e qualquer extensão fantasma em meu cérebro, Julia ajudava dizendo que nem sempre ela pensava no que queria, mas que seu subconsciente identificava e reproduzia, tentei fazer isso, ignorava minha subconsciência para dar voz a uma estrutura mais solida em minha mente algo que eu pudesse me agarrar e expor, mas... Nada. Os práticos por sua vez foram mais fáceis, eu me esforçava, sabia exatamente como fazê-lo, como exigir mais de mim mesmo, eu tinha que correr em uma esteira e pegar peso e sempre ligados a aparelhos. Carl me explicou que era importante descobrir os dons antes dos dezoito para que não fosse complicado domá-los quando eles chegam a seu auge. Procurei usar a mente junto a capacidade física, movendo meu corpo a cada nova investida psíquica, mas nenhum resultado próximo do que queríamos.
No meio de um teste psíquico encarei a lâmpada azul fosco no alto do laboratório, não estava pensando em nada específico, meu cérebro girou entre minha infância, minha origem e meu futuro, entre eles minha mãe. Será que ela sabia o que eu era e por isso se matou? Será que se matou para que não a matassem quando viessem me caçar? Teria sido ela tão egoísta? Eu não queria acreditar, ela dizia me amar, não me deixaria pra morrer.
A luz fosca no teto piscou e seguido de um ruído uma chama azul saiu da lâmpada que se espedaçou, eu não me sobressaltei como os demais fizeram apenas a observei, a chama dançou lentamente no teto em minha frente e se apagou.
Ou deixaria?
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