Green & Yellow
14 Ódio
Freed percebeu que Laxus armara para que ele visse aquilo. Por quê? Não fazia idéia.
Suas lágrimas desciam descontroladamente.
Encarava Laxus; Laxus o encarava.
Mesmo depois de tudo o que passou
Laxus queria provocá-lo.
Talvez nem quisesse saber por que.
Isso não importava agora.
— Ah, Freed. Não fique com essa cara! – Disse Laxus com um sorriso debochado.
— C-como você... Como você pôde?
— Do que você está falando? Não gosta disso? – Deu uma risada. – Eu só quero que veja do que eu gosto... – Deu mais uma risada.
Cana estava muito drogada, e não ouvia o que Laxus falava. Mas Freed ouvia atentamente cada som que saía daquela boca.
A boca que um dia quis beijar.
Freed entendeu o que Laxus queria. Armou para que ele visse aquilo e deixasse de gostar de Laxus, já que ele gostava de mulheres. Bastou isso, e saiu correndo, com a visão embaralhada. Ao ver Freed sair daquele jeito, sadicamente Laxus chegou ao limite, preenchendo Cana. Ela gemeu, e ele a vestiu, deitando-a no chão. Depois colocou uma garrafa de vinho aberta em sua mão. Caso a vissem iriam achar que caiu de bêbada. Laxus se vestiu e se espreguiçou, murmurando “agora ele vai parar com isso, finalmente”. Estava tranquilo porque agora não teria muitos problemas se Freed continuasse na Raijinshuu. Seu plano deu certo.
Freed tropeçou pelas escadas, correndo desesperadamente. “Mesmo depois de tudo ele quis me fazer sofrer!”. Só pensava nisso. Sua felicidade se transformou em tristeza em uma oscilação tremendamente rápida. Isso causou um impacto ainda maior em Freed. Poderia ter causas irreversíveis.
Escancarou a porta no final das escadas. Estava no primeiro andar. Mirajane se assustou com o barulho, e foi ver o que era. Não demorou muito para ver Freed correndo cheio de lágrimas em seus olhos. Mirajane infelizmente percebeu que o sussurro de Laxus era verdade. Ela ouviu exatamente o que ele disse. Gritou pelo nome de Freed para pará-lo, em vão. O grito de Mirajane despertou Evergreen de um devaneio, sobre o que estava acontecendo com os dois lá em baixo. Se levantou rapidamente, deixando uma taça de vinho cair e quebrar no chão. Correu pelas escadas para o primeiro andar, vendo Freed sair da guilda. Olhou para Mirajane e seu olhar lhe revelou o estado de Freed. Tinha que ir atrás dele, ou uma tragédia poderia acontecer. Voou em direção ao amigo, mas ele já havia sumido entre as pessoas na cidade. O procurou do mesmo jeito.
Makarov saía debaixo do balcão quando Mirajane gritou o nome de Freed, e conseguiu ver que ele estava muito deprimido. Ele viu Evergreen ir atrás dele, pensando no que ocorreria. Não demorou muito para que Laxus saísse do corredor que levava ao subsolo. Mirajane se enfureceu. Se transformou em um demônio. Laxus a olhou e ficou espantado. Tentou ignorá-la, indo ao centro do hall da guilda, caminhando para a saída da mesma. Mirajane pulou o balcão e voou em direção á Laxus, que se virou rapidamente interceptando seu soco com o braço direito.
Laxus viu.
O demônio chorava.
Mirajane tinha lágrimas escorrendo por seu rosto.
Não demorou para os dois ouvirem o grito altíssimo de Makarov. Mirajane voltou ao normal, ainda chorando. Makarov mandou ela se afastar, ou acabaria matando Laxus. Makarov andou lentamente em direção ao seu neto, para em sua frente. Laxus o olhava com desprezo.
— Laxus... O que você fez?
— Eu não fiz nada. Freed que é um frouxo.
— LAXUS, O QUE VOCÊ FEZ?
Laxus pareceu acordar de um sonho quando. Olhou triste para Makarov. Seu grito ecoou na mente de Laxus, que repetia a pergunta: “o que eu fiz?”. Laxus estava visivelmente diferente. Olhou para Mirajane e sentiu uma dor no peito ao ver suas lágrimas.
— Desculpe. Eu... Não sei o que eu fiz.
— O que há com você, Laxus? Faz algum tempo que tem agido diferente! O que está acontecendo? – Gritou a última frase.
— Eu não sei! – Laxus gritou enquanto sentiu que lágrimas iriam escorrer por seu rosto.
— Por que você fez isso com o coitado do Freed? Você viu o estado dele? Você tem idéia do que ele pode fazer?
— Eu peço perdão. – Falou com voz chorosa.
— Acho que alguém poderia te perdoar agora?
— Eu temo pelo estado de Freed. Eu não estou tendo tempo para me arrepender, porque você fica me pressionando com essas perguntas!
— Se algo acontecer a Freed, você será o responsável. Depois de tudo que você fez ele passar... Esse não é meu neto. Saia daqui. Não volte até encontrar Freed.
— Eu entendo. Eu quero trazê-lo de volta.
— Desgraçado. – Mirajane os interrompeu.
— Me desculpe Mirajane. Me desculpe por tudo que fiz e estou fazendo você passar.
— Guarde suas lamentações e pedidos de desculpas para Freed. Ele necessita mais do que eu. Saia daqui, Laxus. SAIA DAQUI! – Mirajane caía de joelhos no chão, pondo as mãos no rosto, chorando desesperadamente.
Makarov encarava Laxus seriamente. Ele havia feito Freed sofrer, e iria pagar por aquilo. Mas ainda não era a hora. Deveriam se preocupar em onde Freed estava.
E o que faria.
Laxus saiu da guilda, andando pelas ruas em passos apressados. Se perguntava o que havia acontecido consigo mesmo. Ele não era assim. Nunca faria algo tão cruel á alguém. Principalmente para Freed, que sempre esteve ao seu lado. Lembrou-se do sentimento de arrependimento que sentiu quando foi derrotado por Natsu após atacar a guilda.
Será que aquilo eu estava se mesclando com sua personalidade?
Essa seria a resposta mais plausível, e de certa forma tranquilizava-o, já que demonstraria que não era realmente ele que havia feito isso. Decidiu apagar todos seus pensamentos para se concentrar em procurar Freed.
Evergreen também estava á procura de Freed. Sobrevoava a cidade em busca do garoto de cabelos verdes. Ela sentia seu coração apertar. Da mesma forma que sentia raiva de Laxus. Mas deixaria esse sentimento vir á tona depois. Procurou por volta de toda Fairy Tail, até a Catedral Kardia. E nada de Freed. A procura por Freed estava demorando mais de uma hora e meia. Já eram nove horas da noite, e nem Laxus, nem Evergreen tiveram um sinal de Freed.
Freed corria até a fronteira de Magnólia. Estava cansado de tanto correr. Viu um galpão abandonado ali perto, e decidiu parar por ali. Quando recuperasse o fôlego, sairia dali e continuaria a correr para fora de Magnólia. Estava decidido. Não iria voltar para a Raijinshuu. Não iria voltar para Fairy Tail. Não iria voltar para Magnólia. Não iria voltar para seus amigos.
Iria os abandonar para que pudesse esquecer de tudo que sofreu. Era a única forma. Mas não iria deixar barato. Iria treinar duro para se transformar em um excelente mago. Um mago mais forte que Laxus. Para que um dia pudesse voltar para a Fairy Tail.
Voltar para matar seu amor.
Já eram quase dez horas. Laxus estava cansado, e estava numa estrada vazia. Aproveitava a solidão para chorar, sem que ninguém o visse. Seus olhos estavam vermelhos. Havia chorando muito, mas não havia acabado ainda. Procura por Freed nas fronteiras da cidade. Era o único lugar que restava. Laxus temia pelo que havia acontecido com Freed, e se ele havia saído de Magnólia. Se isto ocorresse, talvez nunca o encontrasse novamente.
Evergreen voltava para Fairy Tail, alegando ter procurado por todos os lugares possíveis. Makarov mandou todos irem embora para que pudessem descansar. No outro dia iria reunir um pessoal para ir á sua procura. Claro, se Laxus não o encontrasse antes.
Laxus viu um galpão velho. Seus olhos arregalaram-se ao sentir vagamente o cheiro de Freed. Seu nariz de Dragon Slayer lhe ajudou nessa ocasião. Correu em direção ao mesmo, gritando em sua mente para que Freed estivesse lá. Quando chegou, abriu os dois portões grandes que estavam fechados.
Lentamente os portões se abriram.
Laxus viu Freed sentado no outro lado do galpão.
Ele chorava agachado.
Levantou lentamente a cabeça.
Encarou Laxus por fim.
Porém seu olhar tornou-se puro ódio.
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